Notas sobre o Rock in Rio 2011 (vol.1)
- 2 de outubro de 2011|
- 6h00|
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Categoria: Música, Tragi-crônica

Todo mundo tem uma opinião sobre o Rock in Rio. Aqueles que não foram, estão lá no Twitter trollando, obviamente. E os que foram, tiveram de lidar com os velhos problemas de sempre: furtos, banheiros imundos, filas, etc. Uma crítica que já virou clichê é a de que o Rock in Rio não deveria ter a palavra “rock” em seu nome (“Pop in Rio”, aquelas bobagens). O que as pessoas esquecem é que o Rock in Rio sempre teve a proposta de ser um festival de música pop, acima de tudo. O “rock” no nome deveria ser interpretado não como gênero, mas como verbo (de “agitar”, numa tradução livre). E mesmo o Rock in Rio 1985 — de longe (e para sempre), a melhor edição de todas — teve em seu cast Alceu Valença, Al Jarreau, Rod Stewart, Erasmo Carlos, Nina Hagen, entre outros. Portanto, essa cobrança de o festival ser “mais rock” não faz sentido e ficou velha. Mudem o disco!
Vergonha alheia, isso sim, foi o vídeo promocional “Eu vou sem drogas“, com artistas servindo de escada para o discurso politicamente correto dos dias que correm. Além de inútil, a mensagem chegou atrasada, pois as drogas já não são vistas como “revolucionárias” há algum tempo e muitos pais estão acompanhando os filhos nos shows. E convenhamos, todos já estão cansados de saber dos resultados trágicos dos excessos cometidos pela geração Woodstock.
Enfim, vamos às atrações, pois, afinal de contas, é isso que importa:
Katy Perry: é bonita e sabe se comunicar com seu público, mas não tem voz. Desafina em vários momentos e vai só no gogó. Precisa se esforçar muito para entregar um bom espetáculo, que em alguns momentos parece uma mistura de casa de bonecas com desfile de escola de samba. A provocação com o rapaz de Sorocaba (que deve estar recobrando os sentidos só agora) é um recurso que ela soube usar muito bem no final, e foi recompensada por isso.
Rihanna: confesso que me surpreendi com ela. O som é um pop com pitadas de rock, hip-hop e dance dos anos 90. A estética é um horror, um kitsch anos 80, com dançarinos que pareciam ter saído de um clipe do MC Hammer. Mas ela canta bem melhor que Katy Perry e é um vulcão de sensualidade no palco — e é exatamente isso o que faz o show funcionar. A nota triste foi constatar que o guitarrista de sua banda é Nuno Bettencout (Extreme), o que só me leva a concluir que ter uma banda de rock não é mais tão lucrativo como fora em outras épocas.
Claudia Leitte: tal qual Ivete Sangalo, Claudia Leitte é uma artista que não deveria estar num festival como esse. Mesmo que o Rock in Rio seja um festival de música pop e tenha a proposta de reunir todas as tribos, não há uma única razão para incluir axé, sertanejo e quejandos no festival. Há décadas estamos soterrados numa ditadura axé-sertaneja, repleta de micaretas, carnavais fora (e dentro) de época, rodeios e o escambau (fora TV, jornais, etc)… Se Ivete Sangalo e Claudia Leitte são atrações interessantes para o Rock in Rio Lisboa e Madri, no Brasil elas não trazem absolutamente nada de novo e apenas repetem o que vemos todos os 365 dias do ano na mídia. Portanto, aqui sim, cabe a crítica e também a pergunta: pra quê escalar artistas que já estamos de saco cheio de tanto ver?… PRA QUÊ?
Paralamas e Titãs: uma pergunta que não posso deixar passar: será que o CADE não aprovaria uma fusão entre o Paralamas e o Titãs? Depois de terem sofrido tantas baixas, acho que essa fusão seria saudável para ambos e deveria ser levada a sério. Acho que as duas bandas compõe um ótimo repertório juntas e se complementam excepcionalmente bem no palco. E no Rock in Rio ainda tiveram o reforço da orquestra sinfônica brasileira, o que deixou o show ainda mais interessante. Então, fica aí a sugestão. Se não tiver grana do BNDES, sou totalmente a favor dessa fusão.
Metallica: a maior banda de trash metal do mundo subiu ao palco com o público ganho e fez um dos grandes shows desse festival, como era de se esperar. O que não pude deixar de reparar é como James Hetfield e Lars Ulrich deixaram as carrancas de lado e estão mais relaxados no palco — inclusive fazendo piada com com seus próprios erros nas músicas. Outra coisa curiosa é como o Metallica se importa com seus fãs, sempre sugerindo um clima de adulação mútua. E Hetfield não se esqueceu de fazer a pergunta de sempre: se os fãs compraram o último álbum da banda. Sim, porque, para o Metallica, fã de verdade compra o CD, mostrando que o infame episódio do Napster não foi completamente esquecido…
Red Hot Chili Peppers: show competentíssimo, grande energia e uma performance estrondosa de Flea, certamente um dos maiores baixistas do rock. Incrível como é ele quem segura todo o groove da banda. Seu baixo define o som dos Peppers e aparece muito mais do que a guitarra, quando o normal no rock é justamente o contrário. Souberam condensar bem as músicas do novo disco (o irregular I’m With You) com mais antigas. Só achei apenas que faltou resgatar mais clássicos da banda, como “Suck My Kiss”, “Fight Like a Brave” e “Power of Equility”. Mesmo assim, um grande show.
Motörhead: Motörhead é aquilo que os vovôs classificam como “rock pauleira” — e é por isso nós amamos tanto essa banda. Num set de pouco mais de uma hora, a pauleira rolou solta e os destaques vão para os clássicos “Metropolis”, “Overkill” e “Ace of Spades”. E o que dizer de Lemmy? Não é só o padrinho de todos os headbangers que habitam esse planeta: Lemmy é cara mais horroroso e casca grossa do “badass rock n’ roll”. Então, nada mais justo do que encerrar o post com algumas pérolas do pensamento lemmiano e com o show completo do Motörhead no Rock in Rio — para delírio dos badass rock n’ rollers e horror de vovôs, carolas e caretas:
“A lei morre onde o Motörhead estiver.”
“Nunca fui para a cama com uma garota feia, mas acordei com algumas delas.”
“Se o Motörhead mudar para o seu bairro, nenhuma grama vai crescer em seu jardim.”
“Que porra é esse John Mayer? Alguém o explique para mim. Mesma coisa o Justin Bieber. São dois caras muito chatos. É uma vergonha que sejam os entertainers da atualidade.”
“Aparentemente as pessoas não gostam da verdade, mas eu gosto, eu gosto dela porque ela incomoda muita gente.”
“Eu sou um homem muito simples. Não preciso de muito para me sentir satisfeito. Desde que eu tenha um teto sobre minha cabeça, uma TV, alguns discos, dinheiro suficiente para sair e encher a cara e botar umas tetinhas na minha boca, estou plenamente feliz.”
LEMMY
Leia também:
Notas sobre o Rock in Rio (vol.2)
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Claudia Leitte, Katy Perry, Lemmy, Metallica, Motohead, Paralamas, Red Hot Chili Peppers, Rihanna, Rock in Rio, Titãs
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Bom vamos la hehe
Concordo com todo o começo do texto, perfeito.
Concordo com Titas e Paralamas e com a Katy Perry.
Agora Motorhead pior do que qualquer coisa, pior que Claudia Leite, pior que Ivete, pior no que mais vc pensar
Ah Hoel vá…tem coisa beem pior q Motorhead !! Abs Luiz
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concordo os melhores foram:
guns n´ roses, red hot,pitty e metallica…sem palavras!!!!!!!!!!!!!!!
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O texto está muito bom, esclarece bem a questão da não aceitação de atrações como Ivete e Cláudia Leite, é isso mesmo, você disse tudo, a gente só não aguenta mais a mesma coisa que rola em todo o canto, na rua, dentro de um ônibus, na sala de casa… O legal é ter a oportunidade de ver algo diferente. Só acho que ficou faltando comentar o show do Coldplay, eles fizeram um ótimo show, valeu muito a pena assistir os caras.
Hoel, como ousa falar assim do Motorhead? hehehehe
Lilian e Mariana, os comentários sobre o Guns e o Coldplay estao no volume 2:
http://blogs.estadao.com.br/tragico-e-comico/2011/10/09/notas-sobre-o-rock-in-rio-2011-vol-2/
abs
Diogo
JUSTO !!
Mettalica foi muito bom..não acreditava muito neles….rs
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