A velha guarda na internet
- 13 de março de 2011|
- 6h00|
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Categoria: Humor, Tragi-crônica

Uma coisa que me diverte nos dias de hoje é observar como a geração dos ditos “baby boomers” (hoje por volta dos 60 anos) se relaciona com a internet. Afinal, o mundo que eles conheceram era outro, completamente diferente. Não deve ter sido fácil para eles se adaptarem aos novos tempos, tanto que muitos ainda resistem às maravilhas e tragédias da vida virtual. Dos que se embrenharam nesse insano mundo conectado em tempo real, penso que a única modernidade (já não tão nova assim) que foi abraçada sem maiores tormentos foi o e-mail. E mesmo assim, alguns usam a ferramenta de forma um tanto pitoresca. Um exemplo: quando mando um e-mail para o meu pai, ele me liga. Já minha mãe raramente responde — e quando o faz, faz com uns dois ou três dias de atraso. Pelo menos eles não estão entre esses que usam o e-mail para repassar correntes e textos falsos do Jabor e do Veríssimo. Tem também aqueles que entopem a nossa caixa de entrada com pesados vídeos (alguém, por favor, mostre o YouTube a eles!). Pior ainda são os que ficam mandando esses abomináveis arquivos de Power Point. Ok, a gente precisa dar um desconto: no meio do caos, é mesmo difícil filtrar tanta informação.
A coisa só fica realmente insustentável quando começam a chegar aqueles “e-mails protesto”, escritos em letras garrafais e exclamações gigantescas e repletos de denúncias, teorias da conspiração e golpes de estado. Tive de me esforçar muito para compreender o porquê disso, já que todas essas “denúncias” são palpavelmente falsas — e não são necessários mais do que cinco minutos no Google para derrubá-las. Os mecanismos para se formar uma opinião funciona diferente para eles. Antigamente, existiam “lados”. O mundo era dividido em dois pólos e todo mundo era obrigado a tomar partido. Pouco importava quem tinha razão. O negócio era caminhar junto a seus pares até o fim — mesmo que, para isso, fosse preciso defender o indefensável. No fim, é claro que esses e-mails apócrifos trariam de volta os ecos da Guerra Fria e pegariam os “baby boomers” de jeito, pois ativam neles esse mecanismo polarizador.
Acontece que as coisas hoje não funcionam mais assim. A internet chegou para derrubar tudo aquilo que ontem era tido como verdade. Acabaram-se as certezas absolutas. E finalmente o mundo parece ter percebido que não existe o “bem” contra o “mal”. Ainda mais em política, onde todos são comprovadamente maus. O lado engraçado disso tudo é ver a velha guarda tentando descobrir de que “lado” eu estou. Se não faço concessões a nenhum dos “lados”, eles podem aplaudir uma crítica que fiz ao lado “A”, mas certamente ficarão aturdidos quando eu criticar “B” — deixando um questionamento permanente no ar: “o que você realmente defende?”. Por mais de uma vez, ouvi a indagação, portanto aqui vai: defendo o fim da polarização a qualquer custo. Fácil, não?
De volta à via láctea virtual, a velha guarda ainda não entendeu bem como as coisas se dividem e se complementam na web. Já perdi a conta de quantas vezes expliquei a diferença entre site e blog. Isso sem falar em Orkut, YouTube, Skype, podcast, videocast, Twitter, Facebook, Flickr, Tumblr… Mas precisamos dar o braço a torcer: as coisas nascem e morrem muito rápido por aqui. Tudo é muito fugaz, caótico e vertiginoso. Confesso que é até meio sádico de minha parte rir dessas coisas. Por isso, procuro explicar pacientemente tudo o que me perguntam. Afinal de contas, um dia estarei no lugar deles — e, quem sabe, eu também precise de explicações.
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A Sandy é um belo exemplo dessa geração….z
Diogo,
Fácil um dos seus melhores textos, o problema desses emails denuncias não pegam só a velha guarda, a polarização ainda é a maioria infelizmente.
Aí vem aquele comentário sacana, e não é que o Diogo, apezar de cartuista, também escreve bem… hehehehe
Essa é tão sacana quanto “você trabalha ou só dá aula?” heheheh
Acho que seu artigo está perfeito, vou telefonar para lhe dizer isto.
Chico, depois que a Sandy virou devassa, ficou difícil definir a qual geração ela pertence, não é mesmo?
Hoel, obrigado. A polarização é maioria, mas só atinge todas as idades em período eleitoral.
Morruga, já perdi a conta de quantas vezes me perguntaram em que eu trabalhava “além de saber desenhar”, portanto acabei criando uma casca protetora nessa questão…
Pai, obrigado pelo comentário e pelo telefonema!
Abraços
Diogo
O melhor dos baby boomers na web:
http://www.youtube.com/watch?v=pq0XxzhZ6hM
abraço.
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