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Viagem

Bruna Tiussu

Tudo bem pagar por determinados serviços de hotel. Lavanderia, ok; taxa de serviço de quarto, pode ser. Mas cobrar pelo uso da internet me parece uma afronta. Qualquer forma de hospedagem que se preze, coloca o acesso à rede wireless na sua lista de facilidades – portanto totalmente livre para o uso dos hóspedes.

Acho difícil compreender a pretensão de lucrar com tal serviço. Afinal, a conexão já está ali, para manter o completo funcionamento do local, certo? Assim como a energia elétrica. Não é algo que demanda um ultramegainvestimento do dono do hotel. E a internet já entrou há tempos para o grupo das necessidades básicas dos viajantes. Então, como ousar deixá-los largados à sua própria sorte?

Ouso dizer, ainda, que as chances de lucro aumentam para quem oferece o benefício gratuitamente. Quantas pessoas não desejam logo um delicioso cappuccino, quiçá uma taça de vinho ou até uma cerveja para aquele momento em que cumpre tarefas no laptop? Se o tempo de acesso é ilimitado, a taça de vinho ou a cerveja podem fácil, fácil, se transformarem em duas. E quem sai ganhando é o bar do hotel.

Não sei se as grandes redes hoteleiras dão conta disso, mas já é expressivo o número de turistas que, como eu, logo buscam o simbolozinho de internet gratuita nos sites dos estabelecimentos na hora da pesquisa por onde passar a noite. Nunca fui de levantar bandeiras, mas taí um grupo que merece esforço para ganhar ainda mais relevância: o dos viajantes que só reservam hotel com Wi-Fi grátis. Aposto que será facílimo juntar adeptos.

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Bruna Tiussu

Há dois quesitos indispensáveis quando avalio um hotel ou pousada: café da manhã e acesso à internet grátis. Para começar, vou falar neste post sobre o primeiro. Neste tema, o que me satisfaz não é escutar o mero “sim, o preço da diária inclui café”. Mas como o benefício efetivamente é apresentado.

Não busco números exagerados de quitutes, oito sabores de sucos ou dezessete tipos de queijos de primeira, não me entenda mal. Ingredientes frecos, aromas e temperos que automaticamente se identificam com o destino visitado – e que deram vida própria à expressão “café da manhã de hotel” – é que de fato me interessa.

Nos hotéis espalhados pelo Nordeste, por exemplo, uma tradicional tapioca feita na hora tem poderes quase sobrenaturais de animar a minha manhã. Em Minas, o cheirinho do legítimo pão de queijo (sim, o de lá é indiscutivelmente melhor) vai me buscar lá no quarto. E como não esperar um croissant deliciosamente crocante quando se acorda em Paris? Ou os pães pretos e cheios de cereais tão típicos na Alemanha?

Até mesmo as salsichas, bacon, tomates e ovos que compõem o desafiador English breakfast eu espero ver na mesa de café da manhã quando estou na capital inglesa. Meus olhos ainda mal se abriram, mas só de olhar aquele prato gordurosinho e bem montado ali, me recordo que estou em Londres e é uma felicidade só.

  english_breakfast__.jpg

 

Não são todas as iguarias mundo afora que agradam o meu paladar matinal, isso é fato. Nem tenho disposição suficiente para me encher de bagels, peanut butter e muffins a cada café da manhã nos Estados Unidos. Ou de tortilhas e tacos picantes em uma visita ao México. Mas é certo que provo tudo isso. E fico bem contente quando o hotel escolhido consegue me proporcionar um contato inaugural com a cultura gastronômica do destino de minhas férias.

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