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Quinta-feira, 31 de Maio de 2012
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Conexão África do sul (parte 2): Um Grito de Liberdade

Categoria: Copa 2010, Cultura, Tragi-crônica

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Continuando com a nossa Conexão, trago aqui mais uma opção de filme que conta uma história verídica — e que também está disponível num DVD (ou download) perto de você. Um Grito de Liberdade (Cry Freedom) conta a história de Donald Woods (Kevin Kline), um editor de jornal que se vira contra o regime do apartheid e passa a divulgar ao mundo todos os seus horrores. Para isso, ele se une ao ativista anti-apartheid Steve Biko, interpretado por Denzel Washington (no tempo em que ele ainda não se repetia em seus papéis). Um Grito de Liberdade ganhou as telas de cinema no ano de 1987, com o apartheid já em seus estertores, e se juntava à enorme pressão internacional pelo fim do regime. Vários artistas já tinham se engajado na causa, como Peter Gabriel, que em 1980 lançou a música “Biko” e pelo Artists United Against Apartheid, que em 1985 engrossava o coro da Anistia Internacional.

Dirigido por Richard Attenborough, o filme é dividido em duas partes. Na primeira, o personagem de Biko é quem conduz a história, desafiando o “branco liberal” Woods a conhecer a realidade dos assentamentos em que viviam. À medida que a história avança, Biko molda sua dialética de “consciência negra”, desconstruindo a tese de que ele liderava uma incitação ao ódio racial. Quando ele é intimado a prestar esclarecimentos à corte sulafricana, surge o melhor diálogo do filme:

— Por que o senhor fala tanto que o “negro é belo”?
— Porque o termo “negro” é sempre associado a conotações pejorativas, como “mercado negro”, “ovelha negra”…
— Então por que vocês usam o termo “negro” se são mais “marrons”?
— E por que vocês usam o termo “branco” se são mais “cor-de-rosa”?

Biko morreu em Pretória, em 12 de setembro de 1977, espancado pela polícia a serviço do apartheid, que alegou que ele morreu em decorrência de uma greve de fome. Sua morte afetou profundamente seu povo, e também Donald Woods, que passou a sofrer as mesmas perseguições do regime e não viu outra alternativa senão fugir do país. Com farta documentação da vida (e da morte) de Biko, o plano era publicar tudo em livro — o que de fato acabou ocorrendo em 1978. O filme perde o fôlego no final, se alongando nas minúcias do plano de fuga de Donald Woods para a liberdade. Mesmo assim, fica como um valioso registro de um período que deixou suas marcas profundas (e ainda não totalmente cicatrizadas) na história do país.

3 Comentários Comente também
  1. Enviado por: Luiz Augusto Lima

    Muito bom, caro Diogo. Bela lembrança. A história de Biko, assim como a música do Peter Gabriel, sempre emocionam.

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