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Quinta-feira, 31 de Maio de 2012
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Conexão África do sul (parte 1): Invictus

Categoria: Copa 2010, Cultura, Tragi-crônica

filme_invictus

Com a Copa se aproximando, está na hora de iniciarmos aqui a Conexão África do Sul, um especial de alguns posts relacionados ao país sede da Copa. E aqui vamos nós… Todos já conhecem a história do apartheid e do papel que Mandela representou na queda do regime (se não conhecem, corram para os livros agora). Porém, nem todos sabem da história do time africano de rúgbi, que teve um improvável (e importante) papel na transição democrática do país. E numa adaptação do livro Conquistando o Inimigo, do jornalista britânico John Carlin, surgiu o filme Invictus, agora num DVD (ou download) perto de você.

Quando Nelson Mandela assumiu a presidência, vislumbrou na Copa do Mundo de Rúgbi em 1995 uma oportunidade de usar o esporte (predominantemente “branco”) como ferramenta para conter a onda revanchista e o medo que assolavam o país — pondo em prática o “dar ao inimigo tudo o que ele nos negou”. Mas engana-se quem acha que é um filme sobre rúgbi. O esporte aqui serviu de suporte para uma plataforma política, e Clint Eastwood (em sua faceta mais esquemática) soube contar a história habilmente, mesmo que escorregando em clichês e abusando da câmera lenta na partida final. Morgan Freeman era a escolha óbvia para o papel de Nelson Mandela (o próprio Mandela tinha se manifestado a esse respeito). Em caracterização impressionante, Freeman soube dar vida à figura mítica do líder sulafricano, combinando o gênio da política com o pai de uma família desestruturada. E, felizmente, Matt Damon soube se encaixar como coadjuvante, no papel de François Pienaar, o capitão dos Springboks (como o time sulafricano é conhecido).

No fim, o objetivo é alcançado: a violência se consuma apenas através das trombadas e encontrões do rúgbi. Mensagens políticas são distribuídas por toda a película, com a intenção de conquistar o espectador (e sejamos francos: é difícil não baixar a guarda). Claro que os problemas da África do Sul não foram todos resolvidos ali. E mesmo que o rúgbi tenha sido uma solução paliativa, só o fato de uma guerra civil ter sido evitada já foi um grande feito. Como metáfora para ilustrar, temos o staff da segurança de Mandela, que começa o filme segregado em meio ao ódio, e termina na maior camaradagem. Assim, Invictus fica como um recorte de um momento crucial para os sulafricanos e deixa a lição final de Nelson Mandela: o perdão remove o medo, e por isso é uma arma tão poderosa.

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