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Os adversários do basquete em cadeira de rodas no Brasil

Luiz Ventura

22 agosto 2014 | 08:00

A falta de investimento no esporte dificulta a formação de equipes competitivas porque limita as possibilidades de treinamento. Além disso, os equipamentos usados por atletas brasileiros criam uma desvantagem. O patrocínio de empresas ajuda a seleção brasileira, mas não garante vitórias.

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O que você precisa saber sobre pessoas com deficiência

Foto: Divulgação

A Seleção Brasileira Masculina de Basquetebol em cadeiras de rodas enfrenta nesta sexta-feira, 22, a equipe da Grã-Bretanha, na última partida de uma série de amistosos entre os dois times. O jogo, realizado a partir das 18h, no Clube Athletico Paulistano, em São Paulo, faz parte de um treinamento fundamental para o desenvolvimento dos jogadores. “O basquete é um dos primeiros esportes a trabalhar a reabilitação de uma pessoa. Apesar de ser uma atividade coletiva, atua na individualidade, porque exige desse atleta o aprimoramento constante”, afirma Antonio Carlos Ferraz de Magalhães, técnico da seleção brasileira desde outubro de 2012.

O Brasil joga de igual para igual, mas tem, neste confronto, outros adversários, além dos jogadores. “A Grã-Bretanha disputou 47 jogos internacionais somente em 2014. Nosso time jogou muito menos neste ano”, explica o treinador. Há também o problema dos equipamentos. As cadeiras usadas pelos atletas brasileiros ainda são inferiores. E um dos principais motivos, senão o único, é o valor, que tem uma relação direta com a tecnologia na produção e os materiais utilizados. No exterior, os melhores modelos chegam ao custo de US$ 10 mil, para cadeiras feitas em fibra de carbono e outras ligas metálicas. Por aqui, nossos jogadores usam cadeiras que têm preço médio de R$ 5 mil, o que também não podemos chamar de ‘barato’.

“A maior dificuldade está no peso do equipamento, porque a jogada que o atleta adversário faz com um movimento na cadeira, nós precisamos fazer três movimentos. Isso gera um desgaste físico que nos coloca em desvantagem”, ressalta Antonio Carlos Ferraz. A participação da seleção brasileira na partida desta sexta-feira só foi possível por houve patrocínio, neste caso da Seguros Unimed. “O Comitê Paralímpico Brasileiro tem verbas para as competições, mas nós precisamos de dinheiro para a preparação dos atletas. E os investimentos são raros”.

O basquetebol em cadeira de rodas está em constante crescimento no Brasil. O campeonato nacional masculino da modalidade tem três divisões, com 12 equipes em cada uma, além das divisões de acesso e da competição feminina. Para Antonio Carlos Ferraz, este é motivo suficiente para despertar o interesse da iniciativa privada e também do setor público.

Antonio Carlos Ferraz, técnico da Seleção Brasileira de Baquetebol em cadeira de rodas. Foto: Divulgação

Regras - A convocação da seleção brasileira é outro desafio, porque o regulamento do basquete em cadeira de rodas foi criado para garantir equilíbrio e dar oportunidades equivalentes aos competidores. A classificação funcional, com base no nível de mobilidade do jogador, estabelece pontuações, que devem atingir o máximo de 14 em quadra, respeitando o índice de vai de 4,5 a 1, com intervalos de meio ponto. “Muitas vezes eu não consigo chamar os melhores jogadores, porque preciso respeitar a soma, mas isso tem um lado muito positivo, porque abre oportunidades a todos os atletas, inclusive aqueles que têm mais restrições de movimentos”, ressalta o treinador brasileiro.

História - A prática desportiva entre pessoas com deficiência começou na Alemanha em 1918, com um grupo de ex-combatentes, lesionados durante a I Guerra Mundial. Em 1932, na Inglaterra, nasceu a Associação de Jogadores de Golfe de um só Braço. Em 1945, em Aylesbury-Inglaterra, o esporte adaptado se consolidou no contexto europeu. Ludwig Guttman criou um centro de tratamento de prática desportiva para a reabilitação física e emocional no hospital de Stoke Mandeville.

Nesse mesmo período, nos EUA, soldados lesionados percorrem o país divulgando o esporte, jogando basquete em cadeiras de rodas. Em 28 de julho de 1948, em Londres, Ludwig Guttmann fundou os Jogos de Stoke Mandeville-Inglaterra e criou uma competição esportiva para atletas em cadeira de rodas, que envolveu veteranos da Segunda Guerra Mundial com ferimentos na coluna vertebral.

Quatro anos mais tarde, os competidores da Holanda aderiram aos jogos, e o movimento internacional, agora conhecido como Paraolimpíadas, estava criado. Foi fundada então a Federação Internacional de Jogos de Stoke Mandeville-ISMGF na cidade de Aylesbury.

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