Batendo e debatendo
- 10 de outubro de 2010|
- 6h00|
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Categoria: Eleições 2010, Tragi-crônica

Chegamos ao segundo turno e uma nova rodada de debates se inicia hoje. Pena que, ao invés de debater questões do século 21, o Brasil prefere continuar debatendo o século 20. Agora, além do trololó afunhanhado dos anos 60, resgatamos também a agenda religiosa, com o aborto se tornando o tema central do debate político — isso tudo num estado supostamente “laico”. Entre tantas peculiaridades, o Brasil tem uma mania curiosa: a de tratar seus governantes como pai disso ou mãe daquilo. Sei não, mas esses nossos “pais” são muito negligentes… Mas e quando tratamos nossos governantes como patrões? Se assim for, temos uma espécie de trabalho escravo institucional. Não deveria ser o contrário? Eles deveriam ser nossos empregados (contratados para trabalhar em nossa “casa”). No Brasil não há muito espaço para esse tipo de questionamento. Quando o coroné fala, todo mundo abaixa a orelha. O medo da chibata é constante. Políticos são intocáveis.
O debate — sendo o único momento de fragilidade dos políticos —, também foi alterado, reescrito e engessado para blindá-los de maiores constrangimentos. Tiraram o poder que o mediador tinha, criaram um milhão de regras e prenderam as respostas dentro de cronômetros. Para que nós possamos conhecer a fundo quem são e o que pensam os candidatos, é preciso que haja uma mudança radical no formato dos debates. Com poucas regras é que os candidatos mostram quem realmente são. Não dá mais para aguentar esses candidatos sabão em pó encarnando alter-egos de seus marqueteiros e se vendendo como produtos na gôndola do supermercado. Se a política já é aborrecida por si só, essa maquiagem publicitária dos candidatos só serve para aborrecer ainda mais o eleitor com promoções do tipo “compre uma mentira e leve duas” ou com pagamentos de promessas de campanha, com prazo a perder de vista. Nesse ano, se não fosse o Plinio — que fez muito sucesso com seu espetáculo de comédia stand-up —, o eleitor estaria dormindo até agora na frente da TV.
Para turbinar a audiência e dar mais emoção ao telespectador, proponho um novo paradigma para os debates políticos no Brasil. Sou a favor da exposição máxima, do escrutínio impiedoso (como se fosse um paredão de fuzilamento mesmo). Meus debates seguiriam o seguinte formato: em cada bloco, um jornalista pergunta para um candidato, com comentário do candidato adversário e com direito a réplicas, tréplicas e quadréplicas, súplicas, ofensas à honra e direitos de resposta concedidos livremente. Mas esse jornalista não seria qualquer jornalista. Tem de ser um desses opositores ferrenhos, que fazem do candidato o seu brinquedo de vodu, encurralando-o e achincalhando-o, se for preciso. Aplicando esse conceito ao debate de hoje, para Dilma perguntariam Reinaldo Azevedo, Diogo Mainardi e Olavo de Carvalho. Para Serra, perguntariam Mino Carta, Luis Nassif e Paulo Henrique Amorim. Já imaginaram?
Tenho certeza de que assim os debates seriam um enorme sucesso. Se as TVs querem audiência e os partidos querem grana, esse formato nos debates ia bombar (UHUUU!). Garanto que nos proporcionariam barracos memoráveis (adeus, Big Brother). Dá para vender cotas de patrocínio, pay-per-view e o escambau. Os candidatos poderiam também fazer merchan de seus maiores doadores na campanha. Além de engordar o caixa 2, o eleitor já ficaria sabendo antecipadamente quais empresas ganhariam as licitações futuras. Se alguém se interessar pela ideia, favor entrar em contato para negociar o pagamento de royalties…
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Apoio a idéia do debate-suicidio…debate-assassinato…debate-em-que-se-debate de verdade e não triololos e tergiversações…
precisando de perguntasm. tenho uma penca delas
TERGIVESAR OS FACTOIDES – Será que o cidadão comum, parte da grande maioria dos cidadãos brasileiros, entenderam isso? Acho que os presidenciáveis deveriam ser como Abraham Lincoln, usar as palavras mais simples para que ela cheguem até à consciência das pessoas.
O cidadão comum entende é aquilo que lhe afeta a vida, o preço da comida, dos bens duráveis e não duráveis, a casa, a escola, a segurança que quase mais ninguém tem “nunca na história desse país”. Hoje não se vive seguro nem nas praias e nem nas montanhas. O crack, esse vírus consumidor de pessoas, já está nos canaviais e nos cafezais, destruindo a mão de obra que produz os alimentos que chegam às nossas mesas. Enquanto isso, pouco ou quase nada se debateu sobre o tráfico de armas e de drogas, fonte da guerra que matam pessoas e aniquilam famílias não só do Rio, São Paulo ou de outra capital.
O governo cruza os braços em discursos como nunca na história desse país.
Por outro lado, o refrão tão adorado pelo chefe da nação não sensibiliza todo mundo, principalmente os cidadãos que têm mais de 40, 50 ou mais anos. Estes viveram todas as reformas que levaram o Brasil ao estágio atual e sabem do valor que tiveram aqueles desde Tancredo Neves, Itamar, Fernão Dias e Luiz Inácio. Os primeiros montaram a base que outros tentam encobrir como o Plano Real que acabou com o barulho irritante das máquinas precificadoras da inflação de 80% ao mês, o enxugamento da máquina administrativa e a abertura da economia ao capital particular e internacional que permite hoje que todos tenham o seu telefone, antes um objeto de luxo, através do celular, entre outras conquistas.
Não estou aqui a fazer campanha, mas digo isso porque sou um cidadão com mais de 50 anos que vivi tudo isso, quando meus filhos ainda eram crianças dependentes do meu suor.
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