O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, adotou um tom mais conciliatório – para seus padrões – em um discurso na Assembleia Geral da ONU nesta quarta-feira. “Nosso país está preparado para apertar todas as mãos que nos forem honestamente estendidas”, afirmou ele, diante de um auditório com muitos assentos vagos – como em outras ocasiões, diversas delegações se retiraram durante o pronunciamento.

Defensor de um programa nuclear condenado pelos países-membros da ONU, Ahmadinejad defendeu a “eliminação de todas as armas nucleares, químicas e biológicas” como forma de trilhar um “caminho para que todas as nações tenham acesso à tecnologia avançada e pacífica”. Vale lembrar que o discurso foi feito horas depois do presidente americano Barack Obama dizer, naquele mesmo plenário, que nações como o Irã e a Coreia do Norte colocam “armas nucleares à frente da segurança de seus povos.”
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Mas Ahmadinejad não pregou apenas conciliação – as críticas aos Estados Unidos e a outros inimigos do regime iraniano, como Israel, não foram esquecidas. O presidente do Irã acusou os EUA e seus aliados de falhar no Afeganistão, dizendo que a invasão apenas “exacerbou os problemas de terrorismo e tráfico de drogas.”
Elevando ainda mais os ânimos do auditório, ele afirmou que Washington ajuda Israel em suas “ambições racistas” e, mais uma vez, criticou o Estado Judeu: Ahmadinejad disse que o ataque contra a Faixa de Gaza, no ano passado, foi um ato “bárbaro” e considerou os bloqueios econômicos contra a região um “genocídio.”
As palavras inflamadas contra Tel Aviv não surpreendem: conhecido por suas opiniões polêmicas, Ahmadinejad já chegou a dizer que Israel merece “sumir do mapa” e nega reiteradamente o Holocausto, que considera uma farsa.
Fala agora a presidente argentina, Cristina Kirchner. Ela faz uma defesa do presidente de Honduras, Manuel Zelaya.
“Alguns fatos dos últimos dias me fizeram mudar meu discurso aqui. Tenho que contar-lhes que em Honduras a embaixada argentina está há dois dias sem luz. E com certeza não foi porque não pagamos a conta. Ao lado da embaixada há um canal de TV estava transmitindo a volta de Zelaya a Honduras”, disse a presidente.
“Em todo caso tivemos mais sorte que a embaixada da república irmã do Brasil. Devo lhes dizer que nem durante a ditaduras de Videla e Pinochet, houve comportamento similar”.
“Se aceitarmos este golpe, abriríamos um precedente perigoso em uma região que sofreu com ditaduras no passado”, completou. A presidente argentina pediu ainda uma estratégia multilateral forte e precisa contra a crise.
“No começo eram cinco potências nucleares. Hoje são nove. E o maior risco é se estas armas caírem em mãos de grupos armados”, diz o premiê britânico. Brown prometeu oferecer acesso à energia nuclear a países que não têm armas nucleares, nos moldes do que o ex-presidente americano Dwight Eisenhower chamou de ‘átomos por paz’.
“Nossa proposta é uma barganha entre armas nucleares e convencionais. Uma liderança internacional sóbria é vital para isso”, completou.
“Estou aqui para reafirmar a Carta das Nações Unidas e não para rasgá-la”, diz o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, na abertura do discurso.
O britânico diz que a crise financeira demandou a ação de diversos países. “Tivemos que escolher entre naufragar separados ou ter sucesso juntos”, acrescenta Brown.
“Problemas globais devem ser reduzidos por soluções globais e precisamos usar este consenso para derrotar a crise financeira”, diz.
O britânico pede união também na luta contra o aquecimento global, o terrorismo e a pobreza.
“Se falharmos em Conpenhague não haverá volta. Precisamos agir agora”, afirma Brown sobre o aquecimento global.
“Ouvi com muito interesse o discurso de Obama. Ele falou com o coração e idealismo”. Ele expressou esperança, sentimentos que eu partilho”, diz o primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi.
“Nada será pior do que soluções medíocres nos encontros do G-20 em Pittsburgh e na Cúpula do Clima em Conpenhague”, diz Sarkozy. O desafio está à nossa frente”.
“2009 será o ano em que uma ordem mundial confortável para todos será estabelecida”, completou o presidente francês
Em seu discurso no plenário da assembleia geral da ONU, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, defendeu o fim da supremacia do dólar como moeda mundial. “Não podemos ter um mundo multipolar com um moeda única”, disse.
Israel pediu nesta quarta-feira para que líderes mundiais abandonem o recinto quando o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, iniciar seu discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas em protesto a seu pedido de destruição do Estado judeu. “Creio que o fato de um ditador tão brutal e bárbaro como Ahmadinejad falar ao mundo na assembleia é um ponto baixo nos anais das Nações Unidas”, afirmou o vice-ministro israelense do Exterior, Danny Ayalon, à Reuters. “Acho que será de responsabilidade de todos os países e líderes decentes boicotarem sua aparição e seu discurso”, acrescentou.
Ahmadinejad elevou as preocupações com seus recentes pronunciamentos negando o Holocausto nazista, no qual seis milhões de judeus foram mortos. Na sexta-feira ele chamou de “mentira” o genocídio na Segunda Guerra Mundial, dizendo que ele foi usado como pretexto para a criação do Estado de Israel.
“Não podemos permitir retrocessos democráticos na América Latina. Quero retomar o pedido para a volta de Zelaya. O presidente constitucional deve conduzir o processo democrático em Honduras”, disse Bachelet.
“As forças militares e econômicas não devem ser a regra nas relações internacionais. O Chile apoia a reforma dos organismos multilaterais”, diz Bachelet.
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