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Quinta-feira, 31 de Maio de 2012
Trágico e Cômico
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A diferença entre charge e caricatura

Categoria: Arte-Ilustração-HQ, Humor, Tragi-crônica

Acreditem em mim: pouquíssimas pessoas sabem a diferença entre charge e caricatura. Excetuando-se os profissionais da área e os admiradores de ambas as artes, a maioria ainda pensa se tratar da mesma coisa, mas com nomenclaturas diferentes. Não é. E lá vou eu explicar tudo de novo, pela zilhonésima vez…

Para facilitar, coloco aqui duas balizas que dividem esses dois mundos: a política e o tempo. Explico: é que a charge, geralmente traz o fato político de uma forma debochada, irônica — mas essa piada se restringe ao tempo em que acontece apenas. Os poderosos do momento são as vítimas mais fáceis e a gafe (ou escândalo) de hoje se tornará a charge de amanhã (pode esperar que ela sempre vem). Às vezes a charge encontra outras praias para navegar: futebol, TV ou qualquer fato que esteja “na boca do povo” no dia… Mas é a política o seu porto seguro. Querem um exemplo? Aqui vai a charge do dia no JT (pense que ela já está envelhecendo) e aqui está a notícia que me serviu de inspiração.

jt10_moto

Já com a caricatura, a história é outra. Trata-se apenas do retrato distorcido e bem humorado (ou meio grotesco) do personagem escolhido, sem qualquer referência ao tempo. Ou seja, esse personagem não precisa estar nos jornais do dia. Na verdade, ele nem precisa estar vivo. Qualquer pessoa famosa pode virar caricatura a qualquer hora, basta o artista “enxergar” uma maneira de caricaturá-lo. Pode ser um esportista qualquer (não precisa estar disputando um campeonato), um ator de cinema (mesmo que não tenham filmes dele em cartaz) ou até mesmo uma celebridade que anda meio sumida. Exemplo? Fiz esse Marlon Brando há cinco anos. Além de ser um personagem que já morreu, está caracterizado num papel que ele representou no cinema há décadas.

carica_brando

Vê a diferença? O caricaturista (essa palavra que quase ninguém consegue pronunciar) é o senhor de seu tempo. Já o chargista, coitado, é o contrário: é escravo dele. Sei fazer caricatura. Faço aqui no jornal, faço por encomenda, faço ao vivo em eventos (alguém quer me contratar? Manda um e-mail aí, beleza?). E gosto muito dessa arte. Muito mesmo. Mas meu lance é a charge. Adoro revirar o lixo dos políticos todos os dias (devo ser meio porco, vai saber) e retratá-los da maneira mais sarcástica possível.

Bom, é isso aí. Ficou alguma dúvida? Por favor, me digam que entenderam! Caso contrário, vou continuar escrevendo sobre o assunto até que 100% da população saiba distinguir charge de caricatura… Sou brasileiro e não desisto nunca!

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8 Comentários Comente também
  1. Enviado por: Glúon

    __________________

    Papo de aprendizes
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    - E aí? Gostou da aula do professor Diogo?
    - Excelente! Agora já sei a diferença entre a charge e a caricatura.
    - Ah é? Então me dá um exemplo das duas?
    - O Lula e a Dilma, né?

    ____________________________________________________

  2. Enviado por: LuckyBastard

    Entendi. Charge é preto-e-branco e caricatura é colorida, certo? hahaha Valeu, professor Diogão!

  3. Enviado por: Gilson

    Quem foi que lhe disse que nós tínhamos alguma dúvida?

    Ou você adivinhou?

  4. Enviado por: Loham

    VLW!!muito bom!!

  5. Enviado por: pedro macedo

    ?????????????????????????????? num tendi nada…explica de novo, tiu….

  6. Enviado por: clelia santanna

    taí: gostei da explicação! apesar de adorar caricatura ( um artista fez uma de mim, a meu pedido, e eu fiquei maravilhosamente engraçadissima!!) eu nunca havia atinado para a diferença entre as duas manifestações artisticas, que adoro! viu? aos setenta e dois anos tive o prazer de aprender contigo e retransmitirei teu ensinamento! obrigada

  7. Enviado por: Joana Queiros

    Isso aí. Não desiste não. Brasileiro é assim mesmo. Ele sabe. Com certeza que ele sabe, mas faz questão de dizer que não sabe. E aí os que sabem fazem questão de ensinar os que não sabem ou que finge não saber. Agora mesmo, esta lá no Herton Escobar, onde ele diz para todo mundo que o efeito estufa é normal e bom para a humanidade, mas que o homem exagera com sua ganância e comete atrocidades mil que acaba engrossando o “cobertor” de proteção e aí vem os “mais sábios” dizendo que tudo não passa de uma grande besteira. Quem agüenta?

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