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Quinta-feira, 31 de Maio de 2012
Trágico e Cômico
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Barricadas e estereótipos na USP

Categoria: Tragi-crônica

Todo mundo conhece o histórico de barricadas que ocorrem na USP, mas dessa vez o episódio ganhou contornos surrealistas. Dados os aspectos altamente caricaturáveis dos fatos, segui meu roteiro e as charges foram saindo naturalmente. Primeiro foi o FHC + THC, depois foi a FFLCH x FEA. Mas quando a figura do novo “revolucionário” virou meme na internet, me veio a ideia de fazer uma paródia a respeito. Para minha surpresa, o post estourou como um coquetel molotov pela internet e incendiou o extremismo nas pessoas. Em meio a tanta insensatez, chegou a hora de falar sério e pontuar algumas questões nesse triste debate:

1) Foi bizarro, para dizer o mínimo, ver leitores cobrarem mais seriedade e rigor jornalístico em minha “matéria”, mostrando que muita gente ainda não sabe diferenciar o jornalismo noticioso de um blog de humor. Outros atacaram a “generalização” e o “preconceito” contra os alunos da FFLCH. Ora, é óbvio que muitos alunos não são assim. Mas, se no lugar de um debate realmente sério, só havia o aspecto burlesco e caricato, o humor vai brincar com os estereótipos, sinto muito. E, como falei outro dia, repudio o humor que trabalha estereótipos de maneira grosseira e agressiva, ofendendo uma minoria (ou pessoa). Muitos podem não ter gostado da brincadeira que fiz, mas ninguém pode dizer que houve ofensa.

2) Afinal, o que pretendiam os estudantes? Ao invés de usarem a mídia para colocar suas reivindicações, eles preferiram dificultar o trabalho dos jornalistas — o que, definitivamente, não é uma atitude sensata. Ao não expor suas ideias de forma clara, o que sobrou no meio dos cartazes “fora, Rodas” foi a fatídica imagem do rapaz com o moleton da Gap brincando de “revolução” — o que gerou todas as piadas que se seguiram. Não se trata de os alunos serem ricos ou pobres. A questão era a de que faltava um propósito em todo esse imbróglio. A coisa foi tão mal ajambrada que o resultado não poderia ter sido mais desastroso. Além de ridicularizarem o movimento estudantil, contaminaram o debate sobre legalização de drogas e, de quebra, perderam o apoio de quem defende a causa. Só agora, depois que os alunos foram presos e soltos, é que o debate começou pra valer.

3) Vi muita gente dizendo que a PM deveria entrar e “baixar o cacete” em todo mundo. É uma ideia estúpida não só pela violência em si, mas também porque quem parte para a ignorância, sempre perde a razão. Muitos me cobraram uma posição a respeito da presença ou não da PM na USP. Quem deve decidir isso são alunos e professores (todos, e não só essas 80 pessoas que acham que estão falando em nome de 80 mil). Mas, se querem mesmo saber, acho que a presença da PM não resolve nada. Inepta, racista, violenta e corrupta em sua natureza, a PM não consegue garantir nem mesmo a segurança nos bairros de São Paulo (sejam eles ricos ou pobres), então como garantirão a segurança na USP? Fora isso, quem quiser fumar, vai continuar fumando de qualquer jeito. Nesse ponto, concordo com Marcelo Rubens Paiva. O que a PM poderia fazer, isso sim, é parar de perder tempo achacando moleques que estão fumando uma ponta, para ir atrás de traficantes, assaltantes e assassinos. Mas, infelizmente, isso não vai ocorrer, pois o mercado de propinas é muito lucrativo.

4) Com toda a polêmica, recebi mensagens indignadas de alunos que, finalmente, apresentaram suas reivindicações. Todas elas gravitavam em torno de um único tema: a saída da PM da USP. Acontece que, para a PM sair do campus, ao invés de invadir a reitoria, os alunos deveriam procurar o diálogo com os outros alunos que exigiram mais segurança após a morte do aluno da FEA e querem a PM lá. Agora, sinceramente, com tantos absurdos que acontecem nesse país, por que não confrontar os chefes da PM? Para chacoalhar o status quo, comecem incomodando os governantes. Querem questionar o poder municipal? Então perguntem ao prefeito Kassab por que ele abandonou a cidade de São Paulo para fundar seu partido político. Querem confrontar o governo do estado? Que tal montar uma barricada em frente à assembleia legislativa de SP, para protestar contra o enterro da CPI das emendas? Querem pressionar o governo federal? Por que não vão cobrar mais verba do PIB para a educação ou mais radicalismo na faxina dos ministérios? (os jovens não adoram “radicalizar”? Fica aí a dica).

5) Diante de tamanha despolitização, não surpreende que os discursos dos estudantes tenham se esvaziado desse jeito e caído nessa confrontação ingênua. Houve um tempo em que o movimento estudantil tinha uma voz ativa na sociedade, havia uma sintonia. Mas de uns tempos para cá a juventude foi ficando cada vez mais ensimesmada e desacreditada. Querem a compreensão e o apoio da sociedade, mas não querem retornar a ela nada que contribua para o bem comum. Parece que eles entenderam (em parte) o recado e foram protestar contra o Alckmin, mas para serem levados a sério nesse país, os jovens terão de fazer melhor do que esse “fora, PM”. Se a USP é mesmo um lugar de reflexão, de pensar novas ideias, se ainda há algum desejo de “mudar o mundo”, então que tal pensar além das cercanias do campus? Façam a sua lição de casa e partam para a ação política, atingindo os núcleos do poder. Quem sabe assim entendam como funcionam os conchavos, os loteamentos do poder e as indicações políticas nos governos (incluindo a da reitoria, que eles tanto criticam). E façam isso sem aderir a partidos políticos. Garanto que muita gente os apoiará (inclusive quando quiserem escorraçar a PM do campus).

6) Agora, o mais intrigante nisso tudo, é que, se a grande maioria dos alunos da USP nunca apoiou essas barricadas e invasões em reitorias, porque insiste em permanecer alheia a tudo? Enquanto essa maioria permanecer omissa, os mesmos 100 alunos de sempre vão continuar pensando que sabem o que é melhor para todo mundo. Tudo bem que eu não tenho nada com isso, pois não sou da USP. Se 99% dos alunos é covarde e não quiser despertar de sua letargia, esse 1% vai continuar dando as cartas — e não há nada que se possa fazer. Mas depois não venham reclamar dos estereótipos, ok?

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34 Comentários Comente também
  1. Enviado por: del nero

    A PM deveria simadentrar com todo rigor na CRACOLANDIA, bem ai não pode.
    Como ficara os que bancam o trafico de armas e drogas, que em sua maioria
    são os chamados “”classe alta, elites”" assim como muitos politicos.
    Drogado que não se recupera deve ser iliminado. simples, pois eles são um
    cancer para a sociedade, assim como os politicos.

  2. Enviado por: Al Martin

    Prezado blogueiro,

    Aprecio seu trabalho e respeito sua opinião. Mas não a compartilho em sua totalidade. Você sugere que, em vez de tumultuar o câmpus da escola, os manifestantes montem barricadas em frente à Assembleia Legislativa.

    Tanto o tumulto das margens do rio Pinheiros quanto as barricadas da Assembleia são soluções violentas. Quem se decide por elas é geralmente uma minoria à qual não resta outra via senão o emprego da força. A brutalidade e a coerção são as armas preferidas pelos que não têm razão.

    Não estamos mais na Paris de 1870, nem na Petrograd de 1917, nem mesmo na São Paulo de 1964, onde uma minoria barulhenta — que bem, que mal — impunha seu ‘diktat’ ao resto da sociedade. Uma guerra não se ganha no grito. Pode já ter sido assim no passado, hoje acabou.

    Vivemos hoje uma era dita democrática, em que o debate esclarecido e o voto devem primar sobre outras soluções.

    Tampouco concordo com o blogueiro quando sugere que a PM anda perdendo seu tempo achacando maconheiros. Não é correto insinuar que alguns crimes devem ser reprimidos enquanto para outros se deve fechar um olho. Crime é crime, fora da lei é fora da lei.

    Se a sociedade considera que um determinado comportamento não configura mais crime, não compete à PM deixar de reprimir esse comportamento. Não é sua função. Cabe ao legislador mudar a lei. Outras leis já foram abolidas ou modificadas quando o legislador se deu conta de que a sociedade havia se transformado (cf. adultério, divórcio, homicídio em defesa da honra, por exemplo).

    Uma sociedade que almeja viver sob o império da lei não se pode dar ao luxo de incitar à desobediência civil. Como lhe disse, respeito sua opinião sincera e destemida. No entanto, minha visão rigorosa da Lei não me autoriza aprovar que cidadãos a transgridam quando dela discordam.

    Há outras maneiras de combater desmandos. Pelo humor, por exemplo…

  3. Enviado por: Diogo Salles

    Al Martin, discordo. A desobediência civil é necessária, mas desde que esteja defendendo os interesses de todos (e não de um partido ou casta). Para ficar em 2 exemplos mais recentes, tivemos as Diretas Já e o impeachment do Collor. As marchas contra a corrupção que acontecem hoje tentam captar essa essência, mas ainda carecem de adesões e precisam abandonar seu caráter sectário. A sociedade não pode ser obrigada a engolir tudo o que os governantes lhe impõe.

    Quanto a PM, é preciso estabelecer prioridades. Pra mim, a captura de traficantes, assaltantes e assassinos deveriam ser a prioridade. Infelizmente não é o que acontece, e por isso estamos onde estamos.

    abraços
    Diogo

    • Enviado por: Ismael Silva - de Portugal

      Desculpe-me, Sr. Salles, mas desde quando passeatas ou manifestações coletivas são “Desobediência Civil”? Havia alguma ordem judicial proibindo os comícios das Diretas Já ou as passeatas pelo Impeachment do Collor? No caso da USP havia uma Ordem Judicial caracterizada por um Mandado de Reintegração de Posse que determinava que a ocupação ilegal deveria acabar. A PM foi acionada para fazer valer o Estado de Direito. Não queira colocar no mesmo nível manifestações que muita gente séria participou, muita gente que fez muito pelo Brasil, e manifestações de manipulação partidárias que fazem uso de estudantes profissionais que não têm compromisso com a Universidade, seus alunos, uma carreira profissional ou sequer a sociedade. Só têm compromisso com a agenda de seus partidos. Quando o senhor equipara as Diretas e o Impeachment com a ocupação da Reitoria prova que o seu blog é simplesmente um espaço humorístico e que suas opiniões não podem ser levadas a sério.

      • Enviado por: ricardo

        concordo que manifestações sérias são necessárias e devem ser respeitando o direito da maioria, sim.

      • Enviado por: Paulo

        Ao blogueiro
        .
        Sugiro ao senhor que leia os livros de Henry Thoreau, o inspirador de Gandi e comumente chamado de pai da desobediencia civil, ao contrario do senhor ele jamais disse que o desobediencia civil é ferramenta de representação coletiva, é sim um recurso de afirmação do indivíduo perante o Estado e as maiorias, e mais Thoreau afirmava que o fato de uma decisão estar calcada na maioria faz dela a mais correta.
        .
        Thoreau era um ardoroso defensor do indivíduo e não da maioria nem do Estado.

    • Enviado por: Diogo Salles

      Caro Ismael, usei a Diretas e o impeachment apenas como exemplo para dizer que um sentimento popular pode influenciar decisões. Não fiz comparações. Recomendo que leia a discussão antes de comentar.

      abs

    • Enviado por: ricardo

      amigão, não há prioridades para a PM, mas crimes que estiverem ocorrendo devem ser combatidos, pequenos ou grandes. Foi assim que NY com a tolerancia zero combateu e diminuiu o crime. Constitucionalmente, a PM deve agir quando ocorre um crime, na Repressão IMEDIATA. A Repressão MEDIATA, ou seja, após a ocorrencia do crime e na fase de investigação, NÃO é missão da PM, constitucionalmente, é da POLÍCIA CIVIL. PM não pode e não deve investigar, mas se você pesquisar, vai ver que a grande maioria dos presos foram presos pela PM e muiiitos poucos foram presos pelas outra polícias, até pelo seu contigente. Se você acha que a PM só se preocupa com estes maconheiros, deve ter visto algum presídio vazio, com as celas sem superlotação. Afinal, quem prendeu o ladrão do presídio? Seré que aqueles que superlotam as cadeias foram sozinhos para lá?

  4. Enviado por: Al Martin

    Olá Diogo,

    Como já lhe disse, aprecio seu trabalho e respeito sua opinião. Não tome minha discordância como uma afronta.

    Manifestações, revoltas urbanas, mostras de desobediência civil, discursos inflamados e outras campanhas só servem para tumultuar momentaneamente o funcionamento da sociedade e para semear confusão nas mentes.

    O que é que sobrou das Diretas Já e do impedimento do Collor? Por acaso um Brasil melhor e mais justo? Não, senhor.

    Sobrou um governo que chamam ‘democrático’ mas que não passa de uma aglomeração de corporações e de facções cooptadas e irmanadas pela cupidez.

    Sobrou o governo federal mais fraco de que se já ouviu falar desde o fim do Império, um governo que, para se sustentar, é obrigado a distribuir esmolas aos miseráveis e de curvar-se aos caprichos dos grandes empresários e dos proprietários de partidos de aluguel.

    Sobrou a corrupção mais deslavada e mais escancarada de que já se teve notícia desde que Tomé de Souza aportou a estas plagas tropicais.

    O caminho obrigatório da redenção do povo brasileiro, meu prezado Diogo, é um só: a educação. Fora da instrução da população, não há solução.

    Podem os manifestantes manifestar, podem os objetores objetar, podem os exaltados se exaltar, podem os desobedientes desobedecer. Toda melhora será passageira e ilusória. Não se aplica emplastro em perna de pau.

    Somente a valorização da educação pública e da formação profissional criará — e, isso mesmo, a longo prazo — a base sólida sobre a qual nosso País acederá a um patamar civilizatório aceitável.

    O resto é ilusão. Nos tempos do Romantismo, uma boa manifestação costumava sair bem na foto. Hoje, menos.

    • Enviado por: Jones

      Esse ai deve ser pai de algum aluno da USP ou é político aposentado do PDS , por favor nos poupe de seus delírios reacionários , caso não saiba o Império acabou com a proclamação da república.

      • Enviado por: elizabeth correa

        E você de que o muro de Berlim caiu a décadas, que a ditadura acabou em 85 e que fumar maconha queima neurônios.

  5. Enviado por: Valloy

    Excelente texto. Muitos com pouco e poucos com muito. Por isso temos de investir 10% do PIB em educação e mais outros 10% também em educação. Porque então esses 0,001% do total de alunos do país que ingressam hoje na USP, na UNICAMP e nas Federais tradicionais terão de concorrer com todo os demais estudantes do país. Daí sim, com uma rica mistura de idéias e experiências de pessoas de diferentes credos, raças, religiões, renda, esperenças e necessidades vão transformar as universidades formadores de PESQUISEIROS em formadores de pesquisadores e cientistas capazes de pensar e propor alternativas para um mundo melhor de se viver PARA TODOS.

  6. Enviado por: Diogo Salles

    Caro Al Martin, não há problema nenhum em discordar. Concordo com você sobre a questão da educação, mas só que defendo que a sociedade deva vigiar o poder. Uma vigília em frente a assembleia legislativa seria muito bem vinda, para que os nobres deputados saibam que estamos fiscalizando-os, para que não se sintam livres para roubar – que é exatamente o que acontece não só lá, mas em qualquer câmara legislativa brasileira.

    Enquanto continuarmos dando carta branca aos políticos, isso não vai mudar. A educação vem a longo prazo, mas a vigilância deve ser diária.

    abs
    Diogo

  7. Enviado por: Chicao

    Excelente, Diogão! E como você disse, a implicância dos estudantes em questão com a imprensa foi um belo tiro no pé que eles deram. Perderam a chance de ganhar algum apoio da opinião pública, e ainda permitirarm que o “Gap Revolution” se eternizasse como símbolo eterno desse episódio.

  8. Enviado por: Carlos Vitor de Castro

    Excelente texto.

    Os estudantes da área de ciência da computação poderiam criar um sistema de votação que permitiria o voto em qualquer terminal de computador ligado a rede da universidade. Quando houvesse uma questão a ser decidida que afetasse a todos no campus seria feita esta eleição digital.

    O aluno entraria com sua matrícula e CPF, daria seu voto e todos acatariam a decisão depois que o resultado fosse divulgado.

    O que existe hoje na USP são ditadores chatos que resolvem sozinhos o que é melhor para todos os outros que, na concepção dos ditadores, não tem intelecto para decidir.

  9. Enviado por: Carlos Vitor de Castro

    A ideia de decidir onde e o que a polícia deve combater é completamente cretina.

    A polícia combate crimes, sejam eles quais forem. Se não estão fazendo isso direito em alguma área, não vai ser obrigando-a a parar de combater um determinado crime que vai resolver a questão.

  10. Enviado por: Nora

    Voce foi perfeito nas suas colocacoes.
    Tudo comecou quando uma minoria invadiu a reitoria e ficou la para se fazer de martir com a retirada que certamente a policia iria fazer. Muito oportunismo politico, tanto entre muitos estudantes que , junto com o PT, pretendem levantar a bandeira de militarizacao do estado de Sao Paulo para as eleicoes de prefeito do ano que vem, quanto pelos governantes ansiosos por demonstrar forca e nao serem taxados de ” bananas” pelo povao. O povao nao entende o conceito de autonomia universitaria, e mais do que “maconha”, viram na postura dos estudantes a tentativa de clamar por privilegios, como se nao pudessem ser abordados como o cidadao comum, fora do condominio USP. O que se viu na internet foi um desfile de alguns que se puseram a dar carteiradas como estudantes da universidades mais fodona, que quem reclama tem ” inveja” , que quem fala mal esta abduzido pela imprensa malvada. O que nao enxergam eh que ha uma desconexao entre suas reeindivicacoes e a sociedade, alem de nao terem sido capazes de dialogar com as pessoas de fora: soh na base da carteirada e da acusacao de ” ler folha estado veja entao voce eh manipulado” . A bestialidade de culpar a imprensa por tudo. Como se os proprios energassem melhor do que os outros, como se eles nao fossem tambem manipulados por partidos politicos.

    Eu vejo de fora e fico pasma: nao sei o que eh pior, a patrulha nas ruas ou a patrulha ideologica. Acho que a ideologica eh pior.

  11. Enviado por: Francisco

    O melhor é privatizar a USP – o Estado é incompetente para adsministrar essa universidade – hoje de tolos. Visto o que acontece nela

  12. Enviado por: eduardo

    Essa juventude não tem respeito à autoridade. E tudo começa com a autoridade não sabendo conquistar o respeito.
    Todas as grandes evoluções acontecem aliadas à disciplina na hora de estudar (vide Japão, Alemanha e China). Não temos nenhuma disciplina e respeito aos professores, sequer à Policia ou à lei. Em parte isso ocorre pq confundimos “Educação” que se dá na escola com “Educação” que se dá em casa. A criança que é mimada, não respeita os próprios pais nunca vai ser um estudante sério. E o mimado vai muito além da questão de ser rico. É uma questão de não ter sido ensinado o respeito, os deveres e as regras.
    Caro autor, carece de desmistificar as siglas usadas. Elas só são obvias para quem está dentro da USP.
    Mas mesmo assim parabéns.

  13. Enviado por: diego izidoro

    Eu fui um dos que critiquei o modo como a charge foi colocada. Disse que esse tipo de colocação tem que ser feita junto dos fatos que levaram o autor a ter aquela opinião, o que foi feito agora nesse texto, ou então com um link para uma matéria jornalistica extensiva observando todos os pontos de vista. Assim o leitor vai entender melhor a charge e além disso poder ter a sua própria opinião.
    Mesmo sendo uma charge, este blog faz parte da mídia, e a mídia tem um dever com o povo de mostrar o mais fielmente a realidade. Acho que esse tipo de prática na mídia é importante pra se garantir que a informação não está sendo distorcida e que o leitor tenha sua própria opinião. Essa prática também ajuda o povo a criar um senso crítico e não engolir tudo que a imprensa nos diz.
    A imprensa é um elemento muito importante pra democracia, é o megafone do povo, se não cumpre seu papel, ignora o povo, trás uma informação incompleta, distorce a informação, então nós não temos uma democracia.

    • Enviado por: Nora

      Caro Diego
      Nao existe imprensa neutra. Os que reclamam do Estadao, da Folha, acham a record e a Carta Capital uma maravilha. Estas ultimas tambem nao sao um megafone do povo. A primeira, eh a emissora do bispo que faz o povo de ovelha e tem acordos com o governo federal, a segunda ela nao contesta nada do federal enquanto o PT estiver la. Ela justifica do seu modo as coisas. Nao eh neutra. Eh manipuladora do outro lado. A veja e a folha serviram muito bem ao pt quando este estava fora do poder, na epoca do Collor, ninguem reclamava, nao eh? Eu acho que em diferentes publicacoes sempre se acha bons artigos, bem escritos. Os artigos podem ser contestados na internet, otimo recurso. Mas, esse ar stalinista de atacar a imprensa, de ter gente realmente atacando jornalistas na hora das reportagens de rua e ate, gente querendo aprovar leis de censura disfarcada eh um horror. Eh assustador.

  14. Enviado por: Laura

    Apesar de concordar em quase tudo com você (achei seu discurso sobre a PM próprio da tal juventude rebelde) o que me chamou a atenção é que você é um humorista, não deveria tentar se explicar. A sua forma de se manifestar é pelo seu trabalho. Não que não tenha direito de tentar se posicionar, mas o humor exige coragem. E muita. Não pode se preocupar com cara feia.

  15. Enviado por: Diogo Salles

    Oi Laura, não é nem questão de se explicar, mas de se posicionar. Achei que a polêmica gerada pela charge/post rendia uma discussão séria e mais profunda, devido aos comentários raivosos que gerou.

    Eu realmente não confio na PM, mas isso não quer dizer que eu concorde com os invasores da reitoria, embora nosso maniqueísmo tosco pregue que devamos escolher um “lado”. E para se posicionar em questões como essa também é preciso coragem.

    abs
    Diogo

  16. Enviado por: Flavio

    6) Desde quando o papel dos alunos é defender propriedade pública de invasões e depredações? Esse é o papel da guarda universitária e da polícia. Essa bagunça ocorre porque a reitoria e o ministério público são omissos, e os criminosos nunca são processados.

    O que você que os alunos façam? Está mais que demonstrado que os invasores não estão interessados na opinião dos outros (lembre-se que eles perderam a votação que ocorreu em casa, na própria FFLCH).

    Qual é a ação corajosa, então? Quer que um grupo de alunos da FEA se reúna e dê voz de prisão pros maconheiros da FFLCH?

    Acorde e veja o problema: a USP é terra de ninguém. O reitor não faz nada, e vândalos quebram viaturas da PM.

  17. Enviado por: Maria

    Surrealista ou caricato? Agora, a palavra da moda é “surrealista, surreal”. Ok, uspianos ou não, a moçada e os nem tanto parecem equivocados. A começar pela língua. Pessoas menos “antigas”, por favor, estudem!!!! Chega de baboseira. Quanto mais ignorânica, mais medo, ansiedade e… mais maconha pra aliviar tanta tensão.

  18. Enviado por: Felipe Munhoz

    Antes de qualquer coisa, temos que pensar o mundo após Auschwitz.
    Assim como o discurso fascita de quem escreve e lê esse jornal (na sua grande maioria) pode provocar um guia suficiente para promover um Auschwitz a brasileira, como foram as falas de muitos dizendo “pm tem que descer a borracha”, “Cambada de vagabundos”, dentre outras piores.

    O discurso humorístico também precisa ser refletido. Se você sofreu “críticas”, meu caro Diogo, seu humor deve ser repensado. Não apenas rechaçar qualquer argumento dizendo: “é brincadeira gente”.
    Já ouviu falar que brincadeira tem hora? Zeca Pagodinho bem já disse.

    Como um professor tem de pensar ao se dirigir a seu público, analisando o argumento e, principalmente o tom do discurso; um meio de comunicação de grande alcance precisa ser repensando ainda mais.

    Pra finalizar, meu caro, seu humor não passa de um humor barato, o qual trabalha esteriótipos pouco críticos e reflexivos.
    No mais, tenho certeza que não é na FFLCH que tem gente de GAP, mas sim em quem nunca sequer participou de uma greve, ou seja, gente da FEA.

    Percebe-se que seu argumento é tão ruim quanto seu humor.

  19. Enviado por: pernalonga

    Essa polícia que foi mandada descer borracha em estudante é a mesma que foi rendida pelo PCC em 2006. O governandor que pediu democracia para os estudantes, é o mesmo que mandou comprar um X Big Picanha para o Marcola, líder do PCC. O Alckmin é macho com estudantes e amarela com o crime organizado.

    Destaca-se que foi o PCC foi uma das criações do PSDB, do estranho Alckmin.

  20. Enviado por: aramis oliveira

    Diogo eu acho que uma minoria que só quer fumar maconha, depredar as dependências da reitoria que eles invadem, protestar contra a pm dentro do campus que é para proteger eles e os outros estudantes, funcionários e professores da usp contra a bandidagem(a maioria dos estudantes é a favor da pm dentro do campus diga-se de passagem)não merece nenhuma atenção das pessoas que realmente estão preocupadas com os avanços da sociedade. Esta minoria quer impor a sua vontade e isto não pode acontecer de jeito nenhum!Abraços!

  21. Enviado por: NELSON

    Prezado Diogo. Entrei na PUC em pleno 1968 e, portanto, vivenciei tudo o que aqueles anos seguintes significaram em termos políticos, ideológicos, reivindicatórios, etc e tal. Sem ser passadista eu diria que naquele tempo o movimento estudantil tinha um eixo e conteúdo. Hoje o contraste coloca os estudantes num contexto ridículo, vulgar e órfão de ideias e propostas. Desmoraliza até o que se batalhou contra uma ditadura braba pois há a tendência de, as gerações atuais que estão vendo esse circo mambembe em que transformaram o campus da USP, pensarem que nos anos da ditadura também havia mauricinhos e patricinhas entediados apenas lutando pra afastar a polícia porque ela enchia o saco dos queimadores de fumo, dos que se picavam e cheiravam. Concluo comentando que achei um chute de pênalti fora vc dizer que a presença da PM é algo inútil, etc. O cacete, rapaz. Vai perguntar pra família do coitado que foi assassinado por um dos muitos ladrões que zanzam pelo campus e pras centenas de outros que foram vítimas de bandidos e não tiveram saco pra fazer BO. Porra, a PM é polícia, um órgão que existe em qquer país civilizado que precisa ter limites sociais. Se a Rota desce o cacete, o mesmo acontece com os policiais de Los Angeles, idem de Zurich, idem de Londres. Batem sem motivo? Não. Os carinhas da USP detonaram o patrimônio público a troco de nada. Quer dizer: estudam na faixa, pagam picas pra frequentar uma universidade e dormir no campus e ainda querem o que? Que o campus seja a Rocinha? E que os garotões de moleton da GAP sejam os “Nem” do pedaço? O campus é embaixada de alguém? É um território livre como a FARC quer na Venezuela? Que porra, enfim, os filhinhos de papai travestidos de líderes revolucionários da Disneyworld querem? Acabar com a PM? E na hora de enfrentar os bandidos quem é que põe a mão na merda? Os estudantes? Picas, meu caro.

  22. Enviado por: Wilian

    Os estudantes dificultaram o trabalho dos jornalistas, e é fácil entender por quê. Esse pequeno grupo ultra-esquerdista de estudantes, ativistas políticos e entusiastas sabem como são tratados pela “mídia”, basta ler 95% das matérias feitas por jornais e revistas semanais e como estas descreviam os fatos, e acaba virando um campeonato de extremismo. Conforme disse o Marcelo Rubens Paiva, ser reaça está na moda, não porque está certo ou errado, mas porque vende, e falar que estudante riquinho tem mais é que apanhar, ou que ladrão tem que morrer, todas essas premissas de Datena, vende muito ultimamente. Sem contar o preconceito claro que ricos não podem querer o melhor pros pobres porque é “hipocrisia”, o Paul Krugman escreveu sobre isso em seu blog. Há um grande erro conceitual em toda essa briga, um maniqueísmo comercial, sem nenhum propósito político, social ou cultural. Não existe jornalismo imparcial, tudo bem, mas uma coisa é pender pra opinião, outra é formar. E formar opinião porque vende mais, porque é engraçado, ou porque não pensou melhor antes de publicar, é algo triste.

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