O senador Aloizio Mercadante (PT-SP) disse durante debate que discutiu o futuro do pré-sal que o uso do Fundo de Garantia do Tempo do Serviço (FGTS) para comprar ações não resolve o problema de capitalização da Petrobras. Ele disse isso ao ser indagado sobre as perspectivas de o governo fazer um aporte da capital na estatal ou mesmo de liberar o uso do FGTS para aquisição de ações da empresa, visando garantir os recursos necessários para os investimentos na camada pré-sal.
“Eu apresentei um projeto para que o FGTS fosse utilizado para comprar ações da Petrobras em 92, eu defendo essa alternativa, mas isso não resolve o problema da capitalização da Petrobras. Eu sou favorável, mas não resolve a não ser que haja emissão primária de ações”.
O governador do Espírito Santo, Paulo Hartung, questionou como será feito o financiamento da exploração das reservas do pré-sal num cenário de crise norte-americana. “Uma questão que sempre se impôs, mesmo que não devidamente considerada em alguns momentos, mas que foi potencializada nas últimas semanas: como financiar a exploração do pré-sal? O aprofundamento da crise norte-americana e os abalos do sistema financeiro internacional adicionaram agravantes a essa questão.”
E continuou: “Num ambiente de instabilidade e de horizonte ainda incerto para a economia global, a obtenção de crédito, financiamento e investimentos se complicou mundo afora. Situação que nos inclui, principalmente quando se estima a necessidade de mais de 600 bilhões de dólares para a exploração da área do pré-sal”.
Durante debate que discutiu o futuro do pré-sal, o governador do Espírito Santo, Paulo Hartung, disse que os recursos que o Estado recebe por conta dos royalties “ainda são pouco representativos no total de nossa arrecadação. ” Em 2008, com uma receita total do Tesouro prevista em R$ 9,2 bilhões, o repasse de royalties deve chegar a R$ a 152 milhões, ou seja, 1,65% do total.”
No entanto, afirmou que o ES já está trabalhando para que esse dinheiro “seja alocado de forma correta, de maneira a garantir melhores dias para as atuais e as futuras gerações”.
Hartung contou que já foram criados dois fundos com parte dos recursos a que o Estado tem direito, o Fundo para a Redução das Desigualdades Regionais e o Fundo Estadual de Recursos Hídricos do Espírito Santo – FUNDÁGUA.
O governador do Espírito Santo, Paulo Hartung, disse durante debate no Grupo Estado que a exploração do pré-sal deve criar um Brasil mais justo. ” Devemos chegar a um Brasil mais justo, com democratização da oferta de oportunidade a todos e melhoria da qualidade de vida em todas as regiões do País”.
Ele defendeu ainda que a exploração “contemple todos os brasileiros”. “E caminhar nessa direção é plenamente possível, com se viu no exterior e como se vê em práticas nacionais, que precisam ser consideradas neste momento de debate”, finalizou.
Durante debate no Grupo Estado, Fernando Henrique Cardosos afirmou que o PSDB nunca foi a favor da privatização da Petrobras. “Quando nós fizemos a lei com esse marco regulatório, eu mandei uma carta ao Senado dizendo que eu era contra a privatização da Petrobras. O PSDB nunca foi a favor da privatização”, declarou.
Para Fernando Henrique Cardoso, ainda “é cedo para discutir a distribuição de riquezas”. A afirmação foi feita durante debate sobre futuro do pré-sal, promovido pela Grupo Estado nesta quinta.
“Nós não temos que discutir ainda como vamos gastar o que ainda não temos”, disse o ex-presidente. “O momento de cada coisa tem que ser pensado, o passo que nós vamos dar. É necessário que os estados e municípios se beneficiem. O que é fundamental é o desenvolvimento científico e tecnológico. Nós evoluímos muito nessa área e não só no setor de petróleo. Na agricultura demos um salto nisso”, declarou FHC.
O ex-presidente disse ainda que um projeto nacional “não é aquele que sai da caneca de um intelectual ou de um governo, mas aquele que flui das conversas de um País”.
“O marco regulatório atual foi criado depois que nós quebramos o monopólio do petróleo, mas as reservas são da União e sempre foram, isso não deve ser nem discutido. Quem controla o petróleo é o Brasil, o povo, e o povo não deve ser confundido com uma empresa (Petrobras). Ela teve e terá um papel fundamental nesse processo, porque ela tem conhecimento. Mas temos que pensar como usar essas reservas em benefício do povo”, disse o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso nesta quinta, em debate no Grupo Estado.
Fernando Henrique afirmou ainda que as uvas estão verdes. “Não está ainda na hora de dizer qual vai ser o novo marco regulatório. Se o governo quiser ser democrático, ele apresenta uma proposta, e ela tem que ser discutida por todo o Brasil”. Para o ex-presidente, o atual modelo beneficiou e proporcionou as descobertas atuais. “O atual modelo pode ser até modificado, mas não substituído, porque é preciso preservar o que é há de bom nele”, disse.
(Com Kelly Lima, da Agência Estado)
Durante debate do Grupo Estado, Aloízio Mercadante (PT-SP) também defendeu uma mudança na regulamentação e manutenção dos contratos já fechados, “mas não acho que nosso caminho deva ser de aumento da privatização”.
Mercadante falou ainda da mudança do regime de concessão para o regime de partilha, e citou ainda países que não souberam administrar suas reservas e hoje têm que importar petróleo, como a Inglaterra. “Temos que mudar o regime e abrir a possibilidade do regime de partilha, e dá para fazer isso com a Petrobras. Precisamos fortalecer a Petrobras, que é a principal parceira estratégica do País”.
O senador também deu razão ao governo em suspender a 9ª rodada da ANP, que ia licitar algumas áreas do pré-sal. “Quando o governo suspendeu a 9ª rodada da ANP, não completou o quebra-cabeça das licitações do pré-sal”, disse. Segundo Mercadante, “pelas licitações, as empresas pagaram R$ 345 milhões pelos blocos já concedidos do pré-sal. Nós estamos falando em 50 bilhões de barris, eles pagaram muito pouco por isso. Em Tupi, pagaram R$ 15 milhões”.
“O governo deveria incorporar reservatórios não licitados como ativo da Petrobras, aumentando o capital da empresa. Se nós licitássemos, íamos dar dinheiro para empresas estrangeiras que já estão capitalizadas. Argumento de que licitações seriam boas para a Petrobras não é verdadeiro”, declarou.
Aloízio Mercadante (PT-SP) afirmou durante debate no Grupo Estado que o “pré-sal é a grande descoberta mundial dos últimos 30 anos”. “Quando Getúlio criou a Petrobras, diziam que o País não tinha petróleo suficiente para ter uma empresa no setor. Temos auto-suficiência de produção, mas não comercial”.
Paulo Hartung concordou com Francisco Gros quando falou que “os contratos de exploração já assinados, a partir de diversas rodadas de licitação, devem ser respeitados, o que, por si só, também soma na direção do fortalecimento da Petrobras”.
O governador do Espírito Santo levantou ainda outros pontos como “o reconhecimento de que, além de beneficiar as regiões produtoras, essa riqueza (do pré-sal) deve ser fator de prosperidade para o conjunto do povo brasileiro. A segunda questão é a definição de uma fórmula que garanta o aumento da participação da União na renda do petróleo. E o debate já mostrou que existe espaço para esse crescimento”.
2012
2011
2010
2009
2008