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Viagem

22.fevereiro.2010 23:39:48

O que levar para a Trilha Inca

Para concluir com êxito os 40 quilômetros de caminhada da Trilha Inca, que leva até a Cidade Perdida de Machu Picchu, no Peru, certamente alguns cuidados são essenciais. Acredite, levar os equipamentos adequados podem fazer toda a diferença:

- Dê preferência para tênis outdoor ou botas. As de cano médio ou alto são ainda melhores, pois protegem os tornozelos contra torções. E tenha certeza que estão devidamente amaciadas

- Não economize em meias, que são as principais culpadas pelas bolhas. Se puder, leve as do tipo sintéticas

- Para relaxar os pés no final do dia, tenha uma papete de trilha com solado antiderrapante. Também servirá como calçado reserva em caso de emergência

- Calças e bermudas de tactel ou supplex são mais indicadas, secam rápido e têm fácil manutenção

- Prefira camisetas leves, com e sem mangas

- Tenha em mãos um casaco de Fleece, que por ser sintético retém o mínimo de umidade

- Mesmo para quem vai no verão, é importante levar uma capa de chuva ou anorack

- Se não está incluído no seu pacote, providencie um bom saco de dormir e um isolante térmico

- Cantis de policarbonato são mais resistentes e não retêm sabor

- Não podem faltar na mochila: protetor solar, protetor labial, hidratante, óculos escuros e repelente

- Leve sacos plásticos resistentes para embalar as roupas e armazenar o lixo gerado durante o percurso

Leia outras reportagens já publicadas no Viagem & Aventura sobre Machu Picchu:

* Uma inexplicável trama de ruelas de pedra

* Machu Picchu do seu jeito

* Torne real o sonho de Machu Picchu

Clique aqui e veja a galeria de fotos

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18.fevereiro.2010 11:58:21

California dreamin

Olá Mr. Miles, tenho 22 anos e sou da capital de São Paulo. Gostaria de lhe pedir um conselho sobre a seguinte situação: estou de férias marcadas entre abril e maio em Los Angeles, mas viajarei sozinha pois nenhum dos meus amigos pode me acompanhar. Passarei 20 dias entre LA, San Diego e San Francisco, tenho algumas atrações já agendadas, mas tenho medo de que, por estar só, acabe não me divertindo tanto quanto como se estivesse com alguma companhia, e até mesmo não consiga organizar meus passeios. O senhor teria alguma sugestão para mim?

Danielle Yessenhart, por email

Well, my dear: eu teria uma ótima solução para todos os seus problemas mas, unfortunately, acabei de consultar minha agenda e descobri, que, devido a compromissos anteriormente assumidos, não vou poder, pessoalmente, acompanhá-la em sua american journey. Seria delightful.
Anyway, darling, não vejo motivo para preocupações. Se você tivesse programado suas ferias para o Tajiquistão, que é um dos países mais pobres e primitivos da Ásia Central, eu certamente recomendaria que você contratasse uma dupla de vigorosos guarda-costas. Mas, embora a Califórnia seja governada por Conan, o Bárbaro (também reconhecido como o Exterminador do Futuro), trata-se de um estado de pessoas civilizadas — a não ser, é claro, que você acenda um cigarro, situação que as transforma em uma horda de hunos.
Viajar sozinho, as I do, oferece algumas vantagens preciosas. A primeira delas é o total domínio que você terá sobre sua agenda, podendo manipulá-la do jeito que preferir, sem aquelas crises de relacionamento que se observam quando o seu (ou sua) colega de jornada manifesta interesses divergentes. Não sou poucos — I can testify —, os amigos do peito que, no decorrer de uma viagem, transformaram-se em inimigos mortais em virtude do acúmulo de pequenas desavenças no dia-a-dia de suas férias.
A outra regalia oriunda de uma viagem solitária é a extraordinária possibilidade que você terá de fazer novos amigos. Verifico, em suas linhas, que essa é a questão que a preocupa. Pois fique tranquila, darling. A não ser que você sofra de algum tipo patológico de timidez, como meu falecido amigo Jerome (N.da R: J.D. Salinger, escritor Americano, autor de O Apanhador no Campo de Centeio, célebre por sua permanente reclusão), suas chances de conhecer gente com quem compartilhar as emoções da jornada são remarkable.
Para isso, of course, você terá de fazer tours (haverá outros estrangeiros na mesma situação que a sua), frequentar bares e baladas adequados à sua idade e, eventualmente, dormir em albergues. Haverá chatos pelo caminho.That’s unavoidable. Mas não se preocupe: os da Califórnia são iguais aos de São Paulo.
Em Los Angeles, desde que você não se perca naquelas intermináveis alças de viaduto em que um único erro pode levá-la diretamente à Tijuana, no México, eu diria que você tem boas chances de encontrar alguém à espera de uma vaga como figurante em um filme B de uma produtora independente — que, claro, um dia talvez venha a tornar-se Tom Hanks.
Em San Diego, conforme o swell, os surfistas são sua melhor chance. Já em San Francisco, well, você pode até achar um chinês divertido, mas, estatisticamente, suas maiores oportunidades são os hippies velhos do Height-Ashbury ou os gays do Castro. Vai ser igualmente divertido, don’t you agree?

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18.fevereiro.2010 11:52:51

Sobre viagens temáticas

Nosso excêntrico viajante encerrou sua viagem para St. Barthélémy satisfeito com a temperatura do mar e a beleza das praias, mas ligeiramente enfastiado pelo que chamou de “french atmosphere”. ” É, de fato, um lugar très chic, mas não pude evitar a sensação de que estava na avenue Montaigne com iates ancorados. Confesso que prefiro Tortola, onde, pelo menos, os carros rodam pelo lado certo”. A seguir, a resposta da semana:

Mr. Miles: qual é a sua opinião sobre as viagens temáticas, que parecem ser uma tendência crescente no mundo do turismo? O senhor acha que as pessoas aproveitam alguma coisa dos lugares ou só se dedicam aos assuntos específicos de que vão tratar?
Osvaldo Cançado Flores, por email

Good question, dear Osvald. De forma geral, considero qualquer tipo de viagem uma bem-vinda ruptura do cotidiano. Não há dúvida, however, que é o espírito do viajante que a torna mais ou menos valiosa. Vou lhe dar um exemplo: alguns anos atrás, em Veneza, vi um transatlântico ancorar para uma dessas visitas de um dia. Observando o desembarque, não pude deixar de reparar em um grupo de senhores que desceu do navio com seu tacos de golfe a tiracolo. Em Veneza? Wasn’t it weird? Aonde, raios, eles iriam exercitar seus swings e puts? No Ca’ d’Oro? No Canareggio?
Perguntei a um deles que, apressado, me informou que eles já tinham um carro a sua espera para levá-los a um campo de golfe no continente. Ou seja: Veneza, para aqueles golfistas, era apenas um porto mal-localizado. Is it possible?
Nevertheless, não se pode dizer o mesmo da maioria dos assim chamados viajantes-temáticos. Eu mesmo sou um deles, as you know. Com a freqüência possível, viajo para praticar birdwatching.
Tenho enorme prazer em avistar pássaros raros e colecionar, na minha cabeça, suas imagens fugidias. Sempre que o faço, porém, aproveito cada momento de minha estadia para explorar os arredores, conversar com as pessoas, provar os sabores e entender as idiossincrasias locais. Trata-se, neste — como em muitos outros casos —, de uma viagem comum com um hobby acoplado. Suponho que vivam as mesmas sensações aqueles que saem de casa para fazer turismo gastronômico ou que percorrem regiões inteiras de bicicleta. É, a meu ver, uma maneira inteligente de estabelecer limites para uma jornada e tornar mais intensa e qualificada a experiência.
Exceto no caso das chamadas viagens religiosas, nas quais o interesse pelo destino é quase sempre mitigado pelo ardor da fé, os que optam por roteiros temáticos costumam ser viajantes mais experimentados, que sabem exatamente o que querem. Isso os torna, também, mais exigentes quanto à qualidade dos serviços que estão adquirindo. Assim são os que partem, por exemplo, para cavalgar ou pescar. Dê a um cavaleiro uma montaria inadequada… do you say pangaré?… e ele vai exigir seu dinheiro de volta. O mesmo ocorrerá com adeptos de fly-fishing que forem levados a rios pouco piscosos.
On the other hand, existem temas que provocam viagens, mas é como se não levassem a lugar algum. Tenho um amigo que só sai de sua casa em Cardiff para eventos de numismática. Conheço outros que percorrem o mundo para encontros de heráldica ou hagiologia. Esses, my fellow, não são viajantes temáticos. Seus próprios temas é que são uma viagem. Don’t you agree?

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Fogos em comemoração do novo ano lunar na Victoria Harbour. Foto Adriana Moreira/AE

Fogos em comemoração do novo ano lunar na Victoria Harbour. Foto Adriana Moreira/AE

As comemorações em torno do ano novo chinês continuam em Hong Kong. E se ontem as ruas de Kowloon tiveram seu dia de Sapucaí, hoje foi a vez da Victoria Habour ganhar ares de Copacabana no revéillon. Quatro toneladas e meia de fogos de artifício foram distribuídas em três barcas para proporcionar exatos 23 minutos ininterruptos de explosões.

Às 20 horas em ponto, o skyline da baía, sempre iluminado, ganhou ainda mais cores. Fogos explodem nos mais diversos formatos – surgem diversos números 8, símbolo da sorte e da fortuna para os chineses, flores vermelhas de miolo branco, letras. Dos arranha-céus caem cascatas de luzes, arrancando um “ohhhhh!” da multidão.

A chuva fina e gelada que caiu durante todo o dia deu uma trégua na hora da apresentação, deixando o espetáculo ainda mais bonito. Para ter um gostinho dos minutos finais, clique aqui. Com o término do show, as ruas ficaram tomadas de pessoas, como se os 7 milhões de habitantes de Hong Kong estivessem todos no mesmo lugar.

Quem não quis enfrentar as longas filas para pegar o metrô (único meio de transporte possível, já que as ruas estavam fechadas e o ferry, suspenso temporariamente por causa das barcas de fogos), ainda pôde aproveitar a principal atração de Hong Kong: as compras.

Ruas lotadas depois dos fogos de artifício. Foto Adriana Moreira/AE

Ruas lotadas depois dos fogos de artifício. Foto Adriana Moreira/AE

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Desfile de ano novo em Hong Kong. Foto Adriana Moreira/AE

Desfile de ano novo em Hong Kong. Foto Adriana Moreira/AE

Há carros alegóricos, fantasias, dança e música. Quase um carnaval, mas sem corpos desnudos ou closes ousados nas moças bonitas. A parada em comemoração ao ano novo chinês em Kowloon, área continental de Hong Kong, é comportada, inocente até. Também não é longa, como nos desfiles das escolas de samba no Brasil. Os 38 grupoes que se apresentam - organizados por grandes empresas e instituições govenamentais diversas – passam em  apenas 1h30. Tudo transmitido ao vivo, pela TV.

Leão desfila em Hong Kong durante comemorações pelo ano novo chinês. Foto Adriana Moreira/AE

Leão desfila em Hong Kong durante comemorações pelo ano novo chinês. Foto Adriana Moreira/AE

A saudação que equivale a um “Feliz Ano-Novo” – Kung Hey Fat Choy – indica o início às festividades. Homens dão vida à uma fantasia de leão, realizando malabarismos impressionantes. O animal traz proteção para o ano vindouro e pode ser visto não apenas no desfile: há comerciantes que contratam a performance para garantir boa sorte nos negócios. Mas é preciso agradá-lo, pendurando um pé de alface (estranho para um leão, não?) na entrada do estabelecimento.

A parada pela, vá lá, Marquês de Sapucaí de Hong Kong, segue com shows rápidos de tradição japonesa, tailandesa, indiana, do Reino Unido, cheerleaders norte-americanas até que surge… uma espécie de escola de samba? Pois é, os integrantes são da Tropidanza dos Estados Unidos, que reproduzem tradições do Brasil. Homens jogam capoeira ao som de um batuque, digamos, modesto. Mulheres de biquíni e penacho na cabeça ensaiam um samba mal ajambrado, com exceção de uma mulata cujo gingado não deixa dúvida: só pode ser brasileira. Confira o vídeo aqui.

Um grupo de percussão da Suíça toca “Eye of the Tiger”, a música mais propícia para o ano do tigre, animal que rege o calendário lunar. Só faltou Rocky Balboa. E sete meses após sua morte, Michael Jackson segue mais popular que nunca: dois grupos realizam performances ao som de “Thriller”.

Crianças vestidas de tigre, de bailarina, tocando instrumentos ou dançando, encantam a plateia. Ao final, o leão e o dragão se encontram, assinalando o fim do desfile. Tudo organizado, calmo e muito, muito seguro.

Mas o primeiro dia do ano lunar também foi de oração. Mais cedo, uma longa fila cercava o templo taoísta Sik Sik Yuen Wong Tai Sin, o mais popular de Hong Kong. Todos, afinal, querem fazer seus pedidos para ter um ano próspero. Com 18 mil metros quadrados, o local é divido em diversos templos menores, cada um com seus próprios deuses. A fumaça dos milhares de insensos acesos defuma até o pensamento. Acostume-se com ela (não há outro jeito), siga em frente e arrisque um pedido. Quem sabe dá certo?

Multidão no templo Sik Sik Yuen Wang Tai Sin, que funciona 24 horas: a fumaça que se vê é puro insenso. Foto Adriana Moreira/AE

Multidão no templo Sik Sik Yuen Wang Tai Sin, que funciona 24 horas: a fumaça que se vê é puro insenso. Foto Adriana Moreira/AE

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13.fevereiro.2010 13:31:57

Mandingas do ano-novo lunar

Se normalmente sobram superstições em Hong Kong, imagine então em uma data comemorativa. Depois de mais de 30 horas entre aviões e conexões, desembarquei na província em plena véspera de ano-novo chinês – ou lunar, já que o calendário segue os padrões da lua, e não do sol, como fazemos no Ocidente. E descobri que, por mais estapafúrdias que algumas delas possam parecer, muitas se assemelham com as nossas.

Amanhã, durante a festa para o novo ano, não haverá multidões vestidas de branco, como se vê no Brasil. A cor predominante será o vermelho, que representa prosperidade. Dourado, da fortuna, também é bom. Só o preto fica proibido: acredita-se que a cor atraia má sorte.

Três dias antes da comemoração, um grande mercado é montado na Caseway Bay – visitei-o hoje, em seu último dia, durante uma chuva fina e incessante, que deixou a todos encharcados. Jovens animados empurram quinquilharias fofas e coloridas, a maioria delas em forma de tigre, que rege o ano lunar que começa amanhã.  Do outro lado, flores, muitas flores. A tradição manda enfeitar a casa com diversas espécies, mas uma não pode faltar: a cinco gerações (wu doi ton tong, em cantonês), que mais parece um pequeno pé de pêssegos.

A plantinha representa a família: ano-novo chinês, por aqui, é época de reunir todos para um banquete. A mesa é posta cedo, antes dos convidados chegarem, para que os deuses possam se fartar primeiro. Depois, sirva-se à vontade – frango e porco não podem faltar. E enquanto a festa segue, casados presenteiam os solteiros da família com dinheiro, sabe-se lá por qual razão.

Os doces tradicionais são muitos. O bigode de dragão (lung xou), feito com amêndoas ou nozes, coco e recheios diversos (delicioso, por sinal) deve ser degustado para garantir um ano próspero. Tangerina também não pode faltar: a pronúncia em cantonês (diz-se kam) tem som similar a “ouro”. Por isso, a fruta está presente por todos os lados.

As fotos do mercado de flores e do “bigode do dragão” coloco em breve. Não sei se a chuva fina ou o jet leg afetaram minha câmera, mas o fato é que ela se recusa a descarregar neste momento.Espero sanar tudo até amanhã para que vocês possam ver também as imagens exclusivas do ano-nov0 chinês.

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O Brasil é considerado o país do carnaval. Aqui, temos o carnaval luxuoso das escolas de samba nos sambódromos do Rio e São Paulo, a animação dos trios elétricos de Salvador, os blocos de rua e os bonecões de Recife e Olinda…Mas a folia também contagia o mundo inteiro – e de forma bem diferente da nossa.

Em Veneza, na Itália, o carnaval é tradição da Idade Média com as elegantes máscaras que dão um tom colorido e classudo à cidade das gôndolas. A folia começou no domingo passado com o tradicional Voo do Anjo, onde uma mulher, geralmente uma celebridade, é içada por fios de aço na Praça San Marco.

Carnaval de Veneza. Foto: Andrea Merola

Carnaval de Veneza. Foto: Andrea Merola

A festa assume um tom mais irônico em Colônia, na Alemanha. Os carros alegóricos trazem figuras caricatas de políticos. Na foto, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, dá um presente de grego explosivo ao colega dos Estados Unidos, Barack Obama. As polêmicas do premiê italiano Silvio Berlusconi também renderam um carro divertido. Nas ruas, centenas de mulheres seguram imensas tesouras de plástico para cortar as gravatas de quem ousar vestir o figurino nestes dias.

Obama e Ahmadineyad, no Carnaval de Colônia, na Alemanha. Foto: Rolf Vennenbernd/EFE

Obama e Ahmadineyad, no Carnaval de Colônia, na Alemanha. Foto: Rolf Vennenbernd/EFE

Uma folia bem diferente é realizada na cidade de Ptuj, na Eslovênia. Os “kurenti” usam fantasias feitas de palha, máscaras demoníacas, fitas coloridas e trazem grandes sinos atados à cintura. A ideia é afastar os espíritos do mau do inverno, segundo um antigo folclore pagão eslavo. Na quarta-feira de cinzas, um boneco é enterrado para marcar o fim do inverno e início da primavera.

Na Eslovênia, a tradição é de um antigo rito pagão. Foto: Vesna Bernardic/EFE

Na Eslovênia, a tradição é de um antigo rito pagão. Foto: Vesna Bernardic/EFE

Singela é a festa na cidadezinha alemã de Neu Zauche. As mulheres vestem roupas tradicionais como saias rodadas com flores e muitas rendas para simbolizar a chegada da primavera. Fofo, não?

Carnaval tradicional na pequena Neu Zauche, na Alemanha. Foto: Patrick Pleul

Carnaval tradicional na pequena Neu Zauche, na Alemanha. Foto: Patrick Pleul

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O tour começa em uma bela travessia de ferryboat, com meia hora de duração e os contornos da Cidade do Cabo no horizonte, com destaque para a Table Mountain. De tão deslumbrante, a paisagem quase faz esquecer o triste motivo que tornou famosa a Robben Island: ali ficou encarcerado, entre 1964 e 1982, o líder político Nelson Mandela, que comemora hoje 20 anos de sua libertação. A ilha foi transformada em museu e símbolo da luta de Mandela contra o apartheid. E virou ponto turístico obrigatório, tanto pela história que narra quanto por sua beleza natural.

Vista da exuberante Robben Island. Foto: Divulgação

Vista da exuberante Robben Island. Foto: Divulgação

Nesta quinta-feira, a festa na África do Sul começou nas primeiras horas da manhã, com uma multidão reunida diante da prisão Victor Verster, em Cape Winelands, junto à estátua que representa Mandela com o punho direito erguido, deixando a prisão. Também conhecido como Centro de Correção Drakestein, o local foi o último cárcere do líder político.

Na Cidade do Cabo, a 12 quilômetros dali, o Nelson Mandela Gateway é um ótimo ponto de partida para entender melhor esta história. Até o fim de março, está em cartaz a mostra de fotos Truth & Lies, que lembra os anos do apartheid. O espaço fica no Victoria & Alfred Waterfront, área de compras e lazer ao lado das docas do porto da cidade, de onde partem os ferryboats para a Robben Island, hoje Patrimônio da Humanidade da Unesco.

O tour, como foi dito lá em cima, tem um início deslumbrante, mas também momentos dolorosos. Inclui as celas da sombria prisão de segurança máxima e uma conversa com um dos ex-presos políticos do local, que conta histórias do período. De ônibus, os visitantes veem outros pontos da ilha, como a delegacia e um templo muçulmano, e ouvem explicações de uma guia.

Foto: Linda Garrison
Interior da sombria prisão Victor Verster. Foto: Linda Garrison

O passeio tem duração total de três horas e meia e termina na loja do museu. Custa 200 rands (R$ 47,78) e inclui as travessias de ferryboat na ida e na volta. Por causa dos festejos pelas duas décadas de libertação de Mandela, o tour está bastante concorrido. Para garantir o ingresso, melhor fazer reserva pela internet, no site da Robben Island.

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11.fevereiro.2010 09:55:40

Meio século de puro glamour

Sexta-feira, 26 de fevereiro, será um dia de festa na Canarby Street. A moderna e superfashion rua londrina, localizada bem no centro do Soho, vai comemorar seus 50 anos.

Lendária rua festejará seus 50 anos Foto: Bruna Tiussu/AE

Lendária rua festejará seus 50 anos Foto: Bruna Tiussu/AE

Para marcar a data, uma exposição com fotografias, vídeos e discos vai relembrar a origem do local, que surgiu na efervescência dos anos 60 e logo se tornou um dos grandes símbolos do chamado Swinging sixties. Uma retrospectiva em 3D mostrará a evolução do local, eventos que ocorreram ali e as personalidades que marcaram sua história. Caracterizada desde o início pela atmosfera que mescla moda e música, não faltam na mostra os grandes ícones da época como os Beatles, Rolling Stones, Jimi Hendrix e Sex Pistols.

O livro Carnaby Street 1960-2010 também será lançado no evento. Ele traz fotos históricas da região e entrevistas com pessoas que ali viveram ou trabalharam (como Pete Townsend da banda The Who). As imagens da década de 60 são do aclamado fotógrafo Philip Townsend.

Cinquenta anos depois, Carnaby St. se mantém como símbolo fashion, mesclando a tendência alternativa com o que há de mais consagrado no mundo da moda. São mais de 150 estabelecimentos – entre lojas, restaurantes e cafés – e cerca de 65% deles integram o grupo das marcas independentes.

Kingly court
Os sortudos que estiverem em Londres durante a exposição, podem aproveitar para descansar as pernas e matar a fome em um dos restaurantes do aconchegante Kingly Court. Eles ficam no térreo e, como o espaço é aberto, melhor ainda se não estiver chovendo. Ou, quem preferir pode começar ali mesmo as compras: nos 1º e 2º andares há inúmeras lojas independentes com vitrines bem atrativas.

Charme ao ar livre no Kingly Court Foto: Bruna Tiussu/AE

Charme ao ar livre no Kingly Court Foto: Bruna Tiussu/AE

A mostra Carnaby St. 1960-2010 é gratuita e vai até 10 de abril.

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09.fevereiro.2010 16:03:48

Aventura no Salto Angel

Nosso incansável viajante aceitou o convite de um velho amigo, hoje gerente do Hotel Guanahani e, para aquecer os ossos enregelados pelo inverno europeu, pousou na ilha de Saint Barthélémy, no Caribe, reduto de chiques e famosos. Refrescando-se nas águas turquesas da Anse des Colombiers e caminhando pelas ruas elegantes do porto de Gustavia, mr. Miles conta-nos que não há ilha menos caribenha naquelas águas famosas. “Não há rumbas, calipso, bandas de metal, tererês ou loiras européias à caça de nativos. E, believe me: bebe-se mais champanhe que rum!”
De uma mesa no Eden Rock, onde pretendia alongar sua noite, o correspondente inglês responde a correspondência da semana:

Mr. Miles: não sou um homem muito viajado, mas já fui à Foz do Iguaçu e nunca vi tamanha maravilha. Afinal, existe queda d’água mais impressionante do que a nossa?
Joel Capelas, por email

No, my friend: as cataratas do Iguaçu são, indeed, as mais belas e breathtaking que eu já vi. Ainda que menores, em extensão e volume d’água que as Victoria Falls, no Zimbabwe, elas provocam um efeito mais arrebatador, dada sua configuração em forma de anfiteatro. No caso de Victoria, trata-se de um corte em linha reta, cujo conjunto só é possível visualizar em um sobrevôo. Quanto às Niagara Falls, well, o máximo que posso dizer é que os americanos as adoram.
De minha parte, tenho especial apreço pelo Salto Angel, a mais alta queda d’água do mundo, que se precipita do alto do Auyan Tepui e, 979 metros abaixo encontra as terras da Grande Savana da Venezuela. Não apenas por sua altura vertiginosa — equivalente a um prédio de 326 andares —, nem pelo estrondo de mil sinos gigantes que produz quando cai na época das chuvas (durante a seca, só uma névoa alcança o solo).
Minha ligação com o Salto Angel é, também, de certa forma, histórica. Conheci Jimmy Angel nos anos 30 do século passado em um pequeno bar em Panamá City. Discorrendo incessantemente sobre o salto que havia avistado pouco antes pilotando seu avião na região, ele, of course, aguçou meu espírito aventureiro. Jimmy planejava voar novamente e pousar sobre o tepui. Consegui convencê-lo a levá-lo comigo na empreitada, lembrando-o que o primeiro provável relato sobre a existência dessa maravilha foi feito, no século 16, por sir Walter Raleigh, um compatriota em busca do Eldora. Em outubro de 1937, com sua esposa Mary e seu amigo Gustavo Heny, fizemos a viagem a bordo de uma pequena aeronave Flamingo. Unfortunately, Jimmy era melhor explorador que piloto e nosso pouso foi um disaster. A área era um charco, o Flamingo chafurdou e tivemos duas semanas de notáveis privações para conseguir descer da montanha até o acampamento de Karamata.
Durante a viagem, however, vi, maravilhado, o salto que iria levar o nome de Jimmy. E voltei, anos depois, em um barco a motor subindo o rio Churún. Ainda alimento a esperança de retornar para esse unbelievable acidente geográfico. Mas confesso que tenho aguardado que mr. Chavez, a essa altura, já tenha se exilado em Cochabamba, onde, com certeza, será muito bem recebido por mr. Morales. Dos destinos que pode ter o meu bowler hat, não antevejo nenhum pior do que vê-lo expropriado por um ditador impulsivo. Don’t you agree?

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