Em uma nova sessão do TRY RUGBY, nosso companheiro Tabai Matson vai mandar informações mensais do rugby neozelandês. Tabs acabou de ser anunciado como o treinador principal (head coach) do Canterbury na ITM Cup. O cargo foi assumido depois de alguns anos de sucesso ao lado da lenda Rob Penny no comando dos locais.
Nesta semana, Tabai respondeu a algumas perguntas sobre os Crusaders, o confronto duro contra os Blues, os escolhidos para os All Blacks e as finais do rugby. Aproveite!
TRY RUGBY: Os Crusaders estão mostrando boa forma no caminho para as finais do Super Rugby. A que pode ser atribuído isso?
Tabai Matson: Muitas vezes o entrosamento é um fator crítico para o ímpeto do time. E, às vezes, uma dose de despontamento é uma ótima cura para a complacência. Infelizmente para os Blues, eles sempre vão encontrar em Christchurch uma verdadeira “tempestade”. Foi assim mais uma vez. A perfeita tempestade se formou por alguns motivos.
1. Os jogadores All Blacks foram anunciados. 2. Alguns ficaram de fora da lista e quiseram mostrar seu valor, como Flynn e Zac Guildford.3. A terrível derrota para os Rebels na rodada anterior. 4. A folga na tabela na sequência do torneio. 5. O fator casa. 6. Nós odiamos os Blues.
TR: O que Robbie Fruen precisa fazer para chegar aos All Blacks? Mesmo com tantos tries ninguém consegue reconhecê-lo?
TM: Bem pensado, mas os treinadores ainda têm suas dúvidas quanto a ele. A questão é saber como ele chegaria a outro nível. Também me desaponto, já que ele é um fantástico homem e jogador.
TR: Comparando os jogadores com a série de TV “Esquadrão Classe A”. Se Robbie Fruen é o Sargento (B.A Barakas), quem é o galã, Cara-de-Pau (Faceman)?
TM: Definitivamente, seu parceiro Médio Ryan Crotty
TR: Os Crusaders simplesmente destroçaram os Blues. O que aconteceu com os semifinalistas do ano passado?
TM: Simplesmente não me parece que seus jogadores estejam tão engajados.
TR: Por fim, o que será preciso para vencer o Super XV deste ano?
TM: Primeiro precisamos vencer a conferência neozelandesa. Ninguém quer jogar uma semifinal na África do Sul e depois voltar para a Nova Zelândia para a decisão. Espero que o elenco consiga manter uma boa sequência e continue jogando do mesmo jeito que enfrentou os Blues.
Um incrível dia de rugby foi celebrado no último domingo, na 3ª etapa de uma série de festivais infantis, sediada pelo Bandeirantes Rugby Club. Não há nenhuma dúvida em dizer que o evento foi um sucesso dentro e fora de campo, para todos os times participantes. A cada torneio do tipo, aumenta a certeza de que o Brasil caminha para um futuro mais competitivo no rugby.
Competir não é exatamente a ideia dos festivais, onde o convívio com amigos e família é mais importante. É comum ver equipes misturadas e outras com menos jogadores completando um time mais tradicional. Mas, a formação de atletas competitivos também começa aqui. Um jogador com espírito de rugby desenvolvido desde cedo tem tudo para se dar bem no esporte.
Este ano, depois de um dia de tempestade no último festival, o sol apareceu e facilitou tudo. No “Meu dia de Copa”, evento realizado em outubro do 2011, a mesma faixa etária (dos 7 aos 14 anos) fez uma homenagem ao Mundial e participou de divertida brincadeira com os clubes representando as seleções, debaixo de chuva.
Desta vez cada um representou seu time, com os já habituais Bandeirantes, São José, RPT, Pasteur e Jacareí marcando presença. Prova do crescimento do esporte, outras duas equipes estrearam na etapa: Americana e Pinda. Representados na categoria M-14 mostraram muita vontade e organização. São totalmente bem vindos ao rugby e com certeza terão um bom futuro neste caminho – já mostraram que o pessoal do interior tem muita garra.
Somadas as 300 crianças, a etapa Bandeirantes do Circuito Paulista de Rugby Infantil recebeu cerca de 700 pessoas durante todo o domingo no campo do XI. A organização dava gosto de ver, com todos do clube Bandeirantes colaborando, do adulto ao M-16, homens e mulheres. O grande reconhecimento fica para os pais, que fizeram de tudo para o dia ficar ainda melhor. Trabalharam nas barracas de comida, apitaram jogos e deram apoio para as crianças no campo. É ótimo ver que as famílias estão realmente se interessando pelo rugby e agregando mais valores ao já praticados pelo nosso esporte.
Cada festival vai ficando mais bem organizado. Os jogos também ganharam muito em qualidade. São mais prazerosos de assistir. Cada time teve uma vitória e uma derrota, mas o que ficou marcado mesmo é que todo mundo se divertiu fazendo de tudo um pouco, seja jogando rugby, brincando no surf mecânico ou comendo nas barracas.
Uma menção especial precisa ser dada aqui ao Dirceu Sugarava e ao papai coruja Japinha, jogador do Bandeirantes que já defendeu as seleções de Sevens e XV. O festival foi o primeiro torneio do Dirceu, que entrou em campo com apenas quatro anos de idade! Parabéns ao Dirceu e a todos os envolvidos, entre novas equipes e atletas, além de todos os mais experientes no esporte que fizeram deste domingo um grande dia de rugby.
Depois de uma acirrada partida contra o Chile, na estreia do Sul-Americano de Rugby XV, a seleção brasileira sofreu o que só pode ser descrito como uma verdadeira surra. No segundo jogo do torneio, o Brasil encontrou uma implacável e cruel Argentina, cheia de atletas dos Pampas XV, a equipe que representa os hermanos na África do Sul – e que vem embalada desde o inédito título da Vodacom Cup no ano passado.
Não que os últimos resultados tenham sido muito melhores. Mas, depois da derrota por “apenas” 12 pontos para o Chile, surgiu uma expectativa de um placar menor. Em um jogo que foi marcado uma média de um ponto a cada meio minuto, não é preciso nem assistir para saber que a Argentina dominou a posse de bola e que foi totalmente superior no aspecto físico, em cima de uma ainda amadora seleção brasileira.
Vai ser muito interessante ver como isso vai refletir na próxima partida, contra o Uruguai (os Teros perderam para a Argentina por 40 pontos). O caráter do time vai ser testado mais uma vez, agora contra um adversário que já tem participação em Copas do Mundo e que, sem dúvida nenhuma, é a segunda força da América do Sul.
Mesmo que a derrota tenha sido difícil de engolir pelos jogadores, é importante para situar onde estamos e quão longe queremos chegar. A preparação para o torneio foi bastante curta. Falando sinceramente, o verdadeiro foco era justamente o jogo contra o Chile, seleção que está mais próxima do que estamos buscando alcançar. O mesmo raciocínio serve para o Uruguai.
Ainda que a estrutura defensiva apresentada pelos treinadores de Canterbury tenha sido demolida por uma seleção de nível internacional, o Brasil não deve desistir agora dos ensinamentos kiwis. O novo sistema já serviu contra o Chile e certamente vai funcionar contra os uruguaios.
No fim, um time totalmente profissional sempre vai ser muito superior do que um amador, que busca melhoras. Lavadas acontecem. E devem servir de aprendizado para o próximo desafio. 111×0.
Foto: Mario Tellez – FERUCHI
O título do post serve para provocar uma discussão. A razão é muito simples: muitos dos jogos do último fim de semana tiveram como grande tema a defesa. Na final da Heineken Cup, em uma partida eletrizante onde a posse de bola trocava constantemente de lado, o Ulster teve suas chances. Mas os campeões do Leinster mostraram que, se o Ulster quisesse pontuar teria de ser pelos chutes do sul-africano Ruan Pienaar.
Muitos elencos campeões são baseados em uma sólida defesa e o Leinster pode se vangloriar quando o assunto é não tomar tries. Fica então outra pergunta: seria a defesa do Ulster péssima ou o ataque do Leinster é que foi arrasador?
A questão é constante também entre as melhores equipes do hemisfério sul. Indiscutivelmente, o pior sistema defensivo do Super Rugby durante os anos tem sido dos Crusaders. A história da equipe foi construída em cima do valor do seu ataque, além da habilidade de eliminar outros times com uma estrutura defensiva ruim. Mas o padrão da equipe mudou, e agora que concedem menos pontos conseguem chegar a decisões no fim da temporada.
Achar os ingredientes para uma defesa perfeita não é sempre fácil. Os próprios Crusaders, antes da fase dominadora no Super Rugby, tomaram 373 pontos na sua primeira temporada – quando marcaram apenas 234. O cenário melhorou no ano seguinte e a partir de 1998 foram 7 títulos na competição, todos baseados em um forte sistema para impedir tries.
Não é por acaso que, no Super Rugby, os Chiefs, décimos no ano passado, estão na parte de cima da tabela com a melhor defesa do torneio, atrás apenas dos Stormers. Alguém lembrará de Wayne Smith. O campeão mundial e ex-treinador de All Blacks e Crusaders é hoje o treinador de defesa da equipe de Waikato.
Alguns confundem defesa com habilidade de tacklear. Qualquer bom jogador tem a capacidade de derrubar outro em situações de um contra um. Mas quando o ataque tem um número maior de adversários (e opções), o sistema defensivo passa a ser testado e é mais difícil tomar decisões corretas.
O Brasil certamente está melhorando no assunto. A derrota apertada contra o Chile no Sul-Americano mostra não só a melhora sem a bola nas mãos. O resultado também nos trás outro ponto importante: um lapso de concentração defensiva pode ser a chave para a vitória em um jogo de muita pressão.
A estrutura dos treinadores Kiwis, que começa a aparecer na seleção, já mudou o cenário de vitórias fáceis do Chile contra o Brasil nos últimos anos. No último domingo, os pontos foram mais difíceis de sair para os chilenos. Portanto, não há nada de errado em dizer que fazer tries é o que de fato vence jogos. Mas é preciso reconhecer que somente uma defesa muito forte trará vitórias naqueles jogos apertados – que são os que realmente valem.
Foto: 2. odt.co.nz Teaukura Moetaua/Getty Images
O MELHOR TIME DO MUNDO
O fim de semana de rugby consagrou o terceiro título do Leinster nos últimos quatro anos de Heineken Cup, o maior campeonato de clubes do hemisfério norte. A sólida defesa da equipe irlandesa e a capacidade de encontrar espaço no campo do Ulster, mostram que o Leinster é atualmente o melhor time de rugby em atividade.
O placar fala por si só: 42-14. Um título definido com muita classe, mas que só se concretizou graças a muito trabalho duro. Bastante comprometidos em toda competição, os fowards deram segurança para jogadores como O’Driscoll brilhar no torneio e na decisão.
SONHO IRLANDÊS
A final da Liga dos Campeões da Europa de futebol veio logo na sequência da Heineken Cup. Mas não tem como comparar: o verdadeiro show dentro de campo ficou com o rugby. Muitos atletas se destacaram na decisão em Twickenham, mas ninguém mais do que Rob Kearny, que foi confirmado como o Jogador Europeu do Ano 2012.
O rugby irlandês está em boa forma. Com a seleção da Nova Zelândia nomeando uma equipe mais inexperiente para o amistoso entre os dois, a Irlanda deve estar lambendo os lábios para o encontro com os All Blacks em junho.
DERROTA APERTADA NO CHILE
O Brasil fez sua estreia no último domingo no Sul-Americano de Rugby XV. A partida foi bastante travada, com a maioria dos pontos saindo por meio de penais. Se nos últimos anos a distância no placar em uma partida de rugby XV contra o Chile passava dos 30, neste fim de semana acabou com derrota por 19-6. O Brasil pontuou com penais de Moisés Duque e Daniel Gregg. Do lado chileno, apenas um try de Francisco Neira.
QUASE 60…
No Super Rugby os Crusaders da Nova Zelândia não tomaram conhecimento dos conterrâneos dos Blues, anotando quase 60 pontos – no que se tornou um novo recorde entre as duas equipes (59-12). Se houvesse rebaixamento na conferência neozelandesa, como há na sul-africana, os Blues estariam na beira do precipício.
Enquanto isso, os Rebels deram sequência a boa campanha e venceram mais uma vez o Force, pelo apertado placar de 32-31. Já os Highlanders conseguiram frear os Bulls da África do Sul, deixando a equipe de fora dos três primeiros lugares.
Fotos: 1. ercrugby.com / Getty 2. superrugbyXV.com
“Todas as vezes em que jogamos contra eles tivemos um verdadeiro combate, cabeça a cabeça. Não estamos esperando nada diferente. Tenho certeza de que eles vão vir com tudo e é isso mesmo que define uma grande final”, Mike Ross, pilar do Leinster.
Pela quinta vez nas últimas sete finais o troféu da Heineken Cup ficará nas mãos de um clube irlandês. Atual campeão, o Leinster vai pisar no gramado de Twickenham, em Londres, como favorito absoluto, neste sábado, às 13h. É o único time que não perdeu no torneio, com sete vitórias e um empate – e que pode se tornar o primeiro campeão invicto da história. Já o Ulster, campeão em 1999, assume o papel de um azarão confiante. Terão de bater os vencedores de 2011, donos de um jogo rápido, intenso e envolvente, capaz de buscar um resultado em menos de 40 minutos. Foi assim no ano passado, em uma final que servirá de inspiração (e motivação) para as duas equipes.
A incrível virada do Leinster sobre o Northampton em 2011 é prova de que uma decisão europeia deste nível só é definida nos minutos finais. Depois de tomar uma lavada no primeiro tempo, o Leinster se recuperou no segundo e faturou um merecido torneio. Quem brilhou no jogo foi Jonny Sexton, autor de dois tries e que mais uma vez vai assumir a camisa 10 do Leinster em uma final.
Sexton de um lado e Ruan Pienaar do outro. O primeiro foi eleito homem do jogo no título de 2011. O segundo é um Springbok abusado, que acertou todas as seis conversões na semifinal deste ano. Por isso, a precisão nos pés de Sexton e Piennar pode decidir o duelo. Mas, pela média de pontos das duas equipes na história do torneio (Leinster, 26, e Ulster, 21), os tries devem sair.
A primeira final irlandesa da história vai reunir duas equipes que trabalharam muito na fase classificatória. O Ulster eliminou o bicampeão Munster nas quartas (22-16) e os escoceses do Edinburgh na semi (22-19). Já o Leinster atropelou os galeses do Cardiff Blues (34-3), mas conquistou uma dura vitória sobre o Clermont, da França, na semi, por 19-15.
Os dois títulos do Leinster (2009 e 2011) se sobressaem a única conquista do Ulster em 1999, a primeira de um clube irlandês na Heineken Cup, com a vitória sobre os Colomiers. Os números também falam a favor do Leinster no aproveitamento na competição: são 114 partidas e apenas 35 derrotas. Já o Ulster perdeu mais do que ganhou: 52 derrotas em 102 jogos.
Dentro de campo, o duelo esquenta com a volta de John Afoa, pilar dos All Blacks, no Ulster. O capitão Brian O’Driscoll também foi confirmado para a partida pelo lado dos bicampeões. “BOD” deve ser protagonista na linha do Leinster, enquanto o também All Black Brad Thorn tomará conta de um scrum que ainda pode contar com o talento de Sean O’Brien.
Com o Leinster jogando seu máximo, o Ulster não tem chance. Se somarmos a presença de Brian O’Driscoll em dia inspirado, a situação fica mais difícil. Mas a mesma certeza de derrota existia nas duras partidas do Ulster contra os Tigers e Munster – e os azarões conseguiram se superar. Além do poderio ofensivo, a defesa foi chave nos últimos duelos. Somadas as partidas das quartas e semifinal, a equipe do Ulster registrou 321 tackles.
O Ulster tem seu poder de fogo totalmente voltado para a final da Heineken Cup, enquanto o Leinster vive uma temporada de decisões e fica dividido com a partida do fim de semana seguinte, quando será definido o campeão irlandês da temporada, no RaboDirect PRO12.
Enquanto o apito final não define o melhor time do hemisfério norte do ano, a expectativa e os palpites tomam conta do clima decisivo que envolve Twickenham. Mas, independente do vencedor, uma pergunta fica no ar: se clubes como o Leinster estão tão bem no cenário europeu, por que a seleção foi mal do Six Nations e não tem o mesmo domínio no Reino Unido?
Acontece que Ulster joga de forma diferente que o Leinster e nenhum dos dois têm o mesmo padrão da seleção. A experiência de estar sempre treinando junto é válida, mas, mais do que isso, os irlandeses tem adotado uma tática mais “complicada” na equipe nacional. Enquanto os sistemas de jogo dentro dos clubes já estão mais bem treinados, os atletas precisam se adaptar a uma nova forma de atuar na seleção, o que causa problemas.
Para ver tudo isso na prática, só mesmo quando a bola rolar nos 80 minutos deste sábado. A decisão pode ser vista na ESPN Brasil a partir das 13h. Mais de 100 países terão transmissões ao vivo e serão testemunhas da 17ª final de Heineken Cup.
A DECISÃO EM FATOS E NÚMEROS
- É a primeira vez que duas equipes irlandesas decidem a Heineken Cup
- Com um try, Brian O’Driscoll igualará Vincent Clarc como maior artilheiro da história da H Cup
- Será o quinto título irlandês nos últimos sete anos de competição
- O Leinster pode ser o primeiro campeão invicto da história
- O All Black Brad Thorn, 37 anos, será o jogador mais velho em uma decisão de Heineken Cup
LEINSTER X ULSTER
SÁBADO, 19 DE MAIO
Estádio de Twickenham, Londres, Inglaterra
Leinster: 15 Rob Kearney, 14 Fergus McFadden, 13 Brian O’Driscoll, 12 Gordon D’Arcy, 11 Isa Nacewa, 10 Jonathan Sexton, 9 Eoin Reddan, 8 Jamie Heaslip, 7 Sean O’Brien, 6 Kevin McLaughlin, 5 Brad Thorn, 4 Leo Cullen (c), 3 Mike Ross, 2 Richardt Strauss, 1 Cian Healy.
Reservas: 16 Sean Cronin, 17 Heinke van der Merwe, 18 Nathan White, 19 Devin Toner, 20 Shane Jennings, 21 Isaac Boss, 22 Ian Madigan, 23 David Kearney.
Ulster: 15 Stefan Terblanche, 14 Andrew Trimble, 13 Darren Cave, 12 Paddy Wallace, 11 Craig Gilroy, 10 Paddy Jackson, 9 Ruan Pienaar, 8 Pedrie Wannenburg, 7 Chris Henry, 6 Stephen Ferris, 5 Dan Tuohy, 4 Johann Muller (capt), 3 John Afoa, 2 Rory Best, 1 Tom Court.
Reservas: 16 Nigel Brady, 17 Paddy McAllister, 18 Declan Fitzpatrick, 19 Lewis Stevenson, 20 Willie Faloon, 21 Paul Marshall, 22 Ian Humphreys, 23 Adam D’Arcy.
Árbitro: Nigel Owens (Gales)
Assistentes: Romain Poite (França), Jérôme Garces (França)
Leinster x Northampton: melhores momentos da final de 2011
Fotos: ercrugby.com / Getty Images
Vídeo: rugbydump.com / SkySports1
A extravagante e inspirada seleção fijiana de Sevens levou a melhor na última etapa do Circuito Mundial, disputada no estádio de Twickenham, em Londres, no último fim de semana. Com uma campanha perfeita, liderou seu grupo, bateu a Inglaterra nas quartas, a Nova Zelândia nas semis e Samoa na decisão. Mas o título da temporada ficou com a consistente campanha da Nova Zelândia, que fechou a etapa em terceiro lugar.
Com 167 pontos – seis a mais que Fiji – e três títulos na temporada, os neozelandeses tiveram a melhor campanha e ainda ficaram com o título de artilheiro. Tomasi Cama anotou incríveis 390 pontos, 119 a mais do que o segundo colocado, o jovem jogador de Fiji Metuisela Talebula (melhor em campo em Twickenham, segundo o TRY RUGBY). Enquanto Tomasi aguarda a confirmação para ser eleito o melhor jogador de Sevens do ano, a seleção do país já pode comemorar seu 10º título. Entenda os motivos que fazem este elenco colocar a Nova Zelândia também no topo do mundo no rugby Sevens:
1. ESPÍRITO DE EQUIPE
Uma comemoração no mínimo estranha marcou os pontos da Nova Zelândia nesta temporada 2011-12 do Circuito Mundial, o IRB Sevens Series. A cada try feito contra as melhores seleções do mundo, os homens de preto levavam as mãos à cabeça e faziam o sinal de duas grandes orelhas se mexendo. Era uma referência a Toby Arnold, companheiro de equipe que se machucou no meio do circuito e não conseguiu se recuperar a tempo de comemorar mais um título dentro de campo. Arnold costuma fazer a brincadeira (uma imitação do Mickey Mouse) com seu filho pequeno. O forte espírito de equipe dos decacampeões ficava ainda mais evidenciado a cada orelha abanada depois de um try.
2. LIDERANÇA DIVIDIDA
Capitão da equipe e jogador mais forte de todo elenco, DJ Forbes não se escondeu em nenhum momento durante as nove etapas. Como também não carregou sozinho o fardo de comandar toda a seleção. Jogadores mais experientes como Tomasi Cama e Mark Jackman eram vistos frequentemente dando palavras de apoio à equipe no intervalo. O próprio Forbes era o que menos falava, preferindo liderar pelo exemplo dentro de campo.
3. TALENTO FORA DE CAMPO
Motivador e linha dura nos treinamentos, Gordon Tietjens tem grande parcela no décimo título. Ainda que não conseguisse esconder o olhar apreensivo nas finais, o comandante sempre adotou uma postura serena, evitando passar desespero em momentos difíceis. Não é a toa que teve seu contrato renovado até 2016 e deve melhorar ainda mais este seleção até os Jogos Olímpicos.
4. PREPARO FÍSICO
Percorrer o mundo jogando duras etapas de Sevens não é para qualquer um. Por vezes, a distância entre torneios era de apenas uma semana, o que exigia ainda mais da preparação dos atletas. Em todas as nove etapas a Nova Zelândia mostrou um preparo físico acima da média, sempre chegando inteira para as decisões. Quando perdeu, foi mais por questões táticas e técnicas do que por “falta de perna”.
5. DOIS “TOP 3”
Ter o privilégio de contar com dois titulares entre os três concorrentes a melhor jogador de Sevens da temporada é um luxo reservado para a Nova Zelândia. De um lado Tomasi Cama, vencedor do troféu e maior artilheiro em partidas de 7’s no país – sendo o segundo maior da história. Um jogador extremamente inteligente, com visão de jogo acima da média e emocional forte em decisões. Do outro, Frank Halai, um atleta difícil de ser derrubado, uma potência extraordinária e um faro de try fora do comum.
6. COLETIVIDADE
Medalhões como Forbes, Tomasi e Jackman não quiseram em nenhum momento atrair os holofotes com a bola rolando. Os mais experientes fizeram questão de colocar para jogar garotos como Joe Webber e Charles Piutau. A mistura da correria e ousadia dos novatos com a cadência de jogo dos mais velhos foi o grande diferencial na temporada.
7. TIME COPEIRO
Das nove etapas, a Nova Zelândia disputou a Cup (quatro melhores colocados) em oito oportunidades. A exceção foi em Dubai, quando perderam para a Austrália a semifinal da Plate, depois de saírem derrotados nas quartas-de-final. A consistência na fase de grupos e no mata-mata garantiu a diferença de cinco pontos em relação aos vice-campeões de Fiji. Os fijianos foram os que mais perto chegaram da marca, com sete disputas de Cup em nove etapas.
8. VITÓRIA EM CASA
Mesmo que Fiji tenha deixado a competição com três títulos de etapa (dois deles em cima dos neozelandeses), o título do quarto torneio disputado em Wellington foi emblemático. Debaixo de chuva e com o apoio de uma multidão enlouquecida, a Nova Zelândia aplicou uma lavada de 24-0 em Fiji no primeiro tempo da final. Foi a melhor formação titular de Fiji em todo o torneio, mas Tomasi Cama, com um try magnífico e DJ Forbes deixando também o seu abriram caminho para o título. A confiança cresceu ainda mais quando Frank Halai anotou duas vezes, ganhando na corrida dos velozes fijianos.
9. TÍTULO ANTERIORES
Os nove títulos que a Nova Zelândia já havia conquistado na competição com certeza ajudaram nos momentos mais difíceis. As vitórias de Fiji e Inglaterra nas duas primeiras etapas ligaram o sinal amarelo na seleção que chegou as quatro finais seguintes, vencendo duas delas. O ótimo rugby apresentado durante as etapas mostrou porque são ao maiores donos deste troféu.
10. CULTURA DE RUGBY
Um domínio tão grande não seria possível se a cultura de rugby não fosse tão bem desenvolvida no país. O trabalho com as categorias de base e com os times profissionais eleva o nível não só no rugby XV como também no Sevens. As características físicas e as habilidades individuais que tanto favorecem os neozelandeses no jogo tradicional (dos quais são atuais campeões mundiais), são evidenciadas no Sevens, um jogo mais rápido, explosivo e aberto. Foi a confirmação de um trabalho baseado, ao mesmo tempo, no conjunto e nas destrezas individuais dos craques deste elenco.
Fotos: Irb.com
Os últimos anos têm sido marcados por atuações de jogadores como Brad Thorn, Tana Umaga e Victor Matfield, que provam que a longevidade pode ser alcançada no rugby. Não é difícil perceber que o jogo ficou mais rápido, as pancadas estão mais duras e a idade média dos atletas profissionais diminuiu. Mas alguns têm esticado sua permanência em campo, em um esporte em que o jogador mediano recebe uma média de 1.600 libras de força por tackle.
Além de Thorn, Umaga e Matfield, outro grande que deve ser escalado neste seleto time de “velhinhos” é a lenda Wallaby – e um de nossos atletas favoritos – Stephen Larkham. Com 38 anos recentemente completados, Larkham deixou os gramados depois de uma temporada no Japão em 2010. O abertura dos Brumbies assumiu o cargo de treinador ofensivo da equipe, mas seria uma ótima escolha para vestir a camisa 10 – a mesma que foi sua durante dez anos.
O Brasil também tem seus exemplos, inclusive representando a seleção. O melhor deles atualmente é o capitão do selecionado de XV, Ramiro Mina. Mais experiente do elenco, continua mostrando que, com trabalho duro e dedicação, a longevidade no rugby é perfeitamente possível.

Alguém pode até dizer que o jogo é mais lento no Brasil, que a maioria dos fowards está na faixa dos trinta e que os atletas mais velhos estão em campo apenas para passar experiência. Mas basta recordarmos de Tana Umaga, 37, jogando de centro na competição mais rápida do mundo, o Super Rugby. No ano passado, Umaga brilhou nos Chiefs, em um elenco repleto de novatos.
Mas antes dos mais experientes começarem a polir a chuteira e planejar seus retornos aos gramados, vale lembrar alguns números. A equipe principal da União de Rugby de Canterbury na ITM tem uma média de idade de apenas 21,6 anos. Se não fosse Reuben Thorne, que já alcançou os 37, esse número cairia para 20,6. No entanto, a presença de um ex-capitão All Black no time não deixa dúvidas: os velhinhos ainda têm seu lugar cativo.
TRY Rugby tem orgulho de anunciar que Reuben (Tau) Samuel está chegando ao Brasil em agosto. Ele é técnico do NZRU, Womans Resource Coach para a Região Waikato e recém-nomeado Head Coach para o WAIKATO Womans, da NPC. Reuben (Tau) é um especialista em rugby feminino e tem muito a oferecer para o Rugby 7s.
Parece fácil jogar Rugby Sevens ao assistir a mais uma vitória da Nova Zelândia em uma etapa do Circuito Mundial IRB, desta vez em Glasgow, na Escócia. A equipe capitaneada por DJ Forbes passou por Austrália na semi e Inglaterra na decisão para faturar o terceiro título da temporada no último domingo. Com apenas um torneio para fechar o circuito, os neozelandeses já podem praticamente assegurar o título.
Tudo porque Fiji deixou escapar mais uma decisão. Os segundos colocados estão agora a 11 pontos de distância dos líderes. E só podem ganhar o título geral se forem campeões em Twickenham, no próximo fim de semana, e a Nova Zelândia não alcançar pelo menos a 6ª colocação.
Enquanto isso, os ingleses, terceiros colocados na tabela chegam com tudo para o último campeonato em casa. Na etapa de Glasgow, despacharam Fiji na semifinal. Não foi fácil. A partida foi para a prorrogação e, em uma jogo trabalhada com calma e inteligência, Mat Turner definiu.
Em uma etapa tranquila para a Nova Zelândia, o jogo mais apertado aconteceu na fase de grupos: vitória por 22-21 contra Samoa, quinta no geral. Na sequência, os neozelandeses aplicaram 66-0 contra a França mostrando que não queriam deixar escapar chance de vencer na Escócia e chegar com a mão na taça em Twickenham.
Russos levam taça Bowl
Destaque da etapa, a seleção russa bateu a também surpreendente Espanha na disputa Bowl, que equivale a nona colocação. Os espanhóis, que já garantiram vaga fixa a partir do Circuito Mundial 2012-13, fizeram excelente campanha ao vencer a França (19-7) e vender caro a derrota para Samoa (17-24). Na semifinal Bowl ainda bateram os escoceses, que jogavam em casa (10-7). Mas os russos, anfitriões da Copa do Mundo de Sevens 2013, levaram a melhor na decisão vencendo por 33-19.
IRB SEVENS SERIES – 8ª ETAPA
GLASGOW, ESCÓCIA (05-06/05)
FINAL CUP
Nova Zelândia 29 x 24 Inglaterra
3º e 4º
Fiji 31 x 17 Austrália
Final Plate
Samoa 31 x 12 Gales
Final Bowl
Rússia 33 x 19 Espanha
Classificação Geral
1º Nova Zelândia / 150
2º Fiji /139
3º Inglaterra / 123
4º África do Sul 115
5º Samoa / 114
Fotos: IRB/Martin Seras Lima
2012
2011