A Unesco anunciou na semana passada a lista de 25 novos Patrimônios da Humanidade. Com as inclusões recentes, chegou a 936 o número de patrimônios – 183 naturais, 725 culturais e 28 que se enquadram nas duas categorias. Veja a lista:
- Costa Ningaloo (Austrália)
- Ilhas Ogasawara (Japão)
- Lago Quênia, no Grande Vale Rift (Quênia)
- Área de Proteção Wadi Rum (Jordânia)
- Centro histórico de Bridgetown (Barbados)
- Paisagem cultural do Lago Oeste, em Hangzhou (China)
- Paisagem cultural do café (Colômbia)
- Jardim Persa (Irã)
- Paisagem cultural de Konso (Etiópia)
- Paisagem cultural agropastoril das regiões mediterrâneas de Causses e Cévennes (França)
- Fábrica Fagus (Alemanha)
- Lombardos (Itália)
- Templos, jardins e sítios arqueológicos de Hiraizumi (Japão)
- Forte Jesus (Quênia)
- Gravuras rupestres das Montanhas Altai (Mongólia)
- Catedral de León (Nicarágua)
- Delta do Saloum (Senegal)
- Paisagem cultural da Serra da Tramuntana (Espanha)
- Sítios arqueológicos da Ilha de Meroe (Sudão)
- Moradias pré-históricas (Suíça, Áustria, França, Alemanha, Itália e Eslovênia)
- Antigos vilarejos do norte da Síria
- Mesquita de Selimiye (Turquia)
- Sítios culturais de Al Ain (Emirados Árabes Unidos)
- Residências metropolitanas de Bucovina e Dalmácia (Ucrânia)
- Citadela da dinastia Ho (Vietnã)
Além destes, a entidade incluiu dois lugares na lista de patrimônios em risco: a Reserva do Río Plátano, em Honduras, e a Floresta de Sumatra, na Indonésia. A vida selvagem do Parque Nacional Manas, na Índia, perdeu o status de área em risco.
Apesar de não ter sido contemplado na lista atual, o Brasil tem 18 patrimônios inscritos na lista da Unesco. Entre eles, as ruínas jesuíticas de São Miguel dos Milagres (RS); o Parque Nacional do Iguaçu (PR), o Santuário de Bom Jesus de Congonhas (MG), a Cidade de Goiás (GO), a Chapada dos Veadeiros (GO), a Serra da Capivara (PI) e os centros históricos de Olinda (PE) e São Luís (MA). No site da Unesco você encontra a lista completa de patrimônios pelo planeta e a localização de cada um em um mapa interativo.
Quem sabe um (ou mais) deles está justamente no meio do caminho da sua próxima viagem?
As ruazinhas não têm placas, não há numeração nas casas. E por mais que seja fascinante o sobe e desce sem rumo por esse labirinto de cores, sons e aromas, no centro histórico de Amã, é preciso reconhecer que se está perdido. Então anote: Fakhr El-Din. O primeiro jordaniano para quem mostrar o papel fará questão de levá-lo até o local. “Ahlan Wa Sahlan”, dirá. Depois, com inglês básico, explicará: “Welcome to Jordan”.
Não hesite em aceitar a ajuda porque só mesmo alguém que conhece a cidade é capaz de se desvencilhar desse novelo. Ainda com dificuldade. O carro velho passa lento pelas vielas estreitas e para de repente numa rotatória sem solução. Ninguém anda, todos buzinam. O trânsito de Amã é desorientado. Até combina com a paisagem caótica. Pela janela passam casinhas de um branco gasto, coloridas com pashminas, doces árabes e muito ouro, os minaretes da Mesquita El-Hussein, as barracas do souk com especiarias de encher os olhos e perfumar o ar…
O motorista está tentando escalar a seleção brasileira de futebol quando estaciona o carro na porta do restaurante. “Ahlan Wa Sahlan”. A saudação, agora, é ouvida à porta da típica mansão árabe. Meu “guia” entra, conversa com a hostess e só vai embora quando estou “a salvo”, quer dizer, confortavelmente sentada na recepção decorada com tapetes persas. Nesse ambiente acolhedor, o cheirinho de hortelã é uma pitada da autêntica experiência gastronômica que virá a seguir.

O Fakhr El-Din é especialista na cozinha libanesa. Foto: divulgação
A simpatia e a hospitalidade do povo dizem muito sobre a culinária árabe. Basta sentar-se à mesa. O Fakhr El-Din é especialista na cozinha libanesa, a mais requintada da região, e reconhecido pela variedade do mezza (aperitivo). Ai de quem não experimentar cada porção. Ali, a desfeita é considerada um grave haram, ou pecado.
Difícil saber por onde começar. A mesa está completamente tomada pelos pratos frios. Tudo muito farto e colorido. Quibe cru, coalhada seca, homus (pasta de grão-de-bico), babaganush (pasta de berinjela), tabbouleh (salada de trigo), shanklish (queijo de cabra) e até charuto de folha de uva. Para acompanhar, pão árabe, sempre.

Destaque para o farto e colorido mezza (aperitivo). Foto: divulgação
Pensando em não fazer desfeita, o risco é cometer outro pecado, o da gula. Os garçons não param de repor as porções, por isso, vá com calma – ou quando os pratos quentes chegarem você estará mais do que satisfeito. Também será um haram deixar de provar os tradicionais quibe assado, quibe frito, kafta e esfiha. Um alerta: tudo é feito com carne de cabrito, com gosto e tempero bem fortes.

Quibe cru, um dos pratos mais tradicionais. Foto: divulgação
Mas os próximos sabores são bem mais exóticos: testículos de carneiro e pardal frito, ambos servidos com azeite de oliva e limão. Para paladares mais conservadores, o menu ainda oferece frango e peixes frescos. Entre uma garfada e outra, não deixe de degustar o arak, uma refrescante bebida alcoólica de origem árabe. É destilada da tâmara ou da uva e aromatizada com anis e outras especiarias. Bebe-se pura, com gelo.
De sobremesa, frutas e sorvete de pistache. Para acompanhar o café, um bocado de docinhos de massa folhada recheados com pistache, amêndoas e nozes. A experiência, porém, só se completa depois do narguilé – eles não apenas decoram o restaurante como também fazem parte do ritual gastronômico. O fumo de maça é bem suave.
À saída, a certeza de que nessa região de discórdias sem-fim a culinária é, sim, um símbolo de identidade. A essa altura, você já terá aprendido a dizer até logo: “Ma’a salameh”.
Fakhr El-Din:Jabal Amman, 2nd Circle. Site: www.fakhreldin.com
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