Achtung Baby: quando o U2 sonhou tudo de novo
- 18 de dezembro de 2011|
- 6h00|
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Categoria: Música, Tragi-crônica

Dois mil e onze foi um ano de muitas comemorações no mundo da música. Em todas as listas de discos mais importantes de 1991, lá estava o U2. Pois chegaram ao mercado as edições comemorativas do álbum que marcou uma guinada radical na carreira do U2. Vinte anos depois, Achtung Baby está sendo relançado em várias versões para atender aos gostos (e bolsos) mais variados: Standard (1 CD), Deluxe (2 CDs), Vinil Box Set (4 discos), Super Deluxe (6 CDs e 4 DVDs) e Uber Deluxe (6 CDs e 4 DVDs, 2 discos de vinil e vários acessórios). Parece exagero, mas a pompa é justificada. Achtung Baby é, para muitos fãs, o melhor disco da banda até hoje e tornou-se um marco não apenas na carreira dos irlandeses, mas também do rock e do pop.
A escalada do U2 rumo ao estrelato foi se moldando a partir de 1983, com o álbum War. Em 1987, saiu o multi-platinado The Joshua Tree e a banda estourou mundialmente. Foram parar na capa da revista Time, destronaram Michael Jackson no Grammy e iniciava-se ali o circuito de mega-turnês mundiais. Na esteira desse sucesso, saiu em 1988 o filme+disco Rattle And Hum, que ampliava essa verve, calcada no blues e no gospel. Depois de três anos sob os holofotes, numa série de shows em Dublin na virada de 1989/90, Bono se despedia do público com uma profecia: “chegou a hora de nos afastar por um tempo e sonhar tudo de novo”.
Sonhar de novo não era apenas tirar umas férias e voltar a gravar de forma convencional, como uma progressão natural do trabalho. Era o fim de uma era para o U2. E uma guinada musical não era apenas uma questão de escolha. Era uma questão se sobrevivência. Depois da saturação de Rattle And Hum, a banda estava prestes a engolir a si mesma. Era preciso apontar para caminhos opostos, criando um novo som e forjando uma nova estética. E o resultado dessa reviravolta custou caro à banda, com exaustivas jam sessions, muita brigas e discussões. Se para compor The Joshua Tree, o U2 mergulhou no seio da América profunda, dessa vez o cenário escolhido foi Berlin, que vivia os dias pós-queda do muro e era o palco perfeito para a banda buscar suas raízes europeias. O guitarrista The Edge investiu pesado em pesquisas de timbres sintetizados e trabalhou novas texturas para o som do U2. Já Bono deixou de lado o rabo de cavalo, a cara de revoltado e os trajes de caubói para criar uma nova persona, mais cínica em relação ao próprio sucesso, escondida atrás dos “óculos-mosca”. Com jaqueta de Elvis, calça de Jim Morrison, ele reapareceu cheio de falsetes e maneirismos, mas sem perder o messianismo. É nessa toada que surgiu o primeiro single, “The Fly”, que se tornou o marco zero desse novo U2. O riff cortante de The Edge e a voz sussurrada do Bono davam o tom do disco, que trazia uma fileira de hits como “Even Better Than the Real Thing”, “Until The End of the World” e “Mysterious Ways”. E “One”, que se tornou uma espécie de renascimento depois do coma, pois foi a música que acabou com todas as brigas no estúdio e trouxe de volta a paz de espírito à banda.
Os detalhes da tumultuada gravação de Achtung Baby podem ser vistos no documentário From The Sky Down (um dos DVDs do pacote Super Deluxe). Já o CD de B-Sides traz bons covers, como “Fortunate Son” (Creedence) e “Paint It Black” (Rolling Stones), mas os melhores momentos são “Salome”, “Blow Your House Down” e “Lady With the Spinning Head” (nesta última, encontramos fragmentos do que viria a se tornar “The Fly”). De qualquer jeito, esses B-Sides são mais interessantes do que o álbum seguinte, o insípido Zooropa (o disco mais fraco da carreira da banda — sim, muito abaixo do Pop). Por outro lado, numa vertente mais discutível, começava também ali uma torrente de remixes, espalhadas em 2 discos, com versões que jogaram o U2 nas pistas de dança. E, para fechar, a turnê ZOO TV, que mudou o conceito das mega-turnês, agora ainda mais megalomaníacas.
No final nos anos 80, o U2 estava no topo da montanha. Na aurora dos anos 90, tinham uma difícil escolha pela frente: ou tentavam permanecer no topo, repetindo a mesma fórmula (que seria o caminho da irrelevância) ou desciam a montanha para procurar o desconhecido. Escolheram a segunda opção. Atitude ousada e honesta, reconhecida pelos fãs e pela crítica (todo mundo sabe como é difícil largar o osso). Ao final da jornada, eles não só tinham escalado uma nova montanha, como ela se revelaria ainda mais alta que a anterior. Mais do que se reinventar, o U2 mostrava que era possível andar na direção contrária àquela que os deu fama e fortuna… e foi exatamente isso que os tornou ainda mais ricos e famosos. Vinte anos depois, Achtung Baby ainda soa forte, criativo e atual. Ouça-o e reinvente-se.
* dedico esta última tragi-crônica do ano à minha prima querida Carolina, que sabe tudo de U2 e sempre me ajuda a apurar datas e fatos relativos à banda. Beijos e obrigado, prima!
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Parece que foi ontem quando o álbum foi lançado.
É com nostalgia que relembro a década de 90.
Olhando para esta década, vejo que o Rock com exceção de poucos ainda tenha alguma relevância.
Bons tempos se foram…
De fato, Achtung Baby, foi o melhor album da banda. Mas dizer que o Zooropa foi o mais fraco, colocando-o abaixo do POP, denota uma analise superficial e puramente pessoal, que nao condiz com a ralidade. Fechar os olhos para clássicos como “Zooropa”, “Lemon” que foi uma das musicas símbolo da turnê Zoo TV e “Stay” tocada até hoje em vários shows, é contar a história do Achtung Baby pela metade, já que esses dois álbuns se conectam naquele que foi o renascimento da banda, que como resumiu seu líder quando questionado sobre a nova fase: “trata-se de 4 rapazes fatiando uma the joshua tree”.
Eu entendo o que vc tá falando, mas eu acho que o que ele quis dizer é só que não é um dos melhores deles, não que eles sejam ruins, pq as piores músicas do U2 são as melhores da maioria das bandas por aí.
Citzen, dizer que é superficial classificar o Zooropa pior que o Pop é tão superficial quanto o contrário, já que é uma questão de gosto. Pelo que pude constatar do Zooropa, ele nada mais é do que um B-sides do Achtung Baby, enquanto que o Pop traz um conceito novo, diferente e arrojado na fusão com a música eletrônica – e por essa razão é o disco mais injustiçado da carreira do U2. Ouça-o com atenção e sem preconceitos e verá!
abs
Diogo
Eu costumava odiar o Bono Vox, mas sempre gostei das músicas do U2. Mas, neste ano, quando eles fizeram aquela homenagem ás vítimas do massacre naquela escola do Rio, eu entendi pq tanta gente gosta dele. Porém, ainda achava o Bono um hipócrita, daí eu ouvi a cover do The Killers the “Ultraviolet” e comecei e percebi que o Bono Vox é realmente phoderoso!
Cara em 1971 foi lançado o quarto album do led, chupa U2! Hehe meu preferido do U2, eu gosto muito da fase dos anos 90 pelo pop experimental, inclusive gosto muito do zooropa tbm, acho o melhor daquele ano tbm, melhor que o nevermind, na minha insignificante opinião..
O U2 é minha banda de rock preferida. Criou as melhores músicas que já ouvi em minha vida. E pra quem vê o U2 como banda de rock sabe que a fase dos anos 80 é infinitamente superior à fase dos anos 90. O auge da banda foi com o álbum The Joshua Tree. Achtung Baby é o álbum que transforma o U2 no que ele seria na década de 90, uma banda pop. Nesta fase vieram os piores álbuns da carreira da banda como Zooropa e POP. Achtung Baby é um bom álbum, porque ainda consegue carregar um pouco do U2 da década de 80, mas não passa disso. Dizer que Actung Baby é o melhor album do U2 é uma ofensa à essência da banda.
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