Estado.com.br
Terça-feira, 14 de Fevereiro de 2012
Trágico e Cômico
Seções
Arquivos
Tamanho do Texto

Rede social, para o bem e para o mal

Para mim, rede social é que nem celular: um mal necessário. Você até pode escolher não tê-los em sua vida, mas isso também tem um preço. Quando abandonei o Orkut, disse para mim mesmo que não voltaria às redes sociais — uma promessa tão frágil quanto aquela famosa que os bêbados fazem durante a ressaca. Mas, pelo menos, esse tempo “longe” serviu para reavaliar algumas coisas. Primeiro, o Orkut se revelou um experiência traumática. Era um alívio estar longe daquelas brigas nas comunidades e de toda aquela gente te adicionando só para forjar amizades. Era como estar em meio a um tumulto na saída de um estádio lotado. Sair de lá era como lançar um desafio a você mesmo: se essas pessoas são mesmo suas amigas, encontre-as pessoalmente. Uma bravata, óbvio. Quantas pessoas da família nós só vemos aos natais? Quanta gente nós ficamos anos sem ver? Isso não nos faz gostar ou desgostar dessas “pessoas bissextas”.

Mas eu me auto-sabotei nessa empreitada, pois minha fuga das redes sociais não foi completa. Saí do Orkut, mas fiquei no Twitter. Lá, se você escolhe bem quem seguir, se torna uma experiência mais administrável. Muitos não consideram o Twitter uma rede social. Acho que, antes de ser rede social, é um canal onde a informação circula muito mais rápido do que em qualquer outro lugar. Links são jogados junto a opiniões, puxando uma fileira de retweets e contra-argumentos. Os temas variam de acordo com o momento: futebol, política, música, literatura, internet… É só escolher. Mas, com o tempo, fui percebendo que o Twitter é como um clube fechado, onde jornalistas, blogueiros, artistas, empreendedores e publicitários tomam conta do pedaço, trocando informações, links e farpas. Até a linguagem ali é peculiar. Experimente soltar expressões como Trending Topic, #FollowFriday, #EuRi, #ProntoFalei fora da timeline. O Twitter é um instrumento importante para quem trabalha com artes, internet, jornalismo ou marketing, mas para grande parte da população, é uma chatice. A maioria das pessoas não quer (e nem precisa) ficar online o dia todo para acompanhar esse bombardeio de informação. A maioria quer falar de coisas de seu interesse e que digam respeito à suas vidas — e todas elas (ou quase) fazem isso no Facebook. Enfim, depois de um período sabático longe das redes sociais (propriamente ditas), entreguei as armas e aderi ao “Fêicebúqui”.

Dia desses, alguém no Twitter soltou uma metáfora que faz sentido: “O Facebook é como um barzinho, e o Twitter é como uma redação de jornal” (faltou dizer que o Orkut seria a cracolândia). Foi aí que dei conta de que há muito tempo eu não saía da “redação” para ir ao “barzinho”. Percebi o quanto eu estava mal informado sobre as pessoas — e elas sobre mim. Eu não sabia quem tinha se casado, quem tinha se separado, quem teve filho, quem teve o segundo filho. E não é ficar sabendo através de fofocas, mas de informações que as próprias pessoas compartilham na rede. Quando “me escondi”, a maioria das pessoas também deixou de saber o que eu andava fazendo. Não havia um canal onde pudessem acompanhar meu trabalho, e ninguém tem a obrigação de entrar no Twitter ou visitar meu blog diariamente só para ir atrás de mim. Eu é que tinha de ir até elas. Então, aqui estou. Ou melhor, lá estou. Avaliei que era a hora de voltar a me conectar com essa maioria das pessoas e saí à caça delas. Em três dias eu já tinha achado quase todo mundo e percebi a diferença do Facebook em relação ao Twitter. Além de “rever” gente há muito tempo sumida (ok, o sumido era eu), fiquei sabendo quem se separou (é bom, para não fazer papel de bobo), quem está grávida, quem vai ser pai pela segunda vez, e o quanto as crianças cresceram (é, fiquei pra titio…). E, claro, ouvi muitas brincadeiras, como “aí, cara, se rendeu, hein!”. Pois é…

Mas o mais esquisito de tudo, devo admitir, foi ter entrado no “Fêicebúqui” no mesmo dia em que revi o filme A Rede Social. Para muitos, isso seria uma coisa natural, mas para mim isso foi uma contradição gritante. Está certo que meu desprezo por figuras como Mark Zuckerberg e Sean Parker não me impedem de reconhecer seus talentos. Só é triste perceber que os jovens bilionários da internet têm tantos escrúpulos quanto os tubarões de Wall Street — e não adianta fazer um “Ocupe o Facebook”, porque é exatamente essa a ideia, não?

Quer dizer então que, a partir de agora, além de responder emails, blogar, moderar comentários do blog e tuitar, terei de facebookar também? Tudo ao mesmo tempo agora? Ok, eu topo o desafio, mas não posso garantir que eu vá “curtir” isso, tudo bem?

Como lidar com aspones

Você pode não acreditar, mas o aspone (assessor de porcaria nenhuma) é um cara que apita bastante dentro de uma empresa. O aspone não se importa de ser um poodle toy de seu chefe. E na aplicação da lei do mínimo esforço, ele se sai muito bem, obrigado. Só não chega aos mais altos cargos, porque sua natureza canina não permitiria tal coisa. Mas ao encarnar o papel de “supervisor” (de porcaria nenhuma, obviamente), o aspone torna-se um inferno na vida daqueles que colocam a mão na massa. Ao passar seu “relatório” à chefia, numa requintada apresentação de Power Point, os homens da caneta já deixam anotados os nomes que entrarão no próximo “programa de demissão voluntária”.

Para acabar com essa praga no meio corporativo e permitir que os trabalhadores trabalhem mais e melhor (ou simplesmente trabalhem), proponho duas medidas muito simples: a primeira é que, se a empresa quer medir a eficiência de seus funcionários, que instale um software que faça o controle sem se deixar contaminar por antipatias pessoais. E a segunda medida (a ser implantada em caráter de urgência) é extinguir, sem exceções, o uso de Power Point dentro da empresa — e quem usá-lo clandestinamente, será demitido por justa causa.

Quem joga Guitar Hero toca melhor que Jack White?

O jogo Guitar Hero saiu de linha e deixou órfãos todos aqueles que queriam se sentir heróis da guitarra sem saber tocar — coisa que só Jack White conseguiu fazer com uma guitarra de verdade nas mãos. Sinceramente, eu não ficaria surpreso se os mais virtuosos no jogo tocassem guitarra melhor que o Jack White. Não que isso seja grande coisa, afinal, o White Stripes é o Teletubbies do rock n’ roll — mas quem sabe o jogo não ajudasse a revelar novos talentos na música…

Mas a melhor coisa que esse game nos trouxe foi ver a garotada descobrindo Jimi Hendrix, Slash e apreciando bandas de classic rock. Além de ser uma brincadeira divertida, o jogo incorporava algo mais no vocabulário musical de uma geração que nasceu depois que indies e hipsters instituíram que tocar bem não era algo realmente necessário.

O consolo é que, se o Guitar Hero acabou, pelo menos o White Stripes também acabou. Aí o verdadeiro jogo — o dos músicos versus os posers — volta a ficar empatado…

Só Dio salva

Não adianta: religiosos nunca entenderão que fãs de heavy metal não são adoradores do demônio. Os tais “metaleiros”, apesar de não parecerem, são gente normal. Podem ser ateus, cristãos, até evangélicos-gospel-universitários (quem é que sabe?).

Quem nos trouxe o grande ensinamento foi Ronnie James Dio: sim, todo mundo tem o seu “lado B” (Heaven and Hell). Mas se nem a palavra de deus vai convencer os mais ortodoxos do contrário, então peço que ouçam a palavra de Ronnie James Deus. Aí sim cada um fica livre para decidir o que quiser…

Enfrentando a Lei Seca

Todos nós sabemos que o Brasil é o país do “você sabe com quem está falando?”. Mas não é todo mundo que pode dar carteirada como Aécio Neves ou Índio da Costa. A Lei Seca taí para complicar a vida dos bebuns… E está aí também para engordar a caixinha de propinas dos hómi. Mas nem tudo está perdido para boêmios e ébrios desse Brasil varonil. Uma boa saída talvez seja, literalmente, beber até cair. Se ficar desmaiado na sarjeta, não tem perigo de o bêbado assumir o volante de um carro…