No lugar do biscoito Globo, pipocas parecidas com aquelas que vêm no saquinho rosa. E ao invés da orla com gringos, ondas e areia (e alguma sujeira), gringos, barqueiros, pedras (e alguma sujeira). Como se vê, há poucas semelhanças entre a Copacabana carioca e a boliviana além do nome.

A Praia de Copacabana
Confesso que, ao descer do aliscafo, espécie de lancha turística, fiquei um pouco chocada com a pobreza da cidade famosa, ponto de parada obrigatória de quem visita o Lago Titicaca pelo lado boliviano. A orla de um lugar tão especial, que na história inca teria sido o berço de seu primeiro imperador, merecia tratamento melhor.
Mas Copacabana tem muito a seu favor. Apesar do turismo, dos hotéis, dos hippies, do comércio de bugigangas, ela se mantém autêntica. As cholas que vendem nas ruas milho, amendoim, batatas de todos os 250 tipos existentes no país e as tais pipocas do saquinho rosa ainda acreditam que as fotos podem lhes causar enfermidades. No comércio de rua, é comum o escambo de alimentos entre os próprios vendedores.
Seguindo pela rua principal, você vai descobrir que o Titicaca divide as atenções turísticas com a bela Igreja de Nossa Senhora de Copacabana. Erguida em 1550, é uma espécie de Aparecida do Norte boliviana, mas menos movimentada. Me aproximava pela praça principal quando ouvi uma cantoria. Uma bandinha tinha sido contratada por um grupo de motoristas de táxi de uma cidade próxima, como forma de homenagear a Virgem.
Enquanto isso, cholas enfeitavam os táxis estacionados em frente à igreja com flores e fitas. Depois, o padre deu a bênção a todos. Juan, um dos motoristas, me contou que sempre que alguém compra um carro novo precisa levar à igreja para benzê-lo. Assim, terá proteção e boa sorte nos negócios.

Cholas enfeitam carros
Dentro da igreja, uma particularidade. A santa não está virada para o altar, mas para o lago. O que se vê da câmara principal, cercada de madeira trabalhada e adornada com ouro, é apenas uma cortina. Quem quiser ver a imagem de perto precisa subir as escadas até uma sala menor. A Virgem só é voltada para a parte principal da igreja em eventos especiais.
Na volta para o barco, uma tranqüilidade rara em uma cidade tão turística. Nenhuma chola pede moedas por uma foto. Nenhuma abordagem incisiva, com ambulantes tentando vender um colarzinho ou um cartão-postal. E, foi assim, mesmo sem biscoito Globo e outros atrativos da princesinha do mar, que a Copacabana boliviana conquistou minha simpatia.

A igreja de Nossa Senhora de Copacabana. Fotos Adriana Moreira/AE
Ainda falta quase um mês para o Natal, mas as ruas de cidades do mundo todo já estão iluminadas. Selecionamos duas fotos para você já ir entrando no clima.
Em Frakfurt, na Alemanha, o tradicional Mercado de Natal na Praça Römerberg é montado desde o século XVI. A altura das casas, em estilo chalé, rivalizam com os altos pinheiros. E, é claro, muita neve.

EFE/Boris Roessler
Em Genebra, na Suíça, a decoração é hi-tech. O projeto artístico Splitch-Splatch, criado pelo artista plástico francês Lionel Bessieres, traz dez árvores decoradas com grandes bolas em cores fluorescentes. A ideia faz parte do 9º Festival de Árvores de Luzes.

EFE/Martial Trezzini
Os cômicos personagens do filme A Era do Gelo agora estão no Guinness. Não por méritos próprios, mas sim porque o alemão Edgar Müller escolheu os bichinhos para dar mais graça a sua nova pintura artística. A que ganhou o posto de maior arte em 3D feita na rua do mundo – batendo seu próprio recorde.
Edgard precisou de seis dias para pintar a cena, que cobre uma área de 330 metros quadrados de Westfield, em Londres. Nela, o mamute Manny, mais uma vez, está salvando a vida dos amigos Sid e Diego, que quase caem de uma geleira. De tão bem feita, a imagem é quase real. Quem passar por ali até o Natal, vai ter a chance de comprovar.

Rua de Londres é palco da arte de Edgard. Foto: EFE
Depois de participar do Festival do World Culture do ano passado, na Alemanha, Edgar se empolgou e seguiu pintando, criando uma série de trabalhos de grande porte que se classificam na 3D Street Art. Sua preferência é pelos espaços urbanos, pois gosta de desafiar a percepção do público mudando suas aparências.
Veja o making of de uma de suas criações:
Jericoacoara está no seu roteiro de férias?

Pois saiba que, ao lado da desnorteante beleza natural, a boa gastronomia desta vila cearense merece ser louvada (e, em alguns casos, criticada). Anote e leve na mala este guia rápido de restaurantes. Todos devidamente testados em uma bela semana de folga.

Sabor da Terra: mais conhecido como O Tonhão, serve comida caiçara-cearense em porções generosas. De tão perfeita, a porção de lagosta grelhada com manteiga chega a desmanchar na boca. Custa R$ 60 na baixa temporada, acompanha arroz, purê de batata e farofa e serve muitíssimo bem duas pessoas.
Para ir: Rua do Forró, s/n; (0–88) 3669-2065
Rústico e Acústico: coloridas toalhas de crochê tornam o ambiente gostoso, confortável. A varanda tem chão de areia de praia, como as próprias ruas da vila. Peça camarão no abacaxi, especialidade do restaurante e daquele trecho de litoral. Por R$ 40 (preço de baixa temporada), acompanha salada, arroz e uma batata souté que pode - deve – ser trocada por purê de mandioca. Como sobremesa, copinhos de chocolate com creme de leite condensado e limão.
Para ir: Rua São Francisco, s/n; (0–88) 3669-2308
Mosquito Blue: a cozinha pretensamente sofisticada deste restaurante, localizado no hotel homônimo, foi recomendada por amigos. Mas decepcionou, apesar do ambiente delicioso num charmosíssimo quiosque na praia. Pode ter sido falta de sorte, claro, mas o ravióli com molho ao sugo chegou à mesa duro – não al dente, mas duro mesmo. Feita a reclamação, o garçom levou o prato. E o trouxe de volta, minutos depois, reaquecido no microondas. Desisti de jantar no local.
Para ir: Rua Ismael, s/n; (0–88) 3669-2203
Sfizietto: espaguete honesto com cerca de 15 opções de molhos do tipo que você mesmo prepararia em casa para uma refeição rápida. O alho e óleo estava bom; o de tomates, um tanto gorduroso. Custa entre R$ 11 e R$ 17 o prato para uma pessoa.
Para ir: Rua do Forró, s/n
Sky: mais bar que restaurante, essa deliciosa parada pré-balada tem música ao vivo e confortáveis cadeiras de madeira na areia. Vá sem fome ou, no máximo, com leve apetite para petiscar. Sem personalidade definida, o cardápio comete pecados como a porção de camarão gordurosa demais.
Para ir: Rua Principal, s/n; (0–88) 3669-2048
Carcará: por sorte, o melhor restaurante de Jeri foi deixado para o último dia das férias – caso contrário, teria sido difícil resistir à tentação de almoçar lá todos os dias. Pelo mesmo motivo, ficou para o fim nesta lista de sugestões. O cardápio tem bom número de opções em torno do tema comida regional. Arrumadinho (carne de sol, feijão de corda, arroz de leite com queijo e farofa), R$ 18,80; bobó de camarão, R$ 18,50, na baixa temporada. O local é também uma lojinha de artesanato que vende fofas bonecas de pano.
Para ir: Rua do Forró, 530; (0–88) 3669-2013 e (0–88) 9968-3929
Além destes, os restaurantes Na Casa Dela (Rua Principal, s/n), Chocolate (Rua do Forró, s/n) e Pizza Banana (Rua Principal, 84) foram bem recomendados – e só não foram testados por falta de tempo ou porque funcionam apenas na alta temporada.
A propósito, o Viagem & Aventura esteve em Jeri neste ano. Pedra Furada, Tatajuba, Lagoas Azul e do Paraíso e a animada vida noturna estiveram no roteiro. Com as sugestões de pousadas de Ricardo Freire, não falta mais nada para você arrumar as malas rumo às férias perfeitas.
Sim, o post começou com a promessa de um guia rápido. Mas este, você há de concordar, está mais para guia completo. Aproveite.
Após a inequívoca demonstração de desinteresse de chineses e norte-americanos quanto ao futuro ambiental do planeta, mr. Miles decidiu desarquivar velhos planos e, na companhia de investidores ingleses, seguiu para Nuuk, na Groenlandia, onde pretende adquirir, a preços irrelevantes, um trecho da gélida costa local. Nosso excêntrico correspondente acredita que, com o aquecimento global em progressão geométrica, ainda construirá um resort para veranistas no local.
A seguir, a correspondência da semana:
Prezado Mr. Miles: vou passar as férias de janeiro com minha familia na Costa Rica, para conhecer a região dos vulcões e, mais tarde, passar alguns dias no litoral caribenho, na região de Limón. O senhor saberia me dizer se os mosquitos nessa área vão nos permitir aproveitar a praia?
Rosana Soares Wunsch, por email
Unfortunately, my dear, não existem praias remotas sem mosquitos em regiões tropicais. Em Limón, however, os repelentes realmente repelem e os inseticidas ainda cumprem sua missão original. Você deve ser paulistana, I presume. E, nesse caso, julgo compreender a natureza de seu atormentamento. Contam-me amigos residentes nessa grande metrópole que a convivência com estes nasty insects tornou-se absolutamente impossível. Alguns, como my good fellow Nelson Freitag, asseguram-me que os mosquitos passaram por uma mutação genética e já utilizam as substâncias ativas dos compostos criados para exterminá-los em banhos revitalizantes. Is it true?
Ouço, ainda, que o grande hit da temporada de calor que já se iniciou são umas raquetes de tênis de procedência chinesa que têm o condão de eletrocutar muriçocas, carapanãs e borrachudos. O engenheiro Rafael Voltberg, com quem me correspondo há anos, pratica, hoje, todos os dias, horas de forehands, backhands e drop shots contra nuvens de agressivos mosquitos que infestam sua casa. Segundo me conta, está até recuperando o velho estilo, anos depois de ter abandonado o lawn tennis.
Oh, my God!
As coisas devem andar realmente difíceis por aí… In the other hand, fico imaginando que há um possível lado positivo nesta situação. Com o uso das raquetes popularizando-se da maneira como me relatam, não é de se duvidar de que, em quinze ou vinte anos, desponte em São Paulo uma geração de campeões sem precedentes desde que my fellow Guga deixou as quadras. Don’t you agree?
Digressões à parte, my dear Rosana, aposto que você terá férias esplêndidas na Costa Rica. Trata-se de um lugar deslumbrante, com um povo de inequívoca vocação hospitaleira. Quando estive em Limón pela última vez, optei por ficar nas praias de Puerto Viejo de Talamanca e posso lhe dizer que foi uma lovely choice.
Mosquitos? Sim: lembro-me deles. Pareciam-me tão relaxados quanto eu mesmo. Nada que se compare à inesquecível experiência que vivi, nos anos 40 do século passado, quando visitei, pela primeira vez, a Beautiful Island (que vocês chamam de Ilhabela), no litoral de São Paulo. Unfortunately, durou pouco minha estadia. Apenas, se bem me lembro, o tempo necessário para ser almoçado por borrachudos em um dia de mormaço. Um desconforto que se transformou em pânico quando, ao refugiar-me dentro do mar, descobri que the little bastards eram exímios mergulhadores. E não haviam raquetes naquele tempo…
Nosso insaciável viajante deixou o Benim levando uma ótima impressão de sua população afável e hospitaleira. Utilizando-se de aviões que definiu como “periclitantemente velhos”, voou, com muitas escalas, até Paris para alguns compromissos sociais. Em correspondência enviada à redação, mandou informar aos leitores que não está presente em nenhuma das chamadas redes sociais da web e também não manda recados pelo twitter, desqualificando, portanto, os embusteiros que usam seu nome. Seu único blog certificado é o que está abrigado em www.estadao.com.br.
Quanto à pergunta da semana, decidiu escolher uma entre as muitas que lhe fazem sobre temas algo vagos.
Mr. Miles, é possivel conciliar um estilo de vida de espírito aventureiro e viajante com os assuntos que dizem respeito aos sentimentos do coração?
Marcelo Silva, São Paulo
Well, Marcelo, sua pergunta soa-me tão pouco clara que, por minha conta e risco, vou ousar traduzi-la. Suponho que o prezado leitor queira saber como fica a vida de um viajante contumaz e compulsivo quando ocorre de ele apaixonar-se. Am I right? Porque, nesse caso, a resposta é: melhor, muito melhor. Ou será que o caríssimo missivista supõe que os “sentimentos do coração” a que se refere só atingem os cidadãos sedentários, que nunca ousam deixar os limites de sua cidade? Ou, ainda, em uma outra interpretação, estaria você sugerindo que, ao apaixonar-se, o cidadão de “espírito aventureiro” tornar-se-ia um refém de seu novo sentimento, abandonando, portanto e definitivamente, malas, passaportes e horizontes?
Give me a break, my fellow! O prazer de viajar é perfeitamente complementar à ventura de apaixonar-se. Muitas vezes, as you know, são situações que ocorrem simultaneamente. Olhe ao seu redor e observe quantas pessoas encontraram grandes amores enquanto viajavam. Do you know why? Porque é da natureza da maioria dos que partem mundo afora abrir-se para novas experiências, provar novos sabores e olhar com outros olhos.
Ouso supor, however, que sua questão embute uma angústia pessoal. De um lado, perhaps, a mulher amada, tão doce e querida que lhe parece impossível sequer supor a perspectiva de sua ausência. Um minuto já se afigura demasiado… O que dizer do tempo de uma viagem? De outro, I presume, a oportunidade de visitar um lugar novo e atraente. Um destino, quiçá, tantas vezes sonhado em noites remotas, com um livro de Jules Verne ou Karl May a espicaçá-lo…
Se é esse o seu dilema, my dear Marcelo, compreendo-o com sinceridade. Já perdi a conta de quantas vezes vivi situações semelhantes em diferentes partes do mundo. Therefore, posso lhe dizer que só há três saídas para esse labirinto — e apenas uma delas leva à porta da frente.
A primeira, fellow, é guardar as malas e viver seu grande amor até que a brisa de uma tarde qualquer convença-o de que já é possível partir com a certeza de que a volta aquecerá o fogo da paixão. A segunda, I’m afraid, é fazer as malas e entregar-se ao destino, com a mesma certeza de que, diante das grandezas do mundo, o retorno lhe dará a real dimensão de seu amor. Finally, my friend, a saída perfeita, que muitas vezes requer esforço e renúncia é levá-la junto, seja para onde for, custe o que custar. Em suas palavras, o “espírito aventureiro” aliado aos “sentimentos do coração”. Essa, sim, tenha certeza, será uma grande viagem. E, of course, uma grande paixão.
A neve até já tinha dado o ar da graça em alguns lugares. Mas agora é oficial: nesta semana, a temporada de esqui será oficialmente declarada aberta em boa parte das estações dos Estados Unidos.
Vail e Park City, mais apressadas, abriram os trabalhos na sexta-feira. Mas, em ambos os casos, a neve ainda é insuficiente para oferecer diversão para valer. Apenas algumas áreas (a maior parte delas, voltada aos iniciantes) estão liberadas para esqui e snowboard. Para conferir como estão as pistas, os sites de Vail e Park City têm câmeras com imagens em tempo real.
Aparentemente, Aspen-Snowmass começará a temporada nesta quinta-feira (Dia de Ação de Graças) com condições melhores de neve. Hoje houve alguma precipitação e a previsão para os próximos dias é de mais neve. Talvez não seja o suficiente para satisfazer aos experts que adoram as pistas fofinhas, mas ao menos dá para (com o perdão do trocadilho) começar a aquecer os esquis.
Telluride também vai aproveitar o feriadão no país para declarar abertas suas pistas. Ao que tudo indica, é a que apresenta melhores condições para os esquiadores no momento. A dica para quem planeja viajar para lá é dar uma olhada no Blog do Dave, o CEO do resort. Esta semana, por exemplo, ele conta que foi pessoalmente checar as condições das pistas em um snowmobile. A resposta? A imagem abaixo já dá uma ideia de que esta temporada promete.

Trecho conhecido como See Forever em uma das pistas de Telluride. Crédito Dave's Blog
Vamos publicar no dia 11 de janeiro um guia com as 50 melhores praias do Brasil e gostaríamos de saber qual será o seu destino neste verão. Já está com o roteiro definido? Tem dicas quentíssimas ou fotos? A praia mais votada terá destaque especial no nosso Guia Praias.
Qual é a sua praia? Conte para a gente.

Preguiça de frente para o mar. Carla Miranda/AE
Começou hoje no Museo Les Abattoirs de Toulouse uma exposição com as primeiras obras do espanhol Miquel Barceló. O nome Barceló antes de Barceló explica tudo: lá estão os trabalhos que o artista fez antes de participar da Documenta de Kassel, a mais importante mostra de arte contemporânea, realizada na Alemanha, e que lhe rendeu fama internacional.
São mais de cem obras criadas entre 1973 e 1982, expostas até 28 de fevereiro de 2010. Muitas delas fazem parte da coleção particular de Barceló, e ajudam a revelar características recorrentes em seus trabalhos mais recentes.
Natural de Felanitx, uma pequena cidade de Mallorca, Barceló correu o mundo espalhando sua arte. Mas um de seus trabalhos mais famosos está justamente na sua ilha natal, no Mediterrâneo. Ele demorou seis anos – concluiu em 2006 – para terminar um mural de cerâmica que ilustra a parede da Capela do Santo Pai, na Catedral de Palma.
Mural na Catedral de Palma de Mallorca. Foto: Mônica Nóbrega/AE
No Brasil, o espanhol teve a oportunidade de mostrar seu talento duas vezes. Participou da 16.ª Bienal Internacional de São Paulo, em 1981, e de uma exposição na Pinacoteca do Estado, em 2003. Mais do seu trabalho pode ser encontrado no acervo fixo do Guggenheim de Bilbao, Centro Pompidou de Paris, Museu de Arte Contemporânea de Barcelona e no Museu Reina Sofia em Madri.
Para os amantes de vinho, novembro é o mês do Beaujolais Nouveau. A partir de hoje, cerca de 30 restaurantes paulistanos começam a recebem a nova safra da bebida. E em seguida, iniciam a preparação de uma noite especial, regada a muito vinho e um cardápio harmonizado.
O que temos aqui é uma pequena versão do que é feito na região de Beaujolais, que vai de Lyon até o limite de Burgundy, na França. Lá, todo mundo festeja a chegada da safra anual com grandes festas em bares e restaurantes.
Ao contrário do que se diz por aí, a maioria do vinho é produzida artesanalmente, por famílias que estão em Beujolais há tempos e se dedicam a plantação da uva gamay. Numa visita, você é rapidamente cativado pela simpatia das pessoas locais.
Visitei a casa do senhor e a senhora Callandres que, apesar de seus 70 anos cuidam, sozinhos, de 9 hectares de plantação. Parte da casa é do século XVI, outra do século XIX, toda construída com as típicas pedras amarelas (golden stones) que caracterizam a região e com jardins floridos ao redor. A área plantada fica ao fundo, onde se pode avistar os Alpes. Tudo é milimetricamente bem cuidado.
Num galpão, o típico cheiro do vinho sendo fermentado. Eles produzem de oito a dez mil garrafas de de dois tipos da bebida: Beaujolais e Beaujolais Villaje, que podem ser comprados ali mesmo. Cada garrafa sai por 4,80 euros.
E se você tiver sorte, o sr. Callandres pode se empolgar e mostrar seu museu particular. Estão guardadas ali as ferramentas que a família usava no passado, todas feitas à mão.
Ao final da visita, a prova do produto, conduzida pela dona da casa. O vinho é leve e frutado. Deve ser consumido ainda jovem e pode ser servido gelado. Talvez por isso haja certo preconceito contra ele. Talvez por isso também, é uma boa pedida para refrescar o calor que começa forte no Brasil.
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