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Você pensa na direção que a sua carreira deve tomar?

26 de outubro de 2011 | 15h27

Fernando Scheller

Em tempos de vacas gordas no mercado de trabalho, pular de galho em galho em busca de um salário maior é uma grande tentação. No entanto, ao mudar rapidamente de um emprego para o outro, o jovem profissional pode se ver, em um momento menos favorável, com um perfil profissional que não conta uma história linear.

Explique-se: com a chuva de ofertas que é comum atualmente (e que beneficia os profissionais bem treinados e formados), muita gente acaba migrando de um setor para outro, de um perfil de empresa para outro. Assim, a história profissional pode deixar os recrutadores confusos, já que reflete uma falta de planejamento para a própria carreira.

Empresas internacionais que estão chegando agora ao Brasil percebem bem essa falta de direcionamento: o profissional, muitas vezes, pensa apenas no cargo e no salário, e não no trabalho a fazer. Assim, há gente que troca uma média empresa por uma startup, depois vai para uma grande empresa e não consegue se tornar um especialista em nada, porque o tempo de permanência é muito pequeno para que um projeto relevante em cada empresa seja concluído.

O empresário alemão Phillipp Bock, da startup Allpago, sentiu essa falta de projeto na pele: contratou, por R$ 8 mil, uma gerente para a operação de sua empresa, especializada em facilitar a transferência do faturamento brasileiro para empresas de internet baseadas no exterior. Como qualquer empresa nascente, a Allpago buscava alguém comprometido em iniciar um projeto novo.

No entanto, cinco meses depois, a profissional avisou que estava deixando a companhia para trabalhar em uma grande construtora. “Eu fiquei pensando: mas, afinal, qual era o objetivo. Trabalhar em uma empresa nova ou em uma grande empresa?”, questiona. “Recebeu um aumento de salário, mas me deixou pensando: afinal, o que é que você quer profissionalmente?”

3 Comentários Comente também
  1. Enviado por: Pedro Albuquerque

    Conversa de “patrão” e RH que vive no séc XX … não existe essa de “carreira” na modernidade, mas sim projetos. Vai ler novas sociologias e entenderá que não é só porque o mercado está efervescente, é estrutural – é uma nova mentalidade e será cada vez mais profunda. O projeto não está legal? Tem projeto que paga melhor? Muda e pronto …

    • Enviado por: Matheus

      Me parece que dependendo da empresa e principalmente do mercado os dois modelos sobreviverão juntos por muito tempo ainda. Vai depender de diversos fatores inclusive de como a economia mundial irá se comportar daqui pra frente afinal esse lance de projetos é bem moderninho e eu acho muito interessante, porém em momento de vacas magras eu diria que ainda 70 a 80% das pessoas irão preferir a segurança de um trabalho com mais cara de emprego do que de projeto. Sem radiscalismos e cada um na sua o negócio de massificar acabou portanto pode ser que um modelo de projetos se sobreponha ao antigo….mas não de jeito algum irá matá-lo e mesmo assim hj isso ainda representa uma parte muita pequena da população. Pode ser que sim pessoas com renda alta, porém poucas cabeças. Há espaço para os dois inclusive para que se componha quadros mixtos no qual as empresas tampouco fiquem na mão com “pessoas de projetos”. Seja o que for isso ainda dependerá mais do perfil da geração jovem atual e das próximas…lembrem-se depois de toda onda de modernidade e progresso acelerado, vem o momento de resgate de valores mais antigos…e estamos bem próximos dele. Ainda muita água vai rolar…acho que outro modelo será então a colônia de trabalho.

  2. Enviado por: Arnaldo de Sousa

    Prezado Fernando,

    Os recrutadores não estão preparados para a geração Y. O emprego e seus benefícios terão de ser mais atraentes. É a volta do bem-estar funcional e trabalhista. Os patrões ou chefes imediatos, muitas vezes, são arrogantes e perdem funcionários excelentes por falta de bom senso. Não existe o melhor profissional. Não existe a melhor empresa. Existem pessoas que podem dar o máximo de si para tornar tal empresa a melhor no mercado.

    O recrutador pode ver naquele que fica pelo menos dois a três anos nas empresas como uma pessoa que adquiriu várias culturas e pode ser útil. Para ele continuar na empresa em mais anos dependerá dos benefícios e estímulos que não necessariamente será dinheiro.

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