Sem Euricão, o Vasco é campeão
- 12 de junho de 2011|
- 6h00|
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Categoria: Futebol, Tragi-crônica

Por muitos anos — e pode botar aí uns vinte, no mínimo — o Vasco foi o time mais odiado do Brasil. E tudo isso tinha uma razão de ser. O ódio não vinha só dos rivais flamenguistas, tricolores e botafoguenses, não. Era no Brasil inteiro. Nada contra a colônia portuguesa ou a tradição vascaína, muito pelo contrário. Era única e exclusivamente por causa do Eurico Miranda, o arquétipo do “coronel da bola”. Seja como presidente, vice, diretor ou conselheiro do Vasco, são quarenta anos de desserviços prestados não apenas ao clube, mas ao futebol brasileiro como um todo. Para patrocinar todo esse delírio e conquistar o apoio da torcida, Eurico encarnava um Kadafi cruzmaltino e apelava para os métodos mais sórdidos para justificar um único fim. Ou melhor, dois: tornar o Vasco campeão e evitar que o time fosse rebaixado, custasse o que custasse. E tome polêmicas, manobras jurídicas, processos na justiça, viradas de mesa e batalhas no tapetão.
Na Libertadores de 1990, por exemplo, Eurico chegou a anular um jogo, apenas porque o resultado não lhe convinha. Não adiantou. No novo jogo realizado, nova derrota. No mesmo ano, promoveu uma das cenas mais patéticas da história do futebol do Rio de Janeiro. O Botafogo venceu a final do campeonato carioca (1 a 0), mas Eurico considerava o seu Vasco o campeão no tapetão e ordenou ao time que comemorasse a “vitória”. Como a taça de campeão já estava nas mãos do Botafogo, o time deu a volta olímpica segurando uma ridícula caravela de papelão. O ápice da vergonha alheia foi o título da Copa João Havelange no ano de 2000, onde até alguns jogadores (como Juninho Pernambucano) ficaram constrangidos em comemorar. Enfim, não preciso listar todas as “euricadas”. Curioso é que, ao invés de envergonhar a todos os vascaínos, ele trazia orgulho para boa parte da torcida, como se cada título fosse uma dose de morfina. O resumo da ópera é que Eurico representa para o Vasco o que qualquer ditadura representa para um país: o atraso mais absoluto, odioso e reacionário.
Mas, como toda ditadura, tudo sempre tem um fim. Após intensa batalha jurídica, Roberto Dinamite, ex-ídolo do time nos campos, assume a presidência do clube em 2008, imerso em dívidas e problemas dentro e fora de campo. O resultado disso era inevitável: o Vasco foi rebaixado para a segundona. Fosse nos tempos ditadoriais do Kadafi cruzmaltino, a virada de mesa era certa, mas os tempos haviam mudado. Dessa vez, a volta à série A tinha de ser na bola. E assim foi feito: Vasco campeão da série B de 2009. A lição foi aprendida e essa semana tivemos a continuação dessa história, com a conquista da Copa do Brasil em cima do Coritiba. O primeiro título de expressão que o clube conquistou sem a mordaça do Eurico. Bom saber que os velhos tempos não voltarão. E é bom ver o Vasco retornando à elite do futebol (e à Libertadores) pela porta de frente. Uma boa hora para o Brasil se reconciliar com o clube e colocar o último prego no caixão do Eurico Miranda. Parabéns ao Vasco, ao Roberto Dinamite e a todos os vascaínos. Espero que o exemplo sirva para outros clubes presididos por coronéis (como São Paulo e Corinthians) e especialmente à própria CBF (Confederação Brasileira de Falcatruas).
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Copa do Brasil, coronéis da bola, Eurico Miranda, Rio de Janeiro, Roberto Dinamite, série B, Vasco
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Diogo,
Na toada que o time está (e se continuar o mesmo), certamente no ano que vem a Libertadores vai dormir nos braços de sua torcida bem feliz. Saudações cruzmaltinas!
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