
“O presidente Obama foi premiado com o Nobel da Paz nesta sexta-feira, pelo seu trabalho para melhorar a diplomacia internacional e livrar o mundo de armas nucleares – uma decisão espantosa para celebrar uma figura virtualmente desconhecida no mundo antes dele lançar sua campanha para a Casa Branca, três anos atrás.
Ao conceder o prêmio para Obama, 48, o comitê do Nobel ecoou a aceitação global do presidente americano, que viu sua popularidade no exterior freqüentemente exceder seu apoio doméstico.”

O jornal francês “Le Figaro” definiu a escolha do prêmio como “uma enorme surpresa”.
“O nome do presidente americano havia sido mencionado, mas muitos especialistas consideravam cedo demais para recompensá-lo. Eleito em novembro passado, Barack Obama começou a exercer seu mandato em janeiro.”
Uma enquete no site do jornal perguntava aos leitores se Obama mereceu o Nobel da Paz deste ano. Às 12h40, 70% dos 29.313 votantes respondia que não.

O jornal francês Le Monde destacou os esforços do presidente americano pela desmantelação de arsenais nucleares pelo mundo.
“Em setembro, Obama presidiu uma reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas que aprovou por unanimidade uma resolução, redigida pelos Estados Unidos, apelando aos países nuclearizados para que desmantelassem seus arsenais.
Obama é o terceiro americano membro do partido democrata a receber o Nobel da Paz no século XXI, após o ex-presidente Jimmy Carter (2002) e o ex-vice-presidente Al Gore (2007).
Ele se junta a outros chefes de Estado ou de governo que receberam esta distinção enquanto exerciam o mandato, como o russo Mikhaïl Gorbatchev em 1990 e o israelense Yitzhak Rabin e o palestino Yasser Arafat em 1994.”

“De forma surpreendente, o Comitê do Nobel anunciou nesta sexta-feira que concedeu seu prêmio anual da Paz para o presidente Obama.
Com forças americanas destacadas no Iraque e no Afeganistão, o nome do presidente Obama não estava entre os favoritos até poucos minutos antes do anúncio do prêmio.
O comitê disse que queria destacar os esforços diplomáticos de Obama até o momento, e não antecipar eventos futuros.
Não houve reação imediata da Casa Branca sobre o anúncio, que teve uma recepção mista em algumas partes do mundo”

“A escolha de Obama para o prêmio entre mais de 200 candidatos surpreendeu os comentaristas internacionais, em parte porque ele assumiu o mandato a menos de duas semanas antes do prazo final de inscrição para o Nobel.
Seu nome foi mencionado durante as especulações antes do prêmio, porém muitos observadores do Nobel acreditavam que era muito cedo para premiar o presidente.
Michael Cox, um especialista em América do Norte do thinktank Chatham House disse: “É difícil entender porque o prêmio seria entregue a ele neste estágio da presidência. Há problemas no Oriente Médio e uma guerra acontecendo no Afeganistão. Você poderia dizer que é um pouco prematuro. Certamente é uma escolha muito interessante”.
O comitê disse que por 108 anos tem se esforçado para estimular precisamente a política internacional e atitudes pelas quais Obama se tornou no momento o líder mais influente do mundo.”

“Obama se impôs sobre os outros favoritos, como a senadora colombiana Piedad Córdoba, ativistas chineses e russos e a Coalisão contra as Bombas do Racismo.
Famoso por seu semblante calmo e disposição conciliadora, Obama encarna como ninguém o sonho de reconciliação em um país com profundas feridas raciais e de mudanças nas relações internacionais, marcadas nos últimos anos pelo unilateralismo da administração anterior de George W. Bush.
Em uma visita histórica ao Egito, o presidente americano estreitou os laços com o Islã e assegurou em seu aplaudido discurso aos países muçulmanos que os Estados Unidos ‘não estiveram nem estarão nunca em guerra contra o Islã’.
Ao mesmo tempo, defendeu um Estado Palestino e ressaltou o sofrimento judeu. Obama, que é comparado por muito americanos a Martin Luther King, também viajou à África e ali convocou o continente a lutar por democracia e progresso.”
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