Especula-se que mr. Miles está chegando ao Brasil nesta semana. A notícia não está confirmada, mas, há poucas semanas, nosso correspondente britânico anunciou que viria, com certeza, passar alguns dias em Florianópolis. Outra evidência, que compartilhamos com os leitores, foi uma consulta informal feita pelo bravo viajante sobre as escalas de fim-de-ano da redação — dando a entender que, finalmente, ele nos conceda a honra de sua visita. A expectativa, por aqui, não é muito grande; em suas últimas e fugazes passagens pelo Brasil, Miles frustrou seus companheiros de redação. Alguns jornalistas deste matutino atribuem os diversos forfaits do viajante inglês ao receio de que algum fotógrafo da casa tente capturar retrato mais atualizado da excêntrica figura — hipótese inadmissível para mr. Miles por motivos de superstição, conforme já comentado anteriormente. Ainda assim, há um certo frisson na redação que, desde já, agradece as notícias de quaisquer leitores que tenham a oportunidade de encontrá-lo durante o Réveillon.
Querido Mr. Miles: o senhor pratica alguma mandinga de réveillon como nós? Marcia Bello Solgese, por email
Well, my dear: na verdade só depende de onde eu estou quando um ano se encerra. Cada lugar, as you know, tem os seus próprios hábitos e, como hóspede, costumo respeitar e juntar-me às… well…, mandingas alheias que, no mais das vezes, são inofensivas, quando não verdadeiramente eficientes. Rituais de passagem mostram, by the way, como estamos próximos dos povos primitivos que nos originaram e, of course, pelo mesmo medo que nos assola, sempre bajularam descaradamente o desconhecido. Algumas coisas, however, me recuso a fazer. Por muito tempo fui obrigado a ingerir detestáveis porções de lentilha enquanto ainda vivia na casa de meus pais, em Essex. Um dia, arrisquei o ano vindouro e rejeitei minha porção. A expectativa de uma tragédia não se realizou, Thanks God. E os meses se passaram felizes, na certeza de que não haveria lentilhas no réveillon seguinte.
Os fogos de artifício, as you know, são uma tradição de origem oriental.
Luzes e ruídos para espantar os maus espíritos. Nowadays, o que era uma inofensiva barulheira tornou-se um longo bombardeio. Os maus espíritos, I presume, é que estão organizando a foguetagem.
De todas as superstições de New’s Year Eve, a que mais me agrada é a que sugere beijar a mulher amada no exato instante das doze badaladas.
Tem poesia — e começar um ano com poesia é mais bonito do que berrar, sujar as praias (jogando coisas ao mar, como vocês gostam, isn’t it?) ou mergulhar em fontes geladas como os londrinos embriagados fazem em Trafalgar Square.
A mais assustadora das superstições, felizmente não muito repetida no Brasil, é aquela que anuncia morte na familia dos que lavarem roupas no primeiro dia ano nascente. É a chamada praga inócua, isn’t it? Pois quem haverá de lavar roupas justo no dia internacional da ressaca? Happy New Year, my friends! Ah: e não esqueçam de abrir as janelas exatamente à meia noite do dia 31. Garantem os sábios que só assim o Ano Novo entrará na sua casa. E o velho partirá para sempre.
Como sempre acontece nesta época do ano, leitores de todas as partes do Brasil escrevem para nosso viajante britânico questionando do que vale uma vida itinerante se um homem não tem familia para compartilhar o Natal. Mr. Miles agradece a “preocupação” de seus admiradores e volta a lembrar que, “além das tias, primas e primos com os quais, by the way, não compartilha uma ceia de Natal há muitas décadas em função da má performance dos cozinheiros disponíveis”, sua familia espalha-se generosamente pelo mundo e, eventualmente, nem compartilha da fé cristã. “Dividir uma mesa com pessoas queridas é muito melhor do que qualquer motivo para fazê-lo”, assegura nosso correspondente que, neste Natal, estará junto a familia Jakac, em Ljubiana, na Eslovênia. Edvard Jakac, antigo mordomo de Tito, é hoje o concierge de um hotel renomado e ” of course, faz parte da familia Miles nos Balcãs”.
A seguir, a pergunta da semana:
Querido mr. Miles: toda vez que viajo, opto por uma bagagem leve e prática. O resultado é que, na prática, acabo ficando cada dia mais desarrumada, parecendo com o Augustinho, de A Grande Familia. O que o senhor acha sobre isso?
Valquíria Rosangela Carneiro, por email
Well, my dear: não é preciso ser um observador muito arguto para descobrir que, em viagens de férias, a primeira vítima é, quase sempre, a elegância. Never mind: a utilização de roupas amarfanhadas, de cores destoantes, em situações inconvenientes é característica de turistas de múltiplas nacionalidades em diversas partes do mundo. A falta, nesse caso, é quase sempre compreensível e justificável. Mais vale um viajante com poucas peças de roupa em uma bagagem praticável do que um turista condenado a transportar baús de uma cidade a outra, sem o auxílio dos serviçais de outrora.
Roupas contadas, usually, significam combinações esdrúxulas. Tenho visto, here and there, alguns modelitos tão improváveis que só me resta esperar que a viagem realizada tenha sido muito mais rica e proveitosa do que as fotos que dela restarão. No extremo oposto, conheço algumas amigas que viajam com tanta bagagem que, in fact, muito pouco lhes importa o lugar em que estão. A preocupação que têm de estar sempre bem na foto é, often, muito maior, do que o interesse em saber ‘o que é este prédio todo quebrado atrás de mim?’ – referindo-se, claro, ao Coliseu ou ao Parthenon.
Há, by the way, pessoas naturalmente elegantes, que sabem misturar a boa prática do light traveling com uma inigualável habilidade de compor a bagagem com itens precisos que, sempre que chamados ao corpo, resultarão em aparência adequada e repleta de frescor. Essas, I’m sorry to say, são uma minoria que, seguramente, passará ao largo dessas mal traçadas linhas.
Nesse particular, by the way, tem razão minha boa amiga Charlotte (N.da R.: Charlotte Rampling, atriz inglesa), ao invejar as mulheres muçulmanas que com quatro ou cinco boas burkas podem dar a volta ao mundo sem qualquer risco de parecerem deselegantes. O mesmo, of course, se aplica aa freiras, a monges tibetanos e, last, but not least, a esse modesto escriba, que, adepto do terno e do bowler hat corre o risco de aparecer antiquado. Jamais, porém, esquisito. Do you know what I mean?
Mr. Miles: 2008 é um ano que lhe deixará saudades?
Gerson Vilarrica, Brasilia, DF
Well, my friend: foi mais um ano de muitas e belas viagens – e, nesse
sentido, sempre um periodo de enriquecimento. Unfortunately, tenho
visto muitos velhos amigos menos esperançosos no epílogo desse ano
bissexto. Os que colecionam meus velhos escritos, hão de se lembrar
que a ONU, sempre tão antenada com as necessidades dos povos, declarou 2008 o Ano Internacional das Batatas. Foi uma providência de valor inestimável, isn’t it? Tenho a impressão de que tanto esforço dedicamos aos tubérculos, que acabamos por deixá-los queimar. Don’t you agree? E a nobre Associação Mundial dos Zoológicos e Aquários que, em defesa dos anfíbios em geral, havia declarado 2008 como o Ano Mundial do Sapo? Não foi de uma lucidez profética? Com as batatas fora de ação, tivemos de acabar engolindo todos os sapos de uma economia infestada de répteis peçonhentos que, by the way, my friend, não viajam nunca. Exceto para paraísos fiscais, que estão a caminho de se tornar purgatórios.
Mr. Miles. Pretendo em abril viajar para Italia, quero retornar a Veneza, depois ir visitar o sul da italia. O que aconselha, transporte, etc. Grato
E.Giusti, por e-mail
Well, Mr. or Mrs. Giusti: a indefinição quanto a seu nome (Eduardo?, Elisa?, Ermengarda?) tornará, I’m afraid, minha resposta um pouco mais vaga do que eu apreciaria. O sul da Itália, sobretudo, pode ser um pouco mais hostil com moças desacompanhadas do que com rapazes, desde que eles se comportem adequadamente. Para Veneza, my friend, recomendo o coração aberto de sempre. Não há lugar mais astonishing em todo o mundo, acima ou abaixo d’água. Eu lamento, deeply, o terror da acqua alta, que está abalando as estruturas desse pedaço da história encravado no Adriático. Mas estou quite sure de que se houvessem ouvido meu velho amigo Antonio Callado e obrigado qualquer ser humano de mínima sensibilidade a pagar imposto pelo simples fato de ‘poder ver Veneza’, já existiriam fundos suficientes para as obras necessárias.

Nosso inefável viajante manda noticias da Alemanha, para onde se dirigiu convidado a participar de um certo Comitê pelos Festejos dos 20 Anos da Queda do Muro, a serem celebrados em 2009. Mr. Miles não sabe bem por que foi chamado para participar desse grupo de notáveis, mas espera “enriquecer os debates, trazer propostas positivas e, last, but not least, estender a noite nos bares de Prenzlauer Berg”. Hospedado no célebre Hotel Adlon e com saudades dos drinques que bebeu com Marlene Dietrich diante do Portal de Brandemburgo – antes de insistir com Emil Jannings que ela estrelasse O Anjo Azul – nosso correspondente dessa vez fez questão de levar Trashie consigo.
A cadelinha, que Miles define como “minha raposa das estepes siberianas” fica, como se sabe, sempre animada em viajar para destinos invernais. A seguir, a pergunta da semana:
Mr. Miles: até que ponto as dicas publicadas em guias e revistas de viagem são confiáveis? Refiro-me, especialmente, aas que mencionam hotéis, restaurantes e vida noturna.
Patricia Montenegro, por email
Well, my dear: a boa dica, como a boa bebida, você só conhece no dia seguinte. Unfortunately, há que provar a sugestão que lhe agradou para estabelecer uma relação de confiança com a publicação que você escolheu ou abandoná-la forever. Há formas, however, de diminuir a quantidade de embusteiros pelo caminho. Textos mal escritos, frívolos, revelam, em geral, pesquisadores que jamais estiveram no lugar que recomendam. Prefira, of course, referências inteligentes e, se possível, brasileiras. O que agrada a um travelwriter de uma revista inglêsa não precisa, necessariamente, ser do gosto de um viajante brasileiro. Do you know what I mean?Esteja sempre atenta para que você não esteja cometendo, perhaps, um engano de expectativa. Optar, for instance, por um hotel limpo e barato significa, no mais das vezes, que você deve ficar satisfeito e encontrar um hotel limpo e barato. Se o estabelecimento for luxuoso, tiver vista excepcional e ainda assim for economico e asseado, o analista terá sido ruim por omissão. Am I right? Veja o que me ocorreu ainda nesta semana: fui aa Dresden para a 574ª edição do Striezelmarket, o mais antigo dos milhares de mercados de Natal que ocorrem em terras teutônicas, dando-lhes uma atmosfera pacífica que, well, não corresponde exatamente aos fatos de sua história pregressa. Comprei alguns enfeites que costumam fazer a alegria de minha doce tina Henriette, a autora do melhor kidney pie (N.da R.: torta de rim, prato típico inglês) do Condado de Essex. Na volta, em busca de um restaurante, consultei um famoso guia de origem britânica que me apresentou a um convidativo Sophienkeller, ” taverna típica da Saxônia estabelecida no século 18, com ótima comida e bons preços”.
A opção parecia interessante. Don’t you agree?
Well, Patricia: o que encontrei, instead, foi um ashaming parque de diversões falso como uma nota de 3 pounds e 23 shillings. Garçonetes vestidas como bruxas, decoração precária e, oh, My God, uma mesa redonda imitando um carrossel antigo, com cadeiras balançando atadas a correntes. Não provei a comida, of course, mas joguei um guia no lixo. Fair enough, isn’t it?


Confirmado: depois de uma longa ausência, o homem mais viajado do planeta garante que vem mesmo ao Brasil ainda durante o verão. A informação não foi passada para a redação, mas diretamente a um de seus leitores, como se pode ver na carta abaixo. Sabe-se, entretanto, que mr. Miles está na Alemanha, onde foi convidado a dar palpites em uma comissão encarregada de lembrar, no próximo ano, os vinte anos da queda do Muro de Berlim.
Prezado Miles,
Assíduo leitor de sua coluna, tomo a liberdade de solicitar o seu empenho pessoal para ajudar a recuperar a imagem de Santa Catarina e da bela Florianópolis. Após o drama das chuvas que abalaram o Estado, todos os impactos estão sendo superados e tenho certeza de que a temporada vai ser, mais uma vez, um espetáculo (…). Conto contigo e com sua solidariedade.
Paulo Arenhart
Secretário de Comunicação de Florianópolis
Wait for me, Santa Catarina
Well, my friend: não conte apenas com minha solidariedade, mas com minha presença. Se eu ainda tinha dúvidas sobre em que ilha deveria ancorar essa velha carcaça viajora no verão que se avizinha, now I’m sure>: Floripa is the right place. Faz muito tempo que não passo pelas proximidades da velha Hercilio’s Light Bridge (N.da.R.: Ponte Hercílio Luz) que, by the way, conhecí pouco depois da inauguração, numa viagem que fazia para Buenos Aires.
É uma ilha extraordinária, sem contar o fato de que naquelas dunas pululam diamantes em estado bruto… Ou onde vocês acham que vão se banhar, pela primeira vez, essas meninas que mais tarde tornam-se Veras Fischer ou Giselles Bündchen?
Believe me, Paul: eu entendo sua aflição. As tragédias naturais são freqüentemente sucedidas pelo infortúnio do preconceito, pela desdita da ignorância e pela catástrofe das decisões precipitadas. O senso comum leva as pessoas a acreditarem que uma inundação no vale do rio Itajaí vai acabar com as ondas da praia da Joaquina ou afugentar as baleias da Praia do Rosa. That’s ridiculous! É claro que não é o momento de visitar casas de enxaimel em Blumenau ou comer marreco com repolho roxo na pobre Pomerode, tão abalada pela fúria das águas. Mas há um mundo de wonderful places em Santa Catarina que, thanks God, ficaram ao largo desse infortúnio.
Tenho um amigo que é tour operator em London e não consegue entender essa lógica: “Miles — disse-me ele, ainda outro dia —, com a atentado em Mumbai, meus clientes programados para Bali cancelaram suas viagens. Será que eles não percebem que a distância entre Mumbai e Bali é quase a mesma que separa a Inglaterra da Índia?”
Pois quanto a mim, don’t worry, Paul. Estarei em Floripa as soon as possible. De alguma coisa tem de me valer essa interminável experiência de viajante. Haverá menos trânsito, of course. Os preços estarão menores do que usually. E as pessoas, já por natureza hospitaleiras, terão mais tempo e carinho a dedicar a quem as visitar. Talvez eu pegue umas ondas com the good Guga, se ele estiver disponível. Tênis, não. Todos sabem que ele nunca gostou de jogar na grama — o único piso que, of course, eu posso aceitar.
Prezado Mr. Miles: quanto da produção mundial de ervilhas e cenouras é destinado às empresas de catering, que servem as companhias aéreas? Me parece que pelo menos uns 80%, don’t you agree? Talvez menos agora que elas insistem em servir apenas barrinhas de cereais…
Lothus Minott
Lothus, my dear: unfortunately, não estou a par do fact & figures do catering internacional, but, indeed, you must be right.
Se eu somasse, uma a uma, as ervilhas que ingeri em todos esses anos a bordo de aeronaves, creio que seria perfeitamente possível estabelecer uma linha pontilhada (de verde, of course) entre meu querido Condado de Essex e o terceiro anel de Júpiter. As for the carrots, guardo a ilusão de que é o consumo excessivo dessa umbelífera que mantém minha visão aguçada e, modestamente, meu interesse sexual ativo como o dos coelhos.
Por outro lado, my dear, quero aproveitar a sua pergunta para comentar que, in my opinion, o cartel internacional do catering deve ter desenvolvido uma nova espécie de ave genéticamente modificada que é uma mistura entre o antigo frango e o recente poliéster. Não sei se você reparou, Lothus, mas não importa a companhia ou o tempêro, aquilo a que chamam de frango nos aviões é uma espécie de fibra emborrachada, com um esplêndido nothing-flavour. A tal ave já deve nascer desossada e depenada, I presume.
Quanto às barrinhas de cereal, I’m sorry, but I have no further coments.
Não foram poucos os leitores que escreveram a nosso incansável viajante sobre a Somália e a questão dos novos piratas. Como sempre, mr. Miles não se recusou a abordar o tema, até mesmo porque, segundo suas palavras, “tenho um fraco pelas águas incomensuravelmente cristalinas do nordeste da África, cuja beleza literalmente cega os líderes locais, ao invés de render-lhes prosperidade”.
A seguir, a pergunta da semana:
Prezado mr. Miles: o que o senhor está tem a dizer sobre o renascimento do fenômeno dos piratas na costa da Somália. Isn’t it amazing? — como o senhor mesmo diz.
Marco Aurélio Silviani Pascolle
Well, my friend: suponho que você esteja usando o amazing em sua frase com a ironia de quem viu e leu muitos romances de corsários divertidos e bucaneiros corajosos. Na ponta de uma metralhadora, I presume, o termo terrifying seria mais apropriado, isn’t it?
In fact, Mark, a pirataria é tão antiga quanto o transporte de valores pelo mar. Sua característica foi ter sido sempre tão sangüinolenta quanto rentável. O cinema gosta de construir histórias sobre piratas corteses e justiceiros que, most of the times, estão recuperando valores injustamente tomados por nações imperiais de suas pobres colônias. A temática é absolutamente verdadeira, exceto, of course, pela índole dos bucaneiros.
Quem quer que estivesse no comando de um navio com a famosa bandeira Jolly Roger hasteada (N.da R.: a mais célebre das flâmulas- piratas, com um crânio e duas espadas cruzadas sobre fundo preto) era um assassino. Mesmo que ostentasse o título de Sir, como meu conterrâneo Francis Drake, que foi um corsário, na verdade um pirata oficial, apoiado pelo governo.
Nos últimos anos, as you know, as pessoas passaram a usar o termo pirataria para atividades que têm mais a ver com falsificação, uso indevido, etc. A meu ver, fellow, tiraram a crueldade do termo… ou você acha que um tênis clonado tem o mesmo charme de um homem degolado?
Quanto ao fulcro de sua questão, my friend, temo que estamos diante da velha mistura entre a necessidade com a oportunidade. Conheço Bosaso — a cidade-sede dos piratas somalis — desde quando ela se chamava Bender Qassim e era um porto pobre, mas decente, na costa de um país cercado pelo mar de um lado e pela fome de todos os outros.
À época — hospedei-me no Hotel Juba, if I remember —, a pesca fazia frente às necessidade alimentícias dos 50 mil moradores da cidade. Hoje, segundo leio, as guerras internas multiplicaram por dez a população local.
That’s terrible, isn’t it? Acontece que a geografia obriga todos os navios vindos do Canal de Suez e do Mar Vermelho a passarem pelo Golfo de Aden, bem em frente aos famintos somalis. E se já não há mais transporte de ouro e pedras preciosas, não é dificil imaginar um bando de piratas famintos seqüestrando navios em troca de dinheiro.
Meu velho amigo Mahmud Abdul Muse diz que, pela primeira vez em anos, a Somália mostra sinais de prosperidade. ‘Finalmente descobrimos o que fazer de nossa economia, Miles: vamos ser todos piratas. Yo, ho, ho, uma garrafa de rum’ — exagerou ele, que é muçulmano e não bebe, of course.
2012
2011
2010
2009
2008