Em uma gira para o Reino Unido em 1906, os jogadores de rugby da África do Sul decidiram inventar um apelido para si mesmos. Como a imprensa britânica daria de qualquer jeito um nome para aquela trupe boa de bola, o treinador J.C. Carden conversou com alguns jogadores sobre o assunto. Juntos, decidiram por Springboks, símbolo que foi reproduzido pelo jornal Daily Mail – e até hoje estampa tudo o que se refere a seleção nacional, referência no rugby.
Ainda no início do século XX, australianos que saíram de gira para defender o país começaram a ser chamados de Wallabies. Até 1984, aliás, apenas as equipes em tour pela Austrália eram conhecidas pelo apelido, que hoje representa a forte seleção de XV, bicampeão mundial. No Rugby League, modalidade em que são número um do mundo, a seleção é conhecida (e temida) pelo nome de Kangaroos.
Fechando a tríade mais potente do rugby no hemisfério sul, os All Blacks teriam sido criados por acaso. Um jornalista britânico, que queria se referir a seleção como ALL BACK, com todos os jogadores atuando como backs, ou seja, atletas da linha, com velocidade, técnica e rapidez de raciocínio, teria errado a digitação. Falácia ou verdade não importa, o nome pegou e hoje é adorado por milhões de fãs por todo o mundo.
Springboks, Wallabies e All Blacks são hoje os únicos três bicampeões mundiais. Quem passa a enfrentá-los todos os anos, no novo Rugby Championship (ex-Tri Nations), são os Pumas, nome dado à seleção da Argentina. Em viagem pela África do Sul no ano de 1965, a imprensa local deu o apelido, em referência ao animal bordado na camisa branca e azul – um jaguar, na realidade.
Foi no jornal local Weekly Farmers que o nome saiu pela primeira. Como nos casos acima, a atuação fora de série da seleção, em terras estrangeiras, gerou curiosidade. A Argentina venceu 11 de 16 partidas na época, inclusive ganhando no Ellis Park. O assunto ganhou destaque e o apelido recém-criado passou a ganhar força.
TERRITÓRIO INDÍGENA
No Brasil, a história é um pouco diferente. Em uma ação de marketing organizada pela atual Confederação Brasileira de Rugby, o nome Tupi foi adotado em votação pela internet. Depois de passar a peneira em cerca de 200 sugestões, a CBRu determinou três opções: Tupi, Araras e Sucuris, que tiveram logos inventados pelas agências Shark&Lion (Tupi) e Talent (Araras e Sucuris).
Segundo a entidade, foram quase 10 mil votos e Tupi levou a melhor com 4.387 (47,16 %). Juntos, Araras e Sucuris (uma palavra de idioma tupi) somaram 4.915 votos. O símbolo substitui a antiga Vitória Régia, último apelido escolhido por dirigentes e usado em tempos de Associação Brasileira de Rugby (ABR). Nos últimos anos, a planta aquática típica no Brasil já não era mais usada como sinônimo de seleção.
Injustiças sociais a parte, o novo nome remete a essência aguerrida dos indígenas. Povos que, acima de tudo, prezam pelo seu território. A associação, propositalmente ou não, tem semelhança com a cultura de rugby neozelandesa, que passou a ligar cada vez mais o nome All Blacks com as tradições maoris – população nativa antes da chegada dos ingleses – como a dança do Haka.
Em maio, produtos com a estampa Tupi devem ser apresentados pela primeira vez em partidas da seleção e no mercado. Os selecionados de Sevens, masculino e feminino, jogarão pela primeira vez sob o nome de Tupi no Sul-Americano deste fim de semana no Rio de Janeiro.
Nossa seleção masculina, ainda curumim (criança, em tupi) no mundo do rugby deve enfrentar Pumas argentinos, Condores chilenos e Teros Uruguaios. Na primeira fase, ainda pegamos os Jacarés paraguaios e “os Orquídeas” venezuelanos No outro grupo, os Tumis (faca ancestral dos tempos Incas) peruanos e os Tucanos colombianos completam a fauna e flora local.
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