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Tempo real

Fazendo um nítido esforço para se distanciar de George W. Bush, no último debate presidencial americano McCain se mostrou mais seguro que nas discussões anteriores e reiterou “que não é” o presidente americano. Até mesmo o discurso democrata de que o país não pode ter “mais oito anos das mesmas políticas” foi adotado pelo candidato republicano.


Foto: Seth Wenig/AP

A três semanas das eleições, McCain está em queda livre nas pesquisas, e o debate desta quarta aparecia como uma das últimas alternativas para salvar sua candidatura.

Obama, que foi apontado por várias sondagens da mídia americana como vencedor dos debates anteriores, também não deixou a desejar e se mostrou mais solto diante do rival. Ele se esforçou em relacionar McCain a Bush e a mostrar a “campanha negativa” do republicano.

Os ataques pessoais, no entanto, não ganharam espaço na discussão, apesar do clima ter esquentado quando Obama reclamava das acusações republicanas de que ele estaria ligado a um ex-radical americano.

Os dois concordaram que a “América vive tempos difíceis” e precisa de mudança urgente. Daqui pouco mais de três meses, um deles assumirá a Casa Branca em tempos difíceis; restará saber se prometida mudança será capaz de tomar forma diante de uma assombrosa crise que consome o dinheiro e a confiança dos americanos.

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“Os Estados Unidos precisam de um novo direcionamento. Não podemos nos contentam com o que aconteceu nos últimos oito anos. Eu tenho um histórico bipartidário”, afirmou McCain em suas declarações finais, novamente se distanciando do impopular presidente Bush, membro de seu partido. “Servi às Forças Armadas com orgulho, e quero servir a esse país novamente.”

Obama conclui dizendo que “as políticas dos últimos oito anos e a falta de vontade de Washington nos levou a essa crise. Não podemos adotar as mesmas políticas fracassadas. Precisamos de mudanças fundamentais nesse país, e é isso que eu vou fazer.”

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Perguntados sobre a educação, Obama defende que os pais tem de “desligar a televisão e os videogames” e ajudar os filhos. “Eles não são todo mundo; eles são o nosso futuro”, continua, falando sobre importância de aumentar o investimento na escola pública.

“Gastar mais nem sempre a única resposta”, afirma McCain, dizendo que os republicanos querem reformar o sistema educacional e os democratas emperram a mudança. “Não vou continuar jogando dinheiro em cima do problema.”

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Para Obama, a aprovação do aborto é correta. “As mulheres, conversando com suas amigas, médicos e conselheiros religiosos, tem a condição de tomar a decisão correta. A privacidade não está ligada às questões estaduais.”

“Quem é a favor da vida entende essa questão”, afirma McCain, cujo partido é tradicionalmente contra o aborto. Sua vice, Sarah Palin, já foi contra a prevenção de um programa contra a gravidez da adolescência.

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“Obama não quer se sentar com nosso principal aliado” na América do Sul, Colômbia, “mas quer se sentar numa mesa, sem pré-condições, com Ahmadinejad [presidente iraniano]“, ironiza McCain, defendendo o livre-comércio, para o qual Obama pede pré-garantias.

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McCain defende o fim da dependência energética do Oriente Médio e da Venezuela. Em 10 anos, Obama diz que a dependência dessas regiões pode ser eliminada, defendendo a exploração de petróleo em alto-mar. “Criamos a indústria automobilística. O fato de estarmos tão atrasados diz algo”, comenta o democrata.

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John McCain defendeu a sua candidata a vice-presidente, Sarah Palin, afirmando que ela é um modelo para as mulheres, para a juventude americana. O republicano lembrou que além dela ter derrotado um rival do mesmo partido para chegar ao governo do Alasca, Palin ainda garantiu benefícios fiscais aos contribuintes, negociou e enfrentou as petrolíferas e foi uma reformista em toda sua história. McCain ressaltou ainda que ela entende as necessidades de famílias que enfrentam necessidades especiais, já que seu filho mais novo possui síndrome de Down. “Precisamos ajudar portadores de necessidades especiais”, afirmou

Obama afirmou que é realmente importante o que Palin tem feito pelas famílias com necessidades especiais, mas que é preciso investimentos em pesquisas para ajudá-las e que, com a política de congelamento de gastos de McCain, isso seria inviabilizado.

Questionado sobre se Palin está qualificada para ser presidente, McCain afirmou que sim. Obama disse que obviamente a governadora é uma política capacitada e que empolgou a base republicana, mas que essa é uma decisão para o povo americano.

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“Quando insinuam que eu ando com terroristas, as pessoas fogem do assunto”, diz Obama, referindo-se aos exaltados apoiadores do republicano, que freqüentemente gritam ofensas contra o democrata nos comícios de McCain.

“Sempre dissemos que esse comportamento é inadequado”, responde rapidamente o candidato republicano. “As pessoas que participam do meus comícios são pessoas dedicadas, patriotas, cidadãos fantásticos”, defende.

“Repudio quando alguém diz algo que não está na linha da minha campanha, e muitas coisas em seus comícios também são ofensivas contra mim, Obama”, completa McCain.

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John McCain afirmou que está desapontado com a política adotada pelo secretário do Tesouro americano, Henry Paulson, por ter socorrido Wall Street e não a classe média. “Estou decepcionado que o secretário Paulson não tenha feito do socorro às hipotecas uma das suas prioridades”, disse McCain, no final da primeira resposta, quando explicou seu plano econômico, que prevê a destinação de US$ 300 bilhões para que os americanos não percam suas casas hipotecadas. “Estou convencido que enquanto não contermos essa crise no mercado imobiliário, a situação não irá melhorar”, disse o republicano. “É preciso que as pessoas fiquem com suas casas”, afirmou.

(Com André Lachini, da Agência Estado)

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