A cada quatro anos o torcedor brasileiro revela sua paixão de futebol. Horário de jogo é sagrado: não há praticamente ninguém nas ruas, a menos que houver um telão ou uma televisão dando sopa no caminho. Torcer pela seleção é o esporte nacional.
Mas como é a mobilização pelos jogos quando se está longe de casa? Acredite: ver jogos do Brasil fora do Brasil é uma ótima experiência. Mesmo no exterior, o brasileiro faz questão de manter o mesmo ritual: roupa verde e amarela, corneta (ou vuvuzela, para usar a palavra da moda) em mãos e velhos gritinhos de guerra são ouvidos a milhares de quilômetros do território nacional. E nem estamos falando das cidades-sede.
Quem mora ou está viajando durante o Mundial tem a oportunidade de acompanhar a torcida não só de seus compatriotas, mas também de estrangeiros. É quase como um código de conduta: eu torço para o seu e você torce para o meu. E tudo fica ainda mais animado e divertido.
Em 2006, estava na Espanha quando a Copa começou. Para assistir à estreia da seleção contra a Croácia, um grupo de brasileiros (eu incluída) fizemos uma arquibancada bem internacional no bar de uns amigos. E lá estavam, torcendo juntos, os mais autênticos exemplares tupiniquins ao lado de alemãos, holandeses e espanhóis. Todos vestindo as cores do Brasil, empunhando apitos, bandeirolas. Quando o Brasil fez o gol da vitória, por 1 a 0, houve até “ola”.
Também estava fora de casa durante as quartas de final, no mesmo ano, na partida contra a França. Dessa vez, as cores verde e amarela subiram a montanha na direção de Machu Picchu. Os deuses incas talvez tenham ficado enciumados de dividir a atenção com a equipe comandada então por Parreira. E foi segundos antes de entrar no trem que nos levaria de volta a Cuzco que vimos, em uma televisão bem pequena, pendurada em uma lanchonete da estação de Águas Calientes, o fulminante gol de Henry.
O pior foi passar as três horas de viagem até Cuzco sem saber se a seleção havia conseguido reverter o placar. Ao menos ter conhecido a bela cidadela inca serviu de consolo à eliminação.

Desta vez, estava na estação de esqui de Valle Nevado, no Chile, quando as duas seleções se enfretaram Foi a partida mais divertida que já pude presenciar. Como se houvesse um miniestádio de futebol, mas onde as torcidas não precisassem ficar separadas. Brasileiros e chilenos, cada qual empunhando sua bandeira, cantando seus hinos e se provocando mutuamente, torceram juntos.

Sigo no Chile até sábado – o que significa que, mais uma vez, verei a seleção jogar enquanto estou em terras internacionais. A torcida brasileira aqui da estação de Portillo já está mobilizada: as cores da seleção invadiram os corredores. Haja coração.
A chegada em Johannesburgo impressiona. O aeroporto internacional O.R. Tambo é gigantesco e muito moderno. Todo o complexo foi reformado para a Copa e uma boa parte é novinha em folha. A reforma custo 3 bilhões de rands, algo em torno de R$ 1 bilhão. Além dos elevadores, rampas rolantes ajudam os turistas a se locomover de um lado para o outro.
Uma enorme bola de futebol suspensa no teto dá as boas vindas e faz entrar no clima do Mundial, que já tomou conta da África do Sul. Em todos os andares do aeroporto, totens indicam quantos dias faltam para a bola começar a rolar no campo.

Uma enorme bola de futebol fica suspensa no teto do Aeroporto O.R. Tambo, em Johannesburgo. Foto: Mônica Cardoso
Se tiver que esperar por uma conexão, fique tranquilo. O espaço conta com boas lanchonetes e cafés, sendo que alguns oferecem conexão Wi-Fi. Há também uma sala de orações para os viajantes muçulmanos. Dezenas de lojinhas e quiosques vendem os originais artesanatos sul-africanos como as bijuterias com miçangas coloridas, que estão mais verde e amarelas, cor da camisa do Bafana Bafana.
Mas a bola da vez são as lojinhas com souvenirs da Copa. Vuvuzelas e makaraba, os divertidos chapéus, ganharam as cores das bandeiras dos países participantes. Sem contar camisas, tênis, chaveiros, canecas e o mascote do campeonato, o leopardo Zakumi. É bem difícil resistir.

Vuvuzelas e makarabas ganharam as cores das bandeiras das equipes, inclusive do Brasil. Foto: Mônica Cardoso/AE
Em Durban, o Aeroporto King Shaka está tinindo de novo. Ele foi entregue há um mês, quase aos 45 do segundo tempo do início do Mundial. A terceira maior cidade do país ganhou um complexo à altura. Assim como o O.R. Tambo, o complexo conta com cafés, livrarias e até um espaço para fumantes. Foram investidos 8 bilhões de rands na construção do novíssimo aeroporto. Aliás, até o nome é novo. O local que antes se chamava Le Mercy, ganhou o nome do famoso guerreiro zulu do século 19.
Todos, absolutamente todos os aeroportos sul-africanos foram remodelados para o Mundial. E fica a dúvida: quando vai começar a ampliação e reforma dos aeroportos brasileiros para o próximo Mundial?

Contador de dias para a Copa, no Aeroporto de George. Foto: Mônica Cardoso
Não importa qual seja o aeroporto, com quase toda a certeza, você será abordado pelos porters, os carregadores de bagagem. Simpáticos, eles mostram o crachá e se oferecem para carregar malas na saída do desembarque ou levá-lo até o guichê do check in. Só que tanta cordialidade tem preço e os porters esperam ser remunerados por isso. Se não está interessado, desconverse.
Outra boa dica: embale sua mala com plástico antes de viajar para a África do Sul. Para ter uma ideia, eu estava em um grupo de nove pessoas. Apenas uma não plastificou sua mala. Ao chegar lá, a mala estava arrombada, mesmo com cadeado. Coincidência ou não, é sempre bom prevenir. No Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, o serviço custa R$30 e ainda oferece seguro no caso de extravio da bagagem.
Ainda a respeito da Copa na África do Sul, a empresa aérea Emirates começou ontem a vender pacotes com o menor valor entre os disponíveis no mercado brasileiro: a opção com cinco noites em hotel três-estrelas e ingresso para assistir a um jogo sai por US$ 4.750. Até agora, o preço mais amigável era de US$ 5.695, para três noites (este blog já trouxe um post sobre o assunto).
O voo, claro, fará escala em Dubai. Com a possibilidade de o torcedor esticar sua estada na cidade, antes ou depois da Copa, sem aumento no valor da passagem aérea.
“Desta forma, a ida à Copa se torna uma viagem familiar, com mais possibilidades de lazer para a mulher, os filhos”, disse o diretor geral para o Brasil da Emirates, Ralf Aasmann.
Outro diferencial é que os pacotes da Emirates incluem o valor do ingresso no preço total pago pelo turista – que pode chegar a US$ 51.150, para 32 noites e entradas para 16 jogos, mais quartas de final, semifinal e final.
Os pacotes estão à venda pela operadora Ambiental, porque a Emirates não tem autorização para atuar como operadora turística no Brasil.
As operadoras brasileiras que levarão turistas à Copa na África do Sul acabam de lançar uma alternativa de pacote com preço reduzido – e menor duração.
Até agora, o programa mais barato, com oito noites, era vendido por US$ 8.970 (R$ 15.640). A nova opção custa US$ 5.695 (R$ 9.930), inclui três noites de hospedagem em quarto duplo (em Durban ou Cidade do Cabo, a definir), café da manhã, passagens aéreas e traslados. A saída está marcada para 24 de junho, a tempo de assistir ao jogo entre Brasil e Portugal, no dia 25. Vale lembrar que os ingressos não estão incluídos no valor do pacote e custam a partir de US$ 80 (R$ 140).
Há mais duas novas opções de pacotes. Para assistir a três partidas entre as quartas de final e a final, o turista paga US$ 13.561 (R$ 23.640), mais os valores dos ingressos. São 12 noites em quarto duplo, entre Durban e Cidade do Cabo, com café, aéreo e traslados, com saída em 30 de junho. Para ver dois jogos, semifinal e final, o pacote de nove noites custa US$ 9.880 (R$ 17.225). O pacote mais caro tem duração de 33 dias e sai por US$ 23.379 (R$ 40.760).
As informações são da operadora Ambiental. As outras empresas do pool brasileiro são Agaxtur, Marsans, Pallas, Stella Barros e TAM Viagens.
Quem vai a Nelspruit sai de lá com uma dúvida cruel: qual fruta extraída da região é a mais doce, banana, manga, melão ou abacate? Vai do gosto de cada turista. Sorte de quem tem a oportunidade de ir à cidade, a 330 quilômetros de Johannesburgo.

KRUEGER PARK – DANIEL BRITO/AE
A cidade também fica a pouco mais de 100 quilômetros da fronteira com Moçambique. Agências de aluguel de automóveis se instalaram ao longo da Avenida Louis Trichard, que leva até o país vizinho. De Nelspruit pode-se ir até a bucólica Suazilândia, cuja capital, Mbabane, está a 175 quilômetros. Visite, ainda, o Jardim Botânico Lowveld, a dois quilômetros da cidade. A região “guarda” dois rios (Crocodile e Nels) e flora rica e preservada, inclusive baobás, árvore símbolo do país. Agências de turismo: www.lowveld.co.za e www.danaagency.co.za.
ONDE FICAR
Nelspruit atrai público diversificado. Desde casais de idosos em busca de um safári seguro no Kruger Park até jovens hippies, ávidos por contato com a natureza selvagem. Para hospedagem, há hotéis como Utopia in Africa (www.utopiainafrica.co.za), que fica praticamente dentro de uma reserva ambiental. A diária custa o equivalente a pouco mais de R$ 200. Há também o charmoso albergue Funky Monkey Backpackers (www.funkymonkey.co.za), com lareira, piscina, quartos espaçosos, bar e possibilidade de agendamento de passeios a preços mais baratos. Paga-se cerca de R$ 15 por noite em quarto quádruplo.
COMPRAS
A paixão sul-africana por shopping vai até Nelspruit. Na verdade, vai além. Cinco quilômetros depois da cidade há o Riverside Mall (www.riversidecentre.co.za), maior centro de compras da região. Com 150 lojas, é a atração dos moradores. No centro, tem a galeria Promenade, com lojas baratas e fast food.
MUST SEE
Alugue um carro com tração nas quatro rodas em Nelspruit e siga, antes das 5 horas, para o portão do Kruger. Um dia inteiro no parque custa o equivalente a pouco mais de R$ 50 por pessoa. Leve binóculo, câmera, óculos de sol e casacos. Faz um frio desconcertante na manhã da savana. Tem também o Sabi Sabi, um dos mais luxuosos lodges da região do Kruger. Seu safári é singular, com grande possibilidade de se ver famílias de leões na savana. (www.krugerpark.co.za e www.sabisabi.com). Outra opção de passeio é visitar Kaapsehoop (www.kaapsehoop.com), cidade histórica a 25 quilômetros de Nelspruit, perto da Cordilheira Makonja. Lá estão as mais antigas formações rochosas do planeta.
ESTÁDIO

DENIS FARREL/AP
Mais de 1.500 homens trabalharam por quatro anos na construção do Mbombela Stadium, cuja capacidade total é de um quinto da população de Nelspruit (230 mil habitantes). Investimento muito alto. Ainda mais para um estádio que só receberá jogos de segundo e terceiro escalão, caso de Austrália contra Sérvia e Coreia do Norte contra Costa do Marfim. Daniel Brito – Especial para O Estado
Com apenas 300 mil habitantes e uma pequena área urbana, Rustenburgo (www.rustenburg.co.za) – que em holandês significa cidade do descanso – é talvez a menor entre as nove cidades-sede da Copa. Aos pés das majestosas Montanhas Magaliesburg, com até 1.800 metros de altitude, a cidade abriga uma das mais ricas tribos do país, a Bafokeng Nation.

SUN CITY/DIVULGAÇÃO
Rustenburgo – que fica a 113 km de Pretória e a 121 km de Johannesburgo – é um dos locais mais visitados da África do Sul. Tudo isso graças ao Sun City Resort, tido como o mais luxuoso complexo turístico do continente. Lá não faltam opções de lazer. Cassinos, cinemas, restaurantes, campo de golfe, parque aquático com praia artificial e ondas de até 2 metros de altura e 25 hectares de mata nativa, para os hóspedes admirarem a savana, são alguns dos atrativos do resort.
Também não deixe de visitar a antiga fazenda do ex-presidente Paul Krueger e a reserva Paul Bodenstein Park.
ONDE FICAR
Se a ideia é se hospedar em um ponto central, a opção é o Boschdal Guest House (www.boschdal.co.za), que oferece quartos amplos e preços acessíveis – diárias a partir de R$ 175. A 30 quilômetros da cidade fica a mais luxuosa opção de hospedagem das redondezas, o hotel seis estrelas The Palace of the Lost City, dentro do Sun City Resort (www.suncity.co.za). As diárias podem chegar ao equivalente a R$ 7 mil. O complexo reúne, ainda, outras três opções de hospedagem, o luxuoso The Cascades, The Sun City e o casual The Cabanas .
O ARTESANATO
O artesanato africano pode ser encontrado na Rustenburg Ramble. No centro da cidade, o lugar é conhecido como a rota das artes e do artesanato. Repleta de galerias de arte e lojas, a região reúne também opções de restaurantes e lanchonetes, e é o lugar perfeito para comprar as tradicionais lembrancinhas de viagem.
MUST SEE
Apreciar bandos de antílopes em seu hábitat natural é uma das possibilidades oferecidas pelo passeio na reserva natural de Rustenburgo. O parque de mais de 5 mil hectares de savana, a 15 quilômetros da cidade, é perfeito para quem quer aventura. As excursões duram um dia e são feitas no carro do próprio visitante. A entrada custa R$ 5 por pessoa. O acampamento é permitido e custa R$ 15 por pessoa.
Jogar golfe no campo mais famoso da África do Sul é um luxo que só quem visita Rustenburgo pode usufruir. O campo de golfe Gary Player, no complexo Sun City, tem 18 buracos e diversos obstáculos. Nele acontece o mais importante campeonato da modalidade no país, o torneio Nedbank Million Dollar. Taxas a partir de R$ 140.
ESTÁDIO

FIFA/DIVULGAÇÃO
Com capacidade para 42 mil pessoas, o estádio Royal Bafokeng foi construído em 1995 para sediar o Mundial de Rúgbi, um dos esportes mais populares da África do Sul. Na Copa de 2010, o lugar será palco de cinco jogos da primeira fase e de uma disputa das oitavas de final. Ana Paula Galli – Especial para O Estado
Praia, savana e história em um só lugar. Assim é Port Elizabeth, a 750 quilômetros da Cidade do Cabo. A quinta maior cidade do país e segunda mais antiga tem 1,2 milhão de habitantes e é considerada uma das grandes responsáveis pelo crescimento do país por causa de seu agitado porto.

FIFA/DIVULGAÇÃO
Visitar a comunidade onde Nelson Mandela nasceu também é uma boa opção para conhecer a história recente do país. A 400 quilômetros de Port Elizabeth, o caminho para Qunu oferece visuais da praia de tirar o fôlego, restaurantes de comida típica à beira da estrada e a experiência de conhecer o interior da África. Ao chegar em Qunu, não deixe de passar pelo Museu Nelson Mandela.
Os Parques Nacionais Addo Elephant (leia mais na página 11) e Shamwari Game Reserve, distantes 70 quilômetros da cidade, são opções de diversão para quem quer se aventurar pela savana africana. Além dos parques, o belo litoral atrai turistas de todo o mundo.
ONDE FICAR
O mais luxuoso hotel dos arredores de Port Elizabeth, The Plettenberg (00–27- 44-533-2030), fica em frente à Praia de Plettenberg. Além de quartos amplos e bem decorados, o cinco-estrelas tem restaurantes e um spa completo. Diárias a partir de US$ 630. The Axton Hotel (00–27-41-585-9655), na área central da cidade, tem tarifas a partir de US$ 100. Mais em conta, o Formula 1 (00–27 -41-585-6380) oferece diárias que começam em US$ 48.
COMPRAS
Greenacres é o maior shopping de Port Elizabeth e tem uma gama razoável de marcas nacionais e internacionais. Chegar até lá é bem fácil. O centro de compras está localizado no bairro que leva o nome da cidade, a apenas alguns minutos do belo Estádio Nelson Mandela Bay.
À beira-mar fica um dos maiores cassinos do país. O Boardwalk é, na verdade, um complexo de entretenimento aberto 24 horas. Lojas de marcas selecionadas e restaurantes fazem parte do cassino.
MUST SEE
O turista também pode fazer um passeio de helicóptero, oferecido por várias empresas de turismo. É uma ótima forma de conhecer do alto a cidade. O tour mais comum pela costa litorânea e redondezas da cidade dura de 30 minutos a uma hora. As empresas também organizam tours personalizados. O preço é a partir de US$ 80 por pessoa (www.sa-venues.com).
ESTÁDIO

SCHALK VAN ZUYDAM/AP
Construído para a Copa do Mundo de 2010, o Nelson Mandela Bay é o primeiro estádio de futebol de Port Elizabeth. Localizado à beira do Lago North End, a arena comporta 48 mil pessoas e receberá cinco jogos na primeira fase, um nas oitavas de final, um nas quartas e a disputa do terceiro e quarto lugares. Ana Paula Galli – Especial para O Estado
Responda rápido: qual é a capital da África do Sul? Errou quem disse Johannesburgo. A cidade é o coração financeiro do país. Ponto. Quem respondeu Pretória acertou, mas não ganha nota 10. Essa vai para quem se lembrou também de Bloemfontein e Cidade do Cabo. Sim, Bloemfontein é capital da África do Sul – o Poder Judiciário tem como sede essa pequenina localidade. E o Legislativo, a Cidade do Cabo.

FIFA/DIVULGAÇÃO
Bloemfontein não conta com mais que 500 mil habitantes (brancos são maioria), um aeroporto simples e uma rodoviária minúscula. É limpa, organizada e segura. O local era reduto dos bôeres, colonizadores holandeses, e foi capital do antigo Orange Free State, numa referência à cor da monarquia holandesa. Agora, claro, depois de tanto tempo, Free State já está de bom tamanho.
O nome da capital judiciária, em africâner, idioma usado pelos bôeres, significa fonte das flores. Foi exatamente lá que nasceu JRR Tolkien, em 1892, autor do consagrado O Senhor dos Anéis.
ONDE FICAR
A cidade não é exatamente um destino turístico. Serve mais como ponto de parada para quem viaja de carro desde o litoral sul do país em direção a Johannesburgo. Ou vice-versa. Talvez por isso, a rede hoteleira reserve um razoável número de pensões baratas. Na Avenida Andries Pretorius, há um bed & breakfast, o B&B @ 53, que hospeda turistas em antigos trailers que não podem mais sair do lugar. Uma noite custa o equivalente a R$ 40. Já o Protea Hotel (www.proteahotels.com) é um cinco-estrelas muito elogiado pela qualidade dos serviço.
COMPRAS
Em Bloemfontein você não vai encontrar mais que dois shoppings. Mas há um, anexo ao estádio Free State Stadium, de onde é possível sair diretamente no portão de acesso ao campo de jogo. O outro centro comercial fica bem perto de um hotel de luxo.
MUST SEE
Já que você está na simpática cidadezinha, que tal dar uma esticada até o Lesoto? Sim, a capital, Maseru, fica a menos de 60 quilômetros de Bloemfontein. Lembre-se de tirar o visto com antecedência. O país de 30 mil quilômetros quadrados e 2,1 milhões de habitantes se autodenomina o Reino no Céu. Longe de ser o paraíso, o apelido é por causa da altitude acima de 1.000 metros em relação ao nível do mar. Faz muito frio no Lesoto – entre junho e julho, é grande a probabilidade de praticar esqui nas montanhas. Oportunidade única para quem gosta do esporte.
ESTÁDIO

THEMBA HADEBE/AP
Graças a um volumoso contrato de publicidade o Free State Stadium será chamado de Vodacom. Com capacidade para 45 mil pessoas, o estádio está pronto desde junho. Nesta Copa do Mundo, a população de Bloemfontein vai ter a oportunidade de assistir in loco o time da casa em ação. Os três jogos restantes não são tão bons assim: Japão x Coreia do Sul (dia 14), Eslováquia x Suíça (20), África do Sul x França (22) e Honduras x Suíça (25). Daniel Brito – Especial para O Estado
Bloemfontein: www.bloemfontein.co.za
Longe dos safáris na savana africana, a Cidade do Cabo está em uma região estratégica, a sudoeste do continente, emoldurada por belas paisagens, praias de águas gélidas e cristalinas e cadeias de montanhas de arenito e xisto, depositados ali há 700 milhões de anos. Considerada uma das seis cidades mais belas do planeta, segundo o Guinness Book, é protegida por um enorme paredão, que se eleva 1.087 acima do nível do mar, conhecido como os 12 Apóstolos e a Table Mountain (Montanha da Mesa), de onde Fernando Pessoa tirou inspiração para seus poemas.

KARINA GOUVÊA/AE
Devidamente motorizado, com um veículo 4X4, é possível seguir pelas estradas sinuosas da Península do Cabo e admirar o encontro das águas dos Oceanos Atlântico e Índico e a rota de antigos navegadores que contornavam ali a África para chegar à Índia.
Além das badaladas praias de Camps Bay e Clifton Bay, com seus calçadões, bares e restaurantes, o que os turistas, principalmente brasileiros, mais procuram é ver de perto o Cabo da Boa Esperança, aquele mesmo dos livros de História. A mais ou menos uma hora e meia do centro da Cidade do Cabo, dentro de um parque nacional de 7.700 hectares de colinas, trilhas e praias, esse marco pode ser observado subindo o Cape Point, uma montanha mais ao norte.
Pelo caminho, é possível flagrar alguns animais selvagens como babuínos e o hyrax (espécie de porquinho-da-Índia). Também é dele que o visitante consegue avistar as belas praias da False Bay (Baía Falsa), muito frequentada por surfistas e turistas que procuram banho de mar, digamos, um pouco mais quente, já que as águas do litoral da Cidade do Cabo são geladas, principalmente para os padrões brasileiros. A vista do Cape Point é de tirar o fôlego, uma pintura mesmo, com o mar – em tons de azul e verde – emoldurando o paredão e se chocando contra os rochedos cerca de 300 metros abaixo.
ONDE FICAR
A Cidade do Cabo tem acomodações para todos os bolsos. Se você não quiser gastar muito, a dica são os bed and breakfasts, confortáveis e bastante acessíveis. Caso esteja procurando por um albergue ou hotel simples, o melhor é ficar no centro da cidade, de preferência na Long Street. Quer opção mais sofisticada? O endereço é a Camps Bay e ao longo da rodovia M6, à beira-mar.
Já o top do luxo é o Cape Grace (www.capegrace.com). É um dos hotéis mais sofisticados da África do Sul, fazendo jus ao título de hotel butique, pela decoração diferenciada em cada um dos 121 quartos. Há também serviços exclusivos como motorista particular e babás que falam vários idiomas. São oferecidos, ainda, passeios requintados, como cruzeiros de iate da marina da Cidade do Cabo, com duração de duas horas. Agora, se quer ficar perto do estádio onde serão realizadas as partidas da Copa, corra para Green Point.
COMPRAS
Um plano multimilionário transformou a região portuária de Victoria & Alfred Waterfront, entre a Table Mountain e a Robben Island, num aglomerado de shoppings centers, mercados, teatros e restaurantes. Nas mesas com vista para o cais, você poderá experimentar comidas étnicas durante shows de música ao vivo e espetáculos de artistas de rua. Aproveite que o real vale mais que a moeda local, o rand, e vá às compras. Três boas opções são o Alfred Mall e o Victoria Wharf Shopping Centre, no coração do velho porto, com lojas, joalherias e cafés, e o The Waterfront Craft Market, um dos maiores mercados de artesanato da África do Sul, com artigos em cerâmica, couro, móveis, brinquedos educativos, vestuários e arte em vidro.
Do Waterfront (www.waterfront.co.za) também dá para encarar passeios de barco, helicópteros, hidroaviões, além de visitar um dos maiores aquários do país, o Two Oceans Aquarium. Quem tem certificado atualizado de mergulho e quiser por a coragem à prova pode agendar entradas em alguns tanques. A visita deve ser marcada no Alpha Activities Centre, que funciona próximo ao recinto das focas.
MUST SEE
O Parque Nacional da Table Mountain, a cerca de dez minutos da Cidade do Cabo, preserva três pontos turísticos obrigatórios: o Cabo da Boa Esperança, a Praia Boulders e a Silvermine. O Cabo da Boa Esperança é um paraíso para quem gosta de caminhar, pescar, surfar, nadar ou simplesmente apreciar a riqueza natural da região durante um piquenique.
O famoso Cape Point oferece uma das mais belas vistas do ponto mais ocidental da África. Se não quiser caminhar pela trilha pavimentada que leva ao topo, basta pegar o funicular até o farol e apreciar o cenário.
Visitas guiadas também levam turistas até a Boulders, praia de enormes rochas graníticas, que abriga a única colônia de pinguins africanos do continente. Aproveite também para mergulhar nas águas da False Bay. Já a Silvermine é ideal para quem quer se arriscar nas trilhas de mountain bike.
Vale ainda fazer caminhadas na Rota Jardim, um trecho litorâneo de 210 quilômetros que possui a flora mais variada do mundo. O Parque Nacional de Tsitsikamma (www.sanparks.org) tem trilhas que chegam a durar até cinco dias.
ESTÁDIO

FIFA/DIVULGAÇÃO
A 200 metros da orla da Cidade do Cabo, bem perto do Oceano Atlântico, o Green Point Stadium, construído em terras usadas como campo de golfe, receberá oito jogos da Copa do Mundo 2010, incluindo uma semifinal. Quando estiver finalizado, o estádio terá cobertura com densidades diferentes para atenuar o ruído e capacidade para 70 mil torcedores, 24 mil lugares a menos do que o Soccer City, o maior da África, em Johannesburgo. Sua arquitetura foi toda pensada para não concorrer com a vista que os torcedores terão da Table Mountain.
Após a competição, o local será usado para eventos, shows e competições de rúgbi, esporte bastante popular na África do Sul. Durante o planejamento da infraestrutura também foi chamado de African Renaissance Stadium. O orçamento da obra gira em torno de US$ 386 milhões. Karina Gouvêa – Especial para O Estado

THEMBA HADEBE/AP
Quem gosta daquele clima cosmopolita tem chance maior de simpatizar com o local. São quase 6 milhões de habitantes e todos os tipos de ambientes: desde a sofisticação dos grandes condomínios e dos cassinos até a informalidade e a pobreza de Soweto.
COMPRAS
Como em Sampa, as compras por lá são feitas em shoppings. O Sandton City Mall (www.sandton-city.co.za) concentra as grifes internacionais. Perto do aeroporto fica o Eastgate (www.eastgatecentre.co.za), para a classe média local, portanto, mais barato. Com um grupo de amigos, o turista pode ir andando do Eastgate até o Mercado de Artesanato, duas quadras de distância um do outro. Vantagem: é possível pechinchar na hora da compra.
MUST SEE
Soweto (www.joburg.org.za/soweto) é uma favela e também um grande museu a céu aberto. A história recente da África do Sul jamais poderia ser contada de forma justa se não fosse por Soweto. Foi nesse bairro que Mandela morou e os negros se levantaram contra o regime de segregação racial. Um tour de seis horas por Soweto, incluindo o Museu do Apartheid (www.apartheidmuseum.org), sai pelo equivalente a R$ 150.
MIL FACES – Cheia de contrastes, a única sede dupla do Mundial (no alto) pede apenas um pouco de cautela para ser desfrutada: para ver o bairro Soweto, endereço do estádio Soccer City (no meio), melhor optar pelo tour guiado. A 121 km dali, fica o Sun City Resort, o mais luxuoso do continente
ESTÁDIOS
Johannseburgo é a única cidade que tem dois estádios como sede da Copa. O primeiro e mais conhecido fica no perigoso bairro de Hillbrow e se chama Ellis Park. O torcedor que tem boa memória deve se recordar da vitória verde-amarela na final da Copa das Confederações, contra os Estados Unidos, em junho passado.

O Comitê Organizador também construiu o gigante Soccer City, em plena Soweto, com capacidade para 94 mil torcedores. 
Daniel Brito, especial para o Estado.
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