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Viagem

10.dezembro.2013 06:00:56

Ao sabor dos Andes

Como em uma refeição harmonizada, nosso roteiro começou pelos vinhos brancos de Cafayate, entre paisagens deslumbrantes, goles de torrontés e muitas empanadas

San Pedro de Yacochuya, no coração da região vitivinícola argentina – Foto: Mônica Nobrega/Estadão

Mônica Nobrega / CAFAYATE

Foi como ganhar uma estrelinha de bom comportamento lá na terceira série. Quando escutou a resposta para sua pergunta sobre qual tinha sido meu vinho preferido na sessão de degustação de que acabávamos de participar, André Rossi, relações públicas no Brasil da associação de produtores Wines of Argentina, sorriu com aprovação. Passei no teste.

Era o quarto dia de uma sequência intensa de visitas a bodegas, as casas produtoras de vinhos. Iniciante, passei uma semana entre vinícolas da Argentina acompanhada de gente que conhece a bebida razoavelmente bem. Foram dias de muita informação nova, muita água com gás para rebater e muito vinho delicioso cuspido em baldes e latinhas decoradas. Depois das primeiras degustações, fica claro que não vai dar mesmo para engolir tudo. A vergonha de cuspir desaparece.

De bodega em bodega – Parte 1

De bodega em bodega – Parte 2

De bodega em bodega – Parte 3

Delícias para harmonizar

Como uma refeição harmonizada, nosso roteiro começou pelos vinhos brancos, em Cafayate. Localizada no norte do país, é uma região de vinhedos de altitude e paisagens espetaculares. A média é de 1.700 metros, mas alguns chegam a 3 mil metros em relação ao nível do mar. Terra das uvas torrontés, nascidas da mistura de cepas europeias como a moscatel com variedades criollas, locais.

Rota de Cafayate a Salta – Foto: Mônica Nobrega/Estadão

Chegar a Cafayate é um deslumbre. O voo vindo de Buenos Aires pousa em Salta e, então, é preciso seguir por cerca de 180 quilômetros pela Rota 68, entre formações geológicas singulares. A Quebrada das Conchas pede paradas e muitas fotos.

Lar por excelência das malbecs, uvas tintas de cor violeta que viraram sinônimo de vinho argentino, Mendoza foi a parada seguinte e, pode-se dizer, o prato principal da viagem. Explico: a província produz 85% do vinho do país e tem 120 bodegas abertas à visitação turística. Por lá conheci uma uva que sequer sabia que existia, a bonarda. Cabernet sauvignon, syrah e petit verdot também são variedades cultivadas em Mendoza.

Como sobremesa, San Juan, a segunda região vitivinícola mais importante do país, mas que, do ponto de vista do turismo internacional, ainda engatinha. Se vale a pena ir lá? Sim, para espíritos desbravadores.

Diferentes. O intensivão serviu também para perceber que sempre existem diferenças entre as vinícolas e, por isso, faz todo o sentido visitar várias delas. Seja pela estrutura da bodega, os passeios disponíveis na finca – termo usado para se referir às fazendas onde estão plantados os vinhedos – ou os restaurantes instalados em suas dependências, sempre caprichados.

Visitar mais de um produtor, pude perceber, é uma forma de aprender depressa, por comparação. Em uma semana entre experientes giradores de taças e enólogos pacientes, minha habilidade de detectar aromas e as tais notas disso e daquilo se desenvolveu respeitavelmente. Claro que o ritmo pode e deve ser mais brando. Primeiro porque só mesmo os enólogos precisam saber tudo (ou quase). “Para mim há uma única premissa a respeito de vinhos: sobre gosto não há nada escrito”, diz Javier Saldaño, enólogo da Piattelli .

Segundo que mais de uma bodega por dia é desperdiçar o prazer que a segunda poderia proporcionar. De resto, será hora de comer bem, atividade tão intensa ali quanto beber. Aproveitar hotéis lindos dentro das próprias vinícolas ou nas cidades próximas. Curtir massagens com vista para vinhedos e montanhas.

Ao cabo de uma semana, meu caderninho registrava 151 vinhos provados, muitos deles bebidos de fato – ninguém é de ferro, afinal. Ah, claro: sobre o meu eleito da degustação lá no começo da conversa, eu conto. Mas só se você seguir até a página 12 desta reportagem, que termina na minha seleção pessoal, pouco técnica, mas muito empolgada, de rótulos preferidos.

ONDE FICAMOS

Vista do hotel Alta La Luna – Foto: Mônica Nobrega/Estadão

Em Cafayate – O prédio colonial pintado em tons de amarelo fica em um vinhedo aos pés de uma cadeia de montanhas. O visual é incrível – e, para curti-lo, há lareira ao ar livre, sob as árvores. O Alta La Luna (altalaluna.com; desde US$ 177) é um hotel para desacelerar. Do spa, pequenino com janelas amplas, a vista para o pôr do sol é espetacular.
O hotel, na verdade, está em Tolombon, a cinco minutos de carro do centro de Cafayate. Nos quartos, o piso de lajotas de cerâmica vermelha, daquelas de casa de vó, é aquecido via serpentinas sob o revestimento – a depender da temperatura lá fora, dá vontade de deitar no chão. Triste é que o Wi-Fi só funciona de fato na sala de visitas junto à recepção. Da gastronomia, provei apenas o bem servido café da manhã. Mas fui informada de que o hotel promove almoços feitos no forno de barro, ao ar livre. Harmonizados com vinhos, claro.

Em Mendoza – O Diplomatic se declara “o” hotel de luxo de Mendoza. Há um quê de supervalorização nisso (outros são mais elegantes do ponto de vista do design), mas, de fato, o grau de conforto corresponde a altas expectativas. O lobby está sempre cheirosinho e os andares, patrocinados por vinícolas locais, têm sóbria decoração temática.
O quarto tem janelas enormes e é um salão de festas de tão grande. Tem cama king size, mesa ampla de escritório e poltronas e, ainda assim, sobra espaço de circulação à vontade. O Wi-Fi incluído é potente. A boa localização, a três quadras da Praça Independência, a principal da cidade, é outra vantagem. O café da manhã tem mais frutas do que se costuma encontrar em hotéis da Argentina e boa variedade de queijos e pães. Diária desde US$ 110: diplomatichotel.com.ar.

Cafayate, porta de entrada para o tour nas vinícolas – Foto: Mônica Nogrega/Estadão

SAIBA MAIS:

  • Aéreo: trecho São Paulo – Mendoza – São Paulo custa desde R$ 1.118,25 na Aerolineas (aerolineas.com.ar), com conexão em Buenos Aires, e US$ 679 (cerca de R$ 1.614) na LAN (lan.com), com conexão em Santiago. De São Paulo a Salta, ida e volta: desde R$ 1.375 na Aerolineas e US$ 654 (cerca de R$ 1.553) na LAN, voos com conexão em Buenos Aires
    Entre vinícolas: direção e bebida alcoólica não combinam. Os hotéis das regiões vinícolas indicam motoristas particulares e serviços de transfer. É mais recomendado que alugar carro – inclusive porque a sinalização nem sempre ajuda
    Sites: turismosalta.gov.ar; turismo.mendoza.gov.ar; winesofargentina.org

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