Crônicas da (in)segurança pública – 2º tiro
- 12 de setembro de 2010|
- 6h00|
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Categoria: Eleições 2010, Tragi-crônica

Continuando a tragi-crônica da semana passada, retomo o relato do mesmo ponto em que deixei: a delegacia onde fiz o B.O.. Enquanto eu depunha, reparei que o computador que o escrivão usava era seminovo, mas de um modelo bastante ultrapassado. “Acabou de chegar aqui, e isso só porque ameaçamos fazer uma greve”, disse ele. Do outro lado, um outro policial se intromete: “e no ano que vem a gente vai ter que aguentar o Alckmin de novo”. Topei o debate e perguntei sobre os governos anteriores. Todos eles foram unânimes em dizer que o PSDB abandonou a segurança pública nesses 16 anos de governo. O descalabro é tamanho que já teve assalto até dentro da delegacia. O PT, único partido capaz de rivalizar com os tucanos, até poderia usar esse fato para lucrar eleitoralmente, não fosse pela maneira como a polícia vê os políticos do partido (naquela delegacia, “bandidos”, “guerrilheiros” e “vagabundos” foram os termos mais amenos). Fui em frente e perguntei quem seria o salvador dessa pátria abandonada. Um soprou timidamente o nome do Maluf, outro falou do Quércia, quase se desculpando…
Sim, nossa miséria é absoluta e não há o menor sinal de que vá mudar. Basta olhar para os candidatos atuais ao governo de SP. Tirando os fanfarrões de sempre, que estão só se cacifando para futuros pleitos, a briga ficou mais uma vez entre PSDB e PT. Chega a ser irônico ver as promessas de Alckmin e Mercadante nessa campanha. Não apenas por se tratar de dois políticos medíocres, mas também por demonstrarem não possuir o mínimo conhecimento sobre segurança pública. Alckmin por razões óbvias. Já esteve lá por cinco anos e nada fez. Quando confrontado com a realidade, segue o seu próprio protocolo: responde com estudos, pesquisas, porcentagens e a numeralha de sempre, colocando uma cortina de fumaça sobre o assunto. De resto, promessas ao vento, como de costume. Já Mercadante fala em aumentar os salários, mas não diz nem como, nem quando, nem onde. É visível (e risível) que sua única bandeira de campanha seja ficar a reboque da popularidade do Lula. No mais, o que sobra são os clichês típicos do esquerdismo de direita, pregando a “justiça social” e criticando o “neoliberalismo” do FHC (o que chega a ser uma gafe, já que o governo Lula é a continuação do FHC).
Portanto, se você está esperançoso que o próximo governo melhore a segurança pública, não perca seu tempo com o Alckmin (tudo indica que será ele mesmo). Não há sinais de que essa privatização compulsória da segurança vá se reverter. Resolva o seu problema você mesmo e proteja-se como puder — essa é a mensagem que está implícita não só na sua, mas em todas as candidaturas. Se estiver a pé, olhe por onde anda. Se andar de metrô ou ônibus, mão protegendo a bolsa/mochila — sempre. Nada de relógios, pulseiras, iPods, iPhones ou notebooks. Se tiver carro, coloque um rastreador. Se tiver dinheiro, blinde-o. Ao chegar em casa tranque a porta. Aliás, blinde a porta. Se tiver condições, coloque segurança armada no seu bairro (os poucos policiais honestos que sobraram ganham muito pouco e precisam desses “freelas”). E, claro, muito cuidado ao contratar empresas de segurança privada (os criminosos têm muitos agentes infiltrados lá).
Antes que os ideólogos comecem com o discursinho demagógico, vale lembrar que a violência não é um problema circunscrito a uma classe social específica — e muito menos deve servir de agenda para a obsoleta “luta de classes”. O problema é sério. E é geral. Está no trânsito das ruas, está nas avenidas, está em todos os bairros… É uma espécie de síndrome do pânico coletiva. Então não me resta outra alternativa senão desejar boa sorte a todos nós e torcer para que você não tenha de levar coronhadas (ou tiros) para perder completamente as esperanças.
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Alckmin, FHC, Lula, Maluf, Mercadante, PSDB, PT, Quércia, segurança pública, violência
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Diogo,
Gostaria de ter escrito tudo que está no seu post sobre os dois medíocres candidatos. Só faltou a ressalva de que, tudo que você previu que vai acontecer se o chuchu ganhar, também serve para o “irrevogável” Mercadante caso consiga a virada que seus aliados estão apregoando. Mas é melhor encerrar meu comentário por aqui antes que algum petusco ache que eu sou alguém do Estadão disfarçado de leitor como já aconteceu em outro post.
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