Crédito: Rosa Costa, de O Estado de S.Paulo
O líder do PSDB, senador Arthur Virgílio (AM), afirmou, ao discursar no plenário, antes da votação em que o senador José Sarney (PMDB-AP) seria eleito presidente da Casa, que não é possível fazer a “renovação” da Casa mantendo no cargo que ocupa há 14 anos o diretor-geral Agaciel Maia, ligado ao senador José Sarney (PMDB-AP).
Virgílio, fazendo a defesa da candidatura do senador petista Tião Viana (AC), disse ter certeza de que este trabalharia no sentido de atender à exigência dos tucanos de moralização interna do Senado. “Agora, eu pergunto: é possível se fazer uma renovação nos costumes da casa mantendo à dirigi-la o senhor Agaciel Maia? Na minha opinião, não é”, discursou o senador do PSDB.
Acrescentou que “forças em torno do senador José Sarney não permitem que ele faça qualquer mudança na Casa.”
Ao final do discurso, Virgílio contou ter ouvido do colega Tasso Jereissati (PSDB-CE) a informação de que costuma ver estacionado na garagem do Senado um carro – “BMW – modelo 550, 700, sei lá” – que pertenceria à secretária de um diretor da Casa, e não de um senador extravagante.”
O líder do PSDB não mencionou nomes, mas servidores afirmam que o carro é da secretária de Agaciel. O senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) ajudou a engrossar as suspeitas afirmando, antes de conhecido o resultado da votação que elegeu o senador José Sarney (PMDB-AP) presidente do Senado: “Tião Viana não vai caçar as bruxas daqui, apenas as bruxas têm de ficar com as barbas de molho.” Viana era o candidato de Jarbas.
Crédito: Agência Brasil
Encerrada a disputa para a Presidência do Senado, o desafio dos partidos da base do governo e da oposição será compor os cargos da Mesa Diretora do Senado e, principalmente, das presidências das comissões permanentes.
O PT, segundo a senadora Ideli Salvatti (SC), deve reivindicar o critério da proporcionalidade por bloco e não pelas bancadas. A bancada petista está reunida neste momento para avaliar o assunto.
O presidente eleito do Senado, José Sarney (AP), convocou para o fim da tarde desta segunda-feira uma reunião com todos os líderes para discutir a composição da Mesa Diretora e das comissões.
O DEM, o PSDB e o PMDB defendem o critério da proporcionalidade pelas bancadas nas indicações para esses cargos. Neste caso, o DEM continuaria com a Comissão de Constituição e Justiça, provavelmente, com o senador Demóstenes Torres (GO).
Já o líder do PSDB Arthur Virgílio Neto reivindica, pelo mesmo critério, a presidência da Comissão de Relações Exteriores que seria entregue ao mineiro Eduardo Azeredo e a primeira vice-presidência do Senado, cujo titular seria Marconi Perillo (GO).
Prevalecendo o critério das indicações pelo tamanho das bancadas, caberia aos peemedebistas a presidência da Comissão de Assuntos Estratégicos e a de Infra-Estrutura.
Crédito: Agência Estado
O novo presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP) encerrou há pouco a sessão em que foi eleito. Um pouco antes, em discurso, Sarney elogiou o trabalho de seu antecessor, Garibaldi Alves (PMDB-RN) e assumiu o compromisso de continuar na luta pela independência e pela autonomia do Legislativo. “A paixão da vida pública é maior que a paixão da própria vida”, afirmou.
O candidato derrotado, senador Tião Viana (PT-AC), agradeceu os 32 votos que recebeu e desejou pleno êxito a Sarney. A sessão na Câmara para a escolha do presidente, continua. A previsão é de que às 16 horas haja uma sessão conjunta para a abertura dos trabalhos das duas Casas.
O líder do DEM, José Agripino (RN), disse que as divergências entre os dois maiores partidos de oposição, PSDB e DEM, são pontuais, mas as convergências são permanentes. Nesta disputa no Senado, os partidos ficaram em lados opostos: O DEM apoiou o vencedor José Sarney, enquanto os tucanos optaram por Tião Viana.
“Vossa excelência é homem de diálogo. Conduzirá essa Casa com acerto. Cumprimento vossa Excelência. O primeiro discurso me mostrou que nossos votos foram acertados”, disse Agripino.
Sarney respondeu: “Quero agradecer pelo apoio, construído com confiança. Terei responsabilidades nesta Casa, nunca tomarei nenhuma decisão sem lembrar o que representou o apoio do seu partido. Esta estapa terminou, agora vamos começar um novo momento da Casa, que transmita a todos os senadores e senadoras do seu partido a minha admiração”.
O líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), congratulou José Sarney pela sua vitória. O PSDB fechou apoio ao candidato derrotado, Tião Viana (PT-AC). “Doze votos foram de tucanos”, garantiu Virgílio a Viana.
Sarney admitiu, em seguida, que ficou triste com a falta de apoio do PSDB, mas disse acreditar no apoio “fundamental” do partido daqui para frente.
José Sarney foi convidado por Garibaldi Alves para assumir a cadeira do presidente do Senado e fez o seu primeiro discurso no cargo:
Assumo a presidência do Senado pela terceira vez, com o senso da maior responsabilidade e o desafio que constitui essa eleição para a minha vida. Certamente, nenhum dos presentes duvidam do meu bem estar social, pessoal, estaria fora das atribuições que vou enfrentar. Mas a paixão da vida pública é maior que a paixão da própria vida. E é justamente no exercício desta paixão que aqui estou. Só dividi com a literatura, escrevendo mais de sessenta títulos. Foi com a única coisa que eu dividi minha vida, toda ela mais foi dedicada ao serviço público, e a maior parte ao Congresso Nacional. Este coração da democracia, instituição extraordinária, o poder de questionar os governos, costumes, e o próprio Congresso. Cabe agradecer ao senador Garibaldi Alves, pelos serviços prestados ao Senado. Tenho deveres de amizade, políticos, mas não será com o Senado que resgatará qualquer dever. Acima de tudo isso, está a independência, autonomia e grandes interesses da nossa Casa. Portanto, o Senado tenha certeza que reafirmaremos nossa independência e exigiremos cada vez mais respeito à nossa instituição. E respeitarei nossos colegas. Não fazemos nada solitária. Quero agradecer a todos os senadores e senadoras que votaram em meu nome. Mas quero dizer que o presidente do Senado é o presidente da Casa, de todos os senadores. E quero homenagear a todos que votaram em Tião Viana. Seria,sem dúvida, uma falha de minha parte se não terminasse essa fala agradecendo a Deus por esse destino que me reservou.
O candidato derrotado Tião Viana (PT-AC) disse que tem muito respeito pelos votos dados ao senador José Sarney. ” Fiz um bom combate, quero desejar pleno êxito ao senador José Sarney. Estarei aqui cumprindo as minhas obrigações de senador da República. Sou muito grato”, disse.
Os candidatos José Sarney (PMDB-AP) e Tião Viana (PT-AC) já depositaram seus votos para presidente do Senado nesta segunda-feira, 2. O primeiro-secretário, Efraim Moraes, chama nominalmente os parlamentares para pegarem suas cédulas. Ao todo, são 81 senadores. Para ganhar, Tião ou Sarney precisam da maioria dos votos- 41.
Após os discursos de líderes e dos candidatos, o presidente Garibaldi Alves (PMDB-RN) anuncia o início da votação para o novo condutor da Casa. As cédulas de papel com os nomes de Tião Viana e José Sarney já estão prontas e os 81 senadores se dirigirão à cabine para votar. O voto é secreto.
“A apuração será realizada pelos secretários, acompanhados pelos fiscais designados pelos líderes partidários. Não haverá declaração de voto”, explicou Garibaldi.
Os senadores indicam os fiscais para Garibaldi Alves. Os senadores são chamados, nominalmente, por Efraim Moraes para pegar suas cédulas na mesa, enquanto outros senadores continuam pedindo a palavra.
Após a conclusão da votação e da apuração dos votos, o presidente do Senado, Garibaldi Alves, anunciará o nome do novo presidente da Casa, que assumirá a presidência da reunião e conduzirá o processo de escolha dos nomes para a Mesa Diretora da Casa.
(Com Agência Senado)
O senador José Sarney, candidato do PMDB à presidência do Senado, subiu à tribuna logo após Tião Viana (PT-AC), seu adversário na disputa, para discursar. “No dia 2 de fevereiro de 1959, eu, pela primeira vez, tomava posse como presidente do Congresso Nacional. Tinha participado da legislatura de 55 e 59, mas da primeira vez não fui eleito e como morreu um companheiro de bancada nosso, algumas vezes ocupei a cadeira”.
Sarney admitiu que não queria disputar o cargo novamente e justifica ao dizer que foi “convocado”. “Nesta Casa, estou comemorando 50 anos. Tenho cinco mandatos eletivos, tenho mais tempo hoje no Senado do que o senador Rui Barbosa. Sem dúvida alguma, eu não estaria escolhido tanto tempo em eleições diretas se eu não tivesse defeitos e qualidades- que me trouxeram até esta manhã. Nunca fui candidato à presidência do Senado por minha vontade, sempre por convocação. Todos sabem que eu não queria, fui convocado”.
O senador nega que seja avesso a mudanças no Senado. “Sou sempre um homem do meu tempo, homem que busca, que tem valor pela inovação. Aqui no Senado, a ideia de informatização foi minha. Tive a felicidade como presidente desta Casa informatizar todos os gabinetes e dar avanço significativo. Acho injusta a afirmação de que é um retrocesso eu disputar o Senado. Se eu tenho a oportunidade de me candidatar é porque eu vejo que posso ajudar em alguma coisa. Todo dia eu aprendo alguma coisa”.
Sarney disse que nunca fez desafestos porque nunca foi “de seu temperamento”.
Quero dizer ao Senado que eleito presidente eu reconheço que dez anos foram muitos, convoquei a FGV para fazer a reforma no Senado e fizemos, aqui dentro. Convocarei também as áreas destas universidades para melhorar, me atualizar- porque esta é a nossa função do dia a dia. E também quero um acompanhamento da crise internacional, porque acho que é o mais importante. Eu tenho autoridade, portanto, para falar desta maneira e chamar todo mundo para um trabalho conjunto”.
Ele prometeu que, se eleito, vai cortar 10% do Orçamento do Senado Federal por medida de economia. “Vou lutar pela reforma política, por todos os meios e resolver de uma vez por todas esse problemas das Medidas Provisórias, que é uma vergonha”, disse Sarney, aplaudido pelos senadores.
E concluiu: “Peço voto dos senadores para fazer um Senado melhor, mais renovado”.
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