Motivos para não votar nem em Serra nem em Haddad
- 25 de outubro de 2012|
- 19h30|
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Antes de colocar as razões — como se elas não fossem bastante óbvias — sobre o meu não-voto em Serra e Haddad, algumas considerações. Primeiro de tudo, discordo dessa medição de “votos válidos” feita pelo TSE, pois desconsidera os votos nulos e brancos. Eu votei nulo em várias eleições — inclusive nesta — e considero todos os meu votos válidos (com trocadilho, por favor). Segunda coisa, só vota nulo dois tipos de eleitor: o que não sabe nada de política (e nem quer saber) e o que sabe até demais. Me considero parte desta segunda categoria. E terceiro ponto: não, também não acredito em “menos pior”. Voto, pra mim, é voto de opinião. E minhas opiniões sobre Serra e Haddad não são nada lisonjeiras. Considerações feitas, aqui vão as razões para não votar em nenhum dos dois. E os fortes que me sigam, se quiserem.
Não voto no Serra porque:
1) Serra é a continuação dessa gestão nefasta de Gilberto Kassab e só isso já seria motivo suficiente para descartá-lo como opção de voto;
2) Se Serra não cumpriu a palavra quando disse em 2004 que ficaria até o final do mandato, por que o faria justo agora? É, portanto, perfeitamente legítimo que o eleitor lhe negue este voto de confiança;
3) A exemplo do que aconteceu na campanha de 2010, Serra encampou novamente o discurso reacionário e intolerante dos religiosos fanáticos, contribuindo para que as campanhas fossem ainda mais retrógradas e menos propositivas. Ao dar mais este tiro no pé, mostrou que a lição de 2010 não foi aprendida e justificou mais uma vez sua rejeição recorde.
Não voto no Haddad porque:
1) Apesar de se apresentar como “o novo” na campanha, Haddad já começou abraçando a velha realpolitik do Lula, se coligando com Maluf e qualquer um que sentasse no balcão para negociar. Como bem disse o mestre Millôr Fernandes, quem se curva diante dos opressores mostra o traseiro aos oprimidos;
2) Haddad hoje se coloca como crítico da administração atual, mas por muito pouco não fechou aliança com ele no início do ano. Eu seja, ao criticar tudo o que está errado na cidade (e olha que tem muita coisa errada), ele se sai como um hipócrita;
3) Sua gestão no ministério da educação teve avanços como o ProUni, mas o incômodo tricampeonato de fraudes no ENEM tornou justificável a desconfiança em torno de seu nome.
* Notem que nem foi preciso entrar no mérito das propostas que os dois defendem. Bastou analisar suas condutas antes e durante a campanha. Isso diz muito sobre o que eles são como pessoa.
Cientistas encontram fósseis da pré-história política no debate brasileiro
- 22 de outubro de 2012|
- 20h25|
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Visando conhecer melhor o processo eleitoral brasileiro, cientistas de todas as partes de mundo vieram a São Paulo estudar o comportamento tanto de candidatos quanto do eleitorado. Os resultados, porém, deixaram a equipe alarmada. Foram encontrados fósseis da pré-história política em duas espécies rústicas brasileiras: petuscos e tucaneiros. O estudo constatou também que, perto de Barack Obama e Mitt Romney, o comportamento de Serra e de Haddad nesta campanha é bastante próximo do de dois neandertais. Além disso, o estudo revelou os três argumentos mais usados aqui:
1) “nós somos legais e honestos, vocês são chatos e corruptos”;
2) “nossas privatizações são mais bacanas do que a de vocês”;
3) “o nosso mensalão é melhor que o de vocês”
Segundo o cientista que chefiou a equipe, Dick Long, o quadro do debate político brasileiro é bastante próximo de uma discussão entre alunos do ensino fundamental. “Não falta muito para que comecem a se atacar mutuamente usando termos como ‘bobo’, ‘feio’, ‘chato’ e ‘cara de mamão’ ”, explicou.
Serra e Haddad mostram suas obsessões no debate
- 19 de outubro de 2012|
- 20h00|
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Pra quem teve a felicidade de perder o debate de ontem — e pra quem teve a felicidade ainda maior de não me acompanhar ao vivo pelo Twitter —, faço aqui um breve resumo dos piores momentos.
● Quanto mais Çerra e Raddad falavam em subir o nível do debate, mais ele caía.
● Com grande visão de futuro, os candidatos debateram exaustivamente as gestões Marta (2001-2004) e Kassab (2006-2012).
● Çerra e Raddad falaram também da eleição de Osasco, onde o candidato do PT foi condenado no julgamento do mensalão e o do PSDB foi barrado pelo Ficha Limpa. Bastante oportuno para que o eleitor tire suas conclusões sobre os dois partidos.
● Mas os candidatos também acertaram. Raddad teve razão ao dizer que Çerra tem obsessão pelo José Dirceu — afinal, Çerra é o Dirceu do PSDB. Por outro lado, Çerra também teve razão ao dizer que Raddad tem obsessão pelo Kassab — afinal, os dois quase fecharam aliança no início deste ano.
● Uma coisa ficou muito clara no debate de ontem: se Çerra for eleito, a prefeitura não será parceira do governo federal. Se der Raddad, não teremos parceria com o governo estadual.
● Só acho estranho esse clichê de ficar exaltando o “confronto de ideias” ao final dos debates, pois ontem não foi diferente: sobrou confronto e faltaram ideias.
Debate em SP terá kit-gay e saia justa
- 17 de outubro de 2012|
- 20h15|
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Serra e Haddad estão nos preparativos finais de seus kits para o debate. Serra prometeu caprichar no rímel e Haddad escolheu o batom vermelho do PT. Já as saias já foram escolhidas — e são um escâaaaandalo de justas. Os marqueteiros de ambas as campanhas calculam que os modelitos escolhidos poderão ser cruciais para amealhar os votos tanto do público LGBT quanto das piriguetes. Quem saiu no prejuízo foram as duas candidatas a primeira-dama, que tiveram seus guarda-roupas e produtos de maquiagem devassados pelos maridos.
Milicianos eleitos vereadores em SP
- 13 de outubro de 2012|
- 18h00|
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Houve um tempo em que se falava “Rota na rua”. Agora o lema é “Rota na câmara”. Mais um feito da nefasta gestão Kassab, que primeiro foi alojando coronéis da reserva nas subprefeituras, e agora, ajuda a eleger milicianos para a câmara dos vereadores. Dois expoentes dessa turma são o capitão e ex-deputado Conte Lopes (PTB) e o coronel Paulo Telhada (PSDB) — ambos militantes do “bandido bom é bandido morto” que, como sabemos, não só não resolve o problema da violência, como cria mais violência.
Conte Lopes, por exemplo, ficou amuadinho quando leu Rota 66, de Caco Barcellos e resolveu escrever sua resposta, Matar Ou Morrer, que virou filme. Fora da literatura, sua vida na justiça é bastante atribulada, mas nada que o impeça de se eleger. Já Telhada, além dos assassinatos, preferiu gastar sua escrita no Facebook, onde iniciou uma onda de ameaças ao repórter André Caramante, da Folha de S.Paulo, que teve de se mandar do país.
Mas poupem suas balas, vereadores. Do jeito que a coisa vai, é o eleitor que vai acabar dando um tiro em sua própria cabeça…
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