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Quinta-feira, 31 de Maio de 2012
Trágico e Cômico
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Serra é candidato. A síndico do PSDB

Serra será candidato. Só não sabe ainda a que cargo: prefeito, presidente… Não ouso especular, mas posso sugerir: Serra poderia se candidatar a síndico do PSDB. Já que ele não é lá um cara muito querido dentro do partido, como síndico, ele poderia ficar cornetando seus correligionários e estes poderiam ignorá-lo (mais ou menos como acontece com Suplicy no PT).

Ou, numa jogada mais ousada, Serra poderia migrar para o PSD, a casinha do Kassab, seu “pet” de estimação. Isso sim é que é uma grande coalizão. Já imaginou Serra e Kassab junto com Dilma, Lula e a turma toda? Se isso ocorrer mesmo, aí sim, seremos o país do extremo governismo e da unanimidade…

O PT tucanou a privataria

Já tem mais de 15 anos que o Brasil não consegue superar o tema (ou seria trauma?) das privatizações. Por todo esse tempo, petistas pintaram as privatizações como o grande mal desse país, enquanto tucanos as praticaram, lucraram com elas e depois se envergonharam delas. Em meio a tantos discursos, faltou a verdade: a privatização não é solução definitiva para nada, nem tampouco é o mal absoluto. Em alguns casos ela serve, porque presta serviços importantes à população (se forem bem fiscalizados e regulados pelo estado), como no setor de telecom e nos aeroportos. Em outros casos, não servem, porque são setores estratégicos, como foi o fatídico caso da Vale do Rio Doce. E tem os três setores em que a privatização não pode nem ser levada em consideração: saúde, educação e segurança. O real problema da questão é a forma como as privatizações foram feitas por aqui, com empresários agindo em conluio com autoridades do governo, mediante farta distribuição de propinas.

Antes, o argumento anti-privatização dos petistas era de que “não se pode entregar um bem público ao capital estrangeiro”. Agora, adequaram o discurso tentando mostrar que as suas privatizações são melhores do que a dos tucanos. Acontece que, bom ou ruim, esse modelo adotado pelo governo petista nos aeroportos é o mesmo adotado pelos tucanos nas estradas do estado de São Paulo, o que elevou enormemente os preços dos pedágios. E, querendo ou não, o governo está abraçando a iniciativa privada — seja via concessões, PPPs (parcerias público-privadas) ou o leilão com participação do BNDES e dos fundos de pensão. A concessão dos aeroportos aconteceu porque há um gargalo terrível no setor e o governo sabe que não conseguirá expandi-lo e modernizá-lo sozinho até a copa.

Enfim, com tudo isso, esperamos que 1) essa privatização dos aeroportos traga os benefícios desejados pela população; 2) que se encerre de uma vez por todas essa briga tola dos militantes anti e pró privatizações; e 3) que no futuro não apareçam  novas denúncias em forma de livro, tipo um A Privataria Petista

Direitos humanos, volver!

Em sua visita a Cuba, Dilma tinha muitos assuntos comerciais a tratar, mas, assim como aconteceu com Lula, teria de enfrentar a saia justa em relação aos direitos humanos na ilha. “Vamos falar de direitos humanos em todos os lugares”, disse ela. Ótimo, já faz tempo que estou esperando por isso. Quero ver Dilma cobrar de Obama o fechamento de Guantánamo com o mesmo rigor que quero vê-la cobrar dos irmãos Castro sobre as violações em Cuba. Dá pra incluir China, Irã, Israel, Coreia do Norte para engrossar o caldo dos direitos humanos…

Só faltou combinar com o chanceler Antonio Patriota, que disse que “a situação dos direitos humanos em Cuba não é emergencial”. Chefes de estado sabem que direitos humanos não é uma via de uma só mão, mas jamais pegarão o retorno no final da estrada. É por isso que a proposta de tornar essa discussão um debate multilateral nunca dará certo, pois sempre tem países que os governantes vão preferir deixar para depois.

Preparativos para a reforma ministerial

Dilma andou tendo problemas para encarar a reforma ministerial. Primeiro foi uma ressaca maldita na virada do ano, depois mais problemas com membros da oligarquia Bezerra (aquela que se reproduz como coelhos). O jeito era inovar. Pegando carona no novo bordão criado no naufrágio do Costa Concordia, Dilma mandou personalizar uma camiseta e espera que a mensagem seja entendida pelos oligarcas, nepotistas e coronéis instalados nos ministérios.

A bezerra, o coelho e os burros

Assim é o ministério da integração: Fernandinho mama como um bezerro, se reproduz como um coelho e nós, burros (sim, eu, você e todo mundo), pagamos a conta.

Mas tudo indica que Dilma não considera isso tão grave, afinal, a maioria de seus ministros parece ser composta por pupilos do professor Sarney. Pelo jeito, teremos de esperar mais algumas mamadas até a reforma ministerial…