Uma nova relação entre Nova Zelândia e Brasil vai literalmente chegar dos céus amanhã em São Paulo com o ex-jogador do Crusaders e atual treinador, Tabai (Tabs) Matson, pousando no aeroporto de Guarulhos. A iniciativa é da Confederação Brasileira de Rugby (CBRu), que busca melhorar a estrutura de treinamento das seleções, em curto prazo, e solidificar o lugar do Brasil ao lado dos elencos mais fortes da América do Sul – pensando em um plano mais longo.
Com cerca de um mês para o Sul-Americano de Rugby XV, a seleção nacional não tem um treinador definido. O Brasil vai atuar no grupo principal, contra Chile (anfitrião do torneio), Uruguai e Argentina. Ainda que não seja o provável nome, Matson é peça chave na definição de um comandante da terra dos All Blacks.
Matson foi um centro corredor e de muita potência que defendeu a província de Canterbury e a franquia do Crusaders, em uma época em que os nomes Mayerhofler e Gibson dominavam as posições centrais do rugby neozelandês. Suas aspirações de All Black foram limitadas, já que muitas contusões diminuíram suas chances na seleção principal. Já usou a lendária camisa negra, mas participou de apenas cinco jogos amistosos.
Na Copa do Mundo de 1999 representou Fiji e, depois de uma aventura na Europa, passando por Brive e London Irish, aceitou o desafio de jogar e se tornar treinador no Japão, no Yamaha. Ainda passou pela Austrália como treinador antes de retornar para casa e assumir papéis administrativos na União de Rugby de Canterbury e, depois, no Crusaders.
Tabs pode trazer muito conhecimento, além de um olhar bastante experiente no esporte e, talvez, um pouco da cultura Crusader para o Brasil. O que não podemos nos esquecer é que uma pessoa sozinha não pode mudar tudo. É justamente essa a maior lição que o rugby na Nova Zelândia e, especialmente nesta parte da ilha norte, pode dar ao Brasil.
Depois de assistir aos Crusaders por muitos anos e acompanhar um membro da família que passou por todo o sistema de seleção criado por eles, o que fica marcado é a forte ideia de que a coletividade e o grupo são as coisas mais importantes. Com todas as limitações que temos no país no momento, como a falta de jogadores experientes e de nível competitivo internacional, além de todas as necessidades na estrutura de treinamento, a importância da comunidade do rugby trabalhar coletivamente é ainda maior. Esse sim é o caminho que pode marcar o começo de um novo legado na seleção Tupi.
Pelo que foi dito até agora, a visita tem como primeira função analisar o estado do rugby por aqui. A intenção é perceber como o esporte pode crescer e o que precisa ser consolidado para que os objetivos para Confederação sejam atingidos. Nós do TRY RUGBY esperamos que Tabs tenha uma ótima e produtiva estadia. Iremos atrás das suas opiniões e exploraremos o assunto para trazer mais sobre esta ótima iniciativa. Bem vindo, Tabs.
Foto: IN / Pablo Longo
7. Seleção masculina de rugby Sevens a um minuto do início da campanha. Jogadores brasileiros vestem por cima do uniforme a camisa do Tupi, novo símbolo lançado pela CBRu no Sul-Americano 2012.
6. Depois das vitórias sobre Venezuela (35-0) e Equador (55-0), o Brasil encarou o antigo rival Paraguai. A partida começou com este try de Putim, mas os paraguaios estavam focados e superaram o Brasil de virada por 33-5. No dia seguinte, a seleção empatou com os uruguaios (campeões em cima da Argentina) em 10-10 e acabou levando a Taça de Prata (5º lugar) ao vencer o Peru por 21-5.
5. A seleção feminina também encarou o Uruguai em partida acirrada. Foi a vitória com menor diferença de pontos (12-5), que fechou o primeiro dia com o Brasil na liderança do grupo. Superando a forte defesa das uruguaias, Maira da Ros marcou o segundo try brasileiro, garantindo a diferença para o segundo tempo. Chegando ao in-goal cinco vezes no Sul-Americano, a camisa 8 foi a artilheira em tries do Brasil.
4. Depois de sete títulos, a vontade de vencer e a alegria de vestir a camisa da seleção não diminuiu nem um pouco entre as meninas do Brasil. A seleção feminina se mostrou ainda mais madura, após difíceis excursões para o exterior, e venceu com propriedade o oitavo Sul-Americano seguido.
3. Tão improvável quanto o cabelo da ponta colombiana foi a presença das “Tucanas” na final do torneio. Depois de vencer Chile (20-7), Argentina (19-17) e Paraguai (22-0) no primeiro dia, chegaram a decisão após bater o Uruguai por 10-7.
2. Coube a capitã Júlia Sardá, atleta do Desterro (SC), abrir o caminho da vitória na final contra a Colômbia. Em um lance individual, pela ponta, usou a lateral do campo e correu para o in-goal anotando seu terceiro try no torneio.
1. Quando a vitória parecia garantida para a Argentina, o Uruguai trabalhou bem a última posse de bola. Era tudo ou nada para o Teros, que conseguiram fazer a bola chegar às mãos de Gaston Mieres. Seu sexto try no Sul-Americano valeu por todos os outros. Assim que a bola foi apoiada no chão a sirene de fim de jogo tocou – e a festa uruguaia começou no Rio de Janeiro.
Fotos: Bruno Romano
A escrita de que ninguém consegue vencer o 7’s feminino do Brasil em Sul-Americanos foi mantida. Neste domingo, a seleção confirmou seu oitavo título consecutivo, mais uma vez dentro de casa. O triunfo, que já virou hábito no início de ano, contou com uma surpreendente final contra a Colômbia, em um torneio que fez sua estreia no Estádio da Gávea, no Rio de Janeiro.
O Rio Sevens 2012, como ficou chamado o Sul-Americano, começou bem já pela escolha do local de disputa. O único revés, de um campeonato que agradou a todos os presentes e não teve falha de organização, foi a baixa presença de público nas arquibancadas. Até o príncipe William visitou o Flamengo na manhã do domingo, assistindo ao rugby de base local, mas o torneio não atingiu a população local.
Problemas que atingem um país grande como o nosso e que certamente vão melhorar naturalmente, na medida em que o rugby encontre seu espaço. O que já podemos fazer é começar a acertar os ponteiros, se preparando para eventos mais importantes – como a própria Olimpíada. Em torneios internacionais de Sevens, o apito do árbitro dá início ao jogo no exato minuto que está marcado na tabela. Bom para o público e para as televisões, ferramentas fundamentais para a divulgação do esporte.
Dentro de campo, o segundo dia de competição começou com a definição das chaves de grupo, no início da manhã, e seguiu com as finais. Na chave feminina, o líder Brasil encarou o Uruguai nas semis, enquanto a Argentina enfrentou a Colômbia por uma vaga na decisão.
Em um jogo disputado em que prevaleceu o apoio, a boa visão de campo e os contra rucks na defesa, o Brasil venceu uma bem treinada seleção uruguaia. Já a Colômbia aprontou a primeira grande zebra do torneio ao deixar de fora as argentinas. Uma equipe que chegou a final pela boa potência física, rápida organização defensiva e a característica de brigar por todas as bolas.
Na decisão, o Brasil sobrou. Muito mais experiente em finais de torneios no continente, soube a certa de arriscar. O caminho foi aberto pela capitã Júlia Sarda, que encontrou espaço no lado esquerdo e passou por três colombianas para marcar. Jogando de half scrum Paulinha Ishibashi, mais uma vez eleita a melhor do torneio, dava ritmo à equipe. No scrum, formado por Julia Esteves, Bruna Lotufo e a Júlia Sarda, o Brasil contou com três jogadoras fortes na defesa e que cumpriram bem o papel de penetrar no ataque.
A bola chegava com qualidade para a linha, organizada pela abertura Thais Rocha que contava com Maira Behrendt (Spac) ou Maira da Ros (Desterro), se revezando no centro, e Gabi Ávila finalizando na ponta – com Edna Santini entrando bem no segundo tempo.
Foi a confirmação de uma seleção que nunca deixou com que as conquistas anteriores virassem motivo de relaxamento. A melhora no nível de seleções como Argentina e Colômbia é notável, mas o Brasil conseguiu seguir evoluindo e manteve a distância técnica das demais.
Uma investida maior na preparação física e algumas malícias no campo como cobrar mais rápido os penais, ainda nos deixam abaixo de seleções femininas internacionais. Mas agora, elenco e comissão terão mais duas chances do jogar o Circuito Mundial, ainda no primeiro semestre deste ano – sob o novo rótulo de octacampeãs sul-americanas.
MASCULINO EMPATA COM CAMPEÕES URUGUAIOS
Quem também irá a campo nas próximas etapas do Circuito IRB como campeão do continente é o Uruguai. Os Teros conseguiram derrubar a Argentina, antiga vencedora do torneio com um try no último segundo da final. Gaston Mieres apoiou a bola no in goal e a sirene de fim do jogou foi tocada. Com a conversão de dois pontos anotada, o Uruguai fechou o jogo em 17-14 e celebrou a quebra de uma hegemonia da Argentina, que não sabia o que era ficar sem o título no continente.
No início do domingo, foram os brasileiros que se colocaram frente a frente com o Teros. Depois de uma derrota doída para o Paraguai no primeiro dia, o Brasil foi a campo contra a seleção a ser batida. Jogando de igual para igual, o empate em 10-10 caracterizou bem um jogo disputado e jogado em ritmo muito alto.
Greg abriu o placar, mas o Uruguai empatou e virou no início do segundo tempo. A menos de três minutos do fim, Ige fez o segundo try do Brasil, em um jogo de conversões desperdiçadas. A seleção teve todo o foco que faltou contra os paraguaios, que vieram na missão de bater o Brasil fora de casa.
Com os resultados e a terceira colocação no grupo, os Tupis partiram para a disputa da Taça de Prata. Na semifinal contra a Colômbia, quatro trys (Diego Lopez, Lucas “Tanque”, Du Garcia e Elpídio) em um jogo finalizado em 22-12. Na final contra o Peru, valendo o quinto lugar, o Brasil se impôs. Paulo “Gordo”, Eric “Putim”, e Greg marcaram os trys, com a conversão de Julian Menutti fechando os últimos pontos do Brasil no torneio.
Em uma gira para o Reino Unido em 1906, os jogadores de rugby da África do Sul decidiram inventar um apelido para si mesmos. Como a imprensa britânica daria de qualquer jeito um nome para aquela trupe boa de bola, o treinador J.C. Carden conversou com alguns jogadores sobre o assunto. Juntos, decidiram por Springboks, símbolo que foi reproduzido pelo jornal Daily Mail – e até hoje estampa tudo o que se refere a seleção nacional, referência no rugby.
Ainda no início do século XX, australianos que saíram de gira para defender o país começaram a ser chamados de Wallabies. Até 1984, aliás, apenas as equipes em tour pela Austrália eram conhecidas pelo apelido, que hoje representa a forte seleção de XV, bicampeão mundial. No Rugby League, modalidade em que são número um do mundo, a seleção é conhecida (e temida) pelo nome de Kangaroos.
Fechando a tríade mais potente do rugby no hemisfério sul, os All Blacks teriam sido criados por acaso. Um jornalista britânico, que queria se referir a seleção como ALL BACK, com todos os jogadores atuando como backs, ou seja, atletas da linha, com velocidade, técnica e rapidez de raciocínio, teria errado a digitação. Falácia ou verdade não importa, o nome pegou e hoje é adorado por milhões de fãs por todo o mundo.
Springboks, Wallabies e All Blacks são hoje os únicos três bicampeões mundiais. Quem passa a enfrentá-los todos os anos, no novo Rugby Championship (ex-Tri Nations), são os Pumas, nome dado à seleção da Argentina. Em viagem pela África do Sul no ano de 1965, a imprensa local deu o apelido, em referência ao animal bordado na camisa branca e azul – um jaguar, na realidade.
Foi no jornal local Weekly Farmers que o nome saiu pela primeira. Como nos casos acima, a atuação fora de série da seleção, em terras estrangeiras, gerou curiosidade. A Argentina venceu 11 de 16 partidas na época, inclusive ganhando no Ellis Park. O assunto ganhou destaque e o apelido recém-criado passou a ganhar força.
TERRITÓRIO INDÍGENA
No Brasil, a história é um pouco diferente. Em uma ação de marketing organizada pela atual Confederação Brasileira de Rugby, o nome Tupi foi adotado em votação pela internet. Depois de passar a peneira em cerca de 200 sugestões, a CBRu determinou três opções: Tupi, Araras e Sucuris, que tiveram logos inventados pelas agências Shark&Lion (Tupi) e Talent (Araras e Sucuris).
Segundo a entidade, foram quase 10 mil votos e Tupi levou a melhor com 4.387 (47,16 %). Juntos, Araras e Sucuris (uma palavra de idioma tupi) somaram 4.915 votos. O símbolo substitui a antiga Vitória Régia, último apelido escolhido por dirigentes e usado em tempos de Associação Brasileira de Rugby (ABR). Nos últimos anos, a planta aquática típica no Brasil já não era mais usada como sinônimo de seleção.
Injustiças sociais a parte, o novo nome remete a essência aguerrida dos indígenas. Povos que, acima de tudo, prezam pelo seu território. A associação, propositalmente ou não, tem semelhança com a cultura de rugby neozelandesa, que passou a ligar cada vez mais o nome All Blacks com as tradições maoris – população nativa antes da chegada dos ingleses – como a dança do Haka.
Em maio, produtos com a estampa Tupi devem ser apresentados pela primeira vez em partidas da seleção e no mercado. Os selecionados de Sevens, masculino e feminino, jogarão pela primeira vez sob o nome de Tupi no Sul-Americano deste fim de semana no Rio de Janeiro.
Nossa seleção masculina, ainda curumim (criança, em tupi) no mundo do rugby deve enfrentar Pumas argentinos, Condores chilenos e Teros Uruguaios. Na primeira fase, ainda pegamos os Jacarés paraguaios e “os Orquídeas” venezuelanos No outro grupo, os Tumis (faca ancestral dos tempos Incas) peruanos e os Tucanos colombianos completam a fauna e flora local.
2012
2011