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Quem Faz

Nem sempre tudo o que a equipe do caderno Viagem vivencia em suas andanças mundo afora cabe nas páginas impressas. Neste espaço, há um pouco de tudo: notícias, percepções, experiências e bastidores. Para você embarcar com a gente cada vez que caímos na estrada

segunda-feira 26/10/09 19:15

Honduras pode esperar

Conforme anunciado na semana passada, nosso indomável viajante, na companhia de sua mascote Trashie, rumaram para Honduras, aonde, sem mais delongas buscaram hospedagem na Embaixada do Brasil. Os trajes elegantemente britânicos e a notória polidez de mr. Miles foram determinantes para que as portas se abrissem. No interior da representação, o correspondente britânico deu com uma "disgusting" bagunça, mas, com delicadeza, obteve a ajuda de um serviçal que tornou habitável um pequeno cômodo onde instalou seu sleeping bag. Fez questão ...

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quarta-feira 14/10/09 12:01

Pecados viajores

Nosso incansável viajante preparou as malas, escovou os pelos de Trashie, sua inseparável raposa das estepes siberianas e apontou a proa rumo a Honduras, cujos acontecimentos tem acompanhado com divertido interesse. Ao contrário do que costuma fazer, mr. Miles sequer deu-se ao trabalho de verificar a disponibilidade de hospedagem em Tegucigalpa. "Em último caso — informou-nos —, vou direto à Embaixada do Brasil e alí estendo meu sleeping bag". A seguir, a correspondência da semana: Querido Mr. Miles: quais são os pecados ...

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quarta-feira 14/10/09 11:57

Viagem a um não-país

Ao completar meia década como colaborador deste caderno, nosso incansável viajante britânico envia saudações aos leitores que se habituaram a acompanhar suas andanças pelo mundo e informa que "o ato de responder, semanalmente, a uma das cartas que recebo, incorporou-se a minha rotina com o mesmo prazer do scotch de cada dia". Mr. Miles confirma, também, que, embora a contragosto, familiarizou-se com o laptop, que, no entanto, continua considerando um objeto muito menos interessante e glamuroso do que sua inseparável ...

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sexta-feira 02/10/09 18:22

Sobre o ato de viajar solitário

Nosso impetuoso viajante percorreu, de bicicleta, uma extensa distância nas trilhas à beira do fiorde de Hardanger, na Noruega, colhendo, no pé, as saborosas maçãs que vicejam nos arredores da cidade de Lofthus, desfrutando da visão dos imensos penhascos que cercam aquela estreita “língua de mar” e passando sob uma infinidade de arco-iris que se formam, com constância, na região. Convalescendo do lamentável (em suas palavras) pifão de aquavit que o acometeu no casamento de Peer e Kaila, mr. Miles inspirou-se na bravura de Roald Amundsen para encarar a empreitada. Mas não tardou a envergonhar-se de seu cansaço inicial ao constatar que centenas de infantes noruegueses de cabelos branquinhos (“crianças idosas”, segundo as palavras do impagável Rick Rollo, que o acompanhou nas pedaladas), percorriam o mesmo trajeto com enorme facilidade. A seguir, a pergunta da semana:

Não sei se culpo minha “imperícia relacional”, mas tenho dificuldades para conhecer gente quando viajo, o que anda me desmotivando a sair daqui. O que o senhor acha sobre o ato de viajar solitário?
Célio Gurfinkel Marques de Godoy, por email

Well, my friend: confesso que são limitados os meus conhecimentos de psicologia, mas atrevo-me a supor que sua “imperícia relacional” — seja lá o que isso signifique —, não se manifeste apenas no ato de viajar. Pelo simples caminho da lógica, therefore, concluo que, na Noruega, no México, em Botsuana ou em sua própria cidade, o problema persistirá inalterado. Pela lei das probabilidades, however, quanto maior e mais variado for o número de pessoas a que você se expuser, melhores serão suas chances de encontrar alguém que descubra nessa sua imperícia um charming appeal. Em outras palavras: qualquer viagem que você fizer pode lhe reservar uma atração turística inesperada. Don’t you agree?
Sou, as you know, um praticante do ato de viajar solitário sobre o qual você me pergunta. Encontro imensa alegria em caminhar sem destino e observar com atenção. Quase sempre acabo conhecendo pessoas por este simples motivo. Observo, surpreendo-me e, of course, pergunto.
Foi desta forma que fiz tantos amigos ao redor do mundo. Perguntando, interessando-me. Sempre, however, com curiosidade genuina e senso de oportunidade.
Envergonho-me de pensar na possibilidade de ser invasivo. Portanto apresento-me com gentileza, manifesto minha curiosidade e, usually, obtenho uma resposta.
Suponho que muitas das pessoas que, mais tarde, tornaram-se good fellows, dirigiram-me um primeiro olhar ligeiramente irônico, incomodadas, perhaps, pelos meus modos e trajes britânicos. I don’t blame them. Se um hindu entrasse em um pub londrino usando um traje tradicional Mailooga, ele também causaria certo estranhamento inicial, I presume.É claro, my good Célio, que também topo com gente mal-educada em minhas jornadas. Mas, como diria minha saudosa tia Antonine, “quem precisa deles?”.
Faça as malas, fellow e viaje porque novos ares e lugares deslumbrantes são sempre uma boa companhia. E, just in case, para evitar o agravamento de sua “imperícia relacional” deixe a França e a Argentina para uma segunda jornada. I’m sure that you know what I mean.

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