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Quinta-feira, 31 de Maio de 2012
Trágico e Cômico
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Marina e Plinio tentando o nocaute

No debate de ontem na Record, Marina e Plinio mostraram mais agressividade e golpearam Serra e Dilma o tempo todo. Marina trabalhou bem os jabs e prometeu derrubar quem está nocauteando árvores na Amazônia. Plinio, apesar da idade, mostrou bom jogo de pernas e disparou potentes cruzados e ganchos… Todos de esquerda (sua direita é fraca). Serra e Dilma foram às cordas várias vezes, sofreram alguns knockdowns e perderam pontos. Contudo, não houve consenso sobre uma possível vitória por pontos. Assim, uma comissão de 190 milhões de árbitros foi convocada e deve julgar até domingo (dia 3) se houve ou não o nocaute.

Mais um anti-debate

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Depois do anti-debate entre os candidatos a governador de SP, hoje a TV Gazeta (em parceria com o Estadão) promove mais um debate, dessa vez com os presidenciáveis. Dilma já confirmou que não vai. Entre o Alckmin fugindo das perguntas no outro debate e a Dilma nem comparecendo nesse, fico aqui pensando o que é melhor… Quer dizer, menos pior.

À esquerda da extrema esquerda

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Muita gente acha que a maior diversão das eleições é acompanhar os candidatos “bizarros”. Nada de errado com isso, mas há um fator trágico por trás do cômico: eles acabam eleitos com esses mesmos votos de quem achou o slogan do Tiririca “genial”. Não, os bizarros não são divertidos. São tristes e mostram como a nossa política é feita do oportunismo mais rasteiro. Para mim, a maior diversão dessas eleições é acompanhar a extrema esquerda. No legislativo eles são até úteis, ao fiscalizar e constranger o governo (coisa que a oposição não faz). Já para cargos no executivo (caso eleitos), essas figuras conduziriam o país ao século 19. Em pleno século 21, não bastasse o fato de que ainda tenha gente que leve o socialismo a sério, essa meia dúzia de gatos pingados não consegue nem ao menos se unir em torno de uma única candidatura. Cada um ali parece ter o seu projeto de poder totalitário. O único consenso que os une é o de que o estado deve controlar tudo com mão de ferro…

Começando pelo PSOL. Gerado a partir de fósseis do PT, só o nome já causa estranheza: Partido Socialismo e Liberdade. Me corrijam se estiver errado, mas se o socialismo prega o pensamento coletivo em detrimento do individual, como pode haver liberdade? Seria aconselhável mudar de nome o mais rápido possível para que não haja ruído na mensagem do partido — que, apesar de minúsculo, conseguiu rachar nessas eleições. Heloísa Helena queria a aliança com Marina Silva, mas prevaleceu a facção (composta por três pessoas) que lançou Plínio Arruda Sampaio como candidato. Plínio que, aliás, é um socialista à moda Oscar Niemeyer: possui R$ 2,1 milhões em bens declarados na justiça eleitoral, sendo que R$ 1,7 milhão está investido no Credit Suisse… Opa, agora entendi onde o “socialismo e liberdade” do PSOL se encontram: precisamos construir um socialismo onde todos tenham contas milionárias no Credit Suisse!

Um pouco mais à esquerda do PSOL está o PSTU, do candidato Zé Maria. Dentre as diretrizes do partido está a estatização do sistema financeiro, a estatização de grandes empresas e a reestatização das estatais privatizadas. Podemos aproveitar o embalo e sugerir também a estatização dos R$ 300 mil de gastos previstos nessa campanha, assim como a própria sede do partido e os bens de todos os seus integrantes. Acho que só assim poderemos acreditar no PSTU e votar “16 contra burguês” nessas eleições.

Mais à esquerda (mais ainda!) ficou o PCB, do candidato Ivan Pinheiro — que tem como prioridade implantar um “programa anticapitalista e antiimperialista”. Nessa “construção revolucionária do socialismo”, além da estatização de todos os meios de produção, há também o reconhecimento das Farc como “organização política insurgente” (para desespero de Índio da Costa). Mas a cereja do bolo é a moratória da dívida interna. Genial. Se não há uma dívida externa para dar o calote, porque não dar calote na dívida interna? O importante é que conste a palavra “moratória” nas diretrizes do partido.

Mais à esquerda ainda — esse é o último, juro — ficou o PCO, onde o candidato Rui Costa Pimenta jamais cogitou aliança com a “esquerda pequeno-burguesa” (no caso, PSOL, PSTU e PCB). Segundo ele, esses partidos ficaram “completamente iludidos pelo circo eleitoral burguês”. À esquerda da extrema esquerda, o PCO não apresentou plano de governo, alegando que pretende seguir as demandas dos movimentos sociais. Ora, se é para ser pau-mandado dos movimentos sociais, então porque não lançam o João Pedro Stédile como candidato? Ou então criem logo o MSPG (Movimento dos Sem Programa de Governo)…

Fico aqui pensando se Marx estivesse vivo para ver isso. Talvez achasse esse pessoal muito “de esquerda”, vai saber… Enquanto Lênin tem seu corpo exumado diariamente e Trotsky segue em seu exílio post-mortem, acho que só o Stálin deve estar se divertindo com esse circo. De qualquer maneira, os “programas de governo” do nosso esquerdismo caipira não deixam dúvidas: Fidel Castro é mesmo um velho reacionário, Hugo Chávez é um fascista de extrema direita, Rafael Correa é um burguesinho a serviço do imperialismo ianque e Evo Morales é um cocaleiro adepto do capitalismo selvagem.

SP: débâcle eleitoral

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Bom, como eu já havia previsto, o debate entre os candidatos a governador de SP foi ainda mais sonolento e enfadonho do que o debate presidencial. E vou confessar uma coisa: foi tão ruim, mas tão ruim que foi difícil até de fazer charge. Não, não estou reclamando de barriga cheia — até porque a política sempre me entrega um prato cheio —, mas realmente tive de cavar fundo dessa vez.

Se por um lado é bom que a nossa política esteja sendo levada mais a sério, é péssimo ver sempre os mesmos candidatos engessados, com as mesmas propostas vazias, os mesmos jargões e a mesma numeralha de sempre. Pior ainda é ver candidatos sem nenhuma chance disputando apenas porque não conseguiram frear suas ambições pessoais — isso sem falar nos que estão se cacifando para futuras secretarias e coligações fisiológicas (aguardem e verão).

Alckmin é aquele papinho raso e tecnocrata de sempre, cheio de números, mas com poucas soluções. “Vamos suar a camisa, trabalhar por você…”, dizia ele, mais chuchu do que nunca. Mercadante tentou vocalizar a indignação do eleitor com a segurança pública, mas só conseguiu mesmo cair na bravata do neoliberalismo e se escorar em Lula, já que não possui proposta alguma. No mais, Paulo Skaf (PSB) foi caricato ao pintar o seu socialismo de mercado, Celso Russomanno (PP) criticou a saúde pública para depois defender Maluf, e Paulo Bufalo (PSOL) tentou surfar na onda do Plínio Arruda, mas foi só um figurante.

Como se já não bastasse tudo isso, ainda havia tempo para ver Fabio Feldmann (PV) apelando para o Twitter, o Facebook e a internet em seu “programa de governo”. Pronto, agora não faltava mais nada. Era a orkutização do debate…

Sonolência eleitoral

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Se o debate entre os presidenciáveis deu sono, esperem para ver os debates entre os candidatos ao governo. Aqui em SP, por exemplo, não vai ter um Plínio Arruda para nos acordar. A coisa tá feia, olha só: Alckmin, Mercadante, Skaf e Russomano. Com opções assim, vai ficar difícil nos despertar de nossa sonolência cívica…