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Quinta-feira, 31 de Maio de 2012
Trágico e Cômico
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Whitesnake estaciona nos anos 80

Categoria: Música, Tragi-crônica

Três anos depois do último álbum, ficou uma expectativa sobre quais seriam os rumos que David Coverdale levaria o Whitesnake. Mesmo que Good to Be Bad (2008) representasse um retorno ao hard rock dos anos 1980, trazia também nuances setentistas de blues-rock e não entregava o futuro da banda assim tão fácil. Essa dúvida vai desaparecendo ao longo das 13 faixas do novo álbum Forevermore, que chega ao mercado essa semana: Coverdale quer deixar sua banda estacionada nos anos 1980, utilizando a fórmula vencedora, que combina power chords com power balads e se vale de trejeitos do metal e do glam.

“Steal Your Heart Away” abre o tracklist com vigor, mas permanece refém dos vícios do metal festivo, como no surradíssimo refrão “I want it all, I want it now”. Do mesmo mal padece o single “Love Will Set You Free”, começando pelo título. Já “Love and Treat Me Right” é um manancial de clichês e os maneirismos de Coverdale vão se enfileirando, um a um. Nesse caso, prefira “All Out of Luck” e “Tell Me How” que, além de serem mais criativas, trazem riffs poderosos e possuem aquele drive vertiginoso do hard rock — ou “Dogs in the Street”, que envereda mais para o metal. O problema, como de costume, são as baladas populistas. Acendam seus isqueiros e vamos a elas: “Easier Said Than Done” tenta desavergonhadamente copiar “Is This Love” pela enésima vez, o que dispensa comentários adicionais. “I Need You (Shine A Light)” e “One Of These Days” são assumidamente pop, talhadas para as grandes arenas e para o público bater palma e cantar junto. O grande momento do álbum ficou para o final: a faixa título traz reminiscências de “Sailing Ships”, do álbum Slip of the Tongue (1989), onde Coverdale oferece uma grande interpretação. O início, mais pensativo vem em clima acústico/dedilhado, aos poucos a canção se desenvolve e cresce para um final eletrificado e grandioso.

Como bem definiu Rafael Fernandes, esse Whitesnake de hoje é o mesmo dos anos 80, mas com esteróides — que agem tanto para o bem quanto para o mal. Em Forevermore a injeção de hormônios fez a banda ganhar musculatura, mas atrofiou o lado criativo. Depois de ter superado sérios problemas com sua voz na última turnê, Coverdale parece não ter medo de assumir abertamente que quer reviver a era de ouro do rock de arena. Com os cacoetes de sempre, ele inunda as novas letras com a velha receita: muito açúcar, muito romantismo, muita rouquidão, muito “Love” em tudo. Suas interpretações estão visivelmente mais “forofentas” e convidam, sem culpa, os fãs mais fiéis para a festa. Para isso, ele se cerca de músicos especialistas no assunto. A nova cozinha — que agora conta com Brian Tichy na bateria e Michael Devin no baixo —, garante o peso lá atrás. No front, Doug Aldrich e Reb Beach formam uma dupla impecável nas guitarras, com bons riffs, timbragem criteriosa e solos muito bem elaborados, que equilibram feeling, melodia e técnica. Se liricamente o novo Whitesnake carece de novas mensagens, na parte sonora eles continuam exímios na arte de fazer hard rock. Para roqueiros saudosistas, Forevermore é uma grande pedida. Já quem busca coisas novas, melhor passar longe.

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2 Comentários Comente também
  1. Enviado por: Simonhead

    O disco é bom, mas sequer chega perto da versão americana do Slide it in.

  2. Enviado por: Jose Maria

    Opa! ja coloquei na minha lista mandatoria para a proxima compra de cds.

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