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Viagem

Não é preciso artifícios para chegar perto dos animais: eles não têm medo do homem e, curiosos, se aproximam. Tocar não pode, mas fotografar sim. Aproveite

Adriana Moreira / GALÁPAGOS

Aposto que em seu álbum de férias deve haver alguma foto sua rodeado de peixinhos, ávidos por mais migalhas de pão ou bolacha. Ou com um pássaro comendo em sua mão. Talvez até ao lado de um animal maior, como um macaco, uma girafa, uma lhama, sendo alimentados por você. Mas e se eu disser que existe um lugar em que é possível chegar assim tão perto dos bichos sem usar de nenhum artifício, truque ou adestramento?

Os animais que vivem no arquipélago de Galápagos, a 1h30 de voo da costa equatoriana, não têm medo do homem. Você caminha ao lado de ninhos de atobás e precisa prestar atenção para não pisar em nenhum filhote. Procura o melhor ângulo para a foto do leão-marinho e, se descuidar, pisa em outro. Machos de fragatas exibem seu peito vermelho inflado para as fêmeas e não se incomodam com o grupo curioso de turistas ao seu redor.

Sim, é incrível – e, na verdade, muito mais do que se pode descrever, fotografar ou filmar. Nada nos prepara para a explosão de vida encontrada ali, onde a natureza segue seu curso como se nunca tivéssemos pisado naquelas terras áridas.

Da área total do arquipélago, 97% pertence ao Parque Nacional. A casa, portanto, é dos animais e, como visitantes educados que somos, não se pode levar nem uma pedrinha – ou você é daqueles que pegam um “souvenir” da estante do anfitrião? Se você argumentar dizendo “neste caso é diferente”, fica o aviso amigo: o controle de alfândega em Galápagos é bastante rigoroso e as bagagens passam pelo raio X antes e depois da viagem. Se flagrarem a sua pedrinha escondida lá no fundo do bolso, vai ter de pagar uma multa.

A maior parte dos voos chega a Baltra, uma ilhota próxima à Ilha de Santa Cruz, que serviu como base militar dos Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial. Apenas o aeroporto está ali – as pousadas se concentram principalmente em Puerto Ayora, em Santa Cruz, que tem 12 mil moradores e a melhor infraestrutura turística. Além desta, apenas outras três ilhas, das 13 principais que compõem o arquipélago, têm cidades: San Cristóbal, Floriana e Isabela.

Ao todo, 25 mil pessoas vivem nas ilhas. E, antes que você diga que quer se mudar para esse paraíso, é bom saber que os apagões são frequentes, a internet é lenta e a água, escassa – somente Floriana e San Cristóbal têm fontes naturais, mas em volume insuficiente para abastecer toda a população.

Apesar de o turismo ser a principal fonte de renda, não é ele quem dá as cartas. Navios de cruzeiro, como o que embarcamos para a expedição de 7 noites pelas ilhas, têm de seguir preceitos rigorosos em relação a ammenities, cardápio, lixo…

E os turistas também. Não tem essa de abraçar leão-marinho na foto, dar migalha para peixe, atrair pássaro para comer na mão. Não pode – mas tampouco é necessário. Acredite: seus cliques ficarão muito melhores do que se você fizesse qualquer uma dessas coisas.

MANUAL DO BOM TURISTA

  • Não seja invejoso: não sofra se alguém viu um determinado animal e você não. A natureza é imprevisível. Lide com isso
  • Não estrague a foto do colega: aproxime-se lentamente dos animais para que eles não se assustem. E lembre-se de manter a distância mínima de 2 metros (é regra)
  • Fique na trilha: nem sempre os caminhos são bem demarcados, mas se esforço

O QUE LEVAR

Kit sol: na linha do Equador, o sol não dá trégua. Protetor e chapéu são itens fundamentais
Kit trilha: sempre há uma trilha para explorar as ilhas. Tênis é suficiente (dispense botas pesadas). Leve ainda mochila pequena e cantil, para evitar o descarte de garrafas pet na ilha
Kit enjoo: se for de navio, Dramin ajuda

O QUE TRAZER

Chocolate: o Equador produz ótimos chocolates. No mercado é mais barato que no aeroporto
Souvenirs galapaguenhos: joias e bijuterias com temas de Galápagos são uma febre por lá. Para itens de ouro e prata (como brincos e anéis em forma de patas azuis dos atobás), a dica é a Galapagos Jewerly, em Puerto Ayora. Nas cidades há atobás de pelúcia, iguanas coloridas e outras fofices

SAIBA MAIS

  • Aéreo: SP – Galápagos (Baltra) – SP: desde R$ 1.797 na Tame  tame.com.ec) e R$ 3.827 na TAM  tam.com.br). Voos com conexão
  • Melhor época: dezembro a abril é tempo de surfe; de julho a novembro, as baleias dão as caras por lá. De janeiro a maio é a época das chuvas. Em setembro, há muita neblina e a operação turística fica bastante reduzida
  • Moeda: o Equador adota o dólar americano – US$ 1 equivale a R$ 2,23
  • Idioma: espanhol
  • Taxa ambiental: turistas brasileiros pagam US$ 50
  • Sites: ecuador.travelgalapagos.org

 

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Trilha formada por uma erupção vulcânica ancestral – Fotos: Adriana Moreira/Estadão

Milhões de anos de erupções deram origem às Galápagos, que continuam vivas – há vulcões ativos em Fernandina e Isabela. Em San Cristóbal eles estão extintos, mas ainda é possível entender um pouco da formação geológica local desembarcando em Punta Pitt.

Pelo briefing, dado pela chefe de expedições no dia anterior ao desembarque, a parada não pareceu tão interessante em comparação a outros pontos do arquipélago. Uma trilha por rochas, poucos animais para ver, vegetação escassa – as cabras, introduzidas ali por pescadores (e exterminadas anos depois pelo Parque Nacional), e os ratos acabaram com quase tudo. Por que caminhar ali?

Eis uma lição em Galápagos: não existe lugar feio (ou, vá lá, menos bonito). A começar pelo desembarque, em uma praia terrosa cercada por dois imensos paredões. Os leões-marinhos, como é de praxe no arquipélago, estão por ali, curtindo uma preguiça.

A trilha começa no sulco deixado pela lava em uma dessas antiquíssimas erupções. Subimos, passando por alguns cactos, até identificar a antiga cratera, que encheu de água de chuva ao longo dos anos e, em um tempo muito antes de qualquer um de nós existir, colapsou e deixou seu rastro de pedras até a margem. Lá no alto, além da vista de tirar o fôlego, uma vegetação rasteira, vermelha, contrasta com o verde dos cactos e com o azul do mar.

Vegetação contrasta com o azul do mar

Mas esta é apenas a pontinha da ilha e o cenário em Puerto Baquerizo Moreno – a cidadezinha de aproximadamente 6 mil habitantes de San Cristóbal – é bem diferente. A calmaria impera nas ruas, repletas de lojinhas de souvenirs na avenida à beira-mar e agências de mergulho nas transversais. Centenas de leões-marinhos (sempre eles) se espalham pela orla – bebês procuram as mães, machos lutam por território, mas a maioria apenas dorme. Folgados, os bichos se espalham até sobre os barcos ancorados.

Gigante cascuda na hora do almoço

Assim como em Santa Cruz, San Cristóbal também conta com seu centro de preservação de tartarugas gigantes. Na Galapaguera de Cerro Colorado, a 40 minutos de Puerto Baquerizo Moreno, é possível ver animais recém-saídos dos ovos e indivíduos adultos. Dá para chegar bem pertinho deles (mas não toque!).

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Estação de conservação da Charles Darwin Foundation – Fotos: Adriana Moreira/Estadão

Quando Darwin chegou a Galápagos a bordo do Beagle, em 15 de setembro de 1885, ficou surpreso com o tamanho das tartarugas e com as diferenças entre as espécies encontradas em cada ilha. Cerca de 50 foram colocadas no navio – não para serem estudadas, mas para alimentar a tripulação do barco. Quase 130 anos depois, das 11 espécies existentes na época do naturalista, apenas sete não foram extintas.

Na Ilha de Santa Cruz, há duas maneiras distintas de ver os animais. A clássica é na estação de conservação da Charles Darwin Foundation, a uns 15 minutos de caminhada do centro de Puerto Ayora. É quase um minizoológico, com programas de reprodução e reintrodução de espécies. Ali viveu Solitário George, último exemplar originário da Ilha Pinta que, apesar dos esforços de biólogos do mundo todo, não conseguiu se reproduzir. Solitário George foi empalhado – e em breve ficará em exposição no centro onde passou seus últimos dias.

Sem George, a celebridade local agora é Diego – mais conhecido como Super Diego em razão da quantidade de filhotes que colocou no mundo: 1.700! Original da Ilha Espanhola, a tartaruga tem idade estimada em 130 anos e vivia no zoológico de San Diego, Califórnia, antes de voltar para Galápagos. E continua em plena forma.

Os programas da Charles Darwin Foundation são muito bacanas e o centro realmente merece sua visita – dá para ver também tartaruguinhas-bebês, que passam alguns anos ali antes de serem reintroduzidas à natureza. Mas não é o melhor lugar para fotografar os animais. Do outro lado da Ilha Santa Cruz, a 25 quilômetros do porto, o rancho El Manzanillo é uma oportunidade para ver as gigantes em seu hábitat.

Don Hernán Guerrero adquiriu essas terras altas em 1970 e deixou para um irmão usar como área de pastagem para gado. Há dois anos, ele retomou o terreno e decidiu dedicar a área ao turismo. “As tartarugas sempre vieram aqui. São muitas, por toda a parte”, conta. Segundo Don Hernán, de agosto a fevereiro é mais fácil encontrá-las, já que os animais se escondem no calor. Mas, mesmo em um dia de sol a pino, quando como visitei o local, foi possível observar dezenas delas na pequena trilha de aproximadamente 1 quilômetro.

É interessante descobrir que as tartarugas gigantes nascem no nível do mar e levam cerca de 20 anos para chegar à área do rancho de Don Hernán – quando estão prontas para reprodução. A entrada custa US$ 3 – e ele mesmo dá as explicações, em espanhol, caso você não tenha o próprio guia. Agende no e-mail rancho_elmanzanillo@hotmail.com.

 

Pelicanos à espreita por um filé de peixe

Em Puerto Ayora, pelicano faz fila no mercado de peixe

Caminhar por Puerto Ayora, a principal cidade de Galápagos, é uma delícia – desde que, é claro, o sol não esteja a pino. Há um quê de Búzios naquelas lojas descoladas e ateliês graciosos, como o de Sarah Darling, na avenida principal, onde a própria construção tem cara de obra de arte.

Vale a pena gastar alguns minutos no mercado de peixe – mesmo que você não tenha ambições de cozinhar. Uma fila de pelicanos (e até leões-marinhos) se forma atrás dos atendentes, que limpam os pescados na hora, de acordo com o pedido do freguês. Os animais esperam pacientemente por sua porção.

À noite, quando todos retornam dos passeios pelas ilhas, a cidade ganha vida, com bares praianos e bons restaurantes.

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Atobás-de-Nazca recepcionam visitantes na trilha – Fotos: Adriana Moreira/Estadão

“Se você gosta de pássaros, esta é a sua ilha”, anunciou Gaby, chefe de expedição do nosso cruzeiro por Galápagos, na noite anterior ao desembarque. Imaginei algo estilo birdwatching, em que seria preciso levar binóculos para ver alguma coisa.

Que nada. Os primeiros atobás-de-Nazca se apresentaram logo ao desembarque na Baía Darwin e, num primeiro momento, parecia uma tremenda sorte eles estarem ali. Mas logo se sucederam outros, e outros. Em menos de dez minutos, vimos dezenas de casais de fragatas, gaivotas, atobás-de-pés-vermelhos. Há mais de 70 espécies de pássaros em Genovesa.

Atobá-de-pé-vermelho

Foi ali que vimos também os primeiros leões-marinhos da viagem (eles estão por toda a parte, mas você nunca vai cansar de fotografá-los). Uma fêmea e seu bebê se refrescavam em meio às piscinas naturais e nem se importaram com nossa presença: ela parecia posar para as fotos.

Mais à frente, outro grupo de filhotes nadava nas águas represadas. “É a creche”, disse em português com algum sotaque o guia naturalista Xavier Soárez, filho de mãe brasileira e pai equatoriano. Segundo ele, as fêmeas costumam deixar os filhotes nesses espaços enquanto saem para pescar.

Filhote de leão-marinho na “creche” natural

Apesar de já termos visto tanto nessa pequena trilha pela Baía Darwin, a maior parte das colônias de aves fica em outro trecho da ilha, chamada de El Barranco. Ali, um atobá-de-Nazca fincou os pés na trilha para observar de perto aquelas espécies estranhas que haviam desembarcado ali (ou seja, nós). E até uma rara coruja-de-Galápagos, mais arisca, deu as caras.

Outra ilha repleta de pássaros é a Seymour norte. O amor estava no ar: vimos os atobás fazendo sua dancinha tradicional, exibindo com orgulho os pés azuis. Vez ou outra, um assobio – seria um fiu fiu? A fêmea só observa, com ar de jurada de concurso de dança. Se ela responder com seu grunhido característico, está formado o casal.

Fragata macho infla o peito para impressionar fêmeas: pode vir quente

Machos de fragatas inflavam uma espécie de bolsa, na altura do peito, para provar às pretendentes que eram saudáveis – quanto mais vermelho e brilhante, maiores as chances de conquistar a fêmea. E, quem não tem um peito assim tão vermelho, apela para o consumismo feminino: deixa o ninho pronto e deita sobre ele. É a natureza apelando para o sonho da casa própria.

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Leão-marinho relaxa na Baía Gardner – Fotos: Adriana Moreira/Estadão

Apesar de contar com excelentes pontos para mergulho de cilindro e snorkel, Galápagos não é exatamente um destino de praia. A pedida ali é contemplar a natureza e não relaxar à beira-mar com uma piña colada em mãos.

A Baía Gardner está entre os poucos lugares do arquipélago em que dá para estender a sua canga em uma areia fina e branca, com vista para um mar de águas clarinhas, clarinhas, na companhia de incontáveis leões-marinhos que só querem fazer o mesmo que você: curtir a preguiça.

Posso afirmar, sem nenhum constrangimento, que é um dos lugares mais lindos que já vi. Por isso mesmo, fica difícil controlar a euforia: você não sabe o que faz primeiro, se tira a foto do leão-marinho aqui, da água transparente ali, olha aquele filhote, o outro está mamando, esse aqui procura a mãe…

Para escapar de uma espécie que ainda não está em extinção – o turista-sem-noção – deixei os afoitos fotografando os animais na área de desembarque e fui caminhar para a outra ponta da ilha. Me deparei com imensas iguanas marinhas de pele colorida – algumas bem vermelhas, outras com partes esverdeadas. Lindas que só.

Caranguejando pelas pedras vulcânicas

Os caranguejos de Galápagos, que só ficam vermelhos na idade adulta (nascem pretos e ficam mais coloridos à medida que atingem a maturidade), caminhavam pelas pedras vulcânicas, dando um contraste ainda mais belo às fotos.

Quando os turistas-sem-noção me alcançaram, eu já voltava para registrar os leões-marinhos (tenho até um selfie com um grupo deles). Mas ficar deitada na canga com tanta coisa para ver, definitivamente, não é para mim. Bem em frente, há uma ilhota ótima para snorkeling – e dá-lhe peixes coloridos e arraias.

As iguanas são as donas do pedaço

Do outro lado da ilha, em uma área chamada Punta Suárez, as rochas dão um ar dramático ao cenário. Iguanas terrestres se esparramam pelas trilhas, exibindo sua pele colorida. Caminhar pelas rochas, ouvindo o barulho do mar, faz pensar na vida, na natureza, na viagem. A guia Ivone Torres sugere que façamos silêncio por uns minutos e – uau! – a paisagem fica ainda mais inebriante.

Fotos garantidas, seguimos para a área mais emocionante do trajeto. Descendo pelas pedras, dezenas de ninhos de atobás-de-Nazca – alguns com ovos, outros com recém-nascidos – se espalham por ali. Não pense que eles voam, ficam assustados ou se abalam com nossa presença. Seguem com sua rotina, enquanto nossos queixos caem. Em meio a tudo aquilo, leões-marinhos continuam a dura vida de relax à beira-mar. Tudo em harmonia.

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Capriche no protetor solar quando desembarcar em Rabida – Fotos: Adriana Moreira/Estadão

É estranho pensar que um lugar tão cheio de vida como Galápagos seja, na maior parte de suas ilhas, tão agreste. Entre ilhas vulcânicas, rochas, cactos e vegetação ressequida, surge a beleza de pequenos pássaros, caranguejos, iguanas marinhas e terrestres.

Lambuzada de protetor solar, saí para a trilha em Rabida em meio a um sol amigo das fotos e das queimaduras epiteliais. O solo, tão vermelho quanto as minhas costas ficaram no fim do dia, proporcionava um lindo contraste com a vegetação e com o azul-turquesa das águas.

O lago de água salgada que se vê no início da caminhada costumava receber flamingos anos atrás, mas há algumas temporadas eles já não aparecem por lá. “Há uns dois anos vimos alguns poucos aqui, talvez checando a área. Quem sabe voltam?”, disse o guia Dries Degel.

Momento ternura com filhote de leão-marinho

Aliás, o passeio não é tanto para ver animais, mas para se encantar com a paisagem. Não pense que isso faz a caminhada valer menos a pena. Os cenários são mesmo incríveis e, do alto do mirante, você consegue ver cardumes de peixes nadando lá embaixo, tamanha a transparência da água.

Dali vimos também um pelicano descansando, talvez digerindo a última refeição. E dezenas de caranguejos-de-Galápagos sobre as rochas, desfilando seu colorido característico.

Ainda assim, encontramos no caminho um tentilhão-dos-cactos pousado em uma folha espinhenta. Pausa para um pouco de biologia: os tentilhões foram fundamentais para Darwin elaborar a Teoria da Evolução – em cada ilha eles apresentam bicos diferentes, de acordo com o tipo de alimentação que têm disponível.

Vida escassa em terra e em ebulição no mar

E, se a vida era escassa em terra, no mar estava por toda a parte. Arraias, estrelas-do-mar, milhares de micropeixinhos, peixes-papagaio, um pinguim-de-Galápagos (o menor pinguim do mundo, que mede menos de 1 metro de altura) e até tubarões – sim, os temidos tubarões são figurinhas fáceis no arquipélago. Mas, por se tratar de uma área onde há total equilíbrio ambiental, eles não atacam os humanos. Seguem seu caminho, sem nem olhar para nós.

Um macho de leão-marinho pode ser mais perigoso – e um deles também apareceu na água enquanto eu nadava por ali. Melhor sair de fininho.

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Entardecer na ilhota próxima de Santa Cruz – Fotos: Adriana Moreira/Estadão

Os raios do sol poente iluminavam a ilhota próxima a Santa Cruz enquanto o leão-marinho tirava sua soneca, o atobá-de-pés-azuis olhava o horizonte e um caranguejo caminhava ao seu lado. Galápagos resumida em apenas uma cena.

Apesar desse encontro inicial, as verdadeiras estrelas da ilha são as iguanas terrestres. Em tons de amarelo e cinza, elas passam despercebidas entre as rochas e a vegetação.

É bom prestar atenção onde pisa: elas não se movem nem quando passamos bem ao seu lado. Se você estiver distraído batendo a foto de outro bicho, pode acabar causando um acidente…

Cactos são o alimento favorito das iguanas

Cheia de cactos suculentos, a ilha oferece, em abundância, o alimento perfeito para esses animais pré-históricos. Eu poderia até dizer que a paisagem é também espetacular. Mas, em se tratando de Galápagos, seria um pleonasmo.

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Os corais gospel ainda estão lá, mas o centro afro-americano em Manhattan tem mais: alma latina, bares descolados e um quê de história

Seth Kugel / NOVA YORK / THE NEW YORK TIMES

No século 18, a metade norte da Ilha de Manhattan servia como bucólico refúgio para os nova-iorquinos que podiam pagar o preço e dispunham de uma charrete com cavalos para levá-los até lá. Hoje em dia é mais fácil visitar a região (a linha A, Eight Avenue Express, que passa pelo Harlem, é apenas uma das muitas rotas de acesso) e se deslocar por ela, com a abundância dos modernos táxis verdes nos bairros em que antes era raro encontrar os táxis amarelos.

Há também muito mais para fazer atualmente. O Harlem, assentamento holandês que se converteu na capital negra dos Estados Unidos, está passando por uma gentrificação: uma mistura de antigo e novo, de missas nas igrejas frequentadas pelos negros até bares modernos frequentados por jovens profissionais de todas as raças.

Enquanto isso, mais ao norte, entre a casa mais antiga da ilha e seu maior pedaço de terra não urbanizada, há um bairro latino do tipo que não se vê mais ao sul do Central Park. Abaixo, um roteiro de fim de semana para desbravar o pedaço. / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

SEXTA-FEIRA: Depois das trilhas, enchiladas
Pegue a linha A (Eight Avenue Express) do metrô – mas não até o Harlem, como diz a música famosa, gravada até por Ella Fitzgerald. Em vez disso, vá até o fim, na estação de 207th Street, bairro de Inwood. Alguns quarteirões a oeste há uma Manhattan irreconhecível (a não ser para os membros da tribo Lenape, habitantes originais da ilha).

O Inwood Hill Park tem montanhas, cavernas e florestas que se abrem para revelar vistas do Rio Hudson e de Spuyten Duyvil Creek. É lá que fica Shorakkopoch Rock, onde teria ocorrido a compra da Ilha de Manhattan da tribo Lenape por Peter Minuit. As trilhas são um emaranhado labiríntico (mal sinalizado), por isso, imprima o PDF do mapa se não quiser colher frutinhas silvestres para o jantar.

Melhor ir ao La Condesa (3.508 Broadway), aconchegante e de alto padrão, que serve uma deliciosa enchilada. É também opção para um drinque – as sofisticadas margaritas (US$ 8,50) têm variações de infusões caseiras, como a de mezcal com chipotle e abacaxi.

Continue os trabalhos em Washington Heights, bairro predominantemente dominicano desde os anos 1980. Ali Margarita Santana pilota o Margot (2.822 Broadway), restaurante simpático de ótima reputação. Os sorrisos complementam o inglês limitado dos funcionários enquanto a mesa desaparece sob travessas de bife com cebolas (US$ 13) e bode cozido com arroz, feijão vermelho e bananas fritas com arepas de yuca sabor anis (US$ 12).

O clima latino segue noite adentro – faz tempo que Washington Heights e Inwood têm casas do gênero, mas antigos estabelecimentos movidos a merengue deram lugar (em parte) a clubes modernos estilo lounge. O Apt. 78 (na 189th Street com a Fairview Ave) é uma casa noturna cujo nome remete ao antigo clube Apt, que ficava no Meatpacking District. Jovem, o público gosta de reggae e hip-hop tanto quanto de ritmos latinos. Na primavera, o melhor lugar é o La Marina (348 Dyckman Street), às margens do Rio Hudson. Dali, todos têm uma bela vista da ponte George Washington.

SÁBADO: Pegada africana no berço do bebop
A Serengeti Teas and Spices (2.292 Frederick Douglass Blvd.) é a primeira loja da empresa de chás da liberiana Caranda Martin nos Estados Unidos e, por trás do balcão de mogno e mármore, o dono pode sugerir o chá preto Masai Lion’s Head (US$ 4), com toques defumados, para começar o dia. Esqueça os salgados e doces e peça um rugelach (US$ 1, torça para vir com um damasco) quentinho e crocante na Lee Lee’s Baked Goods, a poucos quarteirões dali.

Depois, a sugestão é um roteiro de 2,4 quilômetros: comece na Frederick Douglass Boulevard – conhecida como corredor de restaurantes, mas também com lojas estilosas – e siga para o leste para ver sinais da população com origem na África Ocidental (repare nos cestos senegaleses da Adja Khady Food Distributor). Entre na Lenox Avenue e vire para o oeste na 125th Street, a principal via do Harlem – recentemente ocupada pela American Apparel e lojas do tipo, sem perder os camelôs vendendo baralhos com fotos de Obama.

No centro do bairro, o Studio Museum in Harlem traz artistas da diáspora africana; dali, rume ao Billie’s Black para um almoço gourmet: filé de peixe-gato cozido sobre carne de caranguejo (US$ 14). Ou vá para o leste até o Harlem hispânico, lar espiritual da comunidade porto-riquenha, e visite El Museu del Barrio (1.230 5th Ave.) antes de almoçar mofongo de pernil (banana frita amassada com pernil assado) olhando as obras de arte da La Fonda Boricua.

Erguida em 1765, a Mansão Morris-Jumel, onde George Washington dormiu (e planejou batalhas) em 1776, mantém intacta sua mobília de época e é a casa mais antiga de Manhattan – fica na 65 Jumel Terrace. Se for até lá, pare na Jumel Terrace Books, livraria que atende com hora marcada, especializada em história local. O proprietário, Kurt Thometz, mora no andar de cima e deve saber mais sobre Uptown do que todos os seus livros somados.

A noite pode render no Milton’s Playhouse – o original, dos anos 1940, berço do bebop, fechou nos anos 70. Mas um novo Milton’s acaba de nascer na forma de clube noturno, projeto do ex-diretor executivo da Time Warner, Richard Parsons, e do inovador da culinária sulista, Alexander Smalls. À mesa, garoupa com cremolata acompanhada de espinafre refogado (US$ 36).

DOMINGO: ‘Aleluias’ e uma surpresa com ar medieval
A visita a uma igreja batista, com pastores pregando, coros dançantes de música gospel e a animada congregação que os acompanha em todos os passos já se tornou um programa básico do turismo no Harlem. Escape das filas e vá até a Canaan Baptist Church of Christ com a Harlem Heritage Tours; o pacote de US$ 39 inclui um passeio após a missa, orientado pelo enérgico Neil Shoemaker, nativo do Harlem que faz questão de dizer isso o tempo todo, ou Andi Owens, um guia de 85 anos que conhece no mínimo uma tirada engraçada para cada ano de vida que tem.

Depois da bênção, a comilança. A julgar pela primeira impressão, seria de se pensar que os moradores do Harlem lotam o iluminado e animado Lido nos almoços de domingo para provar a mimosa (coquetel cítrico à base de champanhe) de US$ 13. Mas o verdadeiro destaque é a comida. É claro que o cardápio traz todos aqueles pratos derivados das panquecas e da maionese, mas o restaurante é italiano e, por isso, prove o ravióli de abóbora com creme de gengibre, salpicado com xarope balsâmico e sálvia (US$ 18). Ou faça uma concessão meio italiana, meio brunch: o amanteigado panini de ovo com queijo de cabra, bacon e tomates (US$ 13).

Antes de partir, siga para o Fort Tryon Park, que oferece impressionantes vistas do Rio Hudson e das Palisades de Nova Jersey, mas é mais conhecido pelos Cloisters, parte do Metropolitan abrigada em um edifício semelhante a um monastério, com três jardins de claustro parcialmente construídos a partir de elementos arquitetônicos de estruturas medievais transportadas desde o outro lado do Atlântico. No interior há esculturas, vitrais e manuscritos com iluminuras, e talvez as obras medievais mais famosas do Met, as Tapeçarias do Unicórnio.

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Do Eixample, é fácil chegar ao Parque Güell – Foto: Adriana Moreira/Estadão

VIAJE NA PERGUNTA

Vamos no início de dezembro para Barcelona, com nossas filhas de 7 e 10 anos. Onde é melhor se hospedar, sem interesse em vida noturna? Poderia indicar hotéis? (Goran, São Paulo)

A maioria dos visitantes procura algum hotel nas vizinhanças do trecho mais turístico da Rambla, que vai do porto até a Plaza Cataluña. Eu não sou fã desse eixo – não só pelo excesso de turistas, como pela frequência de malandros e mãos-leves que dão expediente no pedaço. O lugar de Barcelona que faz mais a minha cabeça é El Born, a zona da Barcelona medieval que se aburguesou mais recentemente. Já o pessoal alternativo curte mais El Raval, atrás do Mercado da Boqueria, que ainda continua “misturado”. Mas não são regiões com apelo para famílias.

Se vocês fossem no verão, minha resposta seria a região da Barceloneta. Ali vocês estariam perto da praia e de atrações que as crianças curtem, como o Aquário e o Teleférico. Mas em dezembro a região vai estar desanimada. Existe um pedaço de Barcelona, porém, que serve para todo tipo de público, o ano inteiro: o Eixample. Elegante e central, o Eixample permite que se viva a Barcelona de verdade – há muito mais barceloneses morando ali do que na Cidade Velha – e, ainda assim, deixa você na porta das principais atrações. Os edifícios modernistas de Gaudí e seus contemporâneos estão no próprio bairro. Num dia seco, dá para ir caminhando até a Cidade Velha. Metrô e ônibus levam com comodidade a todos os pontos turísticos, do Parque Montjuïc ao Parque Güell e ao Born.

Com orçamento mais folgado, cacife o estiloso Condes de Barcelona, no trecho mais conveniente do bairro, junto a ótimas lojas e duas estações do metrô. Querendo economizar, um três-estrelas recentemente renovado é o Praktik Rambla. E, se as meninas curtirem viajar de avião, um hotel novinho e muito bem-humorado é o Vueling BCN, cujo tema da decoração é a aviação. O blog Passaporte BCN tem uma resenha recente sobre o hotel. A melhor época para fazer cotação de preços é três meses antes da data de hospedagem, quando começam a aparecer as tarifas descontadas nos sites de reserva.

Se vocês planejam ficar mais de cinco dias, vale considerar o aluguel de um apartamento. Crie um perfil no Airbnb.com – e procure seu apê no próprio Eixample, claro.

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Ilustração: Marcos Müller/Estadão

Nosso intrépido viajante fez uma viagem relâmpago até Bergen, na Noruega, com o objetivo de comemorar os 50 anos de casamento de Lars de Dragun e Borhilde Nöstrom, velhos amigos do tempo em que mr. Miles praticava esqui nórdico.

A seguir, a pergunta da semana:

Mr. Miles: sou checo e vim para o Brasil fugindo de uma Europa convulsionada, sempre em brigas por poder e fronteiras. Quando tudo parecia melhor, a Europa está empobrecida, a Rússia come pedaços de Ucrânia, a Escócia quer se separar de sua Inglaterra. O que o senhor acha disso tudo? (Pavel Novak, por e-mail)

Well, my friend: antes de responder à sua pergunta, quero deixar claro que não sou um especialista em geopolítica e tudo o que posso lhe dizer vem da experiência e dos conhecimentos que adquiri como viajante. Meus leitores tradicionais sabem que sou um universalista: acredito, indeed, que todos os lugares da Terra pertencem aos que nela habitam e são, therefore, uma extensão de seus próprios jardins. Acredito, as well, que as diferenças entre os povos são admiráveis e que só temos a aprender com elas, investigando seus motivo, sua História, seus talentos e fraquezas.

Unfortunately, dear Pavel, nem todos pensam como eu. Governantes de inúmeros países do mundo fazem exatamente o contrário do que proponho. Erguem muros invisíveis em suas fronteiras. Discriminam seus estrangeiros e, last but not least, usam seu poderio militar ou demográfico para subjugar áreas que lhes interessam, sobretudo do ponto de vista econômico. Sempre, by the way, haverá pretextos para essa perfídia e, sempre, também, as populações dessas nações ocupadas por um ou por outro iludir-se-ão com a perspectiva de que a vida vai melhorar. E, oh, My God, vão terminar por sofrer.

Não tivesse eu tão provecta idade e tão longa vida de espectador do comportamento humano, até poderia imaginar que os recentes caminhos da globalização, da comunicação instantânea e da popularização das viagens seriam – todos eles – sinais de aproximação afetuosa entre os povos. Imagine, Pavel, se isso realmente fosse possível, que amplitude de ideias, tecnologias, culturas poderíamos compartilhar? E, no entanto, o que vejo nessas redes sociais (raramente, I must say, porque ainda prefiro a comunicação epistolar) são pessoas compartilhando convicções! Como me apavoraram os convictos! Eles já sabem tudo, sem conhecer absolutamente nada. Eles têm fés, posições políticas, enquadramentos morais, sexuais, culturais. Eles sabem o que é bom e o que é ruim sem ao menos conhecer uma bilionésima parte do que pode ser bom ou pode ser ruim. Falta-lhes humildade. Mais vale ouvir e olhar do que falar e tentar convencer.

Forgive me por tantas digressões, dear Pavel. However, eu acho que é por essas razões que as histórias se repetem. Porque somos soberbos! E por isso mesmo seguimos errando.

Sobre a Escócia, que é, of course, um assunto ao qual sou muito ligado, é evidente que considero anacrônico esse sentimento separatista. Anyway, não faz muita diferença. Eles querem continuar com o nosso dinheiro e, mais que tudo, insistem em ter nossa querida Queen Elizabeth II como sua própria rainha também. Por mim, que façam o que julguem melhor – desde que não deixem de produzir o meu scotch de cada dia. De minha parte, seguirei não usando as suas saias kilt, não acreditando em Nessie (N. da R.: o discutido monstro do Lago Ness) e – o mais importante – não pronunciando as palavras como se estivesse com uma batata quente na boca. Don’t you agree?”

MR. MILES É O HOMEM MAIS VIAJADO DO MUNDO. ELE ESTEVE EM 183 PAÍSES E 16 TERRITÓRIOS ULTRAMARINOS

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