Estado.com.br
Quinta-feira, 31 de Maio de 2012
Trágico e Cômico
Seções
Arquivos
Tamanho do Texto

Ganâncio, a despedida (ou não)

Caríssimos leitores deste blog, esta é a última tirinha da saga do Ganâncio. Quer dizer, a última até as próximas eleições, entende? O negócio é que, depois de reeleito, se o Ganâncio não vê mais necessidade de prestar contas ao povo, por que ele se preocuparia com os leitores desse blog? Não é nada pessoal, ele garante. Além do mais, ele precisa se concentrar agora em negociatas escusas, alianças espúrias, surubas com suas secretárias gostosas e todas as safadezas que cabe a um deputado esconder da população.

Mas fiquem tranquilos, porque assim que o povo de Manquitolândia estiver preparado para reelegê-lo, iniciaremos uma nova rodada de tiras por aqui.

Escuta aqui (e ali também)

Na guerra das escutas, Ganâncio mostra que é mesmo um gênio da arapongagem. Munido de seu gravador, ele procura sempre captar o áudio das conversas sobre propinas, conchavos e outras maracutaias para oferecer ao seu técnico a melhor qualidade de áudio. Assim, quando ele for ao tribunal se defender das acusações, ele vencerá fácil a guerra das escutas e se safará de mais um processo — afinal, a sua versão estará impecavelmente editada para poder incriminar seu oponente.

Milhares de promessas (para dezenas de mandatos)

Prometer é mais fácil, cumprir o prometido é outra história. No terreno das promessas, ninguém supera o Ganâncio. Com esse último pleito, já foram contabilizadas 1597 promessas ainda pendentes. Como ele pretende cumprir apenas uma meia dúzia delas nesse mandato, imaginem quantos mandatos ainda serão necessários para poder completar a lista?… Confiante de que Ganâncio (eleito pelo décimo-sexto mandato consecutivo) é um homem de palavra, o povo de Manquitolândia e espera (sentado) a conclusão dessa história…

Ganâncio e os aposentados

Os aposentados nunca tiveram vida fácil com os governantes. Na mão do Ganâncio (que aposentou sua ética ainda na barriga da mãe) eles sofrem mais ainda. A política gananciana (ou seria gananciosa?) para os aposentados se resume da seguinte forma:

- mantenha todos os aposentados respirando por aparelhos durante 4 anos;
- quando chegarem as eleições, garanta um transporte digno para levar os velhinhos para a zona eleitoral (um pau de arara, quem sabe);
- finda a votação, desligue todos os aparelhos que os mantêm vivos. Assim, todas as mortes não encontrarão espaço no noticiário do dia seguinte — que estará mais ocupado com as apurações (e adulações).

Pronto! Além de começar seu novo mandato economizando os valores das aposentadorias daqueles que morreram (infelizmente), Ganâncio já garante a verba para a contratação de mais algumas secretárias gostosas para seu gabinete.

Estourando a cota de faltas

O novo mandato mal começou e Ganâncio já bateu seu próprio recorde de faltas, não comparecendo a uma única sessão. Seus eleitores estão furiosos com essa atitude e com o pouco caso que Ganâncio demonstra ter com a coisa pública. Mesmo assim, sua popularidade ainda está intacta, mantendo os 115% de aprovação. Apesar do paradoxo, o cientista político Armando Confúcio sustenta que é um processo normal. “O eleitor de Manquitolândia fica chateado quando não consegue ver seu herói, mas logo se satisfaz com uma foto ou imagem dele na TV”, garante. É como se o povo saciasse sua necessidade de Ganâncio. Em outras palavras, o eleitor perde a esperança quando não vê seu herói, mas logo recupera a fé quando vê o cartaz na rua principal e/ou na capa dos jornais de Manquitolândia.