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Quinta-feira, 23 de Fevereiro de 2012
Trágico e Cômico
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Radiohead: é proibido criticar

Categoria: Música, Tragi-crônica

Silêncio, por favor. O Radiohead lançou um disco… Há tempos o mainstream musical não produzia uma unanimidade como essa. A receita para o sucesso está toda lá: carreira sólida e inquietude criativa numa embalagem cool. Não tinha como dar errado. De resto, mais umas aulinhas de marketing com o Pink Floyd e voilá: se tornaram a maior banda do mundo. Por um lado, muito justo. A banda é mesmo talentosa e virou a indústria da música de cabeça para baixo: o indie virou mainstream e vice-versa. Por outro lado, desde que a crítica alojou Thom Yorke e sua turma debaixo da asa, o mito foi tomando formas desproporcionais. De repente, se dizer fã de Radiohead era ser super descolado — e, claro, a coisa toda descambou para uma idolatria cega, que em nada difere do fundamentalismo dos xiitas do heavy metal.

O lançamento desse novo disco veio, como sempre, sorrateiro (e marqueteiro): primeiro com mensagens cifradas pelo Twitter (para gerar um burburinho), depois com o lançamento oficial antecipado (travestido de “vazamento”). E antes mesmo de o download estar 100% concluído, The King of Limbs teve adesão bovina da “intelligentsia” e a rasgação de seda já corria solta nas redes sociais. É o caso clássico em que o nome e a fama da banda precedem a obra. Quero aqui fazer um contraponto, mas não cairei no discurso fácil de dizer que o novo disco é um lixo e esperar a ira dos fãs. Em vez de aplaudir ou atirar pedras antecipadamente, preferi ouvir e reouvir o novo álbum antes de fazer qualquer julgamento…

The King of Limbs abre de forma brilhante, com a viajandona “Bloom”, misturando teclados climáticos com batidas eletrônicas sincopadas e vocais cheios de eco. A primeira impressão é a melhor possível, mas a coisa toda vai se desmilinguindo pelo caminho. Ora se perdendo em abstrações como “Feral”, ora se arrastando na desconexa (e chata) “Little by Little”, este é talvez o trabalho mais fraco que já fizeram. Fica claro que a proposta é mais experimental — e até tem bons momentos, como “Codex” —, mas, no geral, a produção é frouxa e o resultado final soa preguiçoso e cheio de lacunas. A sensação deixada é de ser um disco “lado B” — ou, na melhor das hipóteses, uma obra inacabada. “Morning Mr. Magpie” e “Give Up the Ghost” são exemplos do que poderiam ser boas canções, caso fossem mais bem trabalhadas.

Claro que os soldados mais combativos do exército pró-Radiohead rechaçarão qualquer crítica a The King of Limbs, e buscarão explicações metafísicas para reafirmar a genialidade da banda. Se tiver sorte, dirão apenas que, se você não gostou, é porque “não entendeu a complexidade” da obra. O estranhamento só aumenta quando se vê a histriônica performance de Thom Yorke no novo clipe de “Lotus Flower” (outra música que soa inacabada). A mim, parece que Yorke está usando o lançamento de The King of Limbs para fazer um experimento com seus fãs e com a mídia em geral. É como se dissesse “vejam só, fiz um disco nas coxas e estão me chamando de gênio!” — e, nesse momento, deve estar rindo de toda essa histeria. Provável que esteja usando isso para fazer uma crítica social (quem sabe não vejamos o resultado disso num futuro?).

Enfim, para contextualizar o novo trabalho na discografia da banda, nem é preciso voltar tanto no tempo. Em 2007, o Radiohead “liberou” seus fãs para pagar o quanto quisessem por In Rainbows — e ali realmente valia a pena pagar, embora vários “fãs fervorosos” não tenham tirado um centavo do bolso. Agora a história é outra. Para ter The King of Limbs em seu player, não perca seu tempo: um download gratuito está mais do que justo.

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26 Comentários Comente também
  1. Enviado por: Chicao

    Eu adoro Radiohead, mas o Radiohead humano, aquele que usava guitarras, que colocava letras nas músicas, e que tentava fazer-se entender. Especialmente do álbum The Bends, de 1995, que na minha opinião tem uma das melhores sonoridades que já pude escutar, onde todas as faixas são excelentes. Agora, ISSO AÍ que eles lançaram agora só consegue me dar uma sensação: vergonha alheia.

  2. Enviado por: Bruno do Amaral

    Faltaram os memes com músicas bizarras desse videoclipe patético. :P

  3. Enviado por: Ju Mancin

    Essa chicobuarqueziação do Radiohead me assusta. Gosto muito das duas coisas, mas lamento que sejam tratados como “incontestáveis”.
    Ouvi o King of Limbs na condição de admiradora do trabalho da banda. Não gostei. Sequer considerei como “experimental”. O Kid A é experiental. The King of Limbs, soou mal aos meus ouvidos, não me cativou, ao contrário do In Rainbows, que apesar da estranheza inicial, ao longo da execução, me fez encontrar o que entendo por ser a essência do Radiohead.
    Eu, do alto de minha inocência de quase-tiete, prefiro acreditar que o King of Limbs não seja uma obra “umbiguista”, uma demonstração de força da banda, uma prova de que de que se sentem incontestáveis, gostaria mesmo que passada a histeria do lançamento, Thom Yorke viesse a público e dissesse “Foi um teste. Esse álbum não é sério. Queria saber até onde vocês seriam capazes de ir, sem o uso devido do senso crítico. Esqueçam isso e ouçam o The Bends”.

  4. Enviado por: len

    mas um texto sofrível sobre esse disco, no festival de textos vazios.

    “misturando teclados climáticos com batidas eletrônicas sincopadas e vocais cheios de eco”

    Você ouviu isso em Bloom?????????????? você ouviu o disco novo do Radiohead?

    É proibido criticar sim senhor, mas quando a crítica é competente, pega a nuancias de um disco, suas temática, sua matéria prima, e não vem pra falar com uma visão pré estabelecida de alguém que ouve o disco no notebook enquanto fala com a namorada pelo msn.

  5. Enviado por: Diogo Salles

    Bruno, os memes são só uma extensão da histeria. Não era esse o cerne da questão que eu levantei. Mas concordo: patético, para dizer o mínimo.

    Chicão e Ju, acho que cada um tem o seu disco preferido do Radiohead, mas todos concordamos que faltou muito para The King of Limbs ser digno de dividir espaço na prateleira com os outros.

    Len, eu estava mesmo estranhando que ninguém fosse me proibir. Sim, eu ouvi o disco (várias vezes). E eram tão poucas as “nuancias” que acho que você deve ser um desses objetos de estudo do Thom Yorke, ao qual me referi no texto.

    abs
    Diogo

  6. Enviado por: Luiz Fx

    “Claro que os soldados mais combativos do exército pró-Radiohead rechaçarão qualquer crítica a The King of Limbs, e buscarão explicações metafísicas para reafirmar a genialidade da banda. Se tiver sorte, dirão apenas que, se você não gostou, é porque “não entendeu a complexidade” da obra”

    Vc resumiu tudo o que eu penso em relação aos fãs do Radiohead!!!! Adorei!!!
    Podem me chamar de ‘cabeça-fechada’, mas Radiohead, para mim, apenas até o Ok Computer.
    Parabéns pela resenha!

  7. Enviado por: len

    Será q me fiz entender? acho q nao.

    Ouviu o disco várias vezes não garante que vc vai gostar, elementar meu amigo. Mas garente escrever algo inteligente e responsável e não um texto mediocre, onde vc passa a sensação OU que não ouviu OU pior, não sabe oq ouviu. Tornando teu texto sofrível. Apenas isso meu caro, nem estou e nem estava defendendo o disco e sim te incentivando a ESCREVER um BOM texto MESMO que seja pra dizer que o disco é ruim. No mais vc escreve mal sobre as faixas, não fala das letras, não trata a canção com respeito.

    Portante texto sem qualidade o seu, desculpe te falar.

    Até.

  8. Enviado por: Diogo Salles

    Caro Len,

    Ouvir o disco várias vezes nunca será garantia de se vá gostar, mas é garantia de que se tenha uma visão crítica sobre ele. Essa era a minha intenção. “Não saber o que ouviu” é algo altamente subjetivo, pois cada um responde de uma forma diferente ao que ouviu. Sua tese de que existe uma maneira certa de ouvir e reagir ao disco é risível.

    Claro que você pode discordar o quanto quiser do texto, agora atacar o autor e dizer que o texto é sofrível é sempre o velho expediente de quem não tem argumentos para desconstruir a tese proposta – o que, sinceramente, me parece ser o seu caso. Curioso mesmo é que você pega exatamente a música em que eu elogio (Bloom) para fazer sua crítica, o que faz de seu comentário algo realmente curioso.

    Aceito todas as críticas que vierem, desde que venham com argumentos, e não com birras de fãs xiitas, que só querem textos acríticos e aplausos a seus ídolos.

    Abraços
    Diogo

    • Enviado por: Lina

      Sem querer ser chata, e longe de te proibir de publicar um texto já publicado, mas seria legal se vc pudesse editar…
      É que certas críticas me fazem rir, e só serão desmentidas quando eles entrarem em turnê e os criticos perceberem que eles estão muito mais presentes em cada música do que um computador. Batidas eletrônicas, ahã.
      Quanto ao clipe, quem já viu um show dos caras, até no youtube, sabe que a dança do Thom é naquele estilo há muuuuuito tempo, não tem nada de novo, só o fato de virar clipe.
      Ah, lançamento antecipado não tem nada de vazamento, nem entre aspas, todo mundo sabe que eles controlam o processo de distribuição do disco deles.
      Se vc disser que não gostou, ok. Gosto é gosto, sugiro que nem perca tempo ouvindo de novo. Mas se fizer uma crítica, sabe, eu espero sempre ler críticas perfeitas, sou xiita com críticas. Criticas não podem errar, Radiohead pode. Fale mal, mas fale direito.

  9. Enviado por: Diogo Salles

    Lina, obrigado pelo comentário. Prova que um xiita (autointitulado) também pode argumentar. Vamos lá:

    A dancinha do Thom Yorke: não é nova, mas serviu bem aos propósitos da banda, tanto que o comentário do Bruno destacava os memes (e até pedia “explicações” para aquilo).

    É óbvio que não houve vazamento, por isso coloquei entre aspas. Quando eles resolvem antecipar o lançamento, mostram que eles controlam o material deles e lançam como e quando quiserem, criando mais um “fato” em torno deles. É uma jogada muito esperta.

    Quanto ao disco, tem batidas eletrônicas, sim – e não digo isso de forma depreciativa. A meu ver, o resultado como um todo é pobre, apenas isso. Tirando “Bloom” e “Codex”, o disco ficou muito aquém do que eles podem fazer.

    Agora, discordo de você: todos podem errar – isso inclui o Radiohead e os críticos (que erram quando aplaudem “por osmose”).

    Abraços
    Diogo

  10. Enviado por: Gustavo Dobrovolsky

    Parabéns pela crítica. A melhor e mais sensata que vi sobre esse disco – mais um com aqueles barulhinhos insuportáveis (assim como o início e o fim das músicas do Pink Floyd). Viva Radiohead de Pablo Honey, The Bends, OK Computer e In Raibows!

  11. Enviado por: len

    “sempre o velho expediente de quem não tem argumentos para desconstruir a tese proposta”

    Onde? que tese? você fala porcamente das faixas meu amigo.

    É isso que quero enfatizr mas vc é muito arrogante pra admitir.
    Você fez um texto brochante sobre um disco.

    Nem to falando do julgamento do trabalho. Se fosse isso, nem estaria aqui, gosto é gosto, sem dúvida.

    Mas, você parece que não tem ouviu o trabalho. Vc não não se prende a nada, O texto nao serve pra nada e se tratando de visão do disco, apenas serve pra dizer que não gostou, oq é natural. Agora, pq vc não gostou, ficou no ar.

    Abraços

  12. Enviado por: Humberto

    Eu também não curti o novo álbum dos caras, achei ele eletrônico e falta de criatividade/ação por parte dos guitarristas. Dá imprensão que o baterista só levou uma caixa, um prato splash e um chocalho para tocar e só. SÓ, SÓ isso para 3 ou 4 anos sem álbum novo. Acho que as músicas que
    mais me animaram foram: “02 – Morning Mr Magpie” (talvez as batidas e efeitos anima um pouco, mas ainda é pouco), 03 – Little By Little (senti uma ação de um dos guitarristas nesse baião), 06 – Codex (achei bem calma, e boa). Eu esperava uma “Creep” ou uma ao estilo de “Just”, com ação, e leveza ao mesmo tempo.

    Teoria xiita:
    -É apenas uma b-side, o álbum oficial será lançado em breve, porque a banda
    estava apenas fazendo um teste com fãs e mídia;

    -É o álbum oficial, e para não nos assustar com o fantasma da capa, iremos
    seguir essa teoria por um fã da banda e engolir o prato do dia, de como ouvir as faixas de outros modos sem perder a graça:
    http://www.oesquema.com.br/trabalhosujo/2011/02/28/the-king-of-limbs-newspaper-album-ou-codex.htm

    É comédia kkkkk.

    Valeu Diogo pela matéria!!! Forte Abraço!!! Até mais.

  13. Enviado por: Rodrigo

    Percebeu que o autor da crítica usou do mesmo recurso que os fãs que ele critica? É muito mais fácil desqualificar de antemão aqueles que não concordam do que argumentar depois.
    No mais: concordo que o álbum soa inacabado em alguns momentos, talvez pela aridez que o permeia, mas a minha opinião é de que, como obra completa, ele fecha o ciclo e ganha muito sentido.
    Não quero justificar erros presentes com o passado, mas é bom lembrar que o celebrado Kid A também foi muito mal recebido em 2001.
    Agora, para uma visão legal, aconselho ler a crítica presente no único veículo de crítica musical que eu julgo consistente, o Pitchfork. Segue o link: http://pitchfork.com/reviews/albums/15149-the-king-of-limbs/

  14. Enviado por: Sam

    Para quem fala muito e nem ouviu o álbum direito: In Rainbows tinha tanta eletrônica (tirando o dub de Feral) quanto em The King Of Limbs, a diferença é que tinha duas faixas a mais, embora Limbs seja apenas 5 minutos mais curto que In Rainbows. Os caras tocam no disco todo, em muitos momentos não dá para diferenciar o que é eletrônico ou não, somente vendo eles tocarem ao vivo a gente vai tirar a dúvida (o que deve acontecer em breve, pelo falatório na web). Eles estão novamente na contra-mão do mercado e fizeram um disco diferente do aclamado In Rainbows. Poderiam surfar nele muito tempo, mas não, preferiram lançar o mais controverso trabalho desde Kid A (esse chegou a levar 1 estrela do NME e ser descrito como o “fim” do Radiohead, mas acabou como álbum da década). Não tem música no catálogo da banda que soe como Bloom ou Feral. Little By Little é uma beleza de texturas (se o autor da crítica acha que é pobre, deve comprar outro som ou um bom par de fones de ouvido). Yorke dança daquele jeito a MUITO tempo. O que o coréografo fez foi organizar os movimentos dele para ficarem “menos” ridículos (sim, Yorke dança MUITO pior que aquilo ao vivo). Quem fica “pedindo” The Bends de volta deve trocar de banda, aquilo não volta mais.

    Não existe “chicobuarqueziação ” do Radiohead, seus fãs são talvez os mais críticos que existem e há uma guerra de opiniões nos fórums acerca de quem gosta ou não gosta de Limbs. Fã de Radiohead quando não gosta mete o pau também, porém sabe do valor da banda e sabe retribuir também.

    O fato é: gostem ou não, é uma banda que “peca” por não ter medo, por tentar, por experimentar, por apontar o fã na cara e dizer: tá aí, isso somos nós agora, vai pegar ou largar? Não tem essa de eles “brincarem” com os fãs, fazerem “teste” para serem chamados de “gênios”. Quem diz isso nunca leu uma linha dos que os caras (o Yorke mais precisamente) falam, eles levam a sério o que fazem, são apaixonados pela música, por inovação, e respeitam os fãs. Porém não se detem apenas porque uns preferem isso ou aquilo, fazem o que querem com a música e convidam os fãs a aceitarem. Leiam as entrevistas de Yorke e Greenwood para comprovar. Só isso já faz dos caras merecedores da atenção que eles comandam.

  15. Enviado por: Sam

    ——————-
    “primeiro com mensagens cifradas pelo Twitter (para gerar um burburinho), depois com o lançamento oficial antecipado (travestido de “vazamento”). E antes mesmo de o download estar 100% concluído, The King of Limbs teve adesão bovina da “intelligentsia” e a rasgação de seda já corria solta nas redes sociais. É o caso clássico em que o nome e a fama da banda precedem a obra. Quero aqui fazer um contraponto, mas não cairei no discurso fácil de dizer que o novo disco é um lixo e esperar a ira dos fãs.”
    ——————-

    Ah! Deixa eu contestar o seu “conhecimento” da estratégia do Radiohead.

    Não teve mensagem cifrada. Apenas um tweet com uma localização em Tokyo, que seria a apresentação do clipe Lotus Flower. Isso aconteceu depois do anúncio do album no site da banda. Não houve “vazamento” nenhum. O Ed mandou uma mensagem um dia antes e liberou geral. Isso é vazamento? Não, porque a banda ANUNCIOU que o download estava disponivel, era só ir lá e baixar. Se vc leu 10% dos reviews, da midia E dos fãs, já deveria saber que é o mais controverso album da banda desde Kid A. Fãs e críticos divididos. Isso é “adesão bovina”?

    Vc se mostra cheio de preconceitos em relação aos fãs quando fala que bastaria meter o pau no álbum para despertar a sua ira. Se vc for no Atease, o maior board do Radiohead, vai ver uma divisão feroz de opinioes. Vc simplesmente nos rotula baseado em preconceito, que se reflete claramente na sua “critica” que, além de tendenciosa, é amadora.

    • Enviado por: Diogo Salles

      Já expliquei que “vazamento” estava travestido e entre aspas no texto. Quanto à adesão bovina, me referi à “intelligentsia”, não aos fãs. Qualquer pessoa sabe que fã é aquela coisa cega, de amor e ódio. Tem a turma que quer o The Bends de volta, tema turma que quer tudo diferente.

      Sam, se você quer contestar o texto, ok, mas não precisa distorcer minhas palavras.

      Abraço
      Diogo

  16. Enviado por: Diogo Salles

    Humberto, o que não falta nesse momento são teorias (sejam elas xiitas ou não), não é mesmo? Obrigado pela leitura.

    Rodrigo, não usei o mesmo recurso dos fãs. Tentei apenas trazer um olhar mais sóbrio para esse novo trabalho deles, pois senti que as pessoas amavam ou odiavam antes de ouvir com cuidado.

    Sam, você tem razão: seria muito fácil surfar na onda deixada pelo In Rainbows, mas ir na contramão do mercado não é atestado de qualidade para um disco. E se eles tentaram soar mais experimentais nesse album, isso poderia ser visto como uma tentativa de lançar um novo Kid A? Acho que você subestima a capacidade do Yorke de provocar seu público e chacoalhar o mainstream (coisa que ele faz muito bem, diga-se).

    Enfim, concordo que “Bloom” é mesmo uma grande música. Diferente de tudo o que o Radiohead (ou qualquer outra banda) já fez. Infelizmente o restante da obra não acompanha essa brilhante faixa, na minha opinião.

    Abraços a todos
    Diogo

  17. Enviado por: Guilherme Silveira

    Olá a todos!
    Não pretendo eleborar nenhuma teoria, não achei um absurdo o texto nem os comentários. São opiniões.
    A minha é a de um ouvinte que não conhece a carreira da banda a fundo. Pessoalmente a chei o álbum bem interessante, talvez ele não seja um álbum para ouvir e ser “o álbum da sua vida”, ninguém pode, nem consegue lançar albuns assim todo dia, alguns nem querem.
    Muitos falaram do The Bends, ao que me parece a banda deixou esse álbum de lado a um bom tempo, então isso não é motivo para criticar esse. Podem críticar a banda como um todo, mas colocar a culpa só nesse álbum é estranho.
    Achei legal você ter falado sobre o álbum parecer incompleto, mas porque tem que soar completo? Eu nem sei o que é soar completo. O clipe me parece uma prova disso, completamente aberto, abstrato, incompleto mesmo.
    Essa lançamento vai gerar muita polêmica porque é diferente. Eu mesmo adorei a Feral, que se “perde em abstrações”. A impressão é de testes com as formas musicais que eles estão usando, virou música, sem letras, sem sentido. E daí? Assim como a Give up the Ghost e suas voltas.

  18. Enviado por: Guilherme Silveira

    Abraços a todos!!! :D

  19. Enviado por: Daniel Luiz Costa

    Vc fez uso da argumentação por antecipação (prolepse) ao construir sua crítica. De maneira relativamente sutil vc conseguiu o efeito de generalizar a postura dos fãs do radiohead comparando-os a soldados combativos e xiitas, reduzindo assim as chances de alguém contestar a sua opinião. No final das contas as considerações dirigidas aos fãs adquiriram um impacto tão grande quanto ao daquelas dirigidas ao novo álbum da banda. O texto soou sem embasamento no que tange ao novo álbum e preconceituoso no que tange aos fãs! Na próxima vez que for criticar o trabalho de alguém, a não ser que tenha em mãos pesquisas e estudos sólidos, deixe os fãs fora da jogada! Abraço!!

  20. Enviado por: Diogo Salles

    Olá Guilherme, boa pergunta: por que tem de soar “completo”? Creio que “completo” não seja o termo aqui, mas sim “acabado”. A sensação deixada pelo “Limbs” é a mesma daquelas bandas que a gente compra aqueles boxes cheios de extras e vem com vários B-sides e sobras de estúdio. E quando ouvimos esse material, fica claro o porque de ele nao ter sido lançado. Não foi trabalhado nem pensado o suficiente, isso sem falar na falta de produção, o que conta muito, na minha opinião.

    Daniel, sua argumentação é típica de um fã xiita (sim, eu posso ter opinião sobre fãs xiitas). A seguir destaco um trecho de meu estudo sobre o fundamentalismo headbarger (que em nada difere do fundamentalismo indie):

    “Com tacape à mão, apontam ‘críticas infundadas’, ‘falta de informação’ e ‘desconhecimento do assunto’, deixando uma mensagem subliminar do tipo ‘não volte mais aqui’. É como se apenas as pessoas que veneram a banda cegamente tivessem o direito de falar dela.”

    Link do texto: http://bit.ly/9C9FWq

    Abraços
    Diogo

  21. Enviado por: Daniel BH

    Cara, também tive a impressão de o disco estar inacabado, faltando trabalho, e achei bastante pertinente o comentário. E tem outra: na minha opinião, desde OK Computer o Radiohead suspreende com alguma inovação bacana, ou, pelo menos, músicas gostosas de ouvir…Mas o Limbs soa como uma sobra (inacabada) do The Eraser (disco solo do Thom Yorke), parece que anula a interferência dos outros membros do grupo e não aproveita nada do Radiohead que conquistou a crítica, nem acrescenta uma novidade. Apesar disso, consegui gostar do disco depois de várias audições, e cheguei até a ficar viciado nele por alguns dias. É que é o primeiro disco lançado depois de eu ter conhecido melhor o trabalho, isto é, depois do show que fizeram em São Paulo, que me deixou empolgado (mas não propriamente um fã, creio).

  22. Enviado por: Luiz Claudio Lins

    Sei que isso aqui já está morto e enterrado, afinal já estamos em 2012 e muita coisa aconteceu com todos nós e com o objeto dessa crítica, mas me permitam uma reflexão à parte:

    Como é difícil, talvez quase impossível, no mundo da blogosfera, alguém admitir um equívoco, uma visão precipitada ou que não publicou um review dos melhores.

    O autor da crítica, que começou criando imagens fortes (até um tanto preconceituosas) aos que gostam do artista criticado (no caso a banda Radiohead), imprimiu mais peso numa visão cristalizada do que ela acha de quem gosta do grupo do que na sua impressão diante do novo trabalho. Isto está lá no texto, é fato. Foi uma escolha editorial.

    O que fez com que a crítica do objeto, o novo trabalho, fosse fraca, que não desse ao leitor comum (e não apenas o que conhece milimetricamente a trajetória do RH) índices de qual qualidade (ou não) está ali presente.

    Acontece, e faz parte do exercício de produzir textos ora bem-feitos ora nem tanto.

    E o autor, não aproveitando esse tempo maravilhoso que vivemos, em que a réplica não é feita por uma longínqua e tediosa sessão de “cartas do leitor”, que esfria e impede qualquer troca criativa, mas por um “ping-pong” on-line quase real-time poderia ter esboçado uma “work in progress” reconstruído sua opinião a partir das diversas opiniões seguintes.

    Mantendo o que originalmente foi acerto, revendo excessos e admitindo erros.

    Mas não. Ainda vivemos uma época em que, encastelados numa posição de mando (a empresa, o blog, o autor, etc) tratamos o interlocutor num degrau abaixo; com um receio que não se consegue detectar a origem mas que, historicamente, tem nome: orgulho ferido.

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