O autor Silvio de Abreu disse hoje, ao final de uma palestra que acabou há pouco no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), no centro do Rio, que muita coisa ainda vai acontecer nessa reta final da novela das 9 da Globo, Passione. “Vocês vão ficar doidinhos”, provocou, brincando com os que tentavam, a todo custo, arrancar-lhe alguma informação que pudesse esclarecer algum mistério da trama.
Diante de tanta insistência, Silvio acabou revelando que os dois assassinatos misteriosos ocorridos na novela – de Eugênio (Mauro Mendonça) e Saulo (Werner Schunemann) – foram cometidos por uma única pessoa. “Uma morte é consequência da outra, e as duas estão interligadas”, adiantou, contando ainda que Schunemann voltará a gravar e terá muitas cenas de flashback. “Ainda tem muita coisa relacionada a ele para explicar.”
Segundo o autor, ainda não está decidido se haverá um esquema especial para tentar driblar o assédio da imprensa e o “tráfico de capítulos” que podem comprometer o suspense em torno do último capítulo da novela, que vai ao ar em 14 de janeiro. No caso da morte de Saulo, que foi ao ar em outubro, ele escreveu cenas falsas em que outros quatro personagens eram mortos. Agora, ele precisa finalizar apenas os cinco últimos capítulos. “O desfecho vai ser gravado no dia (da exibição)”, disse, revelando que, por enquanto, nem a diretora Denise Saraceni sabe quem é o assassino misterioso. “Só eu sei. Se eu morrer antes…”, brincou.
Sobre a já anunciada morte da personagem Diana (Carolina Dieckmann), que durante toda a novela foi bastante criticada na internet, o autor disse que resolveu separá-la do seu par romântico, Mauro (Rodrigo Lombardi) para fazer algo diferente. “Por que toda novela o mocinho tem de terminar com a mocinha? “, questionou, citando clássicos do cinema como E O Vento Levou e Casablanca. “Acho que ela morrer é uma coisa bonita. Final bom é o que surpreende”, resumiu.
Numa palestra que repassou sua trajetória de mais de 30 anos como autor, dentro do ciclo A História da Telenovela, Silvio deu alguns detalhes sobre seu próximo trabalho, o remake do megasucesso Guerra dos Sexos, de 1983. Segundo ele, o projeto deve ir ao ar em 2012. A grande questão, disse, escalar os dois protagonistas, Charlô e Otávio, que, no original, foram interpretados por Fernanda Montenegro e Paulo Autran. Quando questionado se a dupla Glória Pires e Tony Ramos estava nos planos, ele explicou que ela não tem a idade compatível com Charlô – que, na trama, é até avó. E Tony, está dentro? “Tony sempre está dentro!”, respondeu, meio enigmático
Pouco antes, vale registrar, a cena antológica de café da manhã em que Charlô e Otávio se atiram comida foi exibida no telão e aplaudida de pé pela plateia que lotou o teatro do CCBB.

Silvio de Abreu, Denise Saraceni e Werner Schünmann, em encontro com a imprensa. Crédito: AYRTON VIGNOLA/AE
Com a revelação de que Saulo (Werner Schünmann) era o alvo do assassino de Passione, na última segunda-feira, o thriller policial da Globo esquenta e dá margem ao “Quem matou?”, pergunta que é a marca do autor Silvio de Abreu. E foi justamente para falar dos rumos desse mistério que o autor, juntamente com a diretora Denise Saraceni, convidaram jornalistas para um encontro na manhã de hoje. No evento, em que Schünmanntambém também estava presente, Silvio de Abreu deu algumas dicas do futuro de sua trama.
Engana-se quem pensa que Schünmann vai tirar férias depois que seu personagem morreu na novela. O ator continua gravando cenas, já que Saulo aparecerá em flashbacks. “Calma! Ele não vai ser um fantasma. Isso não é (a novela) A Viagem“, brinca Abreu. E são nesses flashbacks que o público descobre que Saulo não pensava somente em tomar o poder na metalúrgica, mas tinha uma amante: Laura (Adriana Prado), a chefe da Diana (Carolina Dieckmann) na Assessoria de Imprensa da fábrica.
Outra morte também está nos planos de Abreu, fato que deve movimentar a novela daqui a três semanas. “Mas essa terceira morte, não tem a ver com os outros crimes. É mais ligada ao melodrama – e não é o Danilo (Cauã Reymond). Não vou matar outro drogado, como fiz em Torre de Babel”, diz o autor. “Em A Próxima Vítima, pensei em oito, nove mortes e, para Passione, pensei em apenas três. Mas se me der na telha, saio matando mais gente.”
Mais dois mistérios também já têm prazo para acabar. Daqui a três ou quatro saemanas, o público descobre quem é o pai de Fátima (Bianca Bin) e o tal segredo de Gerson (Marcello Antony). Sobre o segundo mistério, Saraceni e Abreu disseram que Marcelo Antony já sabe do que se trata há, pelo menos, dois anos. “Ele não é pedófilo”, ressalta Abreu. “E ele não pratica nenhum crime, apenas uma transgressão, uma tara”, complementa Saraceni.
E a Toscana do Projac, que andava ociosa desde que o todo o elenco se mudou para o Brasil na trama, voltará à ativa. Agnello (Daniel Oliveira) terá de voltar para o sítio na Itália, já que seua família recebe um seguro pelo incêncio que a casa sofreu. Agostina (Leandra Leal) e Berillo (Bruno Gagliasso) também voltam para a terra natal, seguidos por Jéssica (Gabriela Duarte). “Claro que a Jéssica não deixaria essa história barata, ela não é tonta”, diz o autor.
Já Clara (Mariana Ximenes) será obrigada a morar na casa de Totó (Tony Ramos). A situação um tanto constrangedora, já que Totó continua a namorar Felícia (Larissa Maciel), acontece quando o advogado aconselhar Clara a morar com o ex-marido para conseguir a guarda da irmã, Kelly (Carol Macedo).

Ainda antes de Passione começar, o autor Silvio de Abreu avisou, em entrevista ao Estado: “Há um mistério se desenvolvendo desde o começo da novela, mas as pessoas só vão se dar conta disso lá pelo capítulo 100.”
Como já era de se esperar, a dica acabou se perdendo na sucessão de acontecimentos velozes quando a trama começou. Mas o próprio Silvio refrescou nossa memória quando disse na sexta-feira, ao participar do Encontro Estadão & Cultura, na Livraria Cultura. “Alguém já foi assassinado e o público ainda não percebeu”, disse aos repórteres que queriam saber se algum assassinato vai movimentar ainda mais a trama.
Como assim? Alguém já morreu e a gente nem viu?
Essas foram as duas perguntas que fiz a Silvio hoje. A resposta veio logo. “Eu disse que alguém já tinha sido assassinado e que ninguém percebeu ainda. Dá para saber quem foi, não?”
O mistério que vem sido tecido em silêncio pelo autor começou logo no primeiro capítulo, quando Eugênio (Mauro Mendonça), o marido da protagonista Bete Gouveia (Fernanda Montenegro), morreu, aparentemente de infarto. Pouco antes, ele deflagrou toda a história, revelando que Bete pensava ter perdido no parto estava vivo, na Itália – um homem feito de 50 anos, que atende pelo apelido de Totó (Tony Ramos).
Tudo leva a crer, então que, agora que os vilões Fred (Reynaldo Gianecchini) e Clara (Mariana Ximenes) estão sendo desmascarados, os Gouveia vão descobrir logo que Eugênio não morreu de morte morrida, mas de morte matada.
Reveja a cena com o momento da morte:

Marcelo Tas. Crédito: EVELSON DE FREITAS / AE
Só para lembrar: começa hoje, às 13 horas, a série Encontros Estadão & Cultura sobre TELEVISÃO, no Teatro Eva Hertz, da Livraria Cultura do Conjunto Nacional (Av. Paulista, 2.073). Com convidados ilustres, a ideia é discutir os rumos que a TV tomou nesses 60 anos, desde que a Tupi foi inaugurada dia 18 de setembro de 1950.
Para o primeiro tema, Humor na TV, os convidados confirmados para o bate-papo são o CQC Marcelo Tas e o líder do Jogando no Quintal, Márcio Ballas, que também comanda o É Tudo Improviso, da Band. Chico Anysio não poderá comparecer, por estar gravando Zorra Total, mas mandou uma pergunta para Tas e Ballas, além de uma pergunta feita por ninguém menos do que José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, que por muitos anos foi o temido n.º 1 da TV brasileira.

Márcio Ballas. Foto Divulgação
Na quinta-feira, 12, também às 13 horas, é a vez de abordar o Telejornalismo, em uma conversa com Ana Paula Padrão, Paulo Markun e Lílian Witte Fibe, jornalistas com experiência em TV pública, aberta e em telejornais para a web.
E, para fechar a série de encontros, na sexta-feira, às 13 horas, Silvio de Abreu, autor da trama das 9 da Globo, Passione, entre inúmeras novelas e minissérie, conversa sobre a trajetória de nossa Teledramaturgia.
Com entrada grátis, as vagas para participar dessa série de bate-papos estão limitadas a 200 lugares por dia. E, o público, claro, poderá fazer perguntas, ao vivo ou via twitter (@tvelazer).
Atenção, senhores telespectadores:
Na próxima semana, dias 11, 12 e 13, quarta, quinta e sexta-feira, portanto, o Estadão promove mais uma edição da série Encontros Estadão & Cultura, lá no Teatro Eva Hertz, da Livraria Cultura, dessa vez sobre TELEVISÃO.
Item de influência maior nos costumes desta nação, coisa que muita gente, mas muita mesmo, comprou como primeiro eletrodoméstico da casa (a geladeira ficava para depois), a TV no Brasil suscita uma infinidade de reações, do amor ao ódio. Indiferença, definitivamente, não é sua praia.
Por isso, na véspera do seu 60º aniversário, vale reunir alguns de seus profissionais mais exemplares para falar sobre a experiência por eles vivida nesse cenário.
Na quarta-feira, abrindo com humor, teremos Marcelo Tas, Wellington Muniz, o Ceará, e Márcio Ballas, representante da vertente mais recente do riso na TV, que é o show de improviso. Chico Anysio, o gênio maior, convidado para a ocasião, se desculpa pela ausência gravando seu Vampiro Brasileiro, no Rio, mas manda uma questão para ser feita à nossa roda, lá no Teatro.
Na quinta, Ana Paula Padrão, Lillian Witte Fibe e Paulo Markun engatam uma prosa sobre o telejornalismo, com propriedade de um time que viveu o dia a dia dos principais canais de TV convencionais, da TV pública e até da TV que há pouco tempo se assiste pela internet, olha aí o webjornalismo, gente.
E na sexta, tem versão solo com Silvio de Abreu, autor de “Passione” e de tantas cenas que tão bem traduziram para a TV a São Paulo onde Assis Chateaubriand plantou a primeira estação de TV da América Latina, há quase 6 décadas (o aniversário de fato é 18 de setembro).
Nossa cena no Eva Hertz tem entrada gratuita, mas as vagas estão limitadas a 200 lugares. É chegar e ocupar sua poltrona. Apareça, dê pitaco, pergunte, ao vivo ou via twitter (@tvelazer).

Mariana Ximenes (Clara) entrou para o TT do Twitter. Foto: Div.
Talvez sob a (má) influência da novela anterior, Viver a Vida, a nova novela das 9, Passione, estreou ontem na Globo com 37 pontos.
Segundo dados prévios do Ibope, a trama de Silvio de Abreu conquistou 53% da audiência (share). Viver a Vida, de Manoel Carlos, estreou 43 pontos. O desempenho da novela anterior conta bastante. Viver a Vida, por exemplo, entrou no lugar de Caminho das Índias, que terminou com grande sucesso. Caminho das Índias, por sua vez, substituiu A Favorita, que não foi tão bem assim, por isso marcou 39 pontos na estreia – e teve um capítulo final de 54 pontos.
Bastante ágil e divertida, além de ser um delírio visual, Passione teve um primeiro capítulo empolgante, que movimentou a internet – nesse ritmo, a novela tem tudo e mais um pouco para subir no Ibope. No Twitter, três atores da novela foram parar no Trending Topics, dos assuntos mais comentados no mundo. Primeiro, entraram na lista Fernanda Montenegro, Tony Ramos e Maitê Proença. Depois, quando Maitê deu lugar a Mariana Ximenez – a cena de pegação entre os vilões Clara (Mariana) e Fred (Reynaldo Giannechini) deu o que falar.
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