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Quinta-feira, 31 de Maio de 2012
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Música eletrônica é música, mas DJ não é músico

Categoria: Arte-Ilustração-HQ, Música, Tragi-crônica


O “músico” Geraldo Alckmin — que nas horas vagas também é governador — ataca de DJ na balada
(foto via mnbppf)

Em janeiro de 2011, Marcelo Moreira escreveu em seu blog Combate Rock que “música eletrônica não é música, é barulho”. O post gerou algum ruído na época, mas depois ficou lá, adormecido entre tantos outros. E agora, um ano depois, se disseminou como um vírus ebola, realimentando a fúria de tecnólogos e simpatizantes. Sinceramente, não vi um motivo que justificasse reações tão histéricas. É uma opinião — sim, extremista, colérica —, mas uma opinião. Quando se tem um blog, a opinião pode ser posta de forma mais analítica e equilibrada ou pode ser mais agressiva e generalista. Depende de quem escreve e, principalmente, de quem lê. Sofri um ataque parecido com esse há alguns anos, quando escrevi algumas verdades incômodas sobre os fãs do Iron Maiden e de bandas de heavy metal em geral. Acontece que a música tem seus xiitas espalhados pelos mais variados gêneros. Não queria dizer isso, mas… sim, o radicalismo, além de intolerante, também pode ser “eclético”. Enfim, chegou a minha vez de colocar a colher nessa sopa (com ou sem trocadilho, você escolhe).

Não acho que essa questão seja tão “preto no branco” assim. Primeiro porque houve uma confusão entre o uso de teclados e o de sintetizadores pré-programados. E, sim, tem muito artista no rock e no pop que sabe fazer um bom uso de recursos eletrônicos, mas não é uma questão de ser econômico no uso, e sim na forma em que se faz esse uso. O disco Pop, do U2, é abusivo nos sintetizadores e samplers — e é exatamente isso que o faz um dos melhores encontros entre rock e a música eletrônica. Os xiitas que me perdoem, mas Pop, se ouvido sem preconceitos, é um dos trabalhos mais ousados e criativos do quarteto irlandês. E não vejo demérito algum em usar arranjos eletrônicos e baterias pré-programadas, caso do disco Pilgrim, do Eric Clapton. Nos anos 80, ele lançou vários discos pasteurizados, repletos de músicas pop compostas por ratos de estúdio. De um jeito ou de outro, a assinatura do Slowhand esteve sempre lá, e sua guitarra jamais ficou em segundo plano. Se gerou amores ou ódios, é o preço que se paga por correr riscos como esses (em tempo: o Pilgrim é ótimo). Até mesmo o Rush exagerou em seus experimentos com a música eletrônica em discos como Power Windows e Hold Your Fire. Se os fãs puristas torceram o nariz, vários outros fãs foram descobertos. Portanto, o uso da eletrônica em outros gêneros pode até ser polêmico, mas não quer dizer que seja ruim (longe disso).

Já com a música eletrônica, propriamente dita, a história é outra. É música, sim, mas é um tipo menor de música. O som tocado em raves e festivais eletrônicos pode mexer com as pessoas tanto quanto o rock, o pop ou qualquer outro gênero, mas não há uma proposta ou discussão essencialmente musical aí. Não existem arranjos, melodias, letras ou riffs a serem analisados. Sendo assim, acho justo que a música criada de forma orgânica seja muito mais valorizada e debatida. O enfoque da crítica, a meu ver, deveria ter sido sobre o uso da eletrônica como muleta para mascarar a falta de recursos artísticos. Dessa lavra, temos uma infinidade de oportunistas, que apenas interpolam batidas e ritmos como se estivessem fazendo um mash-up para lançar no Youtube. Pode valer pela bagunça, para fazer um meme na internet, mas não se pode levar isso a sério. Por outro lado, exemplos de boa música eletrônica não faltam. É o caso de Beastie Boys, Tangerine Dream, Ozric Tentacles, The Orb, Kraftwerk e Air. São bandas talentosas como estas que nos mostram que conhecimento musical é o fator crucial, que separa músicos de meros tecnocratas. Ou, se preferir, que separa artistas sérios de arrivistas e trolls musicais.

Isso nos leva à outra questão levantada pelo Marcelo Moreira: a dos DJ’s. Essa proliferação de DJ’s de churrasco é inevitável, claro, mas é ridículo o cara se achar “artista” só porque “atacou de DJ” numa festa entre amigos. É a mesma coisa que o sujeito se achar “fotógrafo” só porque comprou uma máquina digital e saiu por aí tirando fotos de tudo o que via pela frente. Mesma coisa o cara que comprou uma tablet, instalou um Photoshop pirata em seu computador e, depois uns dois ou três garranchos, se diz “ilustrador”. E, assim, voltamos à velha questão, que já expus aqui no blog: artista é tudo vagabundo e trabalha de graça (leia e tire suas conclusões). Antes de ir, só deixo um lembrete: ninguém vira “artista” da noite para o dia, só porque a tecnologia ficou mais barata e acessível. Além da prática e da inspiração, a arte necessita de estudo, pesquisa, contextualização e um enorme esforço intelectual, tarefas que a maioria tem preguiça de encarar. Quer brincar de DJ, fotógrafo ou ilustrador? Ótimo, divirta-se, mas não se inclua entre os profissionais da área. Eles não merecem isso.

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38 Comentários Comente também
  1. Enviado por: ricardo dos santos brito

    dj não é musico,más anima,tanto quanto,varios musicos por ai!!
    a proliferação de djs,pode ser vista também sobre o sonho que apessoa tem,alguns garotos ,da periferia que sonham e ser dj,más não podem por causa de cursos caros,e falta de recursos para compra dos equipamentos. isso é tão comum,quanto um jovem sonhar ser um jogador de futebol.
    um fato importante é que dentro do meio cresce as djs mulheres,nota-se que este sonho são delas também. que bom seria que más djs profissionais,se preocupa-se em fazer oficinas de djs nas grandes periferias,para nossos jovens,assim a preços acessiveis,assim estariam formando djs,profissionais,formando homens,e quem sabe descobririam talentos para músicos.
    ps djs de currasco não !!
    djs amadores!!!

    • Enviado por: Diogo Salles

      Ok, Ricardo, mas falta a esses DJs colocarem o “amadores” quando forem falar de si mesmos, né?

      abs

  2. Enviado por: Francisco

    Recursos eletrônicos, quando bem usados, acrescentam à música. Sou meio suspeito para falar, porque gosto do meu teclado ( :-D ) mas quando li o texto do Combate Rock tive a impressão de que o blogueiro tinha aversão à qualquer uso disso, embora o alvo dele sejam os DJs (que, nisso concordo totalmente – aquilo não é música).

    Vale dizer que a eletrônica não é só “música” de DJ, o uso de baterias eletrônicas, sintetizadores, etc. está no rock progressivo, funk (P-Funk), música de vanguarda e até erudita. abs

    • Enviado por: Diogo Salles

      Exatamente esse o meu ponto no texto, Francisco. Bandas de rock progressivo usam muito bem a eletrônica para expandir sua música (inclusive na duração das músicas.. hehehehe)

      abs

  3. Enviado por: WALLACE

    “mas é um tipo menor de música” O que??? falou abobrinha como o outro! que dizer que existe uma arte menor??? então existe uma escala musical, no alto Beethoven
    e em baixo os aborígines tocando em tambor??? Musica è combinação de som não importa que instrumento ou técnica. Seu erro é não saber o que é música e até pode ate conhecer de rock, mas não sabe de nada de musica eletrônica.
    E vejo que esse tipo de discussão só acontece em países atrasados do 3º mundo…Pois no 1º mundo já entenderam a arte envolvida na musica eletrônica.
    NÃO É MAIOR OU MENOR É APENAS DIFERENTE. “Não existem arranjos, melodias, letras ou riffs a serem analisados” Você deve tá brincando??? Nunca ouviu musica eletrônica de verdade! alias se pegar os mesmos paramentos de analise do rock é usar para musica eletrônica…não vai dar certo e o mesmo se você comparar musica clássica com rock…assim o rock não passa de barulho.
    OBS: mash-up NÃO TOCA EM RAVE E TAMBÉM NÃO É RESPEITADO NO MEIO ELETRÔNICO”
    Porfavor antes de escrever pesquise!!!!! Beastie Boys musica eletrônica????? AFF!!! E SIMPLESMENTE RAP DE BOA QUALIDADE!!!! PUTZ…Mais um desinformado!!!!!!

  4. Enviado por: Diogo Salles

    Wallace, os parâmetros para se analisar a música são os mesmos, de uma forma geral. Tirando algumas coisas mais especificas (como o riff no rock), não muda tanto assim. Por isso a música clássica sempre será a música em seu estado maior de arte. Já o jazz também é maior que o rock em sofisticação, mas atinge um público bem menor (na maioria, musicólogos).

    O Kraftwerk seria para a música eletrônica o que o Beatles foi para o rock ou o Miles Davis foi para o jazz, mas não recebe nem um décimo do reconhecimento. Por que será? Por que a música eletrônica se tornou um gênero menor, mais específico. Mas tem o seu valor, sim (eu, pelo menos reconheço esse valor).

    Beastie Boys é hip-hop, sim, mas a música deles sempre fez um uso massivo da eletrônica. Estou apenas citando-os como um exemplo dentro de uma opinião.

    Você não precisa ser tão dono da verdade.

    abs

  5. Enviado por: André

    o problema é que vcs (tanto o Marcelo quanto vc. hehe) no fundo querem defender um purismo na música que acaba excluindo toda forma de pensar musicalmente que não venha de instrumentos tradicionais (pq vcs são roqueiros, eu sei. :P ). Vc caiu na mesma falácia dele no começo do penúltimo parágrafo quando disse que “música eletrônica é menor e não tem arranjo” e tudo mais. Vc não especifica que tipo de música eletrônica se refere. E, ainda assim, é um argumento sempre frágil, pq no final das contas sempre vem de quem não tem muito contato com o estilo (ou o busca apenas em bandas de rock, como foi o caso dele e, pelo jeito, o seu também). Até pq, se tivesse, saberia que o gênero é extenso e variado demais pra ser sintetizado numa única sentença.

    E sobre DJs… mesmo que o conceito de DJ, na essência, é o cara que anima festas, a “profissão”, quando vem de caras sérios, tem uma longa história e contribuição em cenas musicais, divulgando determinados artistas ou gêneros. E não podemos esquecer de caras como DJ Shadow, Aphex Twin, Fatboy Slim, Calvin Harris…todos que vieram da escola de DJs, mas que também compõem, colaboram com outros artistas e são, acima de tudo, músicos.

    Mas enfim….já discordo desde o começo pq tb adoro e não vejo problema nenhum em música feita por “ratos de estúdio”. ;)

    abraço

  6. Enviado por: Diogo Salles

    Caro André, você realmente leu o texto? Eu DEFENDI o uso da eletrônica no rock e em todos os gêneros. Só acho que tem gente que faz isso bem e tem gente que não faz. Como sempre foi em qualquer área, certo? Sobre os ratos de estúdio, eu também gosto do trabalho deles e gosto de todos esses discos do Clapton que foram massacrados pela crítica.

    E por que que isso tem de ser uma falácia e não apenas uma opinião? Ora, encaremos os fatos: a música eletrônica nunca terá a elevação artística da música clássica, nem a sofisticação do jazz e nem o poder aglutinador que o rock já teve um dia. A música eletrônica tem o seu público e os DJs que você cita podem ter a sua importância dentro do nicho, mas é menor como arte. Qual o problema de reconhecer isso?

    É a mesma coisa que dizer que o humor e a charge são uma espécie menor de jornalismo, porque não é levado a sério, não ganha prêmios, não recebe títulos nem honrarias. Esse é o meu trabalho no JT. Se ele é visto assim, tudo bem. Não adianta eu querer aumentar a relevância de algo que importa só pra mim e um grupo específico.

    Mas é sempre um prazer debater com você, porque você é osso duro nos argumentos (rss), mas sinto que esse assunto é o seu calcanhar de aquiles.. hehehe

    abs
    Diogo

    • Enviado por: Rolando Amaro

      Discussão longa essa …. Longa e bizantina …. Querem ver?! O Cantor e compositor Guilherme Arantes foi um dos precursores no Brasil do uso da parafernália eletrônica, no início dos anos 1980. Mas, como Arantes era um compositor de Pop, Rock e MPB com C maiúsculo, muito crítico de jornal e revista reclamou e torceu o nariz pra música que ele fazia na ocasião. Por mero purismo, talvez. Aquele mesmo do uso da guitarra elétrica na MPB nos anos 1960, lembram…?!
      Pois é …. Hoje, 30 anos depois, inacreditavelmente, a discussão ainda se perpetua, pois o mundo foi assolado de djs – profissionais ou não – e que, ao contrário de Guilherme Arantes, possivelmente não reconhecem uma nota musical de outra, um tom de outro, um gênero musical de outro.
      Evidentemente não são músicos. São djs – e suponho que isso, por si só, deveria bastar. São djs e ponto final. E não deveria haver demérito algum em ser SÓ dj….
      Se essas pessoas são pobres e/ou não tiveram a oportunidade de estudar isso, por si só, novamente, não dá a elas por obra divina o título de músicos. Assim como nem todos no mundo são engenheiros(!!!!), médicos, fotógrafos, nem todos são jornalistas, nem todos são músicos…. E não deveria haver nada de mau ou ideológico nisso. Simples assim….
      Resumo da ópera: se o cara é músico e também lida com eletrônica ele é músico. Caso contrário, sinto muito governador Alckmin, é melhor continuar na carreira política mesmo….

  7. Enviado por: ricardo aranda

    um texo que marcelo moreira deveria se inspirar para ter escrito aquelas sandices dele. bem menos agressivo.

  8. Enviado por: Mohamad Hajar Neto

    Caro Diogo, primeiramente parabéns. Ao contrário do seu colega Marcelo, você foi capaz de expor sua opinião de forma educada e embasada. Talvez um ou outro ainda venha te jogar pedras, mas aí são os xiitas que toda cena tem, paciência.

    Sobre o que você falou, DJ não é artista e isso é consenso até entre nós, do meio eletrônico. O artista é o PRODUTOR MUSICAL, que é quem compõe a música eletrônica. O DJ é enterteiner, ele pode ser criativo e impressionante, e angariar muitos fãs, mas ele não cria nada. Então, ponto para você na colocação.

    Agora ainda tenho que discordar com você ao dizer que música eletrônica é mais rasa do que a orgânica. Você mesmo citou Kraftwerk, e eu te sugiro conhecer nomes como Nicolas Jaar, Paul Kalkbrenner, Kultra entre diversos outros que procuram compor e-music como comporiam qualquer outra música: casando harmonias, melodias, percussões e graves para tocar seus ouvintes, não apenas para ser uma trilha dançante.

    Outra coisa interessante que sugiro a você ler é o artigo que escrevi para o Psicodelia.org, um dos principais sites da cena eletrônica nacional, abordando o assunto: http://psicodelia.org/noticias/m%C3%BAsica-eletr%C3%B4nica-%C3%A9-m%C3%BAsica-e-%C3%A9-coisa-s%C3%A9ria
    Nós reconhecemos que esses picaretas precisam ser enfrentados, e todo esse caos instaurado pelo texto do Marcelo vai ter que servir pra todo mundo acordar pra isso.

    • Enviado por: Diogo Salles

      Mohamad, obrigado pelo comentário. Você captou bem a essência!

      abs

  9. Enviado por: Marcson Muller

    Em todas as profissões existem os bons e os maus.Hoje sou diretor artístico de uma das maiores rádios do Brasil e continuo exercendo minha profissão de D.J.
    Nem todo D.J. é músico,porém todos são artistas como David Guetta que se apresentará em Dezembro de 2012 no Brasil pelo cachê de U$ 400.000.
    Outros são além de Artistas,músicos.A música eletrônica não pode ser generalizada como um conjunto de barulhos.Ao meu ver ,esse movimento que existe há decadas ( muito bem exemplificado pelo Kraftwerk) sofreu mudanças e hoje está nas mãos desses jovens internautas.
    A mesma geração que criou o twitter ,facebook ,etc…
    Enfim,tem que respeitar os D.J.s!

    • Enviado por: Diogo Salles

      Marcson, ninguém desrespeitou os DJs. Só que DJ é DJ, e não músico. Ou, como foi bem exposto pelo Mohamad, o DJ (o bom DJ) está muito mais para produtor do que para músico.

      abs

  10. Enviado por: Rafael

    Defina ”um estilo menor de música”?

    Enfim, outro idiota escrevendo um monte de bobagens e querendo chamar atenção. Ser cretino e com pouca informação (e formação) deve ser um requisito para ser contratado pelo Estadão.

    Lamentável.

    PS – Os exemplos para reforçar a sua argumentação são extremamente tendenciosos e ilustram a sua falta de conhecimento sobre o assunto. Basta conhecer um pouco de música eletrônica e verá que há excelentes deejays que são produtores e vice-versa.

    • Enviado por: Diogo Salles

      Enfim, outro xiita que se escora nas velhas muletas de sempre… “pouca informação”, “tendencioso” ou “querendo chamar atenção”.

      Preguiça de debater com gente assim…

  11. Enviado por: Monica

    Perai minha gente! Primeiro…mind the gap!…existe uma diferenca colossal entre uso de tecnologias eletronicas dentro dos generos musicais,( lembrando que ate os avòs Pink Floyd usavam) e musica Eletronica como genero.

    Entao nao entendo a comparacao… menos ainda as classificacoes. Arte menor ou maior nao existe, em nenhuma das artes. è punch-line barato de critico de caderno dois.
    Podemos ate discutir se uma obra de arte è mais elaborada, mais comercial, popular, elitista que outra. Mas um genero? menor ou maior? Quem determina isso? a sua -outra -comparacao entre musica e jornalismo?

    Musica eletronica è musica sim e das boas.

    Segundo, aconselho ao autor pesquisar, ler e ouvir mais musica Eletronica de verdade antes de colocar sua opiniao a respeito do assunto. Posso indicar alguns nomes pra um comeco suave no Universo Eletronico: Tudo da WARP RECORDS, Autechre, Boards of Canada, Arovane, U-zig, Nightmares on wax, Fila Brazilia, Console, Krumelur, Juno Reactor … ih, essa lista poderia seguir ate amanha… mas ja è um bom comeco. :D

    (Peco desculpas pelos acentos, mas meu teclado noruegues nao me permite)

    Regards e beijocas,

    ML

    • Enviado por: Diogo Salles

      Monica, de novo eu pergunto, agora para você: você leu o post? Eu disse que música eletrônica É música – e ela pode ser ótima, tanto que citei exemplos.

      E quem determina se um gênero é menor do que outro? O público, os críticos, os próprios músicos e pelos os debates e a influência que a tal música gera, etc.

      abs

  12. Enviado por: Vander

    Gostei do artigo.
    Cita claramente a opinião do que é ser músico, o que é ser artista, o que é ser produtor, o que é ser usuário de tecnologias.

    Quem acha mesmo que DJ é músico, só por que reproduz ondas sonoras, deveria aceitar que impressora matricial, por si só, tb é. E olha que eu já vi música feita com impressora matricial, com antigos drives de disquete, etc.

    Xiitas são xiitas e não o deixarão de ser por causa de um artigo. Irão criticar, e não vão adicionar nada. Se eu cair aqui na mesmice de dizer que música eletrônica, é, na maioria das vezes pobre e repetitiva, alguém vai poder citar o Ramones e dizer que não dá pra ser mais repetitivo do que eles. E se alguém disser que não há melodia ali, eu o irei acusar de insensível musical.

    Então eu digo, que acho que MÚSICA eletrônica ou rock ou funk ou escreva-aqui-o-estilo-do-momento é sempre MÚSICA. Mas fazer música não o faz MÚSICO. E é isso que o artigo remete. Música nunca será “o que gera o som”, música será o resultado sonoro. Músico nunca será o cara que aperta o botão “DEMO” do teclado Casio e ouve uma coisa bizonha e se sente todo poderoso. Que fique claro que eles podem ser músicos em outras ocasiões, mas ser DJ não te faz músico, ser Rapper não te faz cantor, ser músico não te faz um “entertainer” (vide os músicos maravilhosos que existem por aí, que não possuem a habilidade necessária pra subir no palco e fazer o show).

    • Enviado por: Diogo Salles

      Vander, boa colocação. Gerar som hoje, qualquer um o faz pelo computador ou simulador. Mas quem compõe, o gera de outra maneira.

      abs

  13. Enviado por: André

    hehehe, é que vc sabe q sou contra todos os purismos que vem do rock :P
    mas Diogo, a questão é que, admita, vc tá falando de um universo que não tem muita afinidade. Não que isso minimize sua opinião ou de qualquer um, mas é que, como eu disse, querer analisar dentro do termo “música eletrônica” é sempre limitado e não engloba tudo o que o gênero/estilo já foi, é e pode ser. Eu JAMAIS concordaria com a idéia de que música eletrônica é “menor” ou menos artística. Acho SIM que tem músicos de música eletrônica (ou que usam eletrônica em arranjos) que fazem algo elevado, refinado e transcendental artisticamente. é apenas MAIS uma forma de pensar música. São outras referências, outras escola, outras influências que não tem nada a ver com o que se conhece de rock, jazz ou música clássica (e tem gente que mescla uma coisa com outra. Tem bandas que gosto que usam música clássica e eletrônica. E aí? É menor tb? ou é maior só pq eles tem influência de música clássica? Tá vendo como essa análise por gêneros é sempre limitado?). E a “relevância” tb é algo complicadíssimo. Antes era fácil de medir. Hoje não. Tem coisas que acontecem, causam impacto, influenciam meio mundo e ainda assim não é necessariamente conhecido pela maioria. Mas aí é outro papo…

    • Enviado por: Diogo Salles

      André, acho que isso tem muito a ver com o processo de criação da música. Se o sujeito pega um trecho de música clássica e faz um remix juntando outros elementos, ele está apenas retrabalhando algo já existente, portanto não tem o mesmo valor. Aprecio alguns desses retrabalhos e acho que tem gente que faz isso muito bem, mas, desculpe, é menor do que uma criação totalmente original, vinda de uma visão única do artista. Você pode achar isso purismo, mas eu penso apenas artistas que influenciam e os que são influenciados. Parta daí que você verá uma diferença abissal entre eles. Alguns são tão originais e influentes que “invadem” outros gêneros.

      abs

  14. Enviado por: André

    Ah, e a Monica ali em cima fez o melhor comentário até agora ;)

  15. Enviado por: Rafael

    Sugiro aos leitores deste artigo e também aos que comentam entrar em http://www.convitedaveia.com.br. Uma nova proposta do resgate da cena underground. Música por si só não tem gosto. Há sabor quando se mata a saudade!!! Entrem e vocês vão entender o porquê!

  16. Enviado por: Paulo

    Como já dirias a banda Velhas Virgens, ” o dj não toca nada, o dj aperta o play”

    Rs… lendo o post esse trecho da musica não saiu da cabeça.

  17. Enviado por: Maestro Billy

    Muito bom o texto, só discordo da musica eletronica ser “menor”.
    Cada musica tem seu nicho e sua forma. Não adianta encher de arranjo um Trance se o intuito é justamente simplificar o máximo e destacar a batida.
    Uma escola de samba é menor? Teoricamente é só percussão…
    Tomita é menor? É 100% eletronico…
    Que seja.
    E sobre os “ataques de DJs” estes agora tem nome. São chamados de Decoy, justamente para separar essa categoria de “mão no botão, pose pra foto” do DJ profissional, esse que estuda, trabalha, conhece e usa o conhecimento na pista.
    Abraços e parabens mais uma vez.
    Billy.

  18. Enviado por: Diogo Salles

    Billy, entendo que muitos tenham se incomodado com a opinião de a música eletronica ser “menor”. É assim que vejo, pela minha perspectiva, e tenho meus argumentos para sustentá-la.

    De qualquer jeito, a batida do Trance, na minha opinião, fica a dever para a percussão de uma escola de samba, justamente pelo fator humano envolvido.

    abs e obrigado pela leitura.
    Diogo

  19. Enviado por: Marcelo Moreira

    Barulhos eletrônicos só empesteiam o rock. Um dos exemplos citados, o Rush, usou barulhos eletrônicos em algumas músicas mais experimentais, com resultados questionáveis. Música eletrônica é barulho e DJ não é músico.

  20. Enviado por: Lucas

    Achei a “polemica” exagero, o cara já criticou artista que amo, raul e mutantes e não foi motivo de “revolta”, acho que talvez o brasileiro não esta acostumado a levar tapa na cara da imprensa, apenas “panos quentes”…

    Musica eletronica para mim é monótoma e inexpressiva, se tem alguem que discorda… Qual o problema disto???

    Discordo com o pop, acho que o mais ousado foi o Zooropa, e tem muitos outros artistas que gosto que usaram sintetizadores, efeitos e blablablá.. Pink Floyd, Yes, U2, Rush, ELP, Jethro Tull… O resultando não é a feramenta usada, é se a música é honesta ou não.

  21. Enviado por: Carlos Adriano Mateus

    A um certo radicalismo e purismo no texo! Sou tecladista desde 1989!Vi a evolução dar um salto no quesito instrumentos musicais eletrônicos tecnológicos e computadores.Toquei em bandas de rock,punk,progressivo pop rap etc…
    A Musica eletrônica!Bem,existe composições com muita harmonia e melodia cito exemplos de artistas como Jean Michel Jarre,kitaro,Vangelis,Wend Carlos brasileiro Eloy Fritsch etc… Tem os novos por ai não lembro nomes?
    Já tem bandas de punk rock que não tem nada de melodias Ratos de porão,Sex Pistols etc..3 acordes podem ser considerados musica?
    Você decide se e ou não!
    .
    Musica boa ou ruim existe em qualquer gênero!Tem bandas de rock que são uma vergonha nas suas musicas e ao vivo piores que muitos artistas da musica eletrônica ou musica pop,isso ocorre também dês dá musica eletrônica vai do samba MPB pop progressivo etc…Em suma!Porcaria tem em qualquer lugar todos um dia caga fora do vazo.Uns é todo dia.E ganha dinheiro com isso.Pode?
    .
    Querer por a culpa na musica eletrônica como seleiro para composições ruins e decadência musical mundial.Isso e muita falta de informação ou fruto de uma mente fundamentalista infelizmente.
    .
    Para mim uma pessoa para criticar qualquer gênero musical tem que gostar de e curtir um pouco de tudo ser imparcial e mente aberta!Se e preso a só um gênero não perca tempo escrevendo artigos fundamentalista e totalitaristas,existem varias verdades! Não apenas só a do sicrano ou a do fulano.
    .Porque a musica eletrônica cativa tanta gente!Um dos motivos!Ela trabalha o básico do ser humano a batida e a dança. Seu coração e percussivo tem ritmo.
    O primeiro instrumento depois da voz foi a percussão,até hoje em tribos primitivas ela a batida e a principal forma de fazer musicas tem exemplos por ai em diversos formatos.Mas a outros fatores pessoais e culturais e tecnologicos.
    .
    A musica já teve e chegou a sua evolução máximo ! Mas não foi nem no seculo 20 e nem 21!Pois hoje só temos mais recursos e timbres tecnologia. Isso só muda o som que escutamos,as musica na partitura e a mesma para qualquer instrumento. As pessoas hoje confundem muito timbre com musica.
    E possível fazer qualquer versão de uma musica convencional em eletrônica e vice verça para qualquer instrumento ou em um conjunto deles.
    .
    Se for levar tudo na ponta do lápis,todos os gêneros atuais rock pop jazz samba sertanejo,polka chá chá chá, salsa,eletrônico etc.. etc.. São todos um regresso do que foi a evolução que a musica atingiu seculos atrás.
    .
    A musica caminha para ser um Medley misturas a medida que a globalização avança e o contato entre culturas vão ficando mais estreitos. Talvez daqui 200 anos não exista mais rock,musica eletrônica etc.. uma outra coisa pode tomar o seu lugar?
    Que nome vocês podem dar para isso?
    Eu não tenho menor noção do que pode vir..

    • Enviado por: Bee W5

      Carlos, lendo o seu texto, principalmente no ultimo paragrafo, tudo vai virar forró e aí o mundo acaba !

  22. Enviado por: Diogo Salles

    Bee W5, confesso que também fiquei com medo desse mundo pós-apocalíptico descrito pelo Carlos.

    Será que chegará o dia em que teremos uma banda sertaneja-progressiva-hardcore-gospel-universitária????

    #MEDO

  23. Enviado por: marcelo

    “arte necessita de estudo, pesquisa, contextualização e um enorme esforço intelectual”? Tsc tsc. A arte é livre. São opiniões conservadoras e limitadas como essa que limitam a exploração do potencial artístico.

  24. Enviado por: Diogo Salles

    A arte é livre na criação. Mas, seja ela popular ou erudita, deve haver uma busca.
    Nenhum artista se fez do nada. Todos os artistas até hoje – mesmo o gênios – construíram suas obras a partir do mundo em que viveram e de coisas que viram/ouviram.

    Você é quem tentou limitar a visão da arte dentro de um conceito obtuso.

  25. Enviado por: Luiz Schneider

    Fala Diogo, achei o texto bem interessante apesar de não concordar 100%. Mas o mais importante eh que ele eh PARCIAL e expõe o ponto de vista do autor. Não curto muito quem não consegue ter seu próprio ponto de vista
    Abraços

  26. Enviado por: samuel

    Li o texto do Combate Rock, e achei ele bem fraco, sinceramente, o autor não apresentou nenhum tipo de argumento forte para defender a sua causa, só chamou tudo de lixo e barulho, mas aqui vai a MINHA opinião.
    Acrescentar algum tipo de detalhe eletrônico na música em certos casos dão um tempero a mais para a música, vide sintetizadores de Pink Floyd, até algumas músicas do Iron Maiden, mas algo feito por completo de maneira eletrônica não é música e nunca vai ser, simplesmente porque para mim, música é sentimento, e computadores e máquinas não possuem sentimento, logo “musica” eletrônica não é musica. Fazer uma bateria pre programada no computador, como foi o citado no caso do Eric Clapton, ao meu ver é algo completamente absurdo, ter um baterista tocando uma bateria de verdade SEMPRE soará melhor do que uma coisa artificial e sem vida. Onde está o elemento humano em uma música eletrônica? o feeling do músico? Esses fatores constituem pra mim a alma da música, tirando isso você tem uma coisa morta, plastica, e artificial o que faz com que o resultado chegue a um nível tão baixo que não posso mais chamar de música.

  27. Enviado por: natalia

    e muito para se le
    devia diminuir o texto

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