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Tempo real

(Reportagem de Elvis Pereira e Luisa Alcalde)

Ao saber da condenação do casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, Ana Carolina de Oliveira, apareceu, nesta madrugada de sábado, 27, na sacada do prédio onde os pais dela moram, no Tucuruvi, na zona norte de São Paulo.

Chorando bastante, ela acenou para as pessoas que gritavam pelo nome dela na rua. Pouco depois, ela voltou a aparecer e repetiu o gesto. Às 2 horas, moradores de casas que ficam na frente do prédio ainda gritavam pela bancária, pedindo que ela aparecesse novamente.

Havia expectativa de que ela ou a mãe, Rosa Cunha de Oliveira, vó de Isabella, descesse para conversar com a imprensa. Além de três funcionários do prédio, a segurança da frente do edifício é feita por dois policiais militares em uma viatura.

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O casal em uma viatura policial quando foi preso, em maio de 2008

 (Reportagem de Gabriel Pinheiro e Fabiana Marchezi)

O casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá foi considerado culpado na madrugada deste sábado, 27, pela morte da menina Isabella Nardoni, atirada do sexto andar do prédio onde moravam seu pai e a madrasta em março de 2008. Os dois foram condenados por homicídio triplamente qualificado e fraude processual, sentença à qual a defesa já recorreu.

Alexandre Nardoni foi condenado pelo júri a 31 anos, 1 mês e 10 dias de prisão, enquanto Anna Jatobá recebeu pena de 26 anos e 8 meses.

No caso dele, a pena foi maior porque o crime foi praticado contra descendente, o que é considerado um agravante. Durante a leitura da sentença, que foi transmitida do saguão do fórum da Barra Funda, o juiz citou que o crime foi praticado com “frieza emocional, de forma insensível e covarde.”

Outros agravantes do crime  foram a idade da menina, menor de 14 anos, e o fato de ela ter sido asfixiada.

Quando foi lida a sentença, que começou às 00h16 e terminou às 00h40, Anna Carolina e Alexandre choraram; ele, menos do que ela. O pai do réu já chorava antes mesmo de o juiz dar o veredicto, atitude atípica para ele, que se mostrava convicto da inocência dos réus durante todo andamento do processo.

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Na sala do júri, o avô materno de Isabella, José Arcanjo de Oliveira, fez sinal de vitória à imprensa, comemorando a decisão. Antes de deixar o plenário, Jatobá acenou para sua família, em um gesto de despedida. Alexandre foi trocar algumas palavras com o advogado de defesa, Roberto Podval.

Depois da condenação, jornalistas já saíram para dar a notícia a centenas de populares que se aglomeravam na porta do tribunal. Na frente do prédio, o clima agora é de festa. Uma multidão comemora a decisão do júri com faixas, rojões, e gritos de vitória.

O julgamento no fórum de Santana durou cinco dias e reuniu um batalhão de jornalistas, advogados, estudantes de direito e curiosos. Na noite desta sexta-feira, uma multidão estava no local e as emissoras de TV instalaram telões para transmitir o resultado do julgamento.

 Veja também:

mais imagens Galeria de fotos do julgamento

lista Histórico do caso de Isabela Nardoni

especialEntenda o julgamento do caso Isabella

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(Reportagem de Fabiana Marchezi e Gabriel Pinheiro)

Até as 23h45, os sete jurados permaneciam na chamada sala secreta, decidindo seus votos para a condenação ou absolvição do casal Nardoni. Por volta da meia noite, os 33 jornalistas que acompanharão a leitura da sentença começaram a ser chamados para a sala do júri. A sentença deve sair na próxima hora.

Em frente ao local, centenas de pessoas continuam à espera da decisão, ainda gritando xingamentos aos réus e pedindo condenação por “7 a o”. O advogado Roberto Podval também não foi poupado: “Advogado pipoqueiro, só trabalha pelo dinheiro” era um dos gritos comuns à multidão, assim como “joga da janela.”

Acompanhe também a transmissão da sentença ao vivo no Território Eldorado

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(Reportagem de Fabiana Marchezi e Gabriel Pinheiro)

A tréplica da defesa durou cerca de 45 minutos, terminando às 21 horas. Em seguida, o juiz apresentava aos jurados os quesitos para que os sete tomassem sua decisão. Depois houve uma parada para o jantar, que durou  em torno de 60 minutos.

Os  jurados começaram a votar por volta das 22h20. Se condenarem o casal Nardoni, o juiz decidirá a pena.

Na leitura da sentença será permitida a presença de 33 jornalistas. Os demais aguardarão no saguão do fórum, onde serão instaladas caixas de som para transmitir a decisão.

Do lado de fora do fórum, emissoras de TV estão instalando telões para o público que se aglomera no local.

Assim que for divulgada, a decisão será publicada neste blog.

Acompanhe também a transmissão da sentença ao vivo no Território Eldorado

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(Reportagem de Gabriel Pinheiro)

Na frente do fórum, o clima lembra uma final de campeonato de futebol – ou um grande show em estádio prestes a começar.

Camêras de TV e microfones estão a postos, esperando qualquer novidade sobre o caso. Dezenas de pessoas se aglomeram nos portões, gritando xingamentos ao casal Nardoni. “Pega lá, pega lá, pega lá; pega lá pra nós capar (sic)” era um dos coros dos manifestantes. “Queremos entrar” era outro.

Como em todos os dias do julgamento, não faltavam também manifestações a favor da acusação. Muitas vezes os populares gritavam nomes como “Cembranelli”. “Assassinos” e “justiça” também eram algumas das palavras de ordem da multidão.

Quem está do lado de dentro do fórum não sai mais. Na sala de imprensa, cerca de 40 jornalistas de veículos de várias regiões do País dividem-se em duas grandes mesas. Quase tudo é compartilhado – de tomadas para notebooks e baterias de celulares a informações sobre o lado de dentro da restrita sala do júri.

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(Reportagem de Fabiana Marchezi)

Durante a parte final da réplica da acusação, o promotor Francisco Cembranelli afirmou em alto e bom tom que o ex-advogado do casal, Marco Pólo Levorin, desistiu do caso quando teve certeza da culpa dos réus. “Ele disse que deixaria o caso quando tivesse certeza, e foi o que ele fez”.

Nessa hora, o advogado do casal rebateu dizendo que o promotor estava sendo deselegante. O promotor acrescentou: “Acho sua ordem de valores bastante estranha”.

Além de expor e rebater “várias mentiras” que, segundo ele, foram apresentadas pelos réus, o promotor reconstruiu mais uma vez a cronologia dos fatos e, ironicamente, disse que a tentativa da defesa de desqualificar as provas apresentadas pelas instituições envolvidas na investigação é totalmente inútil. Ele afirmou que para a defesa “a cronologia não presta e o Copom deve ser jogado no lixo”.

E pediu aos jurados: “Agora, acredito que os senhores já saibam toda a sequência. Todas as provas levantadas pela perícia apontam para os réus”.

Entre os pontos citados pelo casal e rebatidos pelo promotor está o fato de Alexandre ter dito que vivia um período de harmonia com a ré. “Como? Ele num período de harmonia com a ré, enquanto ela estava num quadro de depressão, tanto que procurou um médico”. Depois disso, ele tossiu e mais uma vez ironizou: “Quase perdi a fala de tantas mentiras que o réu contou”.

O promotor insistiu no fato do réu ter negligenciado socorro à própria filha. Ele ironizou várias vezes que qualquer um teria feito o que o vizinho Antonio Lúcio fez (se referindo a ele ter acionado a polícia e o resgate) menos o réu. Neste momento, apontou para Alexandre Nardoni.

Enquanto isso, depois de cinco dias de julgamento, um dos jurados, que aparenta ter 30 anos, ora fazia anotações, demonstrando muito interesse, ora se debruçava na bancada, parecendo estar pensando em qualquer outra coisa.

Cembranelli encerrou dizendo aos jurados: “Senhores, eu acompanhei a elaboração de cada um dos laudos. E espero realmente que saiam condenados porque as provas mostram isso. A sociedade, que aguarda lá fora, não quer vingança, quer justiça. Considerem toda a dinâmica e condenem justamente os réus”.

A réplica da acusação terminou às 19h50. Agora, o advogado Roberto Podval está com a palavra, na tréplica.

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(Reportagem de Gabriel Pinheiro)

Durante a primeira parte da réplica da acusação, o promotor Francisco Cembranelli afirmou que Anna Carolina Jatobá “é um barril de pólvora prestes a explodir.” Ele voltou a acusar a ré de ter agredido a vítima por ciúmes — Isabella, segundo ele, era “uma miniatura” da mãe. “Todas as brigas tinham o mesmo motivo: o ciúme doentio que Jatobá tinha de Ana Carolina.”

Com a ausência de provas periciais contra a madrasta, Cembranelli se esforçou para traçar ao júri o perfil psicológico da acusada. Disse que ela se referia à mãe da menina como “aquela vagabunda” e destacou que há pessoas que sofrem “transtorno temporário” por alguma razão. Como exemplo, citou “o diretor do Estado” (Pimenta Neves).

“Era ela quem esmurrava vidraças, esmurrava o marido, atirava o filho no berço”, acrescentou aos jurados, que apresentavam sinais de cansaço. “Estou mostrando que há uma prova evidente de que ela poderia fazer o que fazia habitualmente: agredir as pessoas.”

Sobre o fio de cabelo encontrado na cena do crime, que a defesa expôs hoje como uma das provas que não foram periciadas, Cembranelli questionou: “se fosse algo tão importante, por que não pediram DNA antes?”. Segundo ele, o material consta nos autos do processo “há muito tempo”. “A defesa trabalha com a dúvida”, ressaltou.

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(Reportagem de Fabiana Marchezi)

A Polícia Militar (PM) planeja reforçar seu efetivo em frente ao Fórum de Santana para o fim do julgamento dos Nardonis.

Desde o início do júri, 34 PMs se revezam 24 horas para garantir a segurança nos arredores do prédio. Com o reforço, o número pode subir para 50 homens, dependendo da quantdade de manifestantes quando o julgamento estiver chegando ao final.

A intenção é resguardar a integridade física dos réus, de suas famílias, da promotoria, dos advogados de defesa, dos jurados e do próprio juiz. Por volta das 18h15, cerca de 150 pessoas, entre jornalistas e manifestantes, continuavam aglomerados na calçada e em parte da Avenida Engenheiro Caetano Álvares.

A sentença deve sair à 1h deste sábado.

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(Reportagem de Gabriel Pinheiro)

Roberto Podval, que defende os Nardonis, afirmou em plenário que o promotor Franscisco Cembranelli sabia sobre a oferta de acordo que havia sido oferecido a Alexandre Nardoni durante seu depoimento, em abril de 2008, para livrar sua esposa, Anna Carolina Jatobá. O promotor negou e reagiu: “isso é canalhice.”

O advogado de defesa pediu ao juiz para que o xingamento “conste nos autos”.  Cembranelli esclareceu, então, que havia xingado o réu Alexandre Nardoni, não Podval.

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(Reportagem de Gabriel Pinheiro)

O advogado criminalista Roberto Podval, que defende os Nardonis, encerrou sua parte no debate dizendo que se a imprensa e a sociedade tivessem outra postura no caso, o destino do casal poderia ser outro.

“Se não houvesse essa loucura toda (olha para os jornalistas da sala), eles seriam absolvidos, porque não há provas. Eles entraram condenados sem serem julgados.” Antes, reforçou: “Aí nossa sociedade clama por justiça. Pobre da nossa sociedade.”

Ele também lembrou o caso de Madeleine McCann, sem citá-lo nominalmente. Aos 5 anos, ela desapareceu quando visitava Portugal com os pais. Em determinado ponto da investigação, eles foram colocados como suspeitos do incidente.

Por volta das 16h50, o advogado terminou sua explanação citando uma frase de Chico Xavier. “Ninguém pode voltar atrás e fazer um novo começo, mas podemos fazer um novo fim”, afirmou ao júri. Às 17h46, começou a réplica da acusação.

Veja as frases marcantes ditas pelo advogado de defesa:

“É possível que tivesse uma pessoa dentro ou fora (do apartamento). Posso falar que tem? Não. Posso falar que não tem? Não.”

“Ninguém é testemunha presencial (…) não dá para tirar conclusões.”

“A acusação foi técnica, mas a história não fecha.”

“Fico me perguntando por que alguém (olha para os réus) mataria a menina (…) Por ciúmes… Ciúmes? Não.”

“Dizem que ela (madrasta) é triste, deprimida. Mas dá para indiciar? Não. O que fizeram ontem com ela é maldade, o que não fizemos com a mãe (Ana Oliveira)”. (A afirmação, como se pode saber adiante, foi em referência ao fato de ontem a acusação ter citado os problemas familiares da ré com seus pais)

“Tem sentido? Não tem (citando teses sobre a 3ª pessoa no apartamento e os gritos de ‘para, pai’ que um vizinho diz ter ouvido). Mas também não tem sentido que foram eles.”

“Ela (madrasta), a suja, a porca, a megera, vai na piscina com a filha da outra, que veio aqui chamá-la de assassina. Não queria ficar na casa da outra (mãe).” (Ao relembrar o penúltimo dia de vida de Isabella)

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