Como a reação agressiva à pirataria atrapalha a inovação
- 30 de junho de 2012|
- 13h55|
- Por Tatiana de Mello Dias
Startup é sufocada pelo medo da legislação linha-dura
Os criadores da Boxopus tiveram uma boa ideia: que tal criar uma ferramenta que permitisse às pessoas baixar torrents e hospedá-los online, em suas pastas no Dropbox? Com US$ 30 mil de investimento e uma equipe de cinco pessoas trabalhando por três meses, surgia o serviço, aprovado pelo Dropbox.
O polvo – ícone do programa – logo estendeu seus tentáculos. Vários sites de torrents colocaram links para download diretamente via Boxopus. Em poucos dias, o site conseguiu mais de 50 mil membros. Todo mundo estava gostando da ideia. Menos o Dropbox.
A fama dos torrents não é boa. Depois que nova ferramenta começou a ganhar adeptos, o Dropbox ficou com medo de se encrencar com o DMCA, a lei americana que regula os direitos autorais em ambiente digital. Por e-mail, os engenheiros do Dropbox avisaram os responsáveis pela startup que bloqueariam o acesso à sua API. E assim fizeram.
“Esse comportamento torna difícil crer que os desenvolvedores são tratados com justiça e que a inovação é bem-vinda no Dropbox”, declarou ao TorrentFreak “Alex”, fundador do Boxopus. “Muitos veem o BitTorrrent como sinônimo de pirataria, mas várias coisas legais podem ser encontradas nessas redes. Por isso que o Boxopus foi feito.”
O Dropbox quer ficar longe do estigma da pirataria que tanto afetou cyberlockers como Rapidshare, 4shared e o finado Megaupload. Mas, neste caso, uma tecnologia recém-criada foi estrangulada pelo combate linha-dura à pirataria – sem provas de que ela estaria de fato contribuindo para o download ilegal de arquivos.
O temor de acabar com a inovação é um dos argumentos mais comuns contra medidas duras antipirataria, como as leis Sopa/Pipa e o Acta, acordo internacional da mesma natureza. Leis do tipo procuram vigiar, bloquear ou mesmo acabar com os meios (os serviços de internet) para chegar a um fim (acabar com a pirataria). As empresas de internet ficam inseguras em atuar – quem garante que seu investimento e trabalho não serão paralisados por medidas arbitrárias como a do Dropbox?
“Você não fecha toda uma rua só porque alguém está correndo demais”, afirmou Steve Wozniak, o simpático cofundador da Apple, ao visitar Kim “Dotcom”, fundador do Megaupload, na Nova Zelândia. Ele tomou partido do empresário, preso por lucrar US$ 175 milhões com pirataria. E diz que o caso é uma ameaça à inovação na internet.
A indústria cultural teme que a pirataria pode matar a cultura. A indústria da internet diz que o combate duro à pirataria pode matar o desenvolvimento da internet. E, nessa briga, não é preciso tomar um partido binário. Wozniak não é a favor da pirataria. Ele defende que as pessoas paguem por conteúdo. Mas ele também pede que a internet permaneça livre e aberta para continuar permitindo a inovação. Se essa liberdade não estiver assegurada, outras startups serão estranguladas não só por causa da legislação, mas pelo medo dela.
Como anda a
cultura digital, MinC?
O Ministério da Cultura continua com a reforma da lei de direitos autorais empacada, mas nesta semana haverá uma oportunidade para saber como andam os projetos relacionados à internet e como o ministério lida com a tecnologia. José Murilo, coordenador de cultura digital no MinC, será sabatinado no YouPix. A entrevista coletiva acontece na quinta-feira, 5, às 16h30, no Pavilhão da Bienal.
Contra a pirataria,
cinco avisos e um corte
O recém-criado Center for Copyright Information, parceria entre a indústria cultural e os provedores de internet dos EUA, planeja uma nova abordagem contra a pirataria. Ao detectar atividade ilegal em um IP, eles sugerem mandar um e-mail ao usuário e redirecioná-lo para um site com opções de download legal. A partir do quinto aviso, a velocidade da internet será reduzida.
Tópicos relacionados
- A Educação no século 21
- A crise na terra dos reis
- Album de Retratos
- Alvaro Siviero
- Andrei Netto
- Animal Reflexão
- Antero Greco
- Aprendendo no Mundo
- Ariel Palacios
- Arquivo Estado
- BOB
- Bate-pronto
- Blog da Garoa
- Casa
- Ciência Diária
- Cláudia Trevisan
- Coluna do Ming
- Combate Rock
- Conto de Notícia
- Conversa de bicho
- Copa 2014
- Correr por aí
- Cristina Padiglione
- Daniel Gonzales
- Daniel de Barros
- De$complicador
- Dener Giovanini
- Denise Chrispim Marin
- Dentro da rede
- Diego Zanchetta
- Direito e Sociedade
- Edison Veiga
- Edmundo Leite
- Entenda seu IR
- Estadinho
- Estante de Letrinhas
- Fernando Dantas
- Flávia Guerra
- Força de Expressão
- Fredric Litto
- Gustavo Chacra
- Haisem Abaki
- Herton Escobar
- Homem Objeto
- Jamil Chade
- Jornal do Carro
- José Paulo Kupfer
- José R. Toledo
- João Bosco Rabello
- João Luiz Sampaio
- Julia Duailibi
- Livio Oricchio
- Luiz Américo
- Luiz Carlos Merten
- Luiz Horta
- Luiz Zanin
- Lúcia Guimarães
- MBA de A a Z
- Macaco elétrico
- Marcelo R. Paiva
- Marcius Azevedo
- Moda
- Modo Arcade
- Mural dos Concursos
- Música Sertaneja
- NY Local
- Nhom
- No azul
- O papai, as gêmeas e a mamãe
- Paladar
- Paul Krugman
- Ponto Edu
- Prósperi
- Públicos
- Quiroga
- Radar Cultural
- Radar Global
- Radar Imobiliário
- Radar Político
- Radar Tecnológico
- Radar do Emprego
- Reclames do Estadão
- Ricardo Chapola
- Ricardo Guerra
- Ricardo Lombardi
- Roberto Lobo
- Robson Morelli
- Rodrigo Martins
- Roldão Arruda
- Rolf Kuntz
- Sala ao Lado
- Seja Sustentável
- Seus Direitos
- Sonia Racy
- Sua oportunidade
- Tatiana Dias
- Trending Pop
- Trânsito
- Tutty Vasques
- Ubiratan Brasil
- Vencer Limites
- Viagem
- Vias Alterlatinas
- William Capita Machado
- Wilson Baldini Jr.



Deixe um comentário: