10 mandamentos para o jovem artista (partes 6 a 10)
- 4 de setembro de 2011|
- 6h00|
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Categoria: Arte-Ilustração-HQ, Tragi-crônica
Continuando a saga iniciada no domingo passado…
6) Quer desenhar para parentes/amigos? Problema seu
“Ah, mas o desenho é pra minha tia que tá fazendo uma festa para comemorar 20 anos do divórcio dela e do meu tio”. Ok, se for pai, mãe, irmão, namorada, fica a seu critério. Agora, não reclame se começar a aparecer o “amigo-do-primo-do-sobrinho-do-tio” pedindo desenho. Se isso acontecer, lamento informar, mas ele só te procurou por interesse e não está disposto a gastar um tostão. Vou mais longe: você será um tremendo idiota se fizer o trabalho. Para recusar essa oferta tão irrecusável, há três maneiras. A primeira é simplesmente dizer “não” educadamente; a segunda é reagir com sarcasmo a la Di Vasca; e a terceira é fazer como eu faço: jogar o preço na cara, sem floreios ou rodeios (eles saem correndo).
7) Encontre a sua própria linguagem
Todo artista começa seguindo o rastro de seus ídolos. A cópia pode ser boa num primeiro momento, pois serve como referência para praticar e aprimorar a técnica. Mas vai chegar uma hora que, se você não parar de copiar, não vai encontrar a sua identidade. Ter uma linguagem própria, um jeito de fazer que seja só seu, uma assinatura facilmente reconhecida é a chave de tudo. Agora, se você não quiser seguir o caminho autoral, pode se tornar um especialista em, digamos, arte final ou mangá.
8 ) Trabalhe como um louco e saiba vender seu trabalho
Artista é um cara que trabalha bastante para poder pagar as contas. Os que têm emprego, fazem frilas. Os que trabalham por conta própria, possuem clientes fixos. Às vezes, não tem domingo nem feriado. Então, saia logo do MSN e coloque a mão na massa. E não ache que os clientes vão te procurar porque você é o tal. É preciso correr atrás deles e fazer o papel de vendedor também.
9) Escolha: você quer trabalhar com arte ou quer ser rico?
Antes de cometer seu primeiro traço, tenha em mente uma coisa: arteiros freelancers ou que trabalham por conta não são pessoas ricas (nunca serão!). Os melhores do mercado conseguem viver relativamente bem, como qualquer pessoa bem sucedida — mas sem luxos. Já os medianos sofrem para pagar as contas (alguns até passam por dificuldades). E os medíocres simplesmente morrem de fome. Portanto, nem sonhe com um estilo de vida nababesco. Não tem saída, é uma escolha e uma renúncia. Quer ser rico? Não trabalhe com arte.
10) Renuncie ao seu ego
Eis o ponto nevrálgico. O ego é o maior inimigo de quem trabalha em qualquer área relacionada à arte. Nesse universo eivado de delírios, muitos se veem como gênios incompreendidos. Uns ficam se achando geniais logo no primeiro trabalho elogiado ou premiado. Outros já têm ego antes mesmo de ter portfólio. É realmente muito triste. Aprenda uma coisa: você não é relevante e sua arte não é “essencial”, nem “visceral”, nem “revolucionária”. Cliente só quer resultado. E, sejamos francos, ninguém liga para você, muito menos para o seu ego. Reconhecimento não é algo que se reivindica, é algo que se conquista. E relevância não se adquire com discursos pseudo-vanguardistas, muito menos respondendo a críticas com rancor. Se adquire com criatividade, longevidade e, acima de tudo, trabalho.
Através desses dez mandamentos, tem-se uma boa noção do por que a maior parte dos arteiros de primeira viagem abandonam o barco antes mesmo de começar a travessia. Num tempo em que nos é cobrado retorno financeiro imediato nesse mundo cada vez mais “corporativo” e careta, não é fácil encarnar o “vagabundo” e enfrentar um longo período de vacas magras. Os primeiros cinco, dez anos são sempre os mais difíceis. A maturação de um trabalho leva tempo, e muitos não estão dispostos a sair em busca de uma linguagem própria, uma clientela e um público. Mais difícil ainda é lutar por anos a fio contra a própria irrelevância. Não é para qualquer um. Essa é uma longa e penosa lição de humildade (pelo menos, foi para mim). Tem que ser cascudo, tem que ter coragem.
E aí, vai encarar?
Um abraços a todos e boa sorte para quem ficar no barco
Diogo
Leia também as partes 1 a 5 dos 10 mandamentos
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arte, Di Vasca, freela, HQ, ilustração
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Meu caro Diogo, além de bom desenhista, um comentarista e critíco da arte.
A humildade em pessoa. Abraços Eunuquis
Ótimos mandamentos.
Parabéns, Diogo.
Nada como uma arregaçada no ego estrelista e desavisado da turminha.
Abração
Ótimos mandamentos. Pior que, mudando os detalhes, serve para qualquer tipo de arte. trabalhar com arte no Brasil é complicado.
Gostei muito desses conselhos. Concordo especialmente com a parte de que, no início, a cópia é sempre bem vinda, mas posteriormente é preciso a própria identidade para se sobreviver.
Vou seguir os conselhos, pois também quero viver da arte!
Abraço Diogo!
Muito bom Diogo!
Eu estou passando exatamente por esta fase e é realmente difícil.
Acredito que para ser um bom artista e “vencer” na vida é preciso deciplina e determinação, sem planejamento as coisas ficam mais dificeis e é por isso que as pessoas vão desistindo… não existem “atalhos” também, é preciso muito estudo e abrir mão de inumeras coisas.
obrigada pelo apoio.
Aline Mendes
Parabéns ,Diogo! Perfeito!
E só me resta dizer:
-Amém!
Grande pequeno gafanhoto!
Você me enche de orgulho, meu caro!
Grande abraço e muito sucesso!
Seu colega,
Regisclei
Boa tarde Diego
Estou iniciando nesta área de “comércio” de desenhos, seja ele de caricaturas, artístico, etc…, fiz um blog e gostaria de ter uma avaliação sua a respeito do meu trabalho.
http://caricaturadodigao.blogspot.com
Não precisa nem deixar o comentário, somente uma avaliação.
Abraços Rodrigo