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Acontece o que a gente tece

Maria Dolores

03 setembro 2014 | 23:56

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Há 5 anos eu e minha família nos reunimos e realizamos um Festival na nossa cidade, a pequena Três Pontas, no sul de Minas Gerais , rodeada por montanhas e pés de café. Embora seja um evento de música, traz na programação várias manifestações artísticas e sempre realizamos uma ação com a comunidade. Esse ano batizamos a ação de “Acontece o que a gente tece”, na qual convidamos as pessoas a confeccionarem varais de fita. Tantas pessoas têm nos perguntado o objetivo dos tais varais, que resolvi escrever a resposta e compartilhar aqui, com você, que nem sabe o que é o Festival, nem sabe o que é o varal, mas certamente sabe o que tudo isso significa…

“Me perguntaram o porquê dos varais de fita.
O que a gente queria dizer com aquilo.
Respondi que não queria dizer nada.
Acontece o que a gente tece.
É isso.
Nem sempre as coisas precisam significar muito e, por isso mesmo, significam.
Tecer um varal de fita é tecer um varal de fita.
Um momento de encontro, uma diversão, um instante lúdico.
Você pode fazer porque acredita no coletivo.
Porque acredita no festival e na cultura.
Pode fazer porque alguém pediu, o vizinho cobrou ou fez mais bonito.
Pode fazer pra não ficar de fora.
Por obrigação.
Ou pra ficar livre.
Pode ser cheio de detalhes.
Pode ter bordado.
Pode ser criativo.
Ou pode ser prático, linhas retas e simétricas dispostas em um minuto.
Pode colocar na sala da sua casa.
No quarto.
Na loja.
No portão do lado de fora.
E não precisa ser um portão no centro.
Pode ser em qualquer lugar, porque a cidade não é o centro.
A cidade é ampla.
A cidade é todo canto.
Não tem problema se as crianças vão tentar arrancar.
Não tem problema se vai estragar.
O importante é participar.
É sair da rotina.
É tirar um tempo para tecer o varal.
E outro tempo para apreciar.
Ou criticar.
O importante é sair do lugar comum.
É fazer a sua parte.
Simples assim.
Tecer. Tecer. E tecer.
E ver acontecer.”