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Um grito parado no ar

Tutty Vasques

02 junho 2014 | 10:13

ilustração pojucanAfora a turma que já decidiu passar a Copa do Mundo apanhando da polícia nas barreiras de segurança em torno dos estádios, tem muito brasileiro por aí a fingir descaso com a competição, temendo ser cobrado nas ruas pela alienação da alegria indisfarçável com a festa que vai começar no nosso quintal: “Tá rindo de quê, mané?”

Resta saber até quando toda essa gente vai conseguir dissimular sua satisfação com o maior espetáculo do planeta bola a pretexto de manifestar indignação com o País, como se uma coisa e outra não pudessem dividir o mesmo espírito de porco.

Tá na moda torcer para que tudo no Brasil dê errado – prognóstico quase sempre infalível –, mas, se der uma zebra de o time do Felipão acertar, o brasileiro que se prepare para explosão de alegria só comparável ao êxtase nas ruas em 1970. O País era muito pior naquela época e, no entanto, nunca fomos tão felizes! Com a devida licença poética do Guarnieri, “sei que há um céu sobre essa chuva, e um grito parado no ar”!