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“O preconceito, em muitos casos, está na própria família”

Luiz Ventura

terça-feira 24/06/14

André Castro tem 48 anos, é dentista, formado em 1987, e atende somente pessoas com deficiência. Essa decisão, segundo ele, foi tomada três anos atrás, “porque há uma carência de profissionais preparados para esse tipo de trabalho”, mas também tem relação direta com algo íntimo. “Minha experiência facilita um pouco o trato que devemos ter, [...]

Imagem: Reprodução

André Castro tem 48 anos, é dentista, formado em 1987, e atende somente pessoas com deficiência. Essa decisão, segundo ele, foi tomada três anos atrás, “porque há uma carência de profissionais preparados para esse tipo de trabalho”, mas também tem relação direta com algo íntimo. “Minha experiência facilita um pouco o trato que devemos ter, principalmente a paciência, mediante as dificuldades de atendimento, somadas ao condicionamento necessário, do paciente e da família”.

Com especialização em odontopediatria, ele se prepara para iniciar, em novembro, um curso de capacitação em Síndrome de Down. Questionado sobre a situação das pessoas com deficiência no Brasil, destaca o preconceito, em muitos casos, na própria família da pessoa com deficiência. “Esse preconceito está no ‘olhar triste’ em direção a uma pessoa com deficiência. Aparece na dificuldade que algumas famílias afirmam ter para levar o filho com deficiência ao profissinal de saúde, mas a mesma dificuldade parece não existir para levar o filho sem deficiência para a aula de uma modalidade esportiva”.

Para ele, isso não é demonstrado diretamente, mas em pequenas atitudes. “Conheço famílias nas quais o filho com deficiência quase não sai de casa. É claro que soma-se a alguns casos clínicos a dificuldade do transporte sem acessibiidade. É claro tanbém que a situação pode ser modificada, mas isso envolve educação, esclarecimentos. E sabemos que o retorno, de efeito prático, do investimento na educação, pode demorar alguns anos ou até gerações”.

Imagem: Reprodução/Instagram

Na clínica Odontodown, que mantém em São Paulo, na região de Moema, dr. André atende pessoas de todas as idades e com todos os tipos de deficiência, “nas quais os procedimentos clínicos sejam possíveis no consultório”.

Ele ressalta que é fundamental entender as características de cada deficiência e o quadro clínico. “Para a definição de um plano de tratamento ideal, devem ser observados vários fatores, levantados em conjunto com toda a equipe multidisciplinar – médico, fonoudiólogo, psicólogo e outros especialistas”.

O odontopediatra destaca ainda que, em alguns casos, é necessário condicionar o paciente antes do tratamento ou usar medidas preventivas e de orientação. “Algumas vezes, o atendimento só é possível com sedação parcial ou geral”.

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