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TV e lazer

Ney Latorraca, como o inesquecível Barbosa. CRÉDITO: DIVULGAÇÃO

Por Thaís Pinheiro

A cada novo programa reapresentado pelo Canal Viva, a emissora comemora o sucesso, quase inevitável, na audiência. Prova disso é o retorno do TV Pirata, desde o dia 1.º de janeiro, que já foi assistido por mais de 1,2 milhão de pessoas, segundo dados do Ibope.

No horário de exibição principal (sábado, à 0h), no consolidado desde a estreia, o humorístico leva o Viva ao terceiro lugar no ranking dos canais pagos, no total de indivíduos.

Desde que a emissora entrou no ar, em maio do ano passado, o destaque da grade tem sido a reprise de Vale Tudo (de segunda à sexta, à oh45), que fez sucesso no fim da década de 1980.

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Giulia Gam é a protagonista da minissérie. Crédito: Divulgação.

Com o fim da reapresentação de Chiquinha Gonzaga, que termina dia 17, o Canal Viva ressucita outra minissérie da Globo: Dona Flor e seus Dois Maridos, com estreia marcada para o dia 18, às 23h45.

Levada ao ar originalmente em 1998, Dona Flor tem a Bahia como pano de fundo e traz Giulia Gam no papel de Florípedes Paiva, protagonista da história, mulher de um típico malandro mulherengo e sem trabalho, Vadinho, vivido nesta versão por Edson Celulari. Já o segundo marido de Flor, Teodoro Madureira,  é interepretado por Marco Nanini.

A minissérie é uma adaptação de Dias Gomes, com a colaboração de Marcílio Moraes e Ferreira Gullar, da obra homônima de Jorge Amado. Também estão do elenco: Chico Diaz, Bruno Garcia, Lilia Cabral, Lucio Mauro, Milton Gonçalves, Otávio Augusto, Solange Couto, Thalma de Freitas, entre outros.

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Raquel, de Regina Duarte, em Vale Tudo. Crédito Divulgação

Por Marcio Claesen*

Tendo em vista a significativa repercussão da reprise da novela Vale Tudo no Canal Viva em plena madrugada – 0h45 –, a paixão de parte do público pelas vilanias de Maria de Fátima e Odete Roitman contra as mocinhas Raquel Accioli e Solange Duprat parece não ter mudado tanto.

Por outro lado, ao comparar as atuais novelas da Rede Globo com esse sucesso dos anos 1980, não fica dúvida alguma de que os últimos 22 anos representaram grandes mudanças no jeito de fazer e exibir uma novela, e também na moda, nas gírias e no comportamento.

Os jovens de hoje, acostumados com os créditos subindo rapidamente após a última cena da novela, talvez não imaginem que, antes, as pessoas não desgrudavam da tevê enquanto não viam as famosas “cenas dos próximos capítulos”.

Vale Tudo foi uma das últimas tramas das oito a mostrar esse bloco final, que deixou de ser usado em 1990 durante a exibição de Rainha da Sucata. O mesmo aconteceu com o bloco inicial, que continha apenas a última cena do capítulo anterior e a abertura da novela e era separado da continuação da cena por comerciais. Atitude de quem, à época, não tinha problemas com a concorrência.

Não só a forma mudou, mas também o conteúdo. Mesmo que o aclamado padrão de qualidade da Globo já fosse nítido na década das calças bag, é gritante a diferença na comparação com novelas de hoje. São exemplos a iluminação muito menos elaborada, que deixava alguns atores quase no escuro, e a edição de imagem pouco ágil, que não via problemas em mostrar um diálogo no qual a câmera focava quem ouvia e não quem falava. A voz parecia vir do além.

Também não é possível deixar de notar as conversas cruzadas que embaralhavam os diálogos em cena, algo impossível de ser ver hoje a não ser se a intenção for de passar uma ideia de balbúrdia.

Nesses tempos, poros abertos e imperfeições da pele nos rostos dos atores ganhavam super closes sem constrangimento algum. O que também impressiona é que não havia tanta reclamação das estrelas a respeito desse fato, o contrário do que fazem prima donas temerárias do HD nos dias atuais.

Ah, os cabelos… Eles não são os mesmos. E as gírias também não. “Manja” aquela menina que “pintou” na festa e estava uma “uva”? Entendeu, “chérie”?

O verbo transar é um capítulo à parte. Na trama de Gilberto Braga, ele era usado em todas as acepções possíveis e imagináveis – muitas delas corroboradas pelos dicionários, mas estranhas aos nossos ouvidos de hoje. Causaria espanto alguém perguntar em 2010 algo como: “Vocês não iam transar mais uma pessoa para dividir o apartamento?” ou “pode transar de pagar o aluguel” ou ainda o insólito “é que eu transo fogão com carinho”.

O que “valia” nessa época? Personagens podiam fumar sem patrulhamento a qualquer hora do dia – inclusive pela manhã –, passar cheques sem restrições e cara feia dos comerciantes e curtir uma das últimas novidades tecnológicas: o videocassete. E nem venha com pensamentos recriminatórios. Ou vai dizer que você não conhece alguém com um blazer com ombreira no armário (isso se não for o seu!)?

*Marcio é editor-adjunto de Comunidade e Colaboração do Estadão.com e iniciou a carreira jornalística cobrindo TV para jornais do interior paulista. Cresceu com as vilanias de Odete Roitman e Laurinha Figueiroa, entre outras divas do mal criadas por Gilberto Braga, Silvio de Abreu e Aguinaldo Silva, de quem é fã.

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Maria de Fátima (Glória Pires), em cena de Vale Tudo. Crédito: Reprodução

Para o telespectador que se acostumou a ver imagens panorâmicas, paisagens internacionais, muito luxo e glamour no primeiro capítulo das novelas das 8, é um choque assistir à estreia de Vale Tudo, trama que reestreou nesta madrugada no Viva. Logo na primeira cena, Rubinho (Daniel Filho), então  marido de Raquel (Regina Duarte), chega em casa, no escuro, e logo se desenrola uma baita DR, com direito a tapa na cara da mocinha.

Levada ao ar no ingrato horário da 0h15, a trama agradou à audiência que,  conectada no Twitter, levou as ashtags #ValeTudo, #Regina Duarte e #Heleninha (relembrando a personagem alcoolatra de Renata Sorrah) ao topo da lista dos assuntos mais comentados do microblog, o Trending Topics Brasil.

Tamanho burburinho na web aguçou a curiosidade de estrangeiros que, em meio a comentários cena a cena da novela, queriam saber o que era, afinal, essa tal Vale Tudo. O capítulo do dia também é reprisado de segunda a sexta, às 12 horas.

Entre as cenas mais comentadas estão a que Raquel diz que costurou um bolso na calcinha para levar dineiro ao Rio e a cena de Heleninha Roitman saindo da clínica de reabilitação.

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