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TV e lazer

A metafísica da novela é terapia

Na última semana, mais de um noveleiro exclamou por aí: “Como é graciosa essa nova novela das 6!” Mesmo tristonha com o final de Cama de Gato (mais ainda com a morte do adorável Alcino), simpatizei com a novela de Elizabeth Jhin de véspera, quando soube qual era a história. Trama instigante a de Escrito nas Estrelas, do mocinho que morre logo no primeiro capítulo e do pai dele, que quer gerar um neto com inseminação artificial.

A novela propõe uma discussão científica, ética e filosófica por meio da intenção do dr. Ricardo (Humberto Martins). Mas, não por acaso, o público acolheu a novela por causa do viés espiritual – a partir de agora, Jayme Matarazzo vai interpretar um Daniel em espírito, um fantasma mais camarada do que o Alexandre (Guilherme Fontes) de A Viagem (1994).

Que medo eu sentia do Alexandre no Vale dos Suicidas, ui! Mas gostava de ver. E era confortável pensar que, um dia, eu poderia passear naquele Além de grama verdinha com um espírito charmoso, feito a Diná (Christiane Torloni) com o Otávi0 (Antonio Fagundes).

Muita gente, até mesmo quem não segue o Espiritismo, tem interesse em saber se há alguma coisa depois do fim. E acho que é de certa forma terapêutico acreditar que há algum sentido em tudo isso, e que a vida é mais do que “nasceu, viveu, morreu e acabou”.

Na primeira aula de ioga que fiz na vida, o amável mestre me disse: “Dá para perceber que você está fazendo ioga há muitas encarnações.” Fiquei muito orgulhosa do meu espírito! – não é todo dia que se recebe um elogio metafísico, não é mesmo?

Enquanto a gente não se depara com a morte – e descobre, enfim, o que haverá –, acho que vale o acalanto do elogio metafísico ou a imagem do Além agradável impressa pela ficção. Mas e se eu chegar lá e não tiver nada? No vazio, na ausência de consciência, é capaz que não importe tanto. E talvez eu nem lembre que assisti A Viagem.

(*) A coluna Quanto Drama! é publicada aos domingos no suplemento TV do Estadão.

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Se eu fosse personagem de novela, e considerando que nesta novela hipotética a vida seguiria depois do “felizes para sempre”, tudo o que pediria ao autor seria: “Não me deixe sozinha no fim!”

 É dureza a situação de certas moças da ficção. O começo da novela é um mar de oportunidades que surgem, tudo pode acontecer – mesmo que você seja a mais reles coadjuvante ainda terá chance de terminar com o galã, dependendo das reviravoltas promovidas na trama. Com o avançar da história, entretanto, as oportunidades se tornam escassas. Os capítulos finais vão chegando, e nada de o autor escrever um amorzinho para você.

Personagens de Viver a Vida, como a Paixão (Priscila Sol), a Ariane (Christine Fernandes) e a Suzana (Carolina Chalita) devem estar meio desesperadas – já a Soraia (Nanda Costa), aquela prima naja da Dora (Giovanna Antonelli), nem disfarça: está desesperadíssima.

 Quando uma novela chega às últimas semanas, lembro da Leila, uma amiga da minha tia Irene dos tempos em que se ela achava parecida com a Nina Hagen. Nos bailes pelas garagens mais bem frequentadas da Vila Ré, Leila era vítima da dança da vassoura. “Nunca vi uma vassoura se apegar tanto a alguém!”, diverte-se minha tia Irene quando conta a história. “A música do Air Supply acabando e a Leila lá, com a vassoura na mão, no meio da pista. Nem na versão mais longa de Making Love Out of Nothing At All, com aquele piano todo, ela conseguia se livrar daquilo.”

 As mulheres de Viver a Vida estão assim, numa dança da vassoura. Mateus Solano se desdobra em dois (Jorge e Miguel), mas nem assim dá conta da mulherada criada por Manoel Carlos. A surpresa é que, do nada, Ariane assumiu a dianteira na disputa por Jorge, o solteiro mais cobiçado do Leblon – de onde surgiu essa paquerinha? Perdi, mas não importa. Vale tudo para não terminar com a vassoura na mão.

(*) a coluna Quanto Drama! é publicada aos domingos no suplemento TV do Estadão.

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