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Sábado, 27 de Agosto de 2016
Trágico e Cômico
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Trágico e Cômico, o livro

Categoria: Arte-Ilustração-HQ, Humor

O blog acabou, mas a tragicomédia continua.

Tendo como gancho as manifestações que tomaram o país em 2013, Trágico e Cômico retorna, agora em forma de livro, trazendo o melhor de meus 5 anos de trabalho como chargista do Jornal da Tarde.

Se todas as demandas das ruas não cabiam em um único cartaz, a maior parte delas coube neste livro, que é leitura recomendada a quem quer conhecer melhor os intestinos de nossa política, questionar nossa sociedade e entender o Brasil de uma forma crítica, sem perder o humor.

Trágico e Cômico: os protestos em charges,
o livro que vai chacoalhar as suas certezas.

Publicado pela Primavera Editorial,
à venda em todas as livrarias.

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Informações técnicas sobre o livro
Resenha no Digestivo Cultural

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O fim do JT e o histórico nariz do Maluf

Categoria: Arte-Ilustração-HQ, Humor, In memoriam

Não é preciso repetir aqui os motivos que levaram ao fim do JT depois de 46 anos circulando. Também não é preciso ressaltar a importância deste jornal e alguns marcos que ele conquistou na imprensa. Fiquei pensando sobre o que eu escreveria no último post deste blog e decidi que, apesar de ser um momento triste, o tom deveria ser de homenagem. Quero encerrar meu trabalho aqui de forma digna e sem mágoas.

O JT ficou conhecido por suas capas arrojadas, que fizeram história no jornalismo. De todas elas, ficarei com apenas uma. Uma série, melhor dizendo: o histórico nariz de Pinóquio do Maluf, que fez um grande sucesso no início dos anos 80. A história é a seguinte: Maluf era governador de São Paulo na época e sua ambição era perfurar o estado inteiro, por ter certeza de que havia petróleo no interior. Para tanto, ele não mediu esforços. Criou a estatal Paulipetro e perfurou 69 poços na bacia do Rio Paraná (na divisa com Minas). Sua confiança era tanta que ele até deu prazo para encontrar o suposto petróleo. Uma atitude fanfarrona, escorada por uma mentira deslavada e que teve como único resultado uma jazida de dinheiro público desperdiçada. Na época, os responsáveis pela parte gráfica e pelas ilustrações do JT era a dupla Gepp e Maia. Foram eles que criaram o conceito do famoso nariz do Maluf, que ia crescendo à medida que o prazo dado pelo governador ia se esgotando. Quando finalmente o grande dia chegou, o nariz do Dotô Paulo estava “estourado” na página, cruzando-a de cabo a rabo. É assim que se persegue os poderosos. Com sarcasmo, senso crítico e ousadia. Uma lição de contestação para qualquer cartunista.

O que pouca gente sabe é que, anos depois, me tornei amigo desta talentosa dupla de artistas e o Maia acabou se tornando o meu mentor nesta perigosa vida de ilustrador e cartunista. Aí, num desses acasos da vida, entrei no JT em setembro de 2007. Senti-me realizado não apenas por ocupar a página 2 deste importante jornal, mas por todo o simbolismo que aquilo carregava. Preencher a vaga que um dia foi do mestre é realmente um privilégio para poucos. Certamente uma das maiores honras que já tive na vida.

Meses depois de minha chegada aqui, o assunto do petróleo voltou à pauta. No começo de 2008, o pré-sal era a grande novidade e não se falava em outra coisa na imprensa. Dotô Paulo, como era de se esperar, não perderia a chance descolar o seu cantinho nos jornais, dizendo que foi ele o grande visionário que anteviu o pré-sal. Esqueceu-se, obviamente, que o pré-sal foi descoberto a cerca de mil quilômetros de onde ele vislumbrava.

E assim, na charge do dia 22 de fevereiro de 2008, aproveitei para recriar o nariz do Maluf, sem esquecer de fazer a menção honrosa aos mestres. Este blog que você lê agora ainda não existia na época, mas quando ele surgiu, em fevereiro de 2010, fiz questão de tornar o Dotô Paulo um habituè por aqui, já que seu nariz nunca deixou de crescer em todos esses anos. E, acreditem ou não, Maluf foi o único político que respondia às charges via Twitter (teve até uma vez que ele se invocou).

Portanto é com essa charge do nariz do Dotô Paulo que traço as linhas finais deste blog. Queria agradecer sinceramente a todos que visitaram, comentaram, concordaram, discordaram, elogiaram e criticaram meu trabalho. Parece até piada, mas até os trolls e haters farão falta.

Aliás, não estou triste, não. Olhando em retrospecto, sinto-me imensamente feliz em ter feito parte dessa história. Agora, como diria Bono Vox, é hora de sonhar tudo de novo.

Um forte abraço a todos e mantenham a descrença!
Diogo

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As mudanças cosméticas de Haddad e o cinismo de Kassab

Categoria: Eleições 2012

Antes de fazer meu comentário político do dia, todos já devem ter visto que o JT vai fechar e, por consequência, este blog terá o mesmo destino. Esta é, portanto, a última charge sobre política, mas este não será o último post. Amanhã farei aqui a despedida que todos merecem. Foram 5 anos de humor e críticas no jornal, dos quais metade pude compartilhar com vocês aqui no blog. Durante esse período, tentei pegar o maior número de políticos para colocá-los no mesmo saco de gatos. Serra, Lula, Sarney, Alckmin, Maluf, Dirceu, todos foram contemplados. Mas nenhum sofreu tanto na minha mão quanto Gilberto Kassab. De 2011 para cá, dirigi a ele críticas pesadas, mas justas, no meu modo de entender — tanto que a população confirmou esse sentimento, reprovando-o nas urnas. Com o agravamento dos problemas da cidade se somando à fundação dessa anomalia chamada PSD, aos incentivos fiscais e todas as politicagens do Itaquerão e às constantes proibições por toda a cidade. Em seus dois últimos anos de governo, Kassab mostrou exatamente o que ele é e espero que a população não se esqueça disso em futuros pleitos.

Sobre a pauta do dia, me perguntaram pelo Twitter sobre eventuais mudanças na cidade de São Paulo, agora que Haddad foi eleito. Bom, dá pra contar com algumas, pois são promessas de campanha relativamente fáceis de cumprir, como o fim da taxa de inspeção veicular, o bilhete único mensal, a desmilitarização das sub-prefeituras e o fim dessas proibições absurdas do Kassab. Mas, como resultado prático, teremos apenas uma maquiagem de uma cidade um pouco mais tolerante, com mudanças pontuais e cosméticas. De resto, não esperem por uma revolução, pois o que prevalecerá será a mesma incompetência, burocracia e fisiologismo de sempre. Sem falar da violência e dos incontornáveis problemas na saúde, educação, transporte e moradia.

Mas, falando em fisiologismo, além do Maluf mordendo cargos, assistiremos também ao nosso atual prefeito pulando a trincheira partidária (já que a ideológica não existe mais). Agora que ele ficará sem mandato — e com Serra fora da jogada —, comenta-se que Kassab assumirá um ministério ainda em 2013. Nada mais previsível, vindo de uma figura desprezível como essa, que joga na política de acordo com a conveniência.

Bom, é isso. Não estarei aqui para criticar a próxima gestão, portanto conto com o senso crítico de vocês. Amanhã temos o nosso último encontro, com um post especial sobre o nosso querido Dotô Paulo Maluf. Até lá.

A vitória de Haddad e o destino de Serra

Categoria: Eleições 2012

Por que Haddad ganhou a eleição? Ora, porque Serra entrou na campanha com uma missão impossível: defender a atual gestão, reprovada com louvores pela população. Tudo o que Haddad tinha a fazer era se colocar como “o novo” — coisa que ele não é — e correr para o abraço. Ajudou muito o fato de que o peso que ele carregou (Marta) já ficou um pouco distante da memória do eleitor, enquanto que o peso do Serra (Kassab) é o pesadelo do qual ainda não acordamos.

E sejamos francos aqui. Serra perdeu para um adversário duríssimo nesta eleição: ele mesmo. Mas o que vai acontece com ele agora? Desidratado depois de duas campanhas desastrosas, dificilmente consegue se eleger para outro cargo no executivo. Se for esperto, concorre ao senado em 2014 e se torna o cacique de si mesmo. Um Sarney do PSDB, se preferir.

Agora a bola tá com o Haddad. Desejo boa sorte a todos nós. Principalmente àqueles que acham que alguma coisa vai mudar…

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O voto no ‘menos pior’

Categoria: Eleições 2012

Eu combato com todas as forças essa tese consolidada na cabeça do eleitor brasileiro, de que no segundo turno temos de votar no “menos pior”. Numa primeira análise, até faz algum sentido, se pensarmos que um dos dois vai ganhar de qualquer jeito. Portanto, que fiquemos com o mal menor, certo? Mas aí sou eu que lhe pergunto: existe “menos pior”? Antes de analisar, vamos aos fatos: tanto PT quanto PSDB se provaram, por inúmeras vezes, indignos de nossa confiança. Partidos que abusaram sistematicamente do poder quando o tiveram, que fazem política na base do troca-troca de cargos e verbas, que fecham as alianças mais imundas e rasteiras. Mas acima de tudo, são partidos que, em vez de expulsar seus corruptos, os protegem. Inventam perseguições políticas, justificam a roubalheira como um mal necessário, um roubo a favor do povo, da democracia, do que vier à mente. Tudo parte de um grande teatro, para transformar patifes em vítimas.

Apesar de tudo, mesmo decepcionado, ainda resta ao eleitor algum resquício de simpatia. É aí que eles atacam. Apelam para o discurso que sensibilize o eleitor, que o traga de volta para o seu lado, que faz com que o eleitor veja o roubo como algo justificável, um roubo “a favor” dele, enquanto que o roubo do outro seria o roubo “contra” ele, um roubo contra “o povo”. A consequência disso é a conhecida indignação seletiva de petuscos e tucaneiros.

Votando nulo, sei que não altero o resultado nas urnas, mas prefiro manter a minha opinião, em vez de vendê-la ao jogo do “menos pior”. Votem em quem quiser, mas tenham alguma convicção, pelo menos. Caso contrário, por que os políticos se esforçariam para melhorar, se sabem que o eleitor se contenta com o “menos pior”?

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