Pedro Antunes*
É tudo tão diferente, mas tudo tão igual. Deu para entender? A ilha de Barbados, situada no Caribe, próxima da Venezuela, comemora o seu carnaval com muitos trios elétricos nas ruas, moças com fantasias mínimas e muita dança. O sorriso no rosto dos bajans, como eles próprios se denominam, é sempre frequente.
Tem muito do carnaval que se conhece no Brasil, com a mistura dos trios elétricos de Salvador (BA), os biquinis do Rio de Janeiro e um jeito de dançar único. A música tem um ritmo latino, navega entre o axé e o raggae, e tem o nome de soka.
O carnaval deles, no entanto, é muito, muito mais longo. São pouco mais de 3 meses de festa, de 14 de maio a 1 de agosto. Tudo para celebrar o fim da colheita de cana-de-açúcar.
Nesta segunda-feira (1/8), último dia do carnaval, é comemorado o Kadooment Day, o dia da libertação dos escravos. Cerca de 15 mil pessoas se dividem em blocos que desfilam pelas ruas de Spring Garden, um bairro mais periférico de Bridgetown, a capital da ilha caribenha. São 6 quilômetros de percurso, com soka de fundo, com muita dança e bebida. A dança, em si, é extremamente peculiar.
Apesar da sensação térmica de mais de 30º e a chuva que insistia em cair, os bajans e turistas protagonizavam cenas quase de sexo explícito. A única coisa que os impedia de qualquer assanhamento maior, eram as roupas – curtas, diga-se de passagem.
A simulação é tradicional e parece não incomodar nenhuma das pessoas, seja quem está dentro do cordão de isolamento, ou quem está fora, só assistindo a festa. Tudo faz parte da festa.
Até a cantora Rihanna, que nasceu no país e se tornou, no último mês, uma espécie de embaixadora, caiu na brincadeira e desfilou pelas ruas de Spring Garden.
A Unesco anunciou na semana passada a lista de 25 novos Patrimônios da Humanidade. Com as inclusões recentes, chegou a 936 o número de patrimônios – 183 naturais, 725 culturais e 28 que se enquadram nas duas categorias. Veja a lista:
- Costa Ningaloo (Austrália)
- Ilhas Ogasawara (Japão)
- Lago Quênia, no Grande Vale Rift (Quênia)
- Área de Proteção Wadi Rum (Jordânia)
- Centro histórico de Bridgetown (Barbados)
- Paisagem cultural do Lago Oeste, em Hangzhou (China)
- Paisagem cultural do café (Colômbia)
- Jardim Persa (Irã)
- Paisagem cultural de Konso (Etiópia)
- Paisagem cultural agropastoril das regiões mediterrâneas de Causses e Cévennes (França)
- Fábrica Fagus (Alemanha)
- Lombardos (Itália)
- Templos, jardins e sítios arqueológicos de Hiraizumi (Japão)
- Forte Jesus (Quênia)
- Gravuras rupestres das Montanhas Altai (Mongólia)
- Catedral de León (Nicarágua)
- Delta do Saloum (Senegal)
- Paisagem cultural da Serra da Tramuntana (Espanha)
- Sítios arqueológicos da Ilha de Meroe (Sudão)
- Moradias pré-históricas (Suíça, Áustria, França, Alemanha, Itália e Eslovênia)
- Antigos vilarejos do norte da Síria
- Mesquita de Selimiye (Turquia)
- Sítios culturais de Al Ain (Emirados Árabes Unidos)
- Residências metropolitanas de Bucovina e Dalmácia (Ucrânia)
- Citadela da dinastia Ho (Vietnã)
Além destes, a entidade incluiu dois lugares na lista de patrimônios em risco: a Reserva do Río Plátano, em Honduras, e a Floresta de Sumatra, na Indonésia. A vida selvagem do Parque Nacional Manas, na Índia, perdeu o status de área em risco.
Apesar de não ter sido contemplado na lista atual, o Brasil tem 18 patrimônios inscritos na lista da Unesco. Entre eles, as ruínas jesuíticas de São Miguel dos Milagres (RS); o Parque Nacional do Iguaçu (PR), o Santuário de Bom Jesus de Congonhas (MG), a Cidade de Goiás (GO), a Chapada dos Veadeiros (GO), a Serra da Capivara (PI) e os centros históricos de Olinda (PE) e São Luís (MA). No site da Unesco você encontra a lista completa de patrimônios pelo planeta e a localização de cada um em um mapa interativo.
Quem sabe um (ou mais) deles está justamente no meio do caminho da sua próxima viagem?
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