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Quinta-feira, 31 de Maio de 2012
Trágico e Cômico
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PT e PSDB: mórbida semelhança

Categoria: Politicalha, Tragi-crônica

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Já tem algum tempo que as pessoas se perguntam quais seriam as diferenças entre PT e PSDB. Tenho a impressão de que, se os dois partidos estivessem juntos, teríamos aqui no Brasil um quadro parecido com o do Chile, onde há uma coalizão de partidos que gravitam em torno da centro-esquerda, a Concertación. Mesmo que petistas e tucanos sejam adversários ferrenhos, confesso que não sei dizer quais seriam as diferenças ideológicas que os colocam em lados opostos da trincheira. Cá entre nós, sempre vi muito mais semelhanças entre eles — que, por sinal, já vem de longa data. A começar quando ambos lutaram ombro a ombro contra a ditadura militar e pelas “Diretas Já”. A história continuou em 1989, com o PSDB subindo no palanque de Lula no segundo turno contra Collor e depois para “impichá-lo”, três anos mais tarde. Chegando em 1994, antes do Plano Real, estava tudo certo para que o tucano Tasso Jereissati fosse o vice na chapa de Lula. E aí aconteceu a grande reviravolta: FHC costurou um apoio com o PFL (hoje DEM), ganhou a eleição e, pelos 16 anos seguintes, foi esse festival de picuinhas e acusações com o qual já nos acostumamos. Primeiro durante o governo FHC, quando Lula e o PT fizeram forte oposição, sinalizando que as diferenças entre os dois partidos eram irreconciliáveis. E oito anos depois, quando Lula finalmente chegou ao poder, aconteceu uma reviravolta no sentido inverso: a ruptura que se anunciava não aconteceu, como vimos (aliás muito pelo contrário). E acredite: foi a vez dos tucanos porem para fora todo o seu rancor.

Em busca de alguma lucidez para tanta esquizofrenia, fui ao debate promovido pela TV Estadão com os presidentes dos dois partidos. O resultado, porém, foi contraproducente. Sergio Guerra, do PSDB e José Eduardo Dutra, do PT (ou será que é o contrário?) revisitaram as mesmas picuinhas de sempre: quem fez o Plano Real, quem fez o Bolsa Família, quem exportou mais, quem tem a melhor política externa… Quando eu já começava a bocejar, fui acordado por duas curiosas concordâncias. Uma, que a gente já conhecia pelos bastidores, finalmente conheceu a luz: ambos defenderam abertamente a descriminalização do caixa 2 (afinal de contas, “todo mundo faz”, né?). Mas o momento “comédia Stand-up” veio mesmo quando eles se comprometeram barrar todas as candidaturas “fichas sujas” nas próximas eleições, arrancando gargalhadas da plateia.

No fim, o debate serviu apenas para confirmar o que todos já sabiam: petistas e tucanos defendem ideias muito próximas, mas não se bicam porque disputam o mesmo espaço e têm seus próprios projetos de poder. Por isso, as discussões mais pareciam duas crianças (irmãos?) brigando pra ver quem vai ficar com o “brinquedo” pelos próximos quatro anos. Não me levem a mal, PT e PSDB até poderiam ser bons partidos aos olhos do eleitor — isso se não apelassem para tudo o que há de mais atrasado no Brasil: o fisiologismo, o clientelismo, o corporativismo, o coronelismo e as oligarquias de sempre, com PMDB e DEM à frente. A verdade — dolorosa para petuscos e tucaneiros — é que PT e PSDB são o mesmo produto, mas com embalagens diferentes (ah, a “competência técnica” dos tucanos contra a “justiça social” dos petistas…). Existem diferenças aqui e ali, claro, mas são meramente cosméticas. Estruturalmente, os fundamentos foram todos mantidos nesses últimos 16 anos (e vão continuar, seja qual for o próximo presidente). E a maior ironia de tudo é que, no fim, quando um critica ao outro, ambos acabam se auto-criticando… entendeu? Pois é, nem eu…

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3 Comentários Comente também
  1. Enviado por: trju

    Concordo plenamente com o post, as diferenças entre PT e PSDB são realmente o poder, que ora está na mão de um e porventura não está na mão do outro , as outras sutis diferenças são só pra maquiar esse desejo de classe dominante no pais

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