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Capacitar equipe é essencial para crescer

Redação

segunda-feira 24/06/13

Cris Olivette Na Auto Mecânica Scopino a preocupação com a capacitação dos 11 funcionários é uma constante. “A todo momento chega ao mercado um modelo de carro diferente, sistemas eletrônicos novos e dispositivos mais modernos. Por isso, mantenho uma grade anual de treinamentos”, diz o proprietário, Pedro Luis Scopino. O empresário afirma que pelo menos [...]

Cris Olivette
Na Auto Mecânica Scopino a preocupação com a capacitação dos 11 funcionários é uma constante. “A todo momento chega ao mercado um modelo de carro diferente, sistemas eletrônicos novos e dispositivos mais modernos. Por isso, mantenho uma grade anual de treinamentos”, diz o proprietário, Pedro Luis Scopino.
O empresário afirma que pelo menos um de seus mecânicos participa de treinamento técnico no Senai e nos fabricantes de autopeças uma vez por ano.
“Depois, ele repassa as novidades para os colegas. Também consigo cursos dentro das montadoras.” Scopino afirma que a área de gestão também é uma preocupação. “Como minha mulher cuida do setor administrativo da empresa, nos revezamos nos treinamentos oferecidos pelo Sebrae. No ano passado, participei do Programa Sebrae de Qualidade Total (PSQT), que durou nove meses e nos deu direito a receber consultoria na empresa.”
Segundo o consultor da Dale Carnegie Training, especializada em treinamento e desenvolvimento de pessoas, Cesar Kaghofer, Scopino está no caminho certo. “Se a empresa não é grande, ela precisa ser boa. Para ser melhor que as concorrentes, seus funcionários devem ser tecnicamente superiores. Logo, a capacitação deve ser vista como tão importante quanto comprar matéria prima ou pagar os salários”, conclui.
Em atividade desde 2006, a KingHost, empresa de hospedagem de sites e de ferramentas digitais, mantém um ciclo de capacitação desde a contratação. “Ao ingressar na empresa, o novo colaborador participa por duas semanas de um apanhado de informações para entender como funciona a dinâmica do mercado e as ferramentas que serão usadas no dia a dia”, afirma o gerente de marketing, Cristiano Mendes.
A empresa também dispõe de uma plataforma com vários cursos. “Cada colaborador define junto com o departamento de recursos humanos os treinamentos que irá cumprir, conforme sua função. O treinamento ocorre no horário de trabalho.”
Segundo Mendes, quando há necessidade de capacitação externa, alguns colaboradores são treinados e depois atuam como multiplicadores de conhecimento. “Acreditamos que o conhecimento só tem valor quando ele pode ser compartilhado com o máximo de pessoas possível dentro da empresa, produzindo um resultado melhor para a companhia. E todos acabam ganhando com isso.”
A estratégia de compartilhar o conhecimento é recomendada pelo consultor do Sebrae, Fabio Ravazi Gerlach. “A capacitação, muitas vezes, não precisa ser feita fora da empresa. Ela pode ser aplicada tanto pelo empresário quanto pelos próprios funcionários. Segundo ele, uma alternativa que pode ser adotada por micro e pequenas empresas para baratear o investimento em treinamento é participar de entidades ligadas ao seu setor de atuação. “Essa é uma boa opção, não apenas pelas oportunidades de capacitação, mas também para buscar profissionais, pois algumas entidades têm banco de talentos, além de ser um local para obter orientação e trocar experiências.”
Gerlach lembra que hoje há grande dificuldade para obter mão de obra na área de tecnologia da informação. E para sanar esse problema, a desenvolvedora de softwares Webgoal criou o Ateliê de Software em duas universidades mineiras. “Conhecimento e capacitação são matérias-primas para o nosso trabalho e também o nosso calcanhar de aquiles por conta do apagão de mão de obra”, diz Flávio Logullo, um dos sócios.
O empresário diz que esses ateliês têm por objetivo pré capacitar candidatos para trabalhar na Webgoal. “Meus sócios visitam frequentemente esses estudantes para conversar sobre o mercado, explicar a nossa área de atuação e também para passar a cultura da empresa.”
Logullo afirma que o negócio adota um modelo de gestão empresarial orgânico, baseado na autogestão, o que também cria certa dificuldade de adaptação para algumas pessoas. “Muitos estranham a falta de hierarquia. Aqui, o comprometimento é com a equipe, todos têm liberdade para tomar as melhores decisões em prol do projeto. Além disso, ninguém tem mesa fixa e nem horário para trabalhar, todos trabalham 100% do tempo em dupla.”
Segundo o empresário, quando há necessidade de capacitação externa, eles também adotam o método de treinar alguns funcionários que depois replicam o conhecimento entre os colegas. “A cada trimestre, participamos de um evento com empresas parceiras para compartilharmos conhecimento”, diz. Criada em 2008, a Webgoal tem hoje 21 funcionários e é uma das finalistas da etapa nacional do prêmio MPE Brasil.

Primeiro passo é definir objetivo do treinamento

Segundo o consultor do Sebrae Fabio Gerlach, antes de definir o treinamento, o empresário precisa ter clareza sobre o que espera obter. “É preciso definir se o objetivo é aumentar o nível de conhecimento, melhorar a habilidade, ou fazer com que o colaborador tenha um nível diferenciado. Quando tiver essa clareza será mais fácil buscar no mercado o curso que atenda suas necessidades.”
Gerlach afirma que antes da escolha, o empreendedor pode procurar orientação e ajuda para identificar qual a melhor forma de capacitação. “Ele pode consultar o Sebrae, entidades de classe e até outras empresas do mercado.”
O diretor executivo do Instituto de Desenvolvimento de Conteúdo para Executivos (IDCE), Fabrício Barbirato, afirma que cada vez mais os micro e pequenos empresários entendem que por terem um quadro de funcionários reduzido, seus profissionais precisam fazer mais coisas. Por isso, a demanda por capacitação entre os pequenos é maior. “Os treinamentos mais solicitados são de liderança, planejamento estratégico, negociação e gestão em compras, independentemente da área de atuação da empresa.”
O aumento na demanda é confirmado pelo diretor da Dextraining, Luis Dosso. Desde 2003. a empresa oferece mais de 50 cursos na área de tecnologia da informação. “A demanda vem crescendo porque o retorno gerado pela capacitação é muito perceptível. O empresário percebe o ganho de conhecimento e um retorno muito grande em termos de atuação profissional, e de forma rápida.”
Dosso diz ser comum o desenvolvimento de cursos em parceria com empresas, com aulas exclusivas e sob medida para seus funcionários. “Para empresas que contam com poucos empregados, a opção é o treinamento aberto, feito com funcionários de outras empresas.”
O consultor da Dale Carnegie Training, Cesar Kaghofer lembra que é a liderança do dono que motiva o desejo de crescer nos funcionários. “Principalmente em micro e pequenas empresas onde o contato é mais próximo, as pessoa têm de enxergar na figura do dono uma pessoa que esteja tão motivada a aprender quanto ele gostaria que elas fossem.”

Empresa cria vale-capacitação

O gestor de pessoas da Chaordic, empresa de soluções de recomendação personalizada para e-commerce, Anderson Nielson diz que a capacitação é um dos pilares do negócio. “Oferecemos verba de R$ 300 mensais para que o funcionário aplique em seu desenvolvimento pleno, que pode ser adquirindo conhecimento técnico, comprando livros, ou pagando terapia, acupuntura, pilates etc.”
Nielson diz que para cada um real que o funcionário investir nele mesmo, a empresa oferece mais um real até o limite de 300 reais, totalizando R$ 600 reais mensais.
“Junto com os psicólogos do departamento de gestão, os funcionários montam um plano de desenvolvimento individual. É em cima desse plano que eles vão usar os 300 reais adicionais”, explica.
Além disso, os funcionários são divididos em times e cada equipe recebe um valor mensal. Depois de certo tempo o grupo decide em quem investir o valor acumulado. “Alguns já foram escolhidos para fazer treinamento no exterior”, afirma.